segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fui ver o mar numa tarde de Inverno

Retomando os "Balanços" da mensagem anterior, um desejo cumpriu-se: ver o mar  pela última vez este ano. E se ele estava bravo!
S.Pedro de Moel e Praia das Paredes (praias do concelho da Marinha Grande e Alcobaça respectivamente) num fim de tarde, no dia 30 de Dezembro de 2012.

Um gato! A eterna atração... Logo debaixo do meu carro!


E o sol, tímido, foi-se aconchegando por entre as nuvens, até desaparecer. 
Do alto da falésia, o vento e o frio como que a sugerirem um recolher obrigatório. 


domingo, 30 de dezembro de 2012

Balanços...

Excluindo os balanços económicos...
Balanços (pessoais) são os prós e os contra ocorridos durante um determinado período de Tempo.
Em 2012 aconteceu-me isto e aquilo. Apeteceu-me desistir disto e daquilo. Fiquei indecisa... Senti remorsos por esta ou aquela situação. Houve momentos de alegria. Houve momentos de tristeza.
Não consumei actos simples e gratuitos, como ver o mar num dia de Outono ou Inverno.
Tive dias de aperto, com saudades de pessoas (algumas). Umas vezes matando as saudades com a ajuda do telefone ou do telemóvel. Outras vezes nem por isso.
Adiei sucessivamente reencontros com pessoas amigas com a desculpa da falta de Tempo (a maior parte foi mesmo por falta de tempo). Algumas eu vi a correr; outras há, que eu gostaria de ver mais e com mais tempo...
Mandei igualmente pessoas e coisas para lugares impróprios, e isso foi bom (ajudou a aliviar o stress). 
Umas vezes falei de menos, umas vezes felei de mais. Outros vezes foi o silêncio de ouro que imperou.
Nem sempre escrevi (aqui ou além) o que queria. Nem sempre escrevi o que sentia. Muitas vezes senti que não escreveria nada com jeito e por isso não escrevi.  
Fará isto tudo parte da "Human Nature"? Se calhar...
Se não nos virmos amanhã por aqui, ver-nos-emos em 2013.

 
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hoje foi o fim do m... meu tinteiro preto

21/12/2012 às 12h21

Fiquei uns minutos sentada, à espera para assistir ao anunciado fim do mundo, e nada! A oportunidade de nos vermos livres uns dos outros, afinal, não aconteceu. Que fiasco! Que desilusão! Vão ter de me aturar mais um tempito. Lamento.
Acabei por concluir que fim mesmo, só o do Outono e o do tinteiro preto da minha impressora que acabou há poucos minutos, em virtude da sobrecarga de trabalho destes últimos dias.
Um fim tão certeiro quanto a minha profecia; final do 1º período escolar e montes de coisas para imprimir. Era mesmo previsível que acabasse o raio da tinta.
Afinal eu é que estava certa: algo acabou hoje, e antes o tinteiro do que a vida humana de uma pessoa conhecida, por exemplo.
Com o fim do tinteiro da minha impressora e este anedótico fim do mundo posso eu bem. Já outros fins... preocupam-me bem mais. Esses, eu sei e vocês sabem... podem deixar marcas do caraças!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

"E viu a barba de chibo, pêra retorcida..." (cont)

Para completar mais um pouco o conto da mensagem anterior e satisfazer a curiosidade...

O diabo deu a mão ao menino Jesus que entretanto ficara pregado à pedra. Este, ao levantar-se, deu um encontrão no diabo que caiu desamparado no meio da lama. Quando se ergueu, já o menino ia longe. "o menino Jesus" voltou-se para trás e ainda viu, na noite escura, um clarão de raiva." 
Mais tarde, o diabo voltou a casa do menino Jesus disfarçado de Pai Natal, mas como era diabo (um pobre diabo!), pediu para brincar um bocadinho com a carrocinha (carroça), a prenda do S.José para o menino.
- Não tem vergonha de ser tão grande e querer brincar ainda?"- perguntou o menino Jesus. 
- Eu? Vergonha? - e o diabo ia rir-se, mas tornou a lembrar-se do fiasco do enxofre pelos intervalos do riso.

Brincaram, brincaram mas o menino Jesus precisava de uma prova em como aquele homem era um impostor.
E como é que ele descobriu que era um falso Pai Natal? Ora, através do método de sempre. O infalível teste das barbas!
"O menino Jesus levantou e viu a barba de chibo, pêra retorcida, que o diabo nunca pode tirar, como se está a ver. As barbas brancas, tão imaculadas, é claro que eram postiças."
Depois de lhe puxar as barbas e ficar com elas na mão, o menino Jesus gritou bem forte uma palavra mágica; o diabo deu um estoiro e saiu pela porta fora com muita muita força (mas a porta ficou inteirinha no mesmo sítio).
Só depois deste episódio é que surge o Pai Natal verdadeiro...

"Por tudo isto é que o Natal é pai e tem barbas branca, para se distinguir do outro, que traz brinquedos do inferno, brinquedos que, como os meninos também sabem, são feitos neste mundo, tal qual como os outros brinquedos."  
Jorge de Sena - Antigas e Novas Andanças do Demónio
                                           1944

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Natal? Mas que Natal é esse? - perguntou o diabo

Esta é a história que vos deixo. 
Dedico-a às pessoas crescidas com espírito de criança, independentemente do outro espírito, o natalício.  
Jorge de Sena escreveu e eu, Florbela (desta vez sem "Relogio e sem Corda), passo a transcrever um excerto, porque é diferente de todas as outras histórias de Natal que eu já li.
Desejo a todos um Santo e Feliz Natal.

  "Como toda a gente sabe, e os meninos melhor que ninguém, o Natal é uma coisa muito velha. O que nem toda a gente sabe é que , no princípio, ele não era pai; nem era velho, e não tinha, portanto, barbas brancas. Assim, quando o menino Jesus nasceu, já todos os meninos punham o sapato na chaminé.
     A única diferença era que a chamniné não tinha, como hoje, fogão de gás ou fogareiro. Depois, com o menino Jesus, veio outra diferença: também ele punha o sapatinho, que, por acaso, era uma sandália.
     Isso durou pouco tempo? Não, porque o menino Jesus só cresce e se faz homem quando os outros meninos crescem e julgam que se fazem homens. O que, e lá isso é verdade, não acontece a toda a gente, como os meninos terão muito tempo para ver. Mas isso é já outra história, que os meninos aprenderão, sem que ninguém lha conte.

     A que eu vou contar começa quando o menino Jesus ia fazer sete anos, idade que é muito importante, visto que são sete as maravilhas do mundo. O menino Jesus, como os outros meninos tinha vontade de crescer e não acreditava no Natal. Ele bem sabia quem punha os brinquedos na sandália (era a mãe), e, por não haver então lojas de brinquedos, e, mesmo que houvesse, não terem os pais do menino Jesus dinheiro para os comprar (os brinquedos já eram muito caros), ele bem vira S.José estar a fazer uma carrocinha, às escondidas. 
Por isso, naquela tardinha, sempre muito comprida, que há antes da noite de Natal, noite que, por sua vez, é a mais comprida do ano, o que lhe valeu ser ela a Noite de Natal; por isso, como ia dizendo, o menino Jesus que estava à espera de lhe darem a carroça, fingia que se não importava, fingia, até, não esperar coisa alguma. A tarde estava muito bonita (...) e é natural que estivesse: o Natal ia ser pai e, o que é muito mais, ganhar as suas barbas brancas. 
O céu fazia-se verde e amarelo e cor-de-rosa, que são as cores que as pessoas grandes não gostam de ver no céu (...). O menino Jesus, é claro, via-as melhor que ninguém. E, então, para disfarçar, começou a contar as nuvenzinhas soltas, que estavam todas paradas, muito quietas de propósito para ele contar - mal imaginavam o que lhes iam acontecer. (...)
O menino Jesus sentara-se numa pedra à beira do caminho, e com uma varinha (que não era de condão, pois só as fadas precisam desses objectos), fazia riscos na poeira (...). Ora, o menino Jesus, umas vezes olhava para o céu, outras olhava para o chão, e qualquer pessoa com dois dedos de testa perceberia que ele estava a desenhar as nuvens. 
Mas parece que estas coisas são muito difíceis de perceber, como os meninos sabem pelas perguntas parvas que muitas pessoas crescidas costumam fazer. 
     - Que estás tu para aí a riscar, pequeno?
     O menino Jesus voltou-se (quando nos fazem perguntas destas, a gente está sempre de costas), e viu um homem muito bem vestido que até parecia mentira. O menino não se deixou enganar, porque a pergunta estragara o fato do homem, e era como se estivesse todo rasgado e com a fralda de fora.
     - Estou a fazer riscos.
     - Isso vejo eu. Que riscos?
     - Só riscos.
     O homem mostrou uma cara muito má, e o menino Jesus foi pondo os pés a jeito, para o caso de ser preciso levantar-se de repente e fugir a correr.
     - Estás a armar em esperto, mas a mim não me enganas. 
     O menino Jesus, que estava farto de enganar imensa gente, riu-se, mas só por dentro, por causa da má cara do homem.
    - É mal fazer riscos? - perguntou.
    - Se é! Ora experimenta lá.
     O menino Jesus ficou desconfiado, e traçou um risco, um muito pequenino. E qual não foi o seu espanto ao ver a varinha ficar presa ao chão! Ver não viu, mas quis tirá-la e não pôde.
     Claro que, desta feita, quem se riu foi o homem. Ora é sabido que o diabo não se pode rir muito alto, porque lhe sai enxofre pelos intervalos do riso. E assim aconteceu. O menino Jesus sentiu o cheiro, viu o fumozinho a sair da boca do homem, era quase noite (anoitecera quase de repente), não passava ninguém na estrada, ele estava um bocado longe de casa, e, apesar de ser quem era, teve medo, um medo enorme, um medo ainda maior que o diabo.
     Estão a ver o menino Jesus nestes assados. Que faria qualquer menino? Evidentemente, não mostrava medo, o que é a melhor maneira de assarapantar o demónio. Foi o que ele fez. Fingiu que não queria a vara para nada (e queria porque era uma bela vara, muito direita), e disse:
     - Bem, são horas de voltar para casa.
     - Ah, sim? E porquê? - (o diabo a ver se ele caía).
     - Tenho lá o Natal à minha espera. 
     O diabo sentiu vontade de rir; mas, aflito com o fiasco do fumo pelos intervalos do riso, mordeu os lábios e perguntou:
     - O Natal? Mas que Natal é esse? 
     - Se calhar não sabe o que é! - exclamou o menino Jesus, e tentou levantar-se. Aí é que foram elas! Estava pregado à pedra, como a vara à lama! (...) Se ao menos passasse alguém! Mas qual! Nem vivalma, que o diabo não conta, não é gente. E como nessa altura ainda não havia santos por quem chamar, a Nossa Senhora estava em casa, e o menino Jesus, apesar de saber que era menino Jesus, não sabia que era filho de Deus, não havia salvação possível. Não havia!... Nisto, porque era um menino igual aos outros meninos, teve uma ideia luminosa." (...)
                 
Jorge de Sena - RAZÃO DE O PAI NATAL TER BARBAS BRANCAS -
in Antigas e Novas Andanças do Demónio, edições70.pt - 2006

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quanto tempo dura a tua cara?

Um título engraçado para um livro infantil que eu não conheço mas quero conhecer.
É também uma boa sugestão de leitura e um bom presente, numa época em que a generalidade das crianças só sabe pedir jogos para as consolas e afins.
Quanto tempo dura a tua cara? foi escrito por Maria Inês de Almeida e tem a chancela editorial da Gato na Lua.
(à venda aqui ou aqui)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Adiem o fim do mundo por favor!

E se de repente o seu espírito de Natal deixar de o ser para se tornar num espírito "apocalíptico", isso deve-se ao fim do mundo que, segundo rezam as profecias, está para acontecer no próximo dia 21/12. Esta reportagem mostra que já está em marcha a fuga de muitas pessoas em direcção à locadidade francesa de Bugarach, nos Pirinéus. 
Não se sabe bem por que razão, mas consta que este "fim do mundo" perdido nas montanhas é o lugar mais seguro para os crentes em profecias se protegerem do outro temível fim do mundo. Penso não me enganar muito se disser que este êxodo para locais desconhecidos é uma óptima campanha de marketing para promover o turismo lá do sítio. Nos tempos que correm é de aproveitar!
Como dizia a minha tia-avô "Relógio", pessoa temente a Deus e com um coração do tamanho do universo, "o mundo só acaba para quem morre". Eu acreditava nas suas palavras e acredito ainda hoje que seja assim. Se eu morrer amanhã (que o diabo seja cego, surdo e mudo!) o mundo acaba para mim, mas continuará para outros.
De qualquer modo, perante a crise social e económica com que muitos países desenvolvidos (ou não) se defrontam, acredito sim, que um fim do mundo agora, vinha mesmo a calhar. 
Com um "The End" para todos, ninguém se ficava a rir de ninguém. Seguramente não ficaria cá vivalma para contar a história; aliás, o fim da história do mundo! Não posso garantir que esteja certa, pois nunca presenciei nenhum e como sou um pouco incrédula nesta matéria, resta-me vir para aqui fazer deduções parvas.
Estou cheia de preocupações, cheia de trabalho, farta da porcaria que os governantes deste país têm feito ao longo de tantos anos. Mas por favor! Peço a quem de direito que esperem mais uns dias para o anunciado fim do mundo... É que no dia 21... o fim do mundo, já?!??!... Não me dá jeito nenhum!!!!
É que... ainda tenho coisas para fazer... coisas para escrever... pessoas de quem eu gosto que preciso de ver pela última vez... sorrisos para ver, dar e receber... ou seja, preciso de me despedir deste mundo!
Dá para adiar o fim do mundo do dia 21 para outro dia, outra semana ou outro mês? 
Fico à espera que alguém me responda.

Smiley 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura

O que fazer quando, algures num local recôndito das nossas casas se descobre uma fotografia amarelecida pelo tempo?!
Tudo e mais alguma coisa, mas daí a imaginarmos que uma simples fotografia possa originar a escrita de um livro é, quando muito, algo invulgar. Foi porém, o que acabou por acontecer com esta Foto.

Desta fotografia, tirada em 1963 no campo de futebol da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, numa altura conturbada da vida político-social do país, constam os oitos autores deste livro.
A ditadura salazarista estava no seu auge.
As vivências individuais e a amizade colectiva que sempre os uniu, embora separados pelo tempo, seriam motivos suficientes para, anos mais tarde, proporcionar o reencontro destes oito amigos numa de "dar corda à memória"... E assim nasceu este livro. A Foto relata de forma realista e pessoal alguns episódios que marcariam para sempre a vida destas oito pessoas.
A travessia "a salto" para a Suiça, a clandestinidade, as perseguições pela PIDE, a prisão e tantos outros momentos... fazem parte desses episódios.
A Foto pode ser igualmente o retrato de um Portugal dos anos 60 e 70; um país caracterizado por um considerável atraso social e cultural; um país "cinzento" onde uma juventude destemida e cheia de ideais soube, de norte a sul, "dar o corpo ao manifesto" na luta por um país livre.
A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois, foi publicado em Maio de 2012 pela Âncora Editora e contou com a participação de Jaime Teixeira Mendes, Joaquim Letria, José Gomes de Pina, Mário Lino, Noémia de Aritztía, Paula Mourão, Raimundo Narciso e Teresa Tito de Morais.
Esta obra vale pelos seus testemunhos. Mostra à minha geração e a outras certamente, as dificuldades, as conquistas alcançadas e o longo caminho percorrido até hoje: o da luta pela liberdade, pela justiça e pela igualdade.  Está nas nossas mãos não deixarmos que estas conquistas retrocedam no tempo.  

Termino com este excerto:

[...] Já dentro do avião, ouvi chamarem-me, várias vezes, pelo altifalante. Fiquei calada sem me mexer. Entraram então de rompante dois agentes da PIDE aos gritos:« Retirem as malas dessa passageira, por precaução.» (como se  de uma terrível terrorista se tratasse...)
(...)
Permaneci na sede da PIDE durante dois dias consecutivos. As funcionárias que me vigiavam estavam sentadas numa cadeira à minha frente, só uma pequena secretária rectangular nos separava, e revezavam-se de quatro em quatro horas. Durante esse tempo, as guardas faziam renda ou liam um pequeno livro preto, talvez de notas, ou simplesmente estavam em silêncio.
Saíam quando o inspector da PIDE vinha fazer o interrogatório. 
Vencida pelo cansaço, por vezes parecia que ia dormitar, mas rapidamente acordava sobressaltada com um batimento forte na tampa da secretária. Não conseguia comer e elas ameaçavam que iriam «fazer como os gansos» e colocar-me um funil pela garganta abaixo. (...)
O inspector da PIDE que conduziu os interrogatórios foi Abílio Pires, já conhecido pelos seus métodos cruéis contra os presos políticos. 

A certa altura deu-me um safanão que me deitou da cadeira abaixo.» (...)

Teresa Tito de Morais in  A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois (pág.255/257)

                             (Poderá adquirir este livro aqui)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Meu amor anda sempre de barco", por João Lóio

João Lóio (António João da Rocha Lóio) nasceu em Matosinhos no ano de 1953. É licenciado em medicina mas foi na música que encontrou a sua realização pessoal.
"Meu amor anda sempre de barco" faz parte do disco "Encontros" de 1997.
De volta ao silêncio por dois dias, sem toques de campainhas nem gritarias. Que bom ouvir isto!... 
Bom fim-de-semana.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Amor em Tempo de Escola

Há uns tempos dizia-se que o despontar da Primavera coincidia com o desabrochar de paixões.
Penso, é claro, no meio ao qual estou profissionalmente ligada: o ensino. 
Porém, a tradição já não é o que era. Qual Primavera, qual despontar, qual quê!!
Agora, a paixão desponta em qualquer estação do ano e até o frio pode aquecer os coraçõezinhos mais carentes das crianças.
Há três dias que se vive na sala de aula (e sobretudo fora dela), cenas de um amor não correspondido. 
Em causa estão dois alunos (de 9 anos). Uma menina e um menino.
Ele gosta dela mas ela não gosta dele. Ele não pára de olhar para ela; ela não pára de se queixar dos olhares incomodativos e furtivos que ele lhe lança a toda a hora.
Às duas por três, nos intervalos, ele não a larga e quer dar-lhe o famoso beijo roubado... Ela, por sua vez, não aprecia o gesto (ou a tentativa falhado do mesmo) e afasta-se. Diz que ele é «nojento» e afirma bem alto, que a deixe em paz porque ela não gosta dele.
"Entendam-se! E tu, ******, não sejas chatinho! Se a ****** diz que não gosta de ti, não insistas. Deves respeitar e aceitar os seus sentimentos" - diz a professora (sem saber se havia de rir ou não, com tanto queixume e amor desperdiçado).

Smiley 

Hoje, constatei que os meninos sentados do lado da janela queriam mudar de lugar... e a mesma desculpa de sempre: não vejo o quadro!  
Perante a minha recusa, um deles amuou e os olhos vidrados indiciavam uma choradeira na certa. Não chorou por vergonha, mas imagino a raiva que o meu "Joãozinho" deve ter sentido naquele momento, quando um "não" firme e sem "com paixão" saiu da boca da insensível professora.
Conclusão: os meninos preferem sempre as meninas mais giras e inteligentes.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Um povo de bem consigo não vive a dominar os outros", mas há quem não queira saber...


No Médio Oriente a matança continua. Os alvos (humanos) a abater pouco importam porque outros interesses se levantam. 
O HOMEM É SEM DÚVIDA O SER VIVO MAIS ESTÚPIDO À FACE DA TERRA! 
Questiono-me algumas vezes se a espécie humana merece a inteligência que a mãe natureza lhe deu... 
E como dizia um escritor que eu muito admiro: "um povo de bem consigo não vive a dominar os outros", mas há quem não queira saber disto para nada.
Enfim... Volto um dia destes.


 (Le Trio Joubran é formado por três irmãos palestinos. Mais informação aqui)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ela (final) - "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento"

ELA

     "Eu conhecera-a muitos anos antes, quando ela era uma adolescente. Mas ao reencontrá-la em Serpa naquela manhã vi uma desconhecida.
     Foi num dia de Junho e o calor abrasava as lajes da velha praça.
     Estávamos numa esplanada, tomando refrescos. No grupo, as conversas, cruzadas, incidiam sobre assuntos diferentes. Eu não as acompanhava. Estava concentrado nela.
   Os cabelos, aquecidos pelo sol alentejano, adquiriram um tom acobreado. Os olhos, enormes, irradiavam uma luminosidade húmida (...). Falava devagar, com um ritmo que lhe valorizava a voz que também me pareceu ser diferente de qualquer voz já escutada. E tudo o que dizia parecia-me profundo, inteligente.
    Reencontrei-a no dia seguinte, num almoço ruidoso na aldeia da sua família materna. E a minha atenção voltou a ser absorvida por ela.
     Lera livros meus e recordou deles personagens, interrogando-me sobre situações e comportamentos em que, como autor, não havia reflectido.
    Deu-me o e-mail para mantermos contacto permanente. Nas semanas seguintes recebi quase diariamente breves mensagens suas. Numa delas citava Proust, a propósito de personagens de grandes romances criadas pela imaginação mas que amamos como se fossem gente. Impressionou-me a sua capacidade para descer fundo no que em cada um de nós é quase incomunicável e registei também o seu domínio da palavra. Ana Catarina transmitia ideias e sentimentos com um estilo original [...].
      À inibição somava-se o temor do ridículo.
     Ela tinha 38 anos e eu ia completar 80. Uma jovem como Ana Catarina não podia sentir-se atraída por um velho como eu. Tomar uma grande afinidade intelectual e humana por um sentimento diferente seria uma atitude reveladora de que eu entrava em fase senil sem me dar conta disso [...]
    Passei a dormir menos. Sem insónias. Deitado, pensava nela durante horas. Um dia venci as muralhas da inibição e disse-lhe que a atracção complexa que exercia sobre mim era um sentimento muito próximo do amor, o que me assustava.
    Mas ela não se assustou. Respondeu que eu a fazia feliz e sugeriu que levantasse as barreiras ao   amor. [...]
     Em Agosto desse ano, 2005, viajei para o Brasil. Decidimos que no meu regresso iríamos passar um fim de semana alargado a Mérida (...). Redescobri ali a felicidade (...).
     Fechei numa gaveta do cérebro as elucubrações sobre o absurdo de romper todas as fronteiras que se interpunham entre mim e uma mulher jovem. Esqueci que tinha mais do dobro da sua idade [...]

     Hoje sei que Etna no Vendaval da Perestroika é um livro filho do amor. Não teria sido escrito se não houvesse encontrado a Caty numa manhã de Junho em Serpa. Quando eu envelhecia, pensando na contagem decrescente do tempo de vida útil, ela me sacudiu até às raízes, levando-me a redescobrir o amor em patamares que não imaginava existirem.
     Reencontrei pela sua mão a felicidade pessoal, meta perseguida pelo homem como fim supremo, esse estado de paz interior, de alegria pagã cultivado pelos epicuristas gregos e satanizado pela igreja de Jesus e muitas outras.
     Caty somente se desentende comigo quando o diálogo incide sobre a brevidade dessa felicidade. Porque na lógica da vida, ela continuará em breve sozinha o seu caminhar (...). A corrente da vida prosseguirá quando eu desaparecer. E de alguma maneira continuarei presente nos meus filhos e netos e em Caty".

         Serpa e Vila Nova de Gaia, Setembro de 2008

Miguel Urbano Rodrigues - Parte IV, pag, 211 a 216 In "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Ed.Calendário

Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Felicidade

SOBRE A FELICIDADE

     "A felicidade comum é o objectivo da sociedade.
     Tão profunda era essa convicção nos revolucionários franceses de 1973 que a transmitiram no artigo primeiro da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
     Perseguiam a utopia. Mas logo ficou claro que não havia uma resposta consensual para a pergunta o que é a felicidade?[...]
     Pascal foi categórico:"todos os homens tentam ser felizes(...) quaisquer que sejam os meios a que recorrem para isso".
    Não fui excepção. Não localizo o momento em que me interroguei pela primeira vez sobre a felicidade como objectivo. Mas, incapaz de a definir, persegui-a antes da idade da razão [...]
    Tive desde menino uma boa saúde apesar de doenças graves; a infância, no campo alentejano, fez-me descobrir um mundo mágico. Nunca fui atingido por estados depressivos e cedo principiei a tirar prazer de desafios em defesa da dignidade. Tive a oportunidade de conhecer dezenas de países em viagens de trabalho que me propocionaram um conhecimento da aventura da humanidade (...) que me levaram a fazer o meu combate solidário com povos em luta pela liberdade contra a opressão.
     Casei três vezes. Conclui apressadamente ter descoberto o amor quando conheci a minha primeira companheira. Nasceram três filhos dessa relação, que foi harmoniosa. Não fui, por desatento, o pai que mereciam. Mas une-me a eles um afecto profundo. Admiro nos três o carácter de aço e um talento de que me orgulho, mas para o qual nada contribuí. Amei com paixão a minha segunda mulher, a brasileira Zillah Branco, companheira maravilhosa nas batalhas da Revolução Portuguesa. O convívio com ela fez-me compreender que o amor tem muitos andares. Subimos juntos aos pisos superiores..."
Miguel Urbano Rodrigues - Parte IV , pag 200/201

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - O declínio fisico

DECLÍNIO FÍSICO
    
     "Em Serpa percebi que uma saúde estável, na ausência de doenças crónicas e dores ósseas, não detém o avanço do envelhecimento. Em mim o processo acelerou-se a partir dos 80.
   Durmo menos e pior, caminho com menos segurança, os movimentos tornam-se mais lentos, sobretudo quando me levanto ou sento, as pernas incham com facilidade, sinto alguma sonolência após as refeições, como muito menos, qualquer esforço físico gera cansaço, o olfacto diminuiu. Mas continuo a ler e a escrever sem necessidade de usar óculos.
     A idade gera a instabillidade permanente na saúde. Em certos dias, quando saio para o passeio matinal percebo que tenho "as baterias carregadas". Caminho quilómetros através dos campos sem sentir a menor fadiga. No Inverno, o frio, nesses dias, entra em mim como carícia; no verão suporto bem calores tórridos.
     Na semana seguinte a respiração pode tornar-se ofegante, as pernas pesam, um mal estar generalizado retém-me em casa. Mas, dias depois, acordo com a sensação de ter rejuvenescido.
    Desisti de interpretar essas rápidas alterações, tão inesperadas como a mudança do tempo de um dia para outro.
     Acompanho com atenção vigilante o enfraquecimento da memória [...].
    Mas, aceitar o rápido enfraquecimento da memória foi menos difícil do que imaginava. Registo os sintomas com alguma surpresa. O processo é contínuo, irreversível, mas diferente do esperado. Mais do que a ausência de resposta imediata (porque ela chega muitas vezes, mas atrasada) a perguntas que formulo ao cérebro, preocupa-me a desarrumação do conhecimento acumulado. Sinto agora insegurança ao localizar datas e cenários, confundo os anos e os lugares onde ocorreu aquilo que pretendo recordar com precisão. Quase sempre, insistindo, acabo por resolver a dúvida, mas a ultrapassagem da falha de memória inquieta-me".

Miguel Urbano Rodrigues in parte  III, pag 195/196

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Sonhos

Sonhos

     "Muitas pessoas sonham raramente. Não é o meu caso. Desde criança sonhei muito. Quase todas as noites [...]
Não entendia o fenómeno onírico. Dormia, mas pensava e via como se estivesse acordado. Com uma diferença fundamental. Nos sonhos aconteciam coisas inesperadas, muitas impossíveis e eu era sempre personagem do sonho, em situações e aventuras estranhíssimas.
     Alguns sonhos repetiam-se com leves variantes. Dois com frequência. Num deles um touro enorme perseguia-me e eu, apavorado, temia que ele me trespassasse com os cornos. Mas, quando já ouvia o resfolegar do bicho, acordava, e aliviado, pensava:afinal foi um sonho".
Miguel Urbano Rodrigues in parte I, pág.44

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Rotina

ROTINA

"Eu via na rotina uma sucessão de dias iguais, de hábitos mecanizados, de emoções muito similares. Era o tempo imóvel.
Ele encurta a vida ao repeti-la. Ao fechar caminhos e horizontes mediocriza a existência. A sua aceitação implica renunciar a ser diferente, a desafiar. A rotina, no temor à aventura da vida, retira-lhe significado, transformando-a numa viagem aborrecida para a morte".
Miguel Urbano Rodrigues in Parte I, página 33

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - O céu e o inferno

O CÉU E O INFERNO

     "A ideia do divino foi transmitida mais tarde, quando minha mãe se embrulhou num discurso confuso ao tentar explicar-me o que era isso do Céu  e do Inferno, palavras que eu ouvira de uma empregada que me ameaçara com a queda no segundo, se continuasse a fazer maldades.
     Deus na sua imaterialidade, foi logo esquecido (...).
   O que me assustou foi a personagem do diabo. Imaginava aquela criatura maligna envolvida permanentemente em chamas. Não percebi porque não ardia. Contemplara-o em gravuras, empunhando um tridente de ferro. A ideia do Inferno ficou por isso mais presente que a do céu. Não consegui porém, compreender o que seria o Purgatório como lugar de trânsito". Miguel Urbano Rodrigues, Parte I - página 17

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Deus

DEUS

     "Uma questão que, ao caminhar pelo tempo, me envolve em brumas densas é a fixação de uma data para a "entrada" em mim da palavra Deus [...].
Creio que a presença de Deus no meu mundo coincidiu com o descobrimento do Natal. A árvore com as bolas de vidro faíscantes e as velas acesas - no monte não havia luz eléctrica - deslumbrava-me. O presépio também, com os Reis Magos, aquela criança numa manjedoura e os animais em volta [...].
     O melhor das Festas eram as prendas que o Pai Natal trazia, preciosidades que meus irmãos e eu encontravamos em volta da árvores, na manhã do dia 25. Quis saber quem era o homem generoso que nos oferecia os brinquedos, de onde vinha e como conseguia chegar à Quinta.
      Disseram-me que era um amigo de todas as crianças e viajava num trenó puxado por renas. Percebi que me enganavam porque no Alentejo não havia trenós, nem neve, nem renas, um bicho esquisito que vira num livro [...]."  Miguel Urbano Rodrigues, Parte I - página 16
   

domingo, 11 de novembro de 2012

Sugestão de leitura: "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento"


“Durante as três décadas posteriores ao 25 de Abril a vida proporcionou-me correr muito pelo mundo. Concluí que a reflexão sobre alguns acontecimentos históricos de que fui testemunha ou participante não destoaria aqui, porque assinalou etapas no meu processo de envelhecimento”. 
(In Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento - Prólogo - página 12)
 
As quatro partes deste livro reflectem acontecimentos vividos em várias fases da vida de Miguel Urbano Rodrigues (mais notas biográficas e bibliográficas aqui). 
O mergulho fundo na memória traz à superficie, mas sem qualquer superficialidade, um conjunto interessante de reflexões sobre a vida, a infância, a religião, o colapso de regimes políticos daqui e dalém... 
No final, destaque para o hino à vida. Apesar das marcas do tempo tudo é possível; até o amor.

A “Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" será destaque ao longo de toda a semana neste espaço simpatizante do Tempo. Com toda a justiça, parece-me merecido. 
Espero portanto, poder contribuir para a leitura integral deste livro (da Ed. Calendário, 2009). 

                                          (à venda aqui e aqui)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

1.451.965.931 segundos de vida. É muito tempo!

Fazendo jus ao nome deste espaço, quanto Tempo tem o tempo do "Relogio de Corda", hoje?

Resposta: 552 meses, 2.400 semanas, 16.802 dias, 403.248 horas, 24.194.932 minutos e 1.451.965.931 segundos de idade.

Ah! E sabem que mais?! Não perdi tempo a fazer estes cálculos. Está tudo aqui para quem tiver curiosidade em esmiúçar o seu tempo de vida.

                                                         (desenho by Té - 1997)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Como se explica o que não tem explicação", segundo Pedro Chagas Freitas

Pedro Chagas Freitas é natural de Guimarães e nasceu a 25 de Setembro de 1979.
Dado o facto de eu ser um pouquinho distraída, não garanto se conhecia este nome. De qualquer forma, se não conhecia passei a conhecer e confesso que não desgostei da expressividade e do estilo da sua escrita.
Da página pessoal do escritor, no facebook, passo a transcrever as informações que se seguem e mais um texto interessante, a propósito de "como se explica o que não tem explicação".
Ora... Nem a propósito! Anda tanta gente à procura de explicações para isto e para aquilo, incluindo eu, quando o óbvio por vezes, se resume à última frase de Pedro C. Freitas: "só o que não tem explicação vale a pena viver".
Voilá! Para quê complicarmos com tantos ?????????
Smiley
Pedro Chagas Freitas é escritor, orador e professor de escrita. Tem 17 obras publicadas, entre ficção, filosofia, crónica, biografia, história e humor. É um fabricante de ideias. Estudou linguística e liderou redacções e equipas criativas. Criou artigos de jornal, guiões, anúncios, slogans e programas de rádio. Foi nomeado para vários prémios literários de nível nacional. Desde 2001 que é coordenador de sessões de escrita criativa um pouco por todo o lado. É o criador da Engética do Discurso, uma área de análise e de trabalho que traz a Engenharia e a Estética para o processo de construção discursiva. Tem vindo a coordenar e a levar ao terreno palestras, seminários e workshops em Portugal e no estrangeiro. (In https://www.facebook.com/pedrochagasfreitas)

"como se explica o que não tem explicação? como se explica o que acontece porque acontece. simplesmente isso: acontece porque acontece. e o que acontece, porque acontece, já está explicado. explicar é uma mania, uma manobra de diversão do Homem. desde sempre que o Homem quis explicar, entender. e ao fim de tanto tempo o que é que conseguiu descobrir, o que é que conseguiu explicar? nada. absolutamente nada. zero vezes zero. nicles. niente. Continuamos, ao fim deste tempo todo de questões e explicações procuradas e voltadas a procurar, sem a ponta de um corno de respostas às perguntas essenciais. continuamos sem saber de onde vimos e para onde vamos; continuamos sem saber o que é e quando acaba esta coisa a que chamamos vida; continuamos sem saber o que fazer com a dor quando ela aparece. continuamos, em suma, sem uma única resposta para todas as questões essenciais. e a procura de respostas às questões essenciais só trouxe um resultado visível: o aumento do número de perguntas essenciais. quanto mais se sabe mais fica por saber. quanto mais se sabe mais espaços se abrem. quantos mais espaços preenches mais espaços ficam por preencher. só o que não tem explicação vale a pena viver."

in "OU É TUDO OU NÃO VALE NADA"

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Escuta...

Quanto mais leio as afirmações proferidas por certos senhores doutorados deste país, mais me apetece mergulhar na poesia!
Uma grande verdade Maria Eugénia. Atrás de cada palavra, atrás de cada frase há (quase) sempre uma "cave" que os olhos e a mente não alcançam facilmente. Oh se há!...
Antoine de Saint-Exupéry escreveu um dia mais ou menos o mesmo, mas por outras palavras. "O essencial é invisível aos olhos"... É, às vezes, ... e creio que será sempre assim por mais que os tempos mudem.
  
Eugénia Cunhal

Escuta
Quando leres um poema
Não te limites a dizer que as palavras
são belas
E delas sais contente, sentindo-te mais rico
e menos só.
Atrás de cada frase há por vezes muito sangue
sofrimento,
Ou alegria, ou amor, ou desespero,
Ou qualquer outro sentimento humano
dos mais fortes.
Quando escrevemos, não inventamos tudo.
Mesmo se em vez de dizermos eu, dizemos outro nome:
João, Pedro, Maria, ou simplesmente tu.

Eugénia Cunhal in «As Mãos e os Gestos» - Editorial Escritor

sábado, 27 de outubro de 2012

Silêncio que se vai ouvir o piano...

Que se calem os toques de campainha por dois dias! E... Silêncio por favor que se vai ouvir o piano do Senhor Jarret & Companhia.
Bom fim-de-semana!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A real non sense post

This is a real non sense post.
"Relogio de Corda"?!... Are you being crazy? - perguntarão alguns. No no... Not yet!
Se as estatísticas desta "coisa" forem minimamente confiáveis, este blogue (e vá lá saber-se porquê!...) é lido também nos Estados Unidos, no entanto, não é por essa razão que hoje me apeteceu recorrer ao inglês.
A língua portuguesa, you know, é e será sempre a minha predilecta mas um "Relógio" tem direito a uns momentos desconsertantes, quanto mais não seja por uns minutos, horas ou... o tempo necessário até ficar tudo consertado de novo.
So... Let's go! Smiley

A vida tem situações incompreensíveis, estranhas até! Por que não brincarmos (no bom sentido) com isso?!
This is a non sense post para alguém com muito senso. Obviamente que nunca se saberá quem é porque ... eu "non say"!  
 
Se gosta de loiras ou de "revival french music", então... ouvir Sylvie Vartan em "Je Suis Comme Ça", pode ser um saudoso regresso ao passado (é favor não esquecer de comprar o bilhete de volta!!! Obg).

 

Mas se optar por um estilo do tipo musicais londrinos... John Barrowman em "I Am What I Am" pode ser uma alternativa mais actual.

Ou enveredando pelos caminhos da "soul music", eis um instrumental com um título muito interessante, "You Are The Way You Are" por Marvin Gaye.


Smiley

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Monte Branco: a receita

Vem aí mais uma (um) "casonovela" para entreter os apreciadores destes folhetins que têm sempre um "je ne sais quoi" de política à mistura com o grande capital.
A operação "Monte Branco" tem os ingredientes do costume: aldrabice q.b., muita lata, alguma pitada de falsa ingenuidade (eles nunca sabem nada, nunca temem nada, nunca tiveram nada a ver com nada...). Não vai ao forno! E muito menos ao frio, apesar de remeter para uma célebre montanha com o mesmo nome.
Presume-se que este "Monte Branco" vá a julgamento durante uns bons anos (se for), sendo servido posteriormente consoante a sentença do momento.
A receita culinária que se segue chama-se também "Monte branco" e parece-me mais saborosa do que a anterior; pelo menos mais digerível. Leva o fruto desta época: a castanha e para não deixar crescer água na boca de ninguém, fica a receita aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Junto à água", por António Manuel Pina



Junto à água 

 

Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.

Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!

E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos

e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.

Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia. 

de Um Sítio Onde Pousar A Cabeça(1991)  

Pousou hoje a cabeça na misteriosa eternidade. 
Pode anoitecer em todas as cidades do mundo, mas haverá sempre uma luz iluminando os versos de António Manuel Pina, jornalista, escritor e poeta que nos deixou neste dia aos 68 anos de idade.

Expressões...


Nem sempre precisamos de ver nos olhos dos outros quanta felicidade ou tristeza eles irradiam. Vemos sentindo ou sentimos sem ver?...  Acho que ambos servem.
Fica por conta do imaginário de cada um, a expressão facial desta mulher.
O quadro é da autoria de Lúcia Maia, uma artista plástica portuguesa (mais informação aqui).
Votos de um bom fim-de-semana.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"A maioria dos homens não gosta de mulheres inteligentes"

Viajar pelo mundo de mochila às costas e aos 68 anos?... Só pode ser ma mulher cheia de energia, aventureira e ... inteligente (?!).
O texto, ou melhor, parte dele, é da autoria de Paula Cosme Pinto e atrevo-me a transcrever esta parte.

"A maioria dos homens não gosta de mulheres inteligentes"

No dia seguinte combinámos lanchar novamente. À hora marcada ela estava lá com o seu sorriso. Duas gerações distintas à conversa, mas uma sinceridade estrondosa. "És casada?", perguntou-me. Pensei por momentos que na Turquia o casamento é uma questão de honra e estava preparada para o discurso tradicional quando fui novamente surpreendida. "A maioria dos homens não gosta de mulheres inteligentes, fazem-lhes sombra e isso dá-lhes cabo do ego. Não te prendas", alertou-me. "Só um homem inteligente sabe o bom que é ter uma mulher inteligente ao lado". Anos mais tarde vim a perceber o verdadeiro sentido disto e, mais uma vez, dei-lhe razão.
Mas entre todas as coisas sobre as quais falámos, houve uma que até hoje não me saiu da cabeça: o quão precioso é ter tempo. "Gosto de viajar sem pressa. Não há liberdade maior do que ter tempo, sem um bilhete de volta no bolso". Pensei nas demasiadas horas que passava a trabalhar, em todas pressões dos prazos sempre apertados, nas férias que passam a correr e que são sempre difíceis de marcar e dei-lhe razão. Sem ser nos tempos de criança, a realidade é que nunca soube o que é ser livre. Não, daquela forma. Mas, um dia, espero vir a saber.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"October Song" - Johnny Raducanu

Para mim, se o Outono fosse uma música seria esta, porque... porque SIM!
E sem mais explicações, porque nem tudo o que se sente tem que ser necessariamente explicado ou exteriorizado através das palavras. Ou tem?...

sábado, 13 de outubro de 2012

Uma mosca + um "mosco" = a muitas mosquinhas

Duas moscas resolveram encontrar-se no local mais improvável para namorar,
pois ao quadro interactivo foram parar.
Estavam os meninos a ouvir uma versão da História da Carochinha e do falecido João Ratolas
Quando uma menina se levanta, e a seguir mais outra, e mais outro, e mais outra ...
E todos pasmaram frente à mosca e ao "mosco"
Que namoravam, preto no branco, no quadro interactivo.
(Que grande risada afinal, deu aquele namoro anormal)
Passou à história, a História da Carochinha... e
Agora adivinha
O que disse uma das menininhas?...
"Professora! A mosca e o "mosco" estão a fazer mosquinhas!"

P.S.) História real passada hoje na sala de aula, ou se preferirem, como duas moscas conseguem destabilizar a (pouca) atenção de crianças com 8 anos.
(Da próxima já sei. Pelo sim pelo não, levo insecticida)  

Bom fim-de-semana!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Para um amigo tenho sempre um relógio" - António Ramos Rosa

Para um amigo tenho sempre um relógio
Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
António Ramos Rosa, Viagem Através duma Nebulosa (1960) 


sábado, 6 de outubro de 2012

"Portugal.The Man": o orgulho nacional para lá do oceano

Da muita informação que cai nesta rede chamada internet e tantas vezes por mero acaso, eis o que me calhou na "pescaria": "Portugal.The Man".
Pensando eu que se trataria de mais uma musiquinha pimba ou mais um nome de uma qualquer banda, aproveitando-se do nome Portugal para ajudar à festa dos que, teimosamente tentam deitar-nos ainda mais para baixo... Não! Não foi nada disso que encontrei. O que eu encontrei deixou-me surpreendida pela positiva e até orgulhosa de ser portuguesa. "Portugal.The Man" é um grupo de rock americano sedeado em Portland (Oregon) com raizes em Wasilla, Alaska. 
Que músicos americanos se lembrariam de dar tão invulgar nome à sua banda se não tivessem qualquer elo ou ligação com o nosso país? Fui investigar... Acho que a resposta pode estar no excerto desta entrevista dos "Portugal.The Man".

“We made this alter ego [Portugal.The Man] and we decided to name this person after a country because it’s a group of people with a singular voice in the world,” Gourley explains, “Portugal pretty much sounded the best, but it’s a really beautiful place and I’m really glad we picked it. The people do have a lot of pride in their country and it’s not something you find all the time anymore.” 
(Mais informação sobre esta banda americana aqui.)

Enquanto lá longe, bem longe, uma geração de jovens americanos tenta levar a sua música e o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo;  por cá, deparamo-nos com uns certos senhores que insistem em pôr o país de pernas para o ar com atitudes que a nós, "o melhor povo do mundo", só nos envergonha.  
Palmas merecidas portanto, para os "Portugal.The Man". Espero que gostem e que divulguem.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Ton Sourire" - Les Vieilles Pies

 "Se alguém está tão cansado que não te possa dar um sorriso, deixa-lhe o teu" - provérbio chinês

"Les Vielles Pies" são seis jovens músicos franceses que nos dão música... Fica ao critério de cada um opinar sobre a mesma. 
Mesdames et messieurs, voici "Ton sourire" pour animer le premier lundi d' octobre.