domingo, 29 de março de 2015

Bellis Perennis

...
"---------------..............----------------.............-----.-.-.-.-.-.-.-.-............---_---_---_---_______º-º____º-º
Neste vai-e-vem do escreve-apaga, Ella finta as teclas e o aparente vazio de ideias brincando com elas. E nada! Até que se lembrou daquela história em que entrava um colibri, o pássaro mais pequeno do mundo." 
Dedico esta história a um passarinho sem gaiola, único e exclusivo, aninhado numa "árvore" especial que é a minha vida.



                                                                                      (foto google)

     Era uma vez um margarida pequenina que nasceu à beira de um caminho. 
Como todas as margaridas silvestres, era vulgar uma florzinha tão insignificante e discreta como aquela passar despercebida. Talvez por isso, ela e as congéneres da sua espécie eram as vítimas preferidas das bicicletas e dos pés de pessoas incautas e insensíveis.
     Porém, num soalheiro dia de Primavera, um passarito abeirou-se da margarida. 
Apercebendo-se dos perigos que corria, a pequena ave resolveu passar por ali todas as manhãs, tudo fazendo para que os pés ou as bicicletas das pessoas insensíveis não a maltratassem, nunca!
     E assim foi. Todas as manhãs, havia um passarinho que passava pelo campo para cumprimentar e estar um bocadinho com uma margarida silvestre. 
O cuidado e a preocupação eram tais que quando pressentia algo, o passarinho punha-se a chilrear a plenos pulmões, obrigando as pessoas insensíveis a desviarem caminho. 
Fez isto religiosamente enquanto a Primavera durou; ave e planta já não conseguiam passar sem a presença e a companhia uma da outra.
     Até que veio o Verão e a margarida começou a sentir-se mal com o calor. Era o aviso de uma morte anunciada e pouco a pouco começou a murchar. Ainda assim, o passarinho continuava a visitá-la como sempre todas as manhãs, só que já nada podia fazer. E sentia-se muito, muito triste. 
     Uns dias antes da última pétala cair, a margarida silvestre disse-lhe:
     - Não fiques assim, triste. Eu ficarei aqui, neste lugar, escondida na terra.
Não vais ver-me durante um tempo, todavia pensarei sempre em ti, e como cuidaste de mim, e como te preocupaste todos os dias comigo. Vou sentir tanto a tua falta!...
Mas lembra-te que eu sou uma flor pequenina de raízes fortes;hei-de voltar na próxima Primavera para estar de novo contigo. Agora, vai! Não me queiras ver murcha e moribunda. Voa!
     Acontece que o passarinho, inconsolado, não voou. Aninhou-se numa árvore onde pudesse avistar o sítio da margarida silvestre.
Acabou o Verão. Veio o Outono e o Inverno mas o Passarinho sentinela, com a sua tenacidade e coragem, ficaria até ao romper da Primavera para que pudesse outra vez usufruir da companhia da sua Bellis Perennis.                                                                     
                                                                                FIM

                                                                   RC, Edições Sem Tempo, março 2015
    

terça-feira, 24 de março de 2015

«A última bilha de gás durou dois meses e três dias»

«A última bilha de gás durou dois meses e três dias» faz parte da última publicação, "A morte sem mestre", do poeta Herberto Helder.

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3956393

Na estrada larga

"... apetecia-me fazer como o Charlot: pegar na minha piquena e ir..."
 Se assim o ouvi, assim a imaginei. Sim, "a"! Nada mais nada menos do que esta cena do filme de Charlie Chaplin.


Podia ser esta, a tal estrada larga de que fala Maria Rosa Colaço no seu espanta-pardais (com link), ou, quem sabe, como tanto simbolismo encaixa numa cena cinematográfica.
Desejo de mudança, o sonho, partir,... Não importa como, quando ou para onde. Talvez o mais importante seja mesmo, ir, seguir, partir caminhando. Sim, "partir caminhando"!
Quanta gente se limita simplesmente a partir! Partem mas não conseguem fazer a sua própria caminhada. É como se o tempo ou algo os imobilizasse, porém, um dia, partiram... sem terem percebido que nunca caminharam.
Retomando a estrada.
Seguem aos pares na estrada larga. É indiferente que seja o Charlot com a sua "piquena", o Espanta-Pardais com a sua Maria Primavera, que sejamos nós ou os outros. 
O importante é partir caminhando.
Boa semana e boas férias para quem estiver de olho no descanso.



quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai



Neste dia em que se celebra o Dia do Pai, desviei caminho para visitar o meu. 
Infelizmente o meu pai já não me ouve, já não me vê, já não me dá conselhos, já não me protege de nada nem ninguém. No entanto, penso nele tanto e na falta que me fe(a)z, independentemente deste ou daquele Dia.
Claro que não é justo ficar sem pai quando se tem 19 anos; que é triste reconhecer que o orgão que lhe dava vida, foi o mesmo que a levou também.
Um homem de lutas e viagens, partiu numa manhã de Inverno para uma viagem sem volta. 
Foi difícil... Durante um tempo, olhava para a porta à espera que ele passasse, um dia, de novo por ela.
Fui-me habituando à ideia daquela ausência forçada, e cresci, e amadureci, e estou aqui, agora.
Penso na falta que me fez o meu pai, homem severo, implacável com gente sem escrúpulos, mas sempre amigo do seu amigo, e sempre preocupado com o bem-estar dos seus.
Há pais e pais. Sei que o meu pai era especial e isso deixa-me orgulhosa.
Se fosse vivo, este ano faria 90 anos...

sexta-feira, 13 de março de 2015

À 11ª semana de 2015

É mais ou menos feliz (sortudo talvez), aquele que encontra sem procurar. Mas acaba infeliz aquele que procura e não encontra.
É grato quem recebe sem pedir. Ingrato aquele que recebe mas não valoriza.
É sofredor o gato que somente come de manhã e ao fim da tarde, a flor que apodrece com o excesso de água e a falta do sol, a rola solitária que poisa no fio, a criança que recusa escrever porque diz que não sabe...
Se cada um sofre (a seu modo), logo existimos. E se existimos, é porque estamos vivos. E se estamos, que façamos um bom proveito da vida, do sol, das dávidas e de tudo o resto.
Está prestes a terminar a 11ª semana de 2015, e não tendo nada disto verdadeiramente significado ou importância para quem me está a ler, resta-me desejar um belo e sossegado fim-de-semana.
;)



domingo, 8 de março de 2015

Ao Dia que está prestes a acabar

Não sou apologista das saídas que muitas senhoras fazem na noite do 7 de Março para 8, em que o objectivo é única e exclusivamente comemorar o Dia da Mulher, com algum mau gosto e histeria à mistura. Não acho interessante, confesso.
Seria bem mais útil levar muitas dessas senhoras a aprender mais sobre a História deste Dia, por que existe e foi (é) tão importante.
Talvez mais relevante do que uma noite de farra, seria reflectirmos todos e todas acerca das notícias que hoje vieram a público. 
Em Portugal aumentou o número de Mulheres vítimas de violência doméstica (entenda-se aqui, violência física e psicológica). Mais grave ainda, aumentaram os casos em que a violência só por si não chega e se mata a troca de uma tal honra masculina que vale NADA (para não escrever algo mais grotesco), ou quiçá, de uma possessividade doentia. 
A desigualdade nos salários e nas oportunidades de acesso ao emprego continuam, só porque, felizmente, as mulheres têm a capacidade de dar à luz e serem mães.
Evoluímos e avançámos no tempo, mas estará o género masculino assim tão avançado e evoluído para receber, aceitar e respeitar ainda um NÃO?!

segunda-feira, 2 de março de 2015

-------------------------- tempo-----------------------

De volta à velha questão...

Um dia tem 24 horas, 1 hora 60 minutos, 1 minuto 60 segundos.
Um ano
365 ou 366 dias.
Se gostamos da companhia ou de determinada tarefa, dizemos que o tempo voa. E todo o tempo nos parece pouco.
Se não gostamos, o tempo torna-se infindável; uns míseros 10 minutos parecem uma eternidade. E o tempo custa a passar. Tanto!

Na verdade, o tempo é um conceito que muitos acreditam ser uma subjectividade, um conceito.
Se não existe, por que corremos tanto contra o tempo? 
Por que razão não o sabemos aproveitar, ou aproveitar melhor? Por que razão inventamos desculpas para não dar ao tempo, o Tempo que ele merece?
Ou será o tempo, uma fórmula que alguém inventou para orientar, facilitar ou complicar a nossa vida no planeta?
Afinal quem está contra o tempo, estará a favor do tempo?
Boa semana.

TIME 
by (PINK FLOYD)