sexta-feira, 27 de abril de 2018

Poema ao contrário (Poème à l'envers)

Fico na dúvida se a autoria deste poema é de William Taurus. De qualquer modo, a internet não refere o contrário e seja lá ele de quem for, eu gosto.

Poème à l’envers

À l’ombre, sous les platanes roux,
À Londres, tristement assis sur un banc
J’écourte ces discours douloureux,
J’écoute chaque jour mon cœur las et triste.

« Je pars, c’est fini. Je t’aime. »
Je parvins à saisir ces mots murmurés :
Assis près de toi, l’âme déchirée,
À six heures, l’heure ultime.

Fragments d’un être brisé,
Fragiles phrases aux rimes égarées,
Souvenirs volatiles sans destination,
Soupirs inexprimables d’une passion.

Las, malgré l’automne qui flamboie
Là, un homme, seul, dans un précoce hiver.
Il était une fois
Un poème à l’envers…

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Lápis de carvão, mordidelas e dia dos namorados.

Uma conhecida multinacional marca de material escolar criou, finalmente (!), um lápis de carvão à prova de mordidelas. 
E perguntam os caros leitores, o que tem ver um simples lápis, umas mordidelas e o dia dos namorados ?!...
Pois bem, aparentemente nada, mas só aparentemente. 
Vejamos...
Escreve-se muito sobre o amor. Embora poucos o levem e o pratiquem a sério, muita gente considera ainda, que escrevê-lo ou assumi-lo, é coisa de gente pirosa ou foleira. Eu pessoalmente acho bonito quem o faz.
Escrever sobre o amor com um lápis de carvão pode ter algumas vantagens, na medida em que se corrigir ou apagar. Mas os tempos mudaram. Hoje em dia é sabido que o amor se escreve ao sabor e ao som de teclas e a utilização do lápis e do papel será apenas uma recordação, num futuro próximo.  
Portanto, quanto mais se escreve mais se afia; mais se afia mais lápis se gasta. É o princípio da utilização barra consumo (bom para os chineses mas péssimo para o meio ambiente). 
Ponto dois. Mordidelas! Todo o professor sabe que existe, por exemplo, aquela tendência nervosa por parte de algumas crianças para morderem as pontas dos lápis. Muitos começam logo pelos bicos, mas a maioria acha-os amargos e demasiado duros, daí as extremidades continuarem a ser as partes preferidas.
Ora, assim é o amor. Mordidela ali, mordidela acolá e quando se dá por ela, estamos todos marcados ou, se preferirem, mordidos.
Referindo por fim, o Dia dos Namorados 2018 (convém não esquecer que os casados, os recasados, os juntos, os ameigados, etc, também têm o estatuto de namorados), mais as infelizes declarações do 44º Cardeal de Lisboa (agora conhecido também pelo Cardeal da Abstinência); o que diria o Santo Valentim, essa boa alma - dizem -, que contrariou as normas da época e casou tantos casais jovens às escondidas?!   


domingo, 31 de dezembro de 2017

Perfeitos desconhecidos

Não existem desconhecidos maiores do que cada ANO que começa e a espécie humana.  

Da maldade escondida dentro desta, à verdadeira bondade e ingenuidade, características também de outros tantos seres humanos, vai um passo de gigante, porque poucos são os que ainda têm estas duas últimas qualidades.
Hoje penso naqueles que desejam entre si umas "Boas Entradas e um Feliz 2018", mas penso, sobretudo, naqueles que não podem ter nada disto, e que provavelmente jamais terão qualquer um dos Anos que venham, feliz.
De há uns anos para cá, é assim que me sinto no final de cada ano. Sem grandes motivos para celebrar, a não ser a existência da VIDA que alguns insistem em tirar estupidamente das mais variadas formas.




quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A falecida

A Clareira, 28 de dezembro de 2057

             Caros vivos.

Faleci 86 anos depois de ter nascido, mais precisamente em 2052.
Passaram-se cinco após esse fatídico dia em que, eu, sentada à lareira, caí literalmente para o lado.
A pedido, levaram-me para a cama onde me recordo de ter fechado os olhos e acordar na manhã seguinte tal e qual assim: enregelada de morte!
"Pronto. Foi desta que morri!"- pensei.
E deixei-me estar à espera que os vivos tomassem as providências habituais nestas circunstâncias.
Não quis saber de mais nada. Se diziam mal de mim. Se choravam. Se sentiam pena. Se iam guerrear por causa de bens... Não queria saber.
Estava mortinha e nada mais importava, a não ser o meu Antero que chorava copiosamente a minha partida do mundo terreno. Como eu gostava (por amor, claro) do pobre coitado!
Já caquético e surdo que nem uma porta, era ao lado dele que eu passava os dias e as noites. Às vezes ainda tínhamos forças e ralhávamos como dois miúdos, mas éramos tão unidos e amigos que já não passávamos um sem o outro (coisas de velhos, sabem). 
Neste preciso momento estou num local agradável com árvores apenas, e muita luz.
Antes, recordo-me de ter entrado num túnel escuro com várias saídas. Todas elas davam para lugares esconsos, escuros e só depois se chegava às clareiras.  
Quando aqui cheguei não encontrei ninguém que me esclarecesse sobre este lugar. Fiquei literalmente, aborrecida de morte, pois não era assim que se recebiam os defuntos. Porra! Ao menos um cartãozinho ou um bolinho de boas vindas. Mas tudo passou.
Aquelas histórias que contavam do céu, do inferno e do purgatório sempre me pareceram surreais. "Precisava morrer para saber toda a verdade", pensava eu em vida.
E na verdade, as minhas suspeitas confirmaram; não existia céu, inferno ou purgatório.  
No caminho até chegar a esta clareira, só encontrei gente com sorrisos escancarados na cara. Presumi que seria de felicidade por estarem ali sem preocupações e sem tempo contado, fazendo tudo o que lhes desse na real gana.
Parei para perguntar se era aquele, o único lugar para onde eram reencaminhados os mortos...
Abeirou-se, então, de mim um hippie que logo ofereceu uma passa do seu cachimbo e me esclareceu sobre as clareiras.  O que variava de clareira para clareira era o tipo de vegetação. O som dos pássaros fazia-se ouvir uma vez no ano eterno e por isso todos aproveitavam para festejar o acontecimento. Foram estas as explicações do hippie, que me desejou uma boa estadia, oferecendo-me de novo uma passa que eu, educadamente, recusei (já que nunca tinha fumada em vida, também não seria como morta que apanharia o vício).
Esta história termina com a chegada do meu Antero.
Todos os dias eu ia ver quem eram os novos inquilinos das clareiras.
Ao sexto ano recebo, enfim, de braços abertos, o meu velho e inseparável Antero.
Estava finalmente no céu!


terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Natal dos "Tristes"

Cheira a Natal, porém o meu decadente e fragilizado espírito natalício está-se (quase quase) nas tintas para a quadra.
Que me perdoem os católicos.
Que me perdoem os comerciantes.
Que me perdoem os fabricantes de brinquedos.
Que me perdoem as grandes marcas de chocolates.
Que me perdoem os perus e os bacalhaus.
Que me perdoem os amigos e os familiares.
Que me perdoe a filosofia consumista se consumo pouco nesta altura do ano.
Que me perdoem todos!
O direito de não alinhar pela maioria nesta frenética aventura natalícia é uma opção como qualquer outra, independentemente da data. 
Se perdemos o espírito de Natal? Sim, partindo do princípio que ele existiu de alguma forma, pelo menos na nossa infância. Tal como perdemos outras capacidades espirituais e ganhamos outras, sem que isso faça de nós uns  anormais ou umas pessoas menos sensíveis.
Se temos justificações para isso? Sim, quase sempre.
Claro que continuo a pensar nos desajustados da sociedade, nos pobres de dinheiro e nos pobres de espírito. E como poderia eu esquecer os refugiados, ou os loucos por exemplo?!
Claro que continuo a pensar nas pessoas sem emprego, sem casa e sem rumo na vida.
É óbvio que penso e lamento a morte de todas as pessoas, independentemente da sua projeção nisto ou naquilo.
Claro que penso nas pessoas felizes, nas infelizes e nas pessoas assim-assim.
Claro que esta é a quadra por excelência, que me aviva certas datas, como aquele 26 de dezembro de 1985 ou o 9 dezembro de 79 ou mais recentemente, o dia 24 de dezembro de 2016. 
Claro que penso e peço Amor e Paz para todos. 
Mas egoísmos ou individualismos à parte, que fique claro; cada vez mais apetece ter um dia para pensar mais em mim.
Já que tenho os restantes 364 dias para pensar em tudo o resto, qual é o problema? 


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Why can't we live together

"Why can't we live together", grosso modo falando?
Steve Windood & Carlos Santana cantam possíveis razões.
Excelente fim-de-semana.