segunda-feira, 20 de abril de 2015

Tempo e tento

Não é conselho de Relógio mas podia ser.
Nada como tentarmos ter mais tento; um pouco mais de cautela ou atenção para com o Tempo. Afinal, ele está sempre connosco. Não descola das nossas vidas. É cíclico. Não estica. Não encolhe. Não foge. Nós é que fugimos dele. Desculpamo-nos com a falta de tempo para evitar ou deixar de fazer isto ou aquilo.
Ou por outra, quantas vezes usamos o Tempo como alibi para... ?
Tenham tento e uma boa semana!




Tempo e tento

                                                                     

"Não tenho tempo. Não tenho tento. Esvai-se-me por entre os dedos. Esbanjo o tempo em dislates. Na vidinha tonta das obrigações quotidianas. E quando o quero para mim, já se foi, digo. Disparate. Como se o tempo se fosse. Desaparecesse. O tempo está lá sempre. Pelo menos até morrermos temos sempre tempo. Podemos não ter é mais energia ou vontade. Mas tempo temos. É só querermos. Mas como nos fazem sentir culpados de empregarmos o nosso tempo onde queremos e como queremos. Como nos impingem mais tarefas comezinhas, como se fossem a coisa mais importante do mundo, e nós as aceitamos e executamos, lá acabamos a dizer, Não tenho tempo. E ele esvai-se, de facto, porque o que desbaratamos não volta mais. Por isso temos de consumi-lo com parcimónia. Temos de usá-lo connosco próprios, naquilo que for mais importante para nós, para nunca sentirmos essa sensação de desperdício sem sentido. Temos de ter tento com o tempo."
                                                                                     
                                                                                                (texto gentilmente cedido por DTF)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

" Por falar em sexo, quem anda me comendo / É o tempo"

Benefícios e surpresas que o Tempo tem...
Fiquei a saber sobre a existência desta senhora e gostei, especialmente deste poema:
Vida/tempo
por Viviane Mosé (com link)

Quem tem olhos pra ver o tempo?
Soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele
Soprando sulcos?

O tempo andou riscando meu rosto
Com uma navalha fina.
Sem raiva nem rancor
                            O tempo riscou meu rosto com calma.

Eu parei de lutar contra o tempo. Ando exercendo instante.
Acho que ganhei presença.

Acho que a vida anda passando a mão em mim. Acho que a vida anda passando.
Acho que a vida anda. Em mim a vida anda. Acho que há vida em mim. A vida em mim anda passando. Acho que a vida anda passando a mão em mim

                            Por falar em sexo quem anda me comendo
É o tempo.  Na verdade faz tempo, mas eu escondia

Porque ele me pegava à força, e por trás. 
Um dia resolvi encará-lo de frente e disse:  Tempo, se você tem que me comer  Que seja com o meu consentimento.  E me olhando nos olhos.  Acho que ganhei o tempo.  De lá pra cá ele tem sido bom comigo. Dizem que ando até remoçando.


domingo, 29 de março de 2015

Bellis Perennis

...
"---------------..............----------------.............-----.-.-.-.-.-.-.-.-............---_---_---_---_______º-º____º-º
Neste vai-e-vem do escreve-apaga, Ella finta as teclas e o aparente vazio de ideias brincando com elas. E nada! Até que se lembrou daquela história em que entrava um colibri, o pássaro mais pequeno do mundo." 
Dedico esta história a um passarinho sem gaiola, único e exclusivo, aninhado numa "árvore" especial que é a minha vida.



                                                                                      (foto google)

     Era uma vez uma margarida pequenina que nasceu à beira de um caminho. 
Como todas as margaridas silvestres, era vulgar uma florzinha tão insignificante e discreta como aquela, passar despercebida. Talvez por isso, ela e as congéneres da sua espécie eram as vítimas preferidas das bicicletas e dos pés de pessoas incautas e insensíveis.
     Porém, num soalheiro dia de Primavera, um passarito abeirou-se da margarida. 
Apercebendo-se dos perigos que corria, a pequena ave resolveu passar por ali todas as manhãs, tudo fazendo para que os pés ou as bicicletas das pessoas insensíveis não a maltratassem, nunca!
     E assim foi. Todas as manhãs, havia um passarinho que passava pelo campo para cumprimentar e estar um bocadinho com uma margarida silvestre. 
O cuidado e a preocupação eram tais que quando pressentia algo, o passarinho punha-se a chilrear a plenos pulmões, obrigando as pessoas insensíveis a desviarem caminho. 
Fez isto religiosamente enquanto a Primavera durou; ave e planta já não conseguiam passar sem a presença e a companhia uma da outra.
     Até que veio o Verão e a margarida começou a sentir-se mal com o calor. Era o aviso de uma morte anunciada e pouco a pouco começou a murchar. Ainda assim, o passarinho continuava a visitá-la como sempre todas as manhãs, só que já nada podia fazer. E sentia-se muito, muito triste. 
     Uns dias antes da última pétala cair, a margarida silvestre disse-lhe:
     - Não fiques assim, triste. Eu ficarei aqui, neste lugar, escondida na terra.
Não vais ver-me durante um tempo, todavia pensarei sempre em ti, e como cuidaste de mim, e como te preocupaste todos os dias comigo. Vou sentir tanto a tua falta!...
Mas lembra-te que eu sou uma flor pequenina de raízes fortes;hei-de voltar na próxima Primavera para estar de novo contigo. Agora, vai! Não me queiras ver murcha e moribunda. Voa!
     Acontece que o passarinho, inconsolado, não voou. Aninhou-se numa árvore onde pudesse avistar o sítio da margarida silvestre.
Acabou o Verão. Veio o Outono e o Inverno mas o Passarinho sentinela, com a sua tenacidade e coragem, ficaria até ao romper da Primavera para que pudesse outra vez usufruir da companhia da sua Bellis Perennis.                                                                     
                                                                                FIM

                                                                   RC, Edições Sem Tempo, março 2015
    

terça-feira, 24 de março de 2015

«A última bilha de gás durou dois meses e três dias»

«A última bilha de gás durou dois meses e três dias» faz parte da última publicação, "A morte sem mestre", do poeta Herberto Helder.

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3956393

Na estrada larga

"... apetecia-me fazer como o Charlot: pegar na minha piquena e ir..."
 Se assim o ouvi, assim a imaginei. Sim, "a"! Nada mais nada menos do que esta cena do filme de Charlie Chaplin.


Podia ser esta, a tal estrada larga de que fala Maria Rosa Colaço no seu espanta-pardais (com link), ou, quem sabe, como tanto simbolismo encaixa numa cena cinematográfica.
Desejo de mudança, o sonho, partir,... Não importa como, quando ou para onde. Talvez o mais importante seja mesmo, ir, seguir, partir caminhando. Sim, "partir caminhando"!
Quanta gente se limita simplesmente a partir! Partem mas não conseguem fazer a sua própria caminhada. É como se o tempo ou algo os imobilizasse, porém, um dia, partiram... sem terem percebido que nunca caminharam.
Retomando a estrada.
Seguem aos pares na estrada larga. É indiferente que seja o Charlot com a sua "piquena", o Espanta-Pardais com a sua Maria Primavera, que sejamos nós ou os outros. 
O importante é partir caminhando.
Boa semana e boas férias para quem estiver de olho no descanso.



quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai



Neste dia em que se celebra o Dia do Pai, desviei caminho para visitar o meu. 
Infelizmente o meu pai já não me ouve, já não me vê, já não me dá conselhos, já não me protege de nada nem ninguém. No entanto, penso nele tanto e na falta que me fe(a)z, independentemente deste ou daquele Dia.
Claro que não é justo ficar sem pai quando se tem 19 anos; que é triste reconhecer que o orgão que lhe dava vida, foi o mesmo que a levou também.
Um homem de lutas e viagens, partiu numa manhã de Inverno para uma viagem sem volta. 
Foi difícil... Durante um tempo, olhava para a porta à espera que ele passasse, um dia, de novo por ela.
Fui-me habituando à ideia daquela ausência forçada, e cresci, e amadureci, e estou aqui, agora.
Penso na falta que me fez o meu pai, homem severo, implacável com gente sem escrúpulos, mas sempre amigo do seu amigo, e sempre preocupado com o bem-estar dos seus.
Há pais e pais. Sei que o meu pai era especial e isso deixa-me orgulhosa.
Se fosse vivo, este ano faria 90 anos...

sexta-feira, 13 de março de 2015

À 11ª semana de 2015

É mais ou menos feliz (sortudo talvez), aquele que encontra sem procurar. Mas acaba infeliz aquele que procura e não encontra.
É grato quem recebe sem pedir. Ingrato aquele que recebe mas não valoriza.
É sofredor o gato que somente come de manhã e ao fim da tarde, a flor que apodrece com o excesso de água e a falta do sol, a rola solitária que poisa no fio, a criança que recusa escrever porque diz que não sabe...
Se cada um sofre (a seu modo), logo existimos. E se existimos, é porque estamos vivos. E se estamos, que façamos um bom proveito da vida, do sol, das dávidas e de tudo o resto.
Está prestes a terminar a 11ª semana de 2015, e não tendo nada disto verdadeiramente significado ou importância para quem me está a ler, resta-me desejar um belo e sossegado fim-de-semana.
;)