sábado, 12 de janeiro de 2019

Cristais de Gelo

Cristais de gelo. Geada. Frio.
É pura sublimação o que a natureza nos oferece numa manhã gélida de inverno.




quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Da morte

"Para a morte não há remédio." Já dizia a minha avó.
Na verdade, não consigo imaginar como se sentirá uma pessoa que sabe que tem a vida contada, que sabe que a morte é certa. Mas consigo imaginar que alguém nestas circunstâncias quererá gozar a vida e os dias que lhe restam...
Hoje, no dia em que recebi a notícia da morte do meu vizinho, lembrei-me do modo sui generis em como ele planeou gozar a vida e os dias que lhe restavam. 
E vêm-me lágrimas quando penso naquela estadia tripartida há uns meses, em Portugal, em que ele celebrou a vida  e os dias que lhe restavam. Fê-lo primeiro, gozando a vida e os dias que lhe restavam com os filhos; depois fê-lo a sós com a sua mulher e por fim, fê-lo a sós com o seu melhor amigo. Felizmente, conseguiu voltar pouco tempo depois, acompanhado como gostava sempre de estar, com a sua mulher. E visitou-me...
Hoje recordo-o sorridente e bem disposto, sentado na minha cozinha, à volta da mesa, com uma gata atrevida a saltar-lhe para o colo.   

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Tu, que "roubaste" o meu tempo

Ao homem que me "surripiou" as horas, os minutos e os segundos, afirmo com veemência que não lamento esse Tempo "roubado". Lamento sim, o Tempo que o outro tempo fez com que não chegasses até mim.
Mas agora que o tempo te trouxe do passado, vivo este presente na mira de um futuro, em que nós, quem sabe, seremos ponteiros.
Umas vezes segundos, outras vezes minutos, na certeza de que nas horas nos perderemos. Seremos ponteiros puxando um pelo outro, sempre. E mesmo que um pare, o outro continuará a girar, a girar... 
Pois o nosso Tempo vai para além do tempo contado pelos relógios.  

domingo, 4 de novembro de 2018

Silêncio e Tanta Gente

Homenagem à Maria Guinot e a esta bonita canção-poema. 

Silêncio e Tanta Gente
              (Maria Guinot)

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou



domingo, 21 de outubro de 2018

Comment lui dire

(...)
Comment le dire
Comment le dire, mieux avec le sourire ou alors avec les yeux, avec les yeux
(...)
Du fond de mon coeur comment lui dire mon bonheur à l'intérieur.





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A espera

                   ...                 Ela espera                                                             ...
                                                                ...         Tu esperas
                                           ....                                                                         Eu espero

Ela tem a idade do tempo
                                                    Tu tens todo o tempo do mundo

                                                                                                              Eu tenho o tempo contado
Eu espero
Tu esperas
Ela espera
  



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Puzzles

Nos intervalos das pausas ou melhor, entre umas leituras e outras, retiro esta passagem pertencente à obra cuja leitura está prestes a chegar aos finalmentes, ao fim de meses de leitura interrupta.

    [... ] Sempre tinham encaixado como peças de um puzzle inacabado (e talvez impossível de acabar) - o fumo dela na solidez dele, a solidão dela na reunião dele, a estranheza dela na simplicidade dele, a despreocupação dela na contenção dele. O silêncio dela no silêncio dele.
    E depois, claro, havia as outras partes - as que não encaixavam.
     
                            In O MISTÉRIO DA FELICIDADE SUPREMA, Arundhati Roy - Ed. ASA