sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma" por Joaquim Pessoa


O poema -"A Corja"- de Joaquim Pessoa (ou talvez mais o poeta), publicado há umas semanas atrás neste espaço, desagradou de certo modo a alguns leitores. Contra isso, não posso fazer nada. Gostos são gostos.
O texto que se segue é do mesmo autor e se querem mesmo saber... Eu gosto, e que se lixe o resto!

Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma

Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar.
Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras.
Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.
Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.


Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'


Bom fim-de-semana.


 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"To The Bone" - Okou

Encontrei-o no YouTube há umas semanas atrás. Trata-se de um canal francês (ver aqui) dedicado à divulgação de estilos musicais e grupos alternativos, geralmente afastados ou desconhecidos dos circuitos comerciais da indústria discográfica.
Fiquei a conhecer mais este. Um dueto alemão que faz música assim...
Gostei!

 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Ver-te..." por Ruy Belo

 Ver-te

Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas àrvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo.
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo do que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
...
Ruy Belo
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O relógio da paixão, por Álvaro Magalhães

O relógio da paixão
         por Álvaro Magalhães

Um segundo é uma hora
e uma hora é um segundo
no relógio da paixão.
Não há tempo nesse tempo.
Quem ama nunca sabe
as horas que são.
E as horas também não sabem
onde os amantes estão.
No relógio da paixão
O tempo pára, retrocede, avança.
Não está parado nem está
em movimento.
Está perdido, mas não está perdido.
Como tu, que amas, apenas dança.

Imagem da autoria de Charles Spencelayh - "The clock detail"

A propósito de "clock", este fim-de-semana vão estar na festa do Avante. "The Loafing Heroes" são liderados pelo cantor e guitarrista irlandês Bartholomew Ryan. João Tordo, o escritor, também faz parte deste "colectivo"  multicultural radicado em Lisboa.