segunda-feira, 30 de outubro de 2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Why can't we live together

"Why can't we live together", grosso modo falando?
Steve Windood & Carlos Santana cantam possíveis razões.
Excelente fim-de-semana.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Estudo de pronomes


Étude de Pronoms
 
Ô toi ô toi ô toi ô toi
toi qui déjà toi qui pourtant
toi que surtout.
Toi qui pendant toi qui jadis toi que toujours
toi maintenant.
Moi toujours arbre et toi toujours prairie
moi souffle toi feuillage
moi parmi, toi selon !
Et nous qui sans personne
par la clarté par le silence
avec rien pour nous seuls
tout, parfaitement tout!

                      Jean Joseph

domingo, 1 de outubro de 2017

Maurice Magre, "Je ne t'aime pas"



Maurice Magre - (Toulouse 1877 -  Nice 1941) foi um romancista, dramaturgo e poeta francês.
Em 1924 o jornal le Figaro descrevia-o assim: "Magre est un anarchiste, un individualiste, un sadique, un opiomane. Il a tous les défauts, c’est un très grand écrivain. Il faut lire son œuvre." 

Ainsi tu vieilliras loin de moi, et des peines
Que je ne saurai pas te viendront à pas lents,
Je ne scruterai pas les ombres de tes veines,
Je ne compterai pas tes premiers cheveux blancs.

Au foyer inconnu dans un fauteuil antique,
Près d’un jeune miroir tu t’assiéras, songeant,
Et parmi la douceur des ombres domestiques,
Tu seras grave et douce avec des mains d’argent.

Peut-être avec regret en te voyant moins belle,
Te rappelleras-tu ta grâce et ton éclat ?
Pour t’expliquer l’attrait de ta beauté nouvelle
Et pour te consoler je ne serai pas là.

Je ne connaîtrai pas les meubles et les choses,
Quels livres préférés seront alors les tiens.
Tu chanteras des vers, tu toucheras des roses,
Et des vers et des fleurs, moi je ne saurai rien.

Je ne percerai pas le mystère des chambres
Où tu vivras. L’oubli gardera ta maison.
Et quand l’âge à la fin te glacera les membres,
Un autre pour la mort sera ton compagnon…

                                                     Maurice Magre, 1913

A poesia de Magre também foi musicada, sendo esta canção uma das mais conhecidas:
Je ne t'aime pas (1934)

https://youtu.be/7a9xNa9H7tQ

"Retire ta main, je ne t'aime pas,
Car tu l'as voulu, tu n'es qu'une amie,
Pour d'autres sont faits, le creux de tes bras,
Et ton cher baiser, ta tête endormie.

Ne me parle pas, lorsque c'est le soir,
Trop intimement, à voix basse même,
Ne me donne pas surtout ton mouchoir,
I l referme trop le parfum que j'aime.

Dis-moi tes amours, je ne t'aime pas,
Quelle heure te fut la plus ennivrante,
Je ne t'aime pas,
Et s'il t'aimait bien, ou s'il fut ingrat,
En me le disant, ne sois pas charmante,
Je ne t'aime pas.

Je n'ai pas pleuré,
je n'ai pas souffert,
Ce n'était qu'un rêve et qu'une folie,
Il me suffira que tes yeux soient clairs,
Sans regret du soir, ni mélancolie. 

Il me suffira de voir ton bonheur,
Il me suffira de voir ton sourire,
Conte-moi comment il a pris ton coeur,
Et même dis-moi ce qu'on ne peut dire.

Non, tais-toi plutôt, je suis à genoux,
Le feu s'est éteint, la porte est fermée,
Je ne t'aime pas,
Ne demande rien, je pleure, c'est tout,
Je ne t'aime pas,
Je ne t'aime pas, oh ma bien aimée!

Retire ta main, je ne t'aime pas,
Je ne t'aime pas...oh ma bien aimée!"

sábado, 23 de setembro de 2017

Deadly Valentine

Quatro anos depois do suicídio (dezembro de 2013) de Kate Barry aos 46 anos, Charlotte Gainsbourg está prestes a lançar o seu mais recente álbum dedicado à irmã mais velha, fotógrafa e filha do compositor Jonh Barry com Jane Birkin. 
O clã Birkin continua, no entanto, a revelar ao mundo os dotes artísticos de alguns elementos. Charlotte teve uma exposição pública precoce, razão pela qual quis preservar, tanto a sua vida privada como a dos seus filhos, dos flashes do CSW (cruel social world). 
Mas ao que parece a exceção abre-se com este vídeo realizado pela própria Charlotte Gainsbourg.
Deadly Valentine é uma das músicas integrantes do álbum "Rest", que conta com a colaboração de Sir Paul McCartney, entre outros, e com a produção de Guilhaume Emmanuel de Homem-Cristo, da dupla francesa de música eletrónica, Daft Punk. 
Este clip explora em breves minutos a vida de um casal, da infância à maturidade e nele aparecem então, a Joe de 6 anos e a Alice de 15.  

 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Abusada

Aquela confissão no meio da conversa deixara-me sem fala. Nada, mas mesmo nada, fazia crer que aquilo lhe teria sucedido em miúda.
De tal modo que já nem sabia precisar a idade. Talvez rondasse os 5, 6 anos. Ou os 8! 
Não conseguia de todo lembrar-se por mais ginástica mental que fizesse, mas lembrava-se perfeitamente das noites que passara com pesadelos, da dificuldade em adormecer, do medo de ir à casa-de-banho, do medo do escuro, do medo de contar à mãe ou ao pai. Enfim, do MEDO de tudo!
Crescera. Fizera-se mulher. Diria eu que ela era uma mulher adulta normal, equilibrada, sem vaidades de maior ou "pancas" de fugir. Tirara um curso superior e, acho, pelo que conversávamos, fora uma segunda opção do seu agrado e gostava profissionalmente do que fazia, apesar do cansaço.
Era frequente contar-me a sua vida conjugal, que a certa altura começara a entrar em declínio. 
Por vezes é preciso um "big brother" para ficarmos a conhecer melhor a pessoa que escolhemos para casar. Os homens caçam-nos na fase do namoro e depois de achar que lhes pertencemos, passam a ignorar-nos. Gostava de amar e que alguém me amasse para sempre, dizia-me.
E como se isso não bastasse, outros factores fizeram com que deixasse de lutar pela pessoa e pelo amor; amor entretanto ausente de todos os actos da vida a dois. 
Separou-se de papel passado, dez anos depois do declínio.
Percebo agora melhor, e mais do que ninguém, a minha amiga.
O medo da entrega total e incondicional, já numa nova fase da vida... Talvez fosse útil consultares um profissional, agora .- Embora eu sempre a considerasse uma mulher de armas, de uma força interior invejável e com uma paciência de santa, só ao fim de quarenta e tantos anos é que se sentiu com a coragem necessária para confessar os abusos sexuais de que fora vítima em criança.
Um familiar próximo... sem, porém, lhe ter guardado alguma vez ódio ou rancor.
Tiro-lhe o chapéu. Faço-lhe a vénia e admiro-a ainda mais.  

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O importante é ir

Escolher entre Montemor, Évora, Alcáçovas, as Grutas do Escoural ou qualquer outro destino, o importante é ir.
E eu fui. E voltei. E voltaria a ir, se necessário.

Entre o ir e o voltar
há o estar;
Em ti estou, tempos sempre novos
de regressos sem partida,
de caminho sem viagem.
É em ti que me despeço
dos dias,
é por ti que estanco a vontade
e fico esquecido
das partidas que não projecto. 

  António Patrício Pereira, 2013




domingo, 9 de abril de 2017

"Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor..."


O quê? Valho Mais que uma Flor

O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.
Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
(Tudo é nada sem outra coisa que não é).

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

sexta-feira, 31 de março de 2017

O velho portão do cemitério

Continuo a fazer o luto de forma natural e serena.  
Quando eu era criança, avistava da casa dos meus tios e dos meus avós, o cemitério. Pensava, "nunca hei-de entrar ali sozinha". Admirava, no entanto, a coragem e a sapiência da tia Hermínia que nada temia e dizia sempre, "não devemos ter medo dos mortos mas sim dos vivos". 
Levei 43 anos a perceber que ela, uma vez mais, estava certa. 
Ontem, ao fim da tarde desafiei-me a mim própria. 
Precisava de lá voltar. Precisava de colocar uma daquelas flores artificiais... Precisava de fazer uma visita como antes, quando... Precisava de imaginar aquele colo e as mãos sobre os gatinhos...
E aquele amontoado de terra, onde já se misturam ossadas com restos de madeira e pedras, provocou-me uma tristeza a dobrar. 
Pensei porém, nas duas pessoas que me deram a vida e como, finalmente, devem estar felizes por voltaram a estar juntas. O amor os juntou, até na morte. Literalmente.
O velho portão de ferro do cemitério voltou a ranger. Fechado, sempre, como convém, que o sítio é de muito vento. 
E naquele espaço repleto de silêncios estranhos, sepultam-se cadáveres que nos alimentam memórias e saudades para sempre. E já não temos medo, mas choramos na mesma.  

segunda-feira, 20 de março de 2017

Ballade de la Convenance de se Deshabillere au Printemps

A minha homenagem, em língua francesa, à chegada da Primavera.



Ballade de la Convenance de se Deshabiller au Printemps 

par Catulle Mendès

La Seine, clair ciel à l'envers,
S'ensoleille comme le Tage !
Laisse éclore des menus vairs
Tes bras, ta gorge et davantage.
Au diable l'imbécile adage :
" Avril. Ne quitte pas un fil. "
Il ne sied qu'aux personnes d'âge.
Quitte tout, ma mie, en avril !
Quand Zéphyr dévêt des hivers
La colline après un long stage,
Pourquoi resteraient-ils couverts
Les seins de lys qu'un val partage ?
Vent ! déchire en ton brigandage
Ces brumes : batiste et coutil !
Je me charge du ravaudage.
Quitte tout, ma mie, en avril !
C'est le temps où par l'univers
Le franc amour flambe et s'étage ;
Le faune halète aux bois verts
Et l'ermite en son ermitage.
Aimons ! plus de baguenaudage !
Les pudeurs, le refus subtil
Des flirts et du marivaudage,
Quitte tout, ma mie, en avril !
ENVOI
Ange ! si ton démaillotage
Veut un poêle, mon coeur viril
Le remplace avec avantage !
Quitte tout, ma mie, en avril.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sonegador de sonhos

De sonhos tinha a alma cheia. 
Tão cheia que um dia deixou de dormir com receio de sonhar. 
Adotou estratégias para não enlouquecer totalmente. Quando sentia o peso das pálpebras, defendia-se como podia. 
Passara, por isso, a cronometrar o sono. De meia em meia hora, um alarme tocava e o homem acordava. E adormecia. E acordava. E ia vivendo neste ram-ram tão surreal quanto existencial. 
Os sonhos morriam à nascença sem qualquer hipótese de ver a luz da noite ou do dia. Sem qualquer hipótese de se tornarem sonhos cor-de-rosa, sonhos bons, sonhos quimeras, sonhos "pesadelescos", ou sonhos reais.  
Um dia numa das suas longas horas de vigília, sentado, numa poltrona, chega-lhe esta mensagem.
"Esta noite tive um sonho tão parvo!Imagina que, íamos de viagem num autocarro, nem eu sei para onde! Quando me virei para o lado, não estavas. Tinhas desaparecido e o autocarro nem sequer tinha parado. Passei o resto do sonho à tua procura... Que aflição!
P.S. Amo-te. (E não é um sonho)"

E depois das palavras, a música: Dreams by Fleetwood Mac.
Bons sonhos, sempre! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

L'hiver, Antoine de Latour

 L'hiver

Ce qu'il faut au bonheur, lorsque souffle la bise,
C'est une porte close, un livre, et dans un coin
Une lampe qui brûle, et qui tout bas me dise
Que, si l'ennui venait, la muse n'est pas loin.

Il faut que d'heure en heure, et d'église en église,
La voix de l'avenir me parle dans l'airain,
Relève par degrés mon âme qui se brise,
Et, d'espoir en espoir, la mène au lendemain.

Surtout que nul amour ne tourmente ma veille,
Ou si dans le passé quelque ombre se réveille,
Qu'elle s'efface vite, et se perde à mes yeux,

Dans ce monde de l'âme, où d'une vie étrange
L'art anime son rêve, être mystérieux
Qui n'est déjà plus l'homme, et n'est pas encore l'ange.

                     Antoine de Latour (1808-1881)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fast love

No seguimento da notícia de ontem, eis uma versão alternativa ao tema "Fast love" do recentemente desaparecido George Michael.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dr Fastluv

Foi de um conceito empreendedor que nasceu a máquina que promete revolucionar os hábitos e os costumes de homens e mulheres em todo o mundo.
Dr Peaceluv era um desconhecido até ao momento em que os seus estudos começaram a ser conhecidos e contestados por vários associações profissionais e, cidadãos em geral.
De facto, este estudioso do comportamento humano tem vindo a dedicar-se nas últimas duas décadas à problemática amorosa/sentimental dos seres humanos, não esquecendo os gatos, os cães, os ratos e outros bichinhos.
Após ter dedicado cinco anos a um exaustivo trabalho de "laboratório", Dr Peaceluv conseguiu finalmente comercializar a sua inovadora máquina Fast Emotions que, tal como o nome indica, e à semelhança das suas congéneres - máquinas de fast food ou de tabaco - permitirá satisfazer a curto, médio e longo prazo, as necessidades básicas do ser humano, no que toca às questões de índole afectiva, emocional, e até sexual.
Vocacionada para os info excluídos que não podem suportar uma ligação à internet, Peaceluv explicou numa entrevista, ao jornal GreaTbosTlie, que o funcionamento da sua máquina indutora de emoções e afectos, se baseia no mesmo princípio das distribuidoras de outros produtos de consumo imediato. A diferença é que a Fast Emotions está ligada a uma plataforma digital que é actualizada diariamente por técnicos com formação em human relations
Na Fast Emotions não faltam feitios, personalidades, beldades, sexo e outros atributos para os mais variados gostos. A vantagem da utilização desta máquina é que ninguém assume qualquer compromisso com nada nem ninguém, podendo usar e deitar fora quando e como lhe aprouver; como aliás já vinha acontecendo de há umas largas décadas para cá desde que os sites de encontros e redes sociais tomaram de assalto as casas e os lares do mundo "civilizado".   

As perguntas, porém, continuam no seio dos contestatários desta invenção.
Como funciona, realmente? Como pode uma máquina satisfazer e substituir necessidades tão básicas e humanas?
Estamos na véspera do Dia dos Namorados do ano de 2087. Talvez não falte muito para que cada um se questione sobre o que é isso do amor ou o que é isso de namorar e de namorados.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Wolfgang Weyrauch

Vi-te, e no entanto não te vi,
não te vejo e no entanto eu te vejo,
nunca te vi e ainda te vejo,
pois o teu ver é o ver com que te vi.

Pois o que é meu é teu, e tu és eu,
e eu sou tu. Somos nós o mundo,
e quando a lava vai ao fundo
pensas tu em mim, penso em ti eu.

A cinza voa, em sinais de chama,
crepita o fogo, e eu respondo ao que chamas.
De pura ventura gemem as chamas,
depois por última vez chiam as chamas.

Nós, porém, eternidades respiramos,
respiramos água, respiramos pão,
e a morte da morte experimentamos
no bafo dos lugares e dos tempos que se vão.

                Wolfgang Weyrauch

                IN LÍRICA AMOROSA ALEMÃ MODERNA - Versões portuguesas de Paulo Quintela, Cancioneiro Vértice - Coimbra 1978

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Possessivos

Nem sempre a utilização dos possessivos é sinónimo de posse (no sentido de ser propriedade de) de algo ou de alguém.
A minha ou o meu poderão apenas significar afeto, carinho, amizade, amor,... e serem apenas usados como tal.
Lembro-me dos professores, por exemplo, que se referem muito aos alunos como sendo SEUS.
O MEU JOÃO.
A MINHA MARIA.
O MEU isto.
O MEU aquilo.
E não sendo deles, os alunos pertencem-lhes através dos laços da afetividade. 
E é assim que deveriam funcionar estas palavras e todas as outras.
Do meu ao teu. Do meu ao nosso. 
É bom ter este sentido de "posse". Ao mesmo tempo despretensioso. Ao mesmo tempo libertador e ao mesmo tempo tão reconfortante.
É bom quando se pertence a alguém que nos quer bem, sempre.