sábado, 29 de janeiro de 2011

A violência física ou a brutalidade da indiferença

"O que queres ser quando fores grande?"
Uma pergunta que nada teria de "extraordinário", não fossem dois ou três "pirralhos" de 7/8 anos responderem  à sua professora que gostariam de ser ladrões!!
Uma insólita e descabida resposta que eu jamais imaginaria ouvir ao fim de alguns anos a lidar com gente pequena. Uma resposta  que me transportou, mais uma vez,  até aos meus habituais monológos interiores sobre o tudo e o nada. 
O que leva estes miúdos a dizerem isto? Será que ouvem isto na televisão? Será que seguem o exemplo de alguém? Serão os comentários dos pais, lá por casa? Será que isto está assim tão mau que não restam alternativas de futuro, mais honestas e mais inteligentes?...

Tentei encontrar explicações e comecei por deitar as culpas para cima da sociedade em geral.
No topo, aparecem os grandes, os poderosos que roubam de uma forma sofisticada, disfarçada e sem violência física. Têm a faca e o queijo na mão mas nada fazem para melhorar as condições de vida dos outros.
Pelo meio, aparece possivelmente, a grande maioria do povo. Este mesmo povo que também tem a faca e o queijo na mão para mudar o rumo da história do país e nada faz para isso. 
Parecemos um povo de espectadores, de consumidores, de cidadãos acéfalos, de masoquistas, um povo prazeroso com o mal e  a desgraça dos outros. Estranhamente alheio ao essencial e preso ao acessório, eis o retrato do português: um cidadão do mundo que continua mal educado, desinteressado, mal informado, inculto, egoísta quando chega a hora da verdade (os últimos resultados eleitorais e o relato da pessoa que se segue, são as provas daquilo que acabo de escrever).
Num patamar mais abaixo, aparecem os desgraçados sem meios de subsistência conhecidos, os marginais e outros que tais. Fazem precisamente o mesmo dos que se encontram no topo, porém, fazem-no de uma forma descarada, sem rodeios e com recurso à violência física q.b.
Por coincidência, no dia em que esta reflexão voltou aos meus pensamentos, tomei conhecimento da violenta agressão que vitimou Manuel Rocha (um dos músicos da Brigada Victor Jara que mencionara casualmente, por aqui, uns dias antes), junto à estação ferroviária, na cidade de Coimbra. A notícia surpreendeu-me por três razões:
1º - Porque aconteceu à pessoa que foi  mas, podia ter acontecido a qualquer um de nós ou a qualquer um dos nossos;
2º - Tudo aquilo de que falava atrás, não é mais do que uma treta e uma falsidade sem igual. Qual solidariedade, qual brandura, qual quê?!... Depois de ler o relato pessoal escrito pelo cidadão Manuel Vaz Rocha sobre o sucedido, eu, senti vergonha de ser portuguesa e pior ainda, senti vergonha de pertencer à espécie humana;
3º- Pensava que cenas destas, na cidade de Coimbra, só aconteciam nos livros de ficção. Mas finalmente, lugares seguros, já não existem. 

Apesar de conhecer apenas de vista, a pessoa em causa, o requinte de malvadez com que brutalizaram Manuel Rocha, não tem uma explicação racional, pelo menos para mim. Jamais compreenderei o motivo de tanta violência, bater sem dó nem piedade ou matar,  a troco de nada, quando muito, apenas, para ficar com um mísero e execrável telemóvel.
Nesta história real, fica registado um segundo capítulo, tanto ou mais, grave que o anterior. Refiro-me à aparente indiferença e apatia de quem estava por perto e nada fez para auxiliar ou socorrer a vítima.
Afinal, um povo que se solidariza com tudo e mais alguma coisa, que padece com o infortúnio alheio e depois na hora H, não é capaz de demonstrar quanto vale, é um povo de medricas e de velhacos. 
Estaria alguém, nesse dia, a essa hora, à espera de alguma recompensa, ou, porventura, estaria alguém à espera de alguma câmara de filmar para obter uns minutos de fama, numa qualquer estação rasca de televisão?!...
O terceiro capítulo desta história, terminou com fracturas e escoriações, e, quiçá, marcas psicológicas que o Tempo se encarregará de "apagar".

Parece que Portugal está cada vez mais parecido com o pior que tem a sociedade americana, nesta matéria.
Apesar dos cenários não serem os mais animadores, acredito piamente que só teremos cidadãos cumpridores nos seus deveres cívicos, cidadãos activos, participativos e Solidários, se houver investimento pessoal e político na Educação e na Formação do povo.
Neste caso, EDUCAR e FORMAR PRIMEIRO OS ADULTOS, para que estes, possam depois, EDUCAR  e FORMAR  os MAIS PEQUENOS. Quem sabe se assim, um dia, eu não tenha que ouvir mais uma resposta disparatada como aquela que ouvi duas vezes, este ano.

Já agora e, dado que a "Gainsbourgomania" me tem afectado nos últimos tempos, dedico este " REQUIEM POUR UN CON " a TODOS os brutamontes, ladrões, bandidos e apáticos cidadãos deste país.
Termino com o texto publicado na página do Facebook de Manuel Rocha; um relato na primeira pessoa para ler com atenção e reflectir.



Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B

por Manuel Rocha a quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011 às 2:44
Queridos amigos! Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado. Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o "bom" ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto da alcateia colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu). Análise de conteúdo: não se tratou de violência étnica - os bandidos são bandidos seja qual for a característica dos indivíduos. A atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência, não pode ser justificada pelo medo (característica, como é sabido, de quem tem cú), ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo. Moral da história: há que lutar pela criação de condições que reduzam os caldos de cultura da marginalidade; há que reprimir sem contemplações e com máxima contundência os assomos de marginalidade; há que denunciar a atitude que produz "Solidariedade sim, mas só se for a do Banco Alimentar contra a fome". Tenho a perna partida, é certo. Mas desta vão tratar os profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Quem vai tratar da violência criminosa dos marginais e da criminosa (por omissão) passividade dos cidadãos cumpridores? Grande abraço de gratidão pela vossa amizade.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Falando em Gainsbourg, filha de peixe...

A filha de Jane Birkin e de Serge Gainsbourg - Charlotte Gainsbourg - herdou, um gene (ou vários, peut- être) qualquer, que eu, talvez por ser mulher, não consigo explicar.
Vejam, ouçam e tirem as vossas conclusões.
IF
If excessif, accro, compulsif
If adhésif, over réactif
If exclusif et trop émotif
If impulsif qui est le fautif ?
If intrusif, plus combatif, sous sédatifs en soins intensifs, cherche le motif
If négatif, maladif, inexpressif et plus vraiment vif, cherche le motif
If trop captif et décoratif
If défensif, à cran, offensif
If incisif, mes coups de canifs
If agressif, qui est le fautif ?
If intrusif, plus combatif, sous sédatifs en soins intensifs, cherche le motif
If négatif, maladif, inexpressif et plus vraiment vif, cherche le motif
If évasif, approximatif
If c'est plus l'kif, de jouer au calif
If trop nocif et trop addictif
If fugitif, maniaco dépressif
If trop massif, abusif, à ton actif, les coups successifs, trop lourd le passif
If décisif, je m'rebiffe, mon départ est impératif et définitif, définitif
If intrusif, plus combatif, sous sédatifs en soins intensifs, cherche le motif
If négatif, maladif, inexpressif et plus vraiment vif, cherche le motif
If trop massif, abusif, à ton actif, les coups successifs, trop lourd le passif
If décisif, je m'rebiffe, mon départ est impératif et définitif, définitif

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O "relogio" pára de dar "corda" por um Tempo

                                  (Foto  Google)

Um relógio da marca Rolex, velho, avariado e parado no tempo, não precisa de corda para nada.
Mesmo assim, tomei a liberdade de vos dispensar da "corda" do outro "relogio". A partir de hoje, o relogio.de.corda entra numa espécie de hibernação por tempo indeterminado; não será muito longo, prometo.
Nada de importante justifica esta pausa, apenas algumas tarefas de natureza profissional, a necessitarem de uma maior atenção, e, algum descanso... por que não?!...
Até um dia destes!

domingo, 16 de janeiro de 2011

HISTÓRIA DA CAROCHINHA - VERSÂO PRESIDENCIAL para gente crescida

Uma história tradicional reinventada que este espaço virtual, dedica ao actual momento político do país.
Daqui a uma semana, da esquerda à direita, pede-se uma eleição participativa e consciente.
Vença quem vencer; nós, por cá, estaremos para o quer e vier, com uma certeza: o trombone estará sempre a postos para tocar.
Nota) Na imagem, falta o candidato da Madeira, José Manuel Coelho.

                                               (Foto Google)

A história da Carochinha

Numa tarde de calor, uma Carochinha arrumava a sua casa quando se deparou com um cheque de grande valor.
Desconhecendo que pedaço de papel era aquele, correu a perguntar ao vizinho:
- Vizinho, vizinho!... No meio dos papéis e dos jornais, encontrei isto!! O que é? - perguntou.
Por momentos, pensou se seria mais um papel que o desafortunado João Ratão, deixara pela casa, como fazia com todas as outras coisas. Animal mais desorganizado, não havia! Tanto que, a viúva, dava frequentemente graças ao Divino pelo acto misericordioso que o soube levar, desta para melhor.

- Carochinha, minha vizinha. Você está riquinha!! Com este papel, vá ao banco mais próximo. Em troca, hão-de dar-lhe dinheiro. - disse.
Assim que o sol nasceu, bem cedo, se apresentou D. Carochinha, viúva e boa pessoa, numa agência (não sei se era do BPN...) pronta para "aviar" o cheque no valor de 100.000€. 
Regressou a casa, mais pesada e satisfeita do que nunca. Utilizaria a sua pequena fortuna em coisas de que realmente necessitasse. 
O primeiro gasto, destinou-se ao arranjo do buraquito onde morava desde os tempos em que o João Ratão era vivo. Os anos tinham passado e entretanto, a casa encontrava-se cada vez mais deteriorada devido aos Invernos muito chuvosos e húmidos.
(Depois... vem aquela parte da história que todos conhecemos)
A Carochinha, enfeitou-se e com um visual arrasador, foi para a janela, na esperança de encontrar um candidato/companheiro, à sua altura. 

- Quem quer casar com a Carochinha que é simpática, viúva e formosinha? 
- Quero eu, quero eu!- respondeu o primeiro candidato a pretendente. 
- Hum... diz-me lá... o que fazes na vida?
- Sou político e dizem que tenho atitudes e manias pseudonazistas mas é tudo mentira! Sou o José Manuel Coelho e estou aqui, para astear uma bandeira em tua honra.
- Não. Não me serves. Um candidato com atitudes dessas, não serve para a minha casa. Vai embora e não voltes mais!

Esperou pelo seguinte.

- Quem quer casar com a Carochinha que é simpática, viúva e formosinha? 
- Quero eu, quero eu! - respondeu o segundo candidato de papel na mão, declamando uns versos que ninguém percebia.
- Hum... diz-me lá... o que fazes na vida?  
- Sou político e poeta. Chamam-me Manuel Alegre e quero proporcionar-te momentos de inefável alegria. Toma lá esta rosa, minha linda e bela Carochinha que...
- Não. Não me serves. Pensas que me enganas com essa rosa?! As rosas têm espinhos... Vai embora e não voltes mais! 

- Quem quer casar com a Carochinha que é simpática, viúva e formosinha? 
- Quero eu, quero eu! - respondeu o terceiro candidato munido de um calhamaço sobre economia debaixo do braço. 
- Hum... interessante... vejo que estudas muito e sabes muitas coisas. O que fazes na vida? - quis saber a Carochinha.
- Sou político a tempo inteiro e economista nas horas vagas. Aníbal ao teu dispôr. Sei tudo o que se passa nos mercados financeiros, estudo-os e analiso-os mas, no fundo, não resolvo nada porque não gosto de prejudicar e ser contra ninguém, sobretudo se forem meus amigos. Carochinha minha linda, comigo saberás investir a tua fortuna e ficarás ainda mais rica!
- Não. Não me serves. Desaparece seu malvado interesseiro. Para quê querer alguém que sabe tanto e depois nem a gestão da casa sabe fazer?! Ainda davas tudo aos teus amigos e eu ficava de mãos a abanar...Vai embora e não voltes mais!

A mesma ladainha, e, nisto, surgem dois candidatos vestidos de bata branca e estetoscópio ao pescoço. Discutindo um com ou outro, param e respondem:
- Quero eu, quero eu. Respondeu um, enquanto o outro, continuava a demarcar território com empurrões.
- Mau Maria!... Estou a ver que os dois são parecidos. O que fazem na vida?
- Somos médicos e queremos ser políticos a tempo inteiro. Cuidamos da saúde dos outros e estamos felizes e prontos para tratar da tua também, minha saudável e formosa Carochinha.
- Hum... que gesto tão Nobre e agradeço o Defensor cuidado da vossa parte mas, não preciso que me tratem da saúde, desta maneira. Vão e não voltem mais!

- Quem quer casar com a Carochinha que é simpática, viúva e formosinha? 
- Quero eu, quero eu! - respondeu o último pretendente a candidato.
De pisca polos, luzes, lâmpadas e fios aos montões, perguntou a Carochinha cheia de interrogações:
- Hum... és estranho... e trazes tantas ferramentas... O que fazes na vida? 
- Sou técnico electricista e político. Sou conhecido pelo nome de Francisco Lopes mas, na terra, todos me tratam por "Chico da Luz". Estou aqui para te guiar, minha cara e simpática Carochinha. Quero dar-te os melhores conselhos; dizer-te que nunca entregues a tua fortuna nas mãos dos grandes capitalistas e desses banqueiros corruptos e ladrões. Eles levam tudo e nunca deixam nada!
A Carochinha parecia encantada com aquele discurso...
- Pois... Vejo que pareces preocupado com a minha situação. Gosto do teu falar... Quererás ser tu, aquele que iluminará o meu caminho?

Nisto, a faísca da paixão (amor... ou o que lhe quiserem chamar), despertou entre os dois. 
A Carochinha, guiada pela permanente luz do seu amado, viveu feliz para sempre. 
Escusado será dizer que os dois, aplicaram com um sucesso estrondoso, a fortuna dos 100.000€, numa exploração de pirilampos que passou a produzir electricidade a um custo mais baixo, levando  a sua concorrente à falência.
                                 FIM

domingo, 9 de janeiro de 2011

O Novo Hospital Pediátrico de Coimbra

                                               (In jornal Público - 7/1/11) 
  
Parece que é finalmente desta vez! (com link). O novo Hospital Pediátrico de Coimbra, estará operacional no próximo dia 31 de Janeiro DESTE ANO (2011).

Aquele que dentro de pouco tempo, deixa de exercer as suas funções como uma unidade hospitalar vocacionada para crianças, funcionou durante 33 anos num edifício que fora inicialmente um convento e posteriormente, um sanatório para mulheres e crianças.
No final da década de 70, mais precisamente em 1977, transformar-se-ia em hospital pediátrico com Santos Bessa e Bissaya Barreto na génese de um projecto que vê o seu ciclo de vida chegar ao fim (refiro-me em termos de espaço físico, obviamente) dentro de poucas semanas.
Ao longo dos anos, foi sofrendo alguns melhoramentos; tentativas encontradas pelos sucessivos governos para colmatarem deficiências e insuficiências (falta de espaços,  espaços com dimensões reduzidas, etc, etc).
Mesmo assim, o velhinho Pediátrico de Coimbra, estava ultrapassado e aquém das condições físicas desejáveis e necessárias para prestar um serviço de qualidade às crianças e respectivos acompanhantes. 
Foi necessário bater o pé para que este novo hospital pediátrico, o primeiro em Portugal construído de raiz, se tornasse uma realidade.
Iniciado na última década, ainda no tempo da outra senhora, conheceu um longo historial de adiamentos e de percalços: orçamentos não cumpridos; utilização de materiais e técnicas de construção duvidosas; meteu água por diversas vezes e foi alimentando um rol infindável de polémicas.
A mais recente, esteve relacionada com a sua dimensão que está, segundo alguns entendidos na matéria, sobredimensionado, isto é, tem espaço a mais e como diria o cómico Herman José, "não havia necessidade...". Existem por isso, vozes que defendem uma rentabilização desta unidade hospitalar gigantesca, agrupando (segundo as directrizes económicas e políticas dos últimos anos, "agrupar é o que está a dar") especialidades como a Obstetrícia e a Pediatria...

Polémicas à parte que me passam completamente ao lado, eis agora, a "menina dos olhos" da cidade de Coimbra e de todos os profissionais envolvidos numa aspiração que decerto, colocou à prova a paciência de muitos. Para eles, é um motivo de orgulho e para nós também. As crianças merecem-no.
É uma mudança para melhor, sem dúvida, e, uma mudança que carrega consigo alguma emoção... porque 33 anos, não são 33 dias, 33 semanas ou 33 meses.

A ver vamos, como se comportará este novo e moderno edifício perante o Tempo.
Não quero decepcionar, nem tão pouco ser pessimista, mas outras realidades mostraram já, que uma obra quando começa com muitos defeitos, acaba mais cedo ou mais tarde, por revelar as suas fragilidades.
Mas hoje, é também um dia especial; há dois anos e numa data que dificilmente se esquece (09/01/09) eu estava neste hospital que agora se prepara para mudar de armas e bagagens, como diz o povo, com "o coração nas mãos"...

Aos profissionais que trabalham no Hospital Pediátrico de Coimbra (agora Hospital Pediátrico Professor Carmona da Mota, pediatra e o primeiro director clínico em 1977, ano, em que foi criada esta unidade de saúde nas anteriores instalações), nada melhor me ocorre neste momento senão desejar a todos, as maiores felicidades para a nova etapa que se incia; com a certeza de que, a mesma dedicação e o mesmo profissionalismo, continuarão a fazer parte do dia-a-dia daquela "casa", porque... existem coisas que não devem mudar.


Termino com uma dedicatória musical para as crianças do HPC, em especial, para um menino de nome JP que apesar de prisioneiro  na sua cama, nos ajudou a passar o Tempo com a sua boa disposição e cuja mãe avistei de novo dois anos depois, no passado mês de Dezembro.

 

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cinema e Dinheiro - "A Febre de Sábado à noite"

"Se se ganha dinheiro, o Cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte"
                                         
                                                                     Millôr Fernandes

Nem a propósito! Embora não o considere propriamente uma obra de arte cinematográfica, este "Saturday Night Fever" saiu em 1977 quando eu, relogio.de.corda, apenas usava e abusava do meu Tempo para brincar e fazer os trabalhos de casa que trazia da escola. Aos 11 anos, outra coisa não seria de esperar.

Este filme teve o sucesso que se sabe e a minha casa, não foi decerto, a excepção relativamente a uma "febre" generalizada que afectou milhões de jovens um pouco por todo o mundo, naquela época.
Lembro-me dos meus irmãos e irmãs, tecerem comentários; do lado feminino, eram exaltados os dotes físicos do actor principal, John Travolta. Possivelmente, em 1977, o homem mais giro e sexy à face da terra.
No meio de tanta "felicidade" alheia e de tanta ingenuidade da minha parte, eu achava que aquela gente enlouquecera toda, à conta do raio do filme cuja banda sonora, comprada pelos fãs lá de casa, eu ouviria em fomato LP (disco de vinil) até enjoar.
Um dia, disse aos meus irmãos que também queria ver esse filme. A resposta que me deram: "não é  um filme para a tua idade!", deixou-me conformada mas não convencida. Entretanto, o Tempo passou...

Foram precisos 33 anos para ver finalmente, o tal "Febre de Sábado à Noite", que catapultou Travolta para a fama e pôs meio planeta a dançar, ao som da Disco Music engendrada pelas vozes esganiçadas dos irmãos Gibb.
Vi este "trailer" e consegui perceber melhor a razão do sucesso de um filme que é tão só, um retrato mais ou menos fiel, dos hábitos e da irreverência de uma juventude nos finais dos anos 70. Nada de especial, visto agora e passados estes anos todos.

Creio que esta história de termos o "Tempo à perna",  faz-nos andar numa roda viva, na procura inconsciente das memórias passadas, aqui e ali. Parece que isto, acontece-me com frequência. É uma tendência quase natural e confesso que não me dou mal com esta moda; a que muitos chamam: estilo ou tendência "revivalista".
Digam o que disserem, mas às vezes, sabe bem descermos às "caves da nossa memória" para irmos ao encontro daquilo que por lá, poderá andar esquecido, escondido, morto ou enterrado. Trata-se no fundo, das nossas viagens no tempo que servem para "ressuscitar" as nossas memórias... boas ou más. Afinal; não será esta, umas das qualidades e das grandes capacidades da mente humana?!...


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dinheiro, guito, carcanhol, massa, bago...

Numa altura em que se fala tanto em dinheiro, ou antes, a falta dele, lembrei-me das muitas citações sobre esta gigantesca máquina que faz girar o mundo e que tanta dor de cabeça provoca, sobretudo, para quem não o tem.
Até 6ª feira, uns pensamentos por dia sobre o assunto, não dão saúde nem alegria, mas dão que pensar...

"Dinheiro e tempo são os fardos mais pesados da vida. As pessoas mais infelizes são aquelas que têm tanto disso que não sabem o que fazer com ele"

                                                                        Samuel Johnson

"Hoje, ter ou não ter dinheiro é o ser ou não ser, é o problema"

                                                                       Ramón C. y Campoosorio
 (continua)


Money, get away
Get a good job with more pay and you're okay
Money, it's a gas
Grab that cash with both hands and make a stash
New car, caviar, four star daydream,
Think I'll buy me a football team

Money get back
I'm alright Jack keep your hands off my stack.
Money it's a hit
Don't give me that do goody good bullshit
I'm in the hi-fidelity first class travelling set
And I think I need a Lear jet

Money it's a crime
Share it fairly but don't take a slice of my pie
Money so they say
Is the root of all evil today
But if you ask for a raise it's no surprise that they're
giving none away

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Da terra do vento...

Mais precisamente, da "Parvolândia da Serra".
Lugar único, considerado a "capital" da tradicional arte que muitos pisam sem darem conta das verdadeiras obras artísticas que estão debaixo dos seus pés.
Uma rocha calcária cuja qualidade e cor (preta), apenas se pode encontrar por estas bandas; combinada com a sua "congénere" de tonalidade branca, rosa ou cinza, faz parte da arquitectura paisagística de muitos passeios, ruas e praças de cidades como: Faro, Portimão, Lisboa, Leiria, Alcobaça, Fátima, Santarém, Coimbra, Aveiro...
Foi esta mesma "Parvolândia da Serra", em tempos, a localidade do concelho que mais "massa cinzenta"  forneceu para as universidades e institutos do ensino superior deste país.
Não consta que apareça em mapas ou GPS's.
Baptizei-a carinhosamente com este nome para preservar algum anonimato. No entanto, estou consciente que, após a publicação deste post, deixará de o ser.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano novo, esperança renovada

O verde é a cor da esperança, dizem.
O ano está novinho em folha e é para a frente que devemos olhar e caminhar. Cada um com as suas expectativas, os seus desejos, as suas ambições, os seus infortúnios... 
Acreditemos, tal como acreditou, quem sabe, o proprietário desta Renault 4L (automóvel que celebra este ano, 50 anos de vida) que o verde é mesmo aquela cor... aquela que traz uma boa onda, como diz o povo do Brasil. 

                                  (foto tirada na  cidade universitária, junto das antigas instalações dos HUC)