quarta-feira, 20 de julho de 2016

A questão do amor

Isto é mesmo o que parece.
É muito importante senti-lo e vivê-lo mas, verbalizá-lo de vez em quando fica sempre bem. Enche a alma.
Há quanto tempo não diz à sua companheira/ao seu companheiro: "Amo-Te"?!

BOAS FÉRIAS!



domingo, 17 de julho de 2016

A doçura e a amargura do Tempo

Com o tempo perdemos capacidades e adquirimos outras (poucas, diga-se).
São mais as capacidades que perdemos que aquelas que ganhamos. Embora as capacidades que deixamos para trás - consciente ou inconscientemente - se possam considerar de discutível importância face a novas aquisições. Nada acontecerá por acaso. 
Adaptamo-nos aos efeitos colaterais do Tempo, mais do que ele a nós. 
É um mecanismo defensor que mais nenhum ser vivo possui e por isso nos torna seres tão especiais (ou pelo menos deveria tornar...).
Com o tempo tornamo-nos mais exigentes, mas também menos exigentes. Depende das circunstâncias.  
Isto é mais frequente quando pessoas se deparam, durante as suas vidas, com situações de doença, por exemplo. Mas também  há desgostos, desilusões, más experiências de vida, que podem condicionar ou influenciar as  nossas prioridades e exigências. Daí, o nível de exigência aumentar perante factos e vivências que antes nos passariam (mais) ao lado. E a verdade é que já não estamos para aturar determinados comportamentos ou levar com meia dúzia de balelas de terceiros, e mandámos às urtigas potênciais prevaricadores das nossas vidas pessoais e afectivas.
É assim que o tempo nos faz. Dóceis e amargos. É assim que o tempo implacável e protector quer que sejamos, acho.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

É tarde, meu amor - Al Berto

Retirado deste espaço, e como forma de suprir a minha ausência por aqui, segue a arte poética de Al Berto.
Bom fim-de-semana!

é tarde, meu amor

é tarde meu amor
estou longe de ti com o tempo, diluíste-te nas veias das marés, na saliva de meu corpo sofrido
agora, tuas máquinas trituraram-me, cospem-me, interrompem o sono
habito longe, no coração vivo das areias, no cuspo límpido dos corais…
a solidão tem dias mais cruéis

tentei ser teu, amar-te e amar o falso ouro… quis ser grande e morrer contigo
enfeitar-me com as tuas luas brancas, pratear a voz em tuas águas de seda… cantar-te os gestos com

[ternura
mas não
águas, águas inquinadas pulsando dentro do meu corpo, como um peixe ferido, louco em mim a lama… e o visco inocente dos teus náufragos sem nome-de-rua, nem

[estátua-de-jardim-público
aceito o desafio do teu desdém

na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição
apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam

Al Berto, in, O Medo (Trabalho poético, 1974 – 1990) , Livro Quarto – Trabalhos do olhar, Assírio & Alvim, Lisboa, 1991