Não importa se é nome de segunda ou de primeira.
Se é Maria Fernanda ou Fernanda Maria.
Oh Maria cheia de graça que vais com as outras!
Haverá por aí uma Maria Perfeita?
Das virtudes de que reza a história sobre Marias, apenas me resta a da paciência.
Sim, eu serei Maria, a da paciência. Santa Maria Paciência!
(Música: Mary's Theme)
Quanto tempo tem o Tempo?
Partir do que vejo, do que sinto, do que sou e viajar pelo mundo das palavras. E nada mais.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
domingo, 28 de julho de 2019
Sugestão de leitura: anti bucólicos de David Teles Ferreira
"As mãos das mulheres
já não embalam berços
juntam-se para uma última reza antes de deitar
e descansam por fim estendidas ao lado do corpo"
anti bucólicos, David Teles Ferreira
já não embalam berços
juntam-se para uma última reza antes de deitar
e descansam por fim estendidas ao lado do corpo"
anti bucólicos, David Teles Ferreira
"anti bucólicos" lembra pela sua temática, uma écloga do Renascimento sem o ser.
O texto poético ou o poema de estilo prosaico, escrito em prosa da autoria de David Teles Ferreira, é uma viagem sem pressa, serena pelos hábitos e vivências campestres, em que não falta a expressividade, o simbolismo e um certo lirismo a fazer-nos lembrar a poesia de Miguel Torga.
Pelos caminhos que desgastam solas mas também vidas, os homens e "as mãos das mulheres" executam tarefas e vivem complementando-se numa harmonia que o leitor experimenta através de palavras e de cenas tão imaginadas quanto reais.
O livro "anti bucólicos" é a quarta obra do poeta e escritor David Teles Ferreira.
Depois do livro, Crónica de um renascimento e outras escritas de bolso, publicado em junho de 2016, o escritor lança agora este livro - edição de autor -, todo ele feito de forma artesanal com uma original capa de papel reciclado.
quinta-feira, 30 de maio de 2019
O Beija-Flor
O Beija-Flor, por Tobias Barreto de Meneses (07 Junho 1839 - 1889, Recife, Pernambuco, Brasil)
Bela visão matutina
Daquelas que é raro ver,
Corpo esbelto, colo erguido,
Molhando o branco vestido
No orvalho do amanhecer.
Vede-a lá: tímida, esquiva...
Que boca! é a flor mais viva,
Que agora está no jardim;
Mordendo a polpa dos lábios
Como quem suga o ressábio
Dos beijos de um querubim!
Nem viu que as auras gemeram,
E os ramos estremeceram
Quando um pouco ali se ergueu...
Nos alvos dentes, viçosa,
Parte o talo de uma rosa,
Que docemente colheu.
E a fresca rosa orvalhada,
Que contrasta descorada,
Do seu rosto a nívea tez,
Beijando as mãozinhas suas,
Parece que diz: nós duas!...
E a brisa emenda: nós três! ...
Vai nesse andar descuidoso,
Quando um beija-flor teimoso
Brincar entre os galhos vem,
Sente o aroma da donzela,
Peneira na face dela,
E quer-lhe os lábios também
Treme a virgem de surpresa,
Leva do braço em defesa,
Vai com o braço a flor da mão;
Nas asas d’ave mimosa
Quebra-se a flor melindrosa,
Que rola esparsa no chão.
Não sei o que a virgem fala,
Que abre o peito e mais trescala
Do trescalar de uma flor:
Voa em cima o passarinho...
Vai já tocando o biquinho
Nos beiços de rubra cor.
A moça, que se envergonha
De correr, meio risonha
Procura se desviar;
Neste empenho os seios ambos
Deixa ver; inconhos jambos
De algum celeste pomar! ...
Forte luta, luta incrível
Por um beijo! É impossível
Dizer tudo o que se deu.
Tanta coisa, que se esquece
Na vida! Mas me parece
Que o passarinho venceu! ...
Conheço a moça franzina
Que a fronte cândida inclina
Ao sopro de casto amor:
Seu rosto fica mais lindo,
Quando ela conta sorrindo
A história do beija-flor.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Estar ou não estar, eis a questão
Na verdade, hoje invadiu-me um desesperado e surdo grito de tristeza e de revolta, simultaneamente.
Guardei-o para mim, como guardo outras coisas.
Pesou-me. Pesa-me, aliás, saber que é um grito silencioso e que dói mais que o outro, aquele que ecoa a não sei quantos metros.
É cansaço e tristeza. É inconsciente. É consciente. É quase tudo à minha volta.
É como estar à beira dum rio com pé e não o querer atravessar com receio que o caudal aumente a qualquer momento.
Há dias lixados!
Guardei-o para mim, como guardo outras coisas.
Pesou-me. Pesa-me, aliás, saber que é um grito silencioso e que dói mais que o outro, aquele que ecoa a não sei quantos metros.
É cansaço e tristeza. É inconsciente. É consciente. É quase tudo à minha volta.
É como estar à beira dum rio com pé e não o querer atravessar com receio que o caudal aumente a qualquer momento.
Há dias lixados!
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Má sorte ser professor ou os sinais interiores de "estupideza" ?
A propósito dos 49% dos portugueses inquiridos que consideraram que António Costa agiu bem quando ameaçou demitir-se, caso a contagem integral do tempo de serviço congelado aos professores fosse aprovado na globalidade, cumpre-me o registo de algumas ideias. E me caiam já em cima todos aqueles a quem a carapuça servir, a ver se importo!
1º - Estes inquiridos só podem - digo eu - fazer parte duma maioria de invejosos da qual provavelmente farão parte, um grupo indeterminado de pessoas (incluindo pais e encarregados de educação) mal formadas, mal informadas e mal educadas que muito provavelmente negligenciam a torto e a direito a educação e a formação dos seus filhos/educandos (e só menciono estes por cortesia).
2º - Os professores são funcionários públicos, vulgo trabalhadores do Estado, cujo trabalho especializado e específico tem de ser também valorizado. Muitos o criticam, mas pouquíssimos sabem o quão difícil é nos nossos dias, levar as tarefas ensinar e formar a bom porto.
3º - Um professor é um cidadão como tantos outros, cuja única diferença reside no ponto anterior (2º). Um professor como ser humano que é, também tem o direito a casar, a ter filhos ou a divorciar, por exemplo. Um professor tem ainda uma agravante relativamente a certos funcionários/trabalhadores do Estado: não tem quaisquer ajudas de custo ou subsídios quando é colocado por concurso, a centenas de quilómetros da sua casa, colocando a sua vida pessoal e familiar num imbróglio dos diabos.
4º - Um professor cujos 9 anos, 4 meses e 2 dias não foram contabilizados cumpriu, apesar de tudo, o seu dever na escola. Por certo, teve de cumprir com compromissos bancários; teve gastos pessoais (transporte, alojamento, saúde, entre outros). Acusou desgaste profissional.
Alguns não ganharam mais; antes pelo contrário... Porém, estiveram ao longo desses 9 anos, 4 meses e 2 dias ao serviço!
5º - Sou professora e não aceito que usem o nome da minha profissão para fazer política suja e "bluffista". Sou professora e quero o melhor para os meus alunos, para mim, para os meus e para o meu país, mas não me venham com tretas. Eu não tirei nem roubei nada a ninguém.
Queria apenas aquilo a que tenho direito.
quarta-feira, 1 de maio de 2019
Da Silva
É unânime. A avaliar pelos comentários, Emanuel da Silva é um músico muito apreciado e querido do público que ouve as suas canções.
A descoberta deste artista aconteceu por acaso, numa daquelas idas ao youtube e, em boa verdade, depois de ouvir meia dezena de músicas, também eu fiquei a gostar.Do Emmanuel ou melhor, do Da Silva, dizem que é, para além de muito talentoso, um moço simples e humilde.
Ora pois! Que mais poderíamos nós esperar de um artista com sangue luso?!
Emmanuel da Silva, mais conhecido como Da Silva, é um cantor e compositor francês de ascendência portuguesa. Um crítico do Le Monde chamou-o de camaleão musical passando de punk e industrial a electro, garage e rock. Wikipedia (inglês)
E qualquer que seja o estilo, não dá para fugir às origens.
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Papoilas

Pintada de papoilas, a seara verde cobre-se duma quietude que nos enche a alma e a vista.
Comme Un P'tit coquelicot
Le myosotis, et puis la rose,
Ce sont des fleurs qui disent quelque chose !
Mais pour aimer les coquelicots
Et n'aimer que ça... faut être idiot!
(...)
Marcel Mouloudji (cantor, compositor e ator francês, 1922-1994)
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