quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ele

Dedico este texto a todas as pessoas que, tal como eu, não gostam de certos e determinados seres vivos.
O texto foi escrito a 6/3/2012 na sequência da visita nocturna de uma tal SÓNIA, que estava na altura mais IN do que out.
(O "Ele" será desvendado no post seguinte)

Não sei por que te espero. Mas espero-te sempre em qualquer recanto...
Faça frio ou calor, seja noite ou dia, apareces de rompante. Por vezes, assustas-me e eu solto aquele "ai que nojo!!".
Para ti todas as divisões são propícias. Ora no chão ora no tecto, porém, do que tu mais gostas, eu sei, é de uma boa parede branquinha, imaculada de qualquer réstia de humidade.
Sei que jamais escolherás outros lugares porque, é aqui que tu sabes que eu "gosto" de te ver.

Onde estás agora? Por onde andas? Em que buraco te escondes? Às vezes, vejo-te a correr e o meu coração estremece.

Ontem decidi observar-te. Nunca o fizera antes e isso "inquietou-me" deveras, acredita.
Receei perder-te de vista, pois nunca percebi por que razão corres que nem um desalmado quando me vês.

Porquê? Por que foges de mim assim?!

Precisava tanto de te ver agora! Fotografar-te... parado, ou mesmo, quando desatas a fugir; que importância tem?
O meu coração é um desencanto. A minha alma, um pranto.
Dizem que "quem canta, seus males espanta" mas eu nem canto, e mesmo assim tu ficas espantado com a minha presença silenciosa.
Anda lá!... Anda mais uns centímetros...
No silêncio do dia ou da noite, eu sei que te hei-de ver de novo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Quanto tempo tem o tempo


Quanto tempo tem o tempo

Dizem que o tempo é aquilo que dele fazemos. Mas o tempo também nos faz. Noutros tempos o tempo passava devagar e as pessoas viviam à sua cadência. Vivia-se ao ritmo do crescimento das plantas e das fases da lua. Do sobe e desce das marés e do amadurecer dos frutos. Ainda há sítios onde as gentes vivem assim. E parecem ser felizes. 
Agora, por estes lados, vivemos ao compasso das máquinas arrastados por um tempo que passa demasiado rápido. É o tempo que nos faz. 
Por mais que nos apressemos nunca o alcançamos. E isso esgota-nos e consome-nos. Deprime-nos porque nos faz julgar inaptos. Talvez seja tempo de parar para pensar o tempo. 
Há quem diga que o tempo não espera por nós. Mas se pensarmos bem o tempo é sempre o mesmo. Eu estou convencido que, se eu abrandar, o meu tempo não tem outro remédio se não esperar por mim. É só uma questão de dar tempo ao tempo.

                                                                                                                   (Texto da autoria de DTF)


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cultura e civilização, por Almada Negreiros



Cultura e Civilização  

«Uma mesa cheia de feijões.
O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão.
O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.
Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.
O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização.
A civilização é um fenómeno colectivo.
A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.»

Almada Negreiros, in "Ensaios"

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como explicar o desemprego na Europa em 30 minutos

A tão desejada convergência social na Europa é uma miragem.
O desemprego, a precariedade e os baixos salários são estratégias do sistema neo liberal para enfraquecer e manipular cidadãos (nada que já não se soubesse).
O vídeo de 2014 que hoje partilho, é um documentário sobre as causas e os efeitos do desemprego na Europa.

(O vídeo está em francês, devendo activar as legendas, igualmente na mesma língua)


domingo, 11 de janeiro de 2015

"... Ora, deixem-se de merdes! Pas de conneries!"

Tem apostado, e bem, na análise e na crítica da actualidade nacional e internacional.

                                                                              (Foto google)

Modesta homenagem a Charlie

“Um atentado à França, uma nação livre e pluralista!”. Esta é uma afirmação repetida por jornalistas e políticos a propósito do bárbaro crime cometido por terroristas nascidos e criados em Paris, pormenor que quase passa despercebido na miríade de discursos alinhados e politicamente correctos que ocupam os noticiários.
Mas que França estão a falar? Da França das liberdades e do bem-estar dos gauleses brancos e puros de La Defense ou da dos descendentes magrebinos atirados para os guetos pobres dos subúrbios onde, desempregados e marginalizados, são quotidianamente agredidos e humilhados pela polícia (mais dura depois de Sarko) e pela população xenófoba que os trata como seres indesejados e desprezíveis, estrangeiros no próprio país?
De que França falam, afinal? Da que tolera o humor libertário dos geniais cartoonistas assassinados do “Charlie Hebdo”, ou da França agressora que põe bombas nos barcos da “Greenpeace” (assassinando Fernando Pereira, um fotógrafo português), apoia o canibal Bokassa dos diamantes de Giscard, persegue Simon Malley da revista Afrique-Asie que os denunciou, e se associa aos fundamentalistas islâmicos na guerra aos regimes laicos do Iraque, da Líbia e da Síria “para os libertar ”, deixando um rasto de destruição caótica onde os atentados a civis são tão vulgares que nem merecem mais do que poucos segundos na TV francesa?
Obama (que ordena execuções extra-judiciais de americanos com “drones”), Hollande, Sarkosy, Merkel, o nosso Durão, da cimeira dos Açores com Busch, e até a Le Pen, são todos “Charlie”? Ora, deixem-se de merdes! Pas de conneries!
(Esta é uma modesta homenagem a “Charlie”, que imagino a usar estas últimas frases mas não a alinhar nas balelas hipócritas dos que contribuem, directa ou indirectamente, para que aconteçam atentados horríveis como o de Paris).

Jorge F. Seabra