sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A receita dos "rissois de berbicacho" por José Jorge Letria

Definição para berbicacho: algo de difícil resolução, uma coisa complicada...
José Jorge Letria aproveitou esta palavra tão genuinamente portuguesa - berbicacho - para rechear uns suculentos rissóis. Vejam só, como esta "receita" de rissóis de berbicacho está o máximo!
Para além da subtracção com empréstimo do "post" anterior, parece-me óbvia, a presença de alguma sátira neste texto que integra mais uma obra da nossa fantástica literatura infantil nacional.
E eu ainda acrescento mais: mas que grande berbicacho nos têm arranjado de há uns anos para cá!

   «Eis o prato ideal para ser confecionado e comido em situações de crise, em dias complicados ou no final de uma discussão caseira.
    O berbicacho não é peixe nem carne, sendo, no entanto, uma mistura equilibrada de ambos, mas condimentada com gritaria, alguns insultos e meia dúzia de palavrões ditos numa língua asiática antiga e picante.
    O berbicacho é fácil de encontrar em qualquer restaurante, desde os mais requintados aos que estão abertos até tarde nos bairros populares. Mas também pode ser comprado a preços baixos em mini e hipermercados, em estado de congelação.
    Portugal é um dos países do mundo onde há berbicacho de maior qualidade e a preços mais acessíveis, o que torna esta receita muito popular e muito fácil de confecionar.
    Os rissois, enriquecidos com este recheio, a que se juntam borboletas, rodelas de salamim e gotas de orvalho seco, devem ser fritos durante pelo menos quatro horas, tempo suficiente para acalmar o berbicacho.
    O prato serve-se quente ou frio, conforme o gosto de quem o pede ou de quem o confeciona. A quente tem uma pequena desvantagem: o berbicacho pode agitar-se de novo. A melhor forma de o pôr calmo antes de o levar à boca é dar-lhe uma valente palmada, que não o esborrache mas que o faça perceber quem, de facto, manda.
    Não é prato aconselhável para ser servido nas cantinas e  refeitórios das forças militares e militarizadas, porque não favorece a disciplina que, ali, deve ser sempre a regra da casa.»
  
Rissóis de Berbicacho foi retirado de O livro das receitas malucas, pág.12 / 13 - José Jorge Letria (Porto Editora, Fev. 2008)

          Bom fim-de-semana! Smiley

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Curtas & breves (2) - A subtracção com empréstimo


Hoje, na aula... olhando para as contas de subtrair que passei no quadro... pensei: o meu país parece uma subtracção com empréstimo!
Quem é o diminuendo? Quem o diminuidor? Ao cabo e ao resto, por mais subtracções que façamos,  pouco ou nada resta e isso, faz toda a diferença nos dias que correm.
Malditas contas!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

E se eu for a imitação de um relógio Rolex?...

Há dias em que um relógio se sente angustiado, traído. Não pelo tempo. Não pelos ponteiros das horas, dos minutos ou dos segundos... Um relógio julga-se traído quando suspeita que, afinal, não é aquilo que pensava ser: um relógio de marca.
Como se o mundo e a vida, não tivessem assuntos mais importantes e pertinentes, há dias dei (enquanto "relogio", claro está) por mim a pensar nesta possibilidade. Nesta hipotética falsidade.
E se eu for um Rolex falso? Uma imitação barata?... Fiquei a pensar. A sério que fiquei. E para ajudar à festa, a dona do relógio já não está cá para se defender. Que grande embuste!
Criei um blogue, à custa da imagem de um velho relógio de corda Rolex. Abro uma conta no facebook com o nome de relogio de corda. Vejo-me obrigada a recusar pedidos de amizade de relojoeiros e coleccionadores de relógios que, Enganadinhos da Silva, pensam estar perante um(a) expert na matéria, quando na verdade, eu sou um zero à esquerda no assunto...
Como se isto não chegasse, ainda recaem sobre mim suspeitas de ser um Rolex falso?!
Peço aos relojoeiros e aos entendidos na relojoaria, espalhados por "aí" que me ajudem a conhecer a minha verdadeira identidade. Repararem... na minha "cara"; onde está o símbolo da marca Rolex
O meu mostrador não tem. Porquê? É normal?
Volto à pergunta: serei falso?! Se sou, e, sem intenção deliberada da minha parte, enganei-vos este Tempo todo. :(


E com esta triste "inquietação", vou contar o tempo para outra freguesia.
Au revoir.

domingo, 23 de outubro de 2011

Marcelo Rebelo de Sousa, meu "caro". Siga o meu conselho: por favor, cale-se!

O título está no Sol online e diz assim:
"Marcelo critica tentação de privilegiar a escola pública em tempo de crise"

Depois, começo a ler o artigo e vejo mais isto:
«O Ministério durante muito tempo foi dominado pela FENPROF [Federação Nacional de Professores] que influenciava a sua direcção, mesmo com ministros e governos com a visão de que deveria existir liberdade de escolha», disse o comentador político.»
(Acha mesmo Sr Marcelo? Acha mesmo que o Ministério da Educação foi dominado pela FENPROF?!?!? Sr Marcelo, desculpe lá mas o senhor teve visões. Só pode!)

Continuando a "asneirar", Marcelo R.de Sousa remata com "mestria" mais esta:
«Rebelo de Sousa afirmou que «o ensino estatal tem vindo a aumentar em quantidade» e que se tem mostrado «muito assimétrico», enquanto «a escola não-estatal tem vindo a morrer em quantidade», mas garantindo «padrões de qualidade muito elevados».
(Meu "caro" Sr Marcelo; o senhor sabe que, nem todos os portugueses têm meios (€€€€) para colocarem os seus filhos numa escola não-estatal, não sabe?! Parece que não sabe, ou, está ligeiramente esquecido para não dizer, pesadamente esquecido
Não admira que, perante tais evidências e segundo as suas palavras, a escola não-estatal tenha vindo a morrer em quantidade. Cá para mim, o Sr Marcelo quer é dar vida a essa mesma escola em detrimento da escola estatal, ou não?
Só mais esta; o Sr Marcelo sabe que a escola não-estatal é geralmente uma escola elitista, não sabe? 
E sabe também que, essa tal escola não-estatal, geralmente elitista, tem por tradição rejeitar crianças com um historial de mau comportamento ou aproveitamento?
Para terminar, presumo, Sr Marcelo Rebelo de Sousa, que tem conhecimento de outra tradição invulgar, muito em voga na dita escola não-estatal: rejeitar crianças com deficiências várias.
Sr Marcelo, mas é claro que os padrões de qualidade da escola não-estatal têm obrigação de serem muito elevados. Eu sempre soube disto e tenho menos anos de vida que o senhor!
(Para ler na íntegra, aqui)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A letra T. T de tempo

E fico-me por aqui em matéria de letras, de considerações sobre a fatídica crise que nos agasta a todos (nem todos!). Uma coisa é certa; pelo menos, continuamos vivos e isso, é o que importa. Não baixemos os braços nunca! "Comer e calar", nem pensar. Pode ser que a esperança renasça com o tempo...

Termino com um grupo de vozes femininas (Mafalda Arnauth, Luanda Cozetti, Susana Félix e Viviane). Todas juntas, formam o projecto musical - Rua da Saudade - uma homenagem ao poeta José Carlos Ary dos Santos.
Como não podia deixar de ser, um "relogio de corda" que se preze, escolhe sempre primeiro, a "Canção do Tempo".
 Bom fim-de-semana.

A letra P. P de povo, de poder, de político, de promessas...

É na rede social facebook que vão desaguar a maior parte dos comentários sobre a crise, a austeridade, a economia, a política ... É claro que, podia partilhar aqui, muitos outros textos/comentários desta ou aquela pessoa, igualmente interessantes.
Uma parte da informação (textos/comentários) que circula pelo facebook sobre a situação actual do país e da Europa, tem origem em cidadãos anónimos; os tais que sentem verdadeiramente na pele, esta esburacada trapalhada em que nos meteram. Chamemos-lhes os espíritos críticos, os inconformados; são eles que dão a palavra escrita ao manifesto!
O texto de hoje, é um comentário retirado da referida rede social. Obviamente, não conheço pessoalmente a autora. Porém, a forma  directa e despretensiosa da sua escrita não passa despercebida.
Eis pois, o tipo de linguagem escrita que faz falta ao português desinformado. 
Ler para perceber: a crise, vista por uma ex-professora.

«...Nem sei que dizer, isto é mau demais para ser verdade. Andaram décadas a gastar e assaltar o erário público, e agora fingem que estão cá para minimizar a hecatombe, atirando sistematicamente as culpas para os detrás como se não estivessem juntos nisso. 
O "Inginheiro" foi derrubado depois de uma fortíssima (e justíssima) campanha baseada nas mentiras e na falta de palavra em relação às promessas feitas ao país. E quanto a mim foi bem derrubado, um político tem que aprender a não acenar com o que sabe antecipadamente não poder ou não ter qq intenção de cumprir. É uma questão de ética e até de moral. Estes, em pouquíssimos meses já o ultrapassaram. E pior, preparam-se para vender o país a retalho, coisa que no PS não me parece que fosse pacífica. Mesmo que quisesse (e eu sinceramente não sei se queria ou não, não tenho qq filiação partidária que me dê acesso a informação privilegiada), penso que o "Inginheiro" nunca teria base de apoio para ir tão longe. Agora, estão todos de acordo na repartição dos despojos.

Não nos assistirá sequer o direito de ter uma palavra a dizer sobre isso? Afinal trata-se da nossa própria vida e destino, por alma de quem havíamos de deixar tudo nas mãos dos que nos conduziram a isto? Fomos demasiado tolerantes com décadas de corrupção continuada, de evasão fiscal continuada, de videirinhos sempre de mão estendida, de receptadores (ainda!) na sombra…
A turbulência há-de passar mas não com esta gente, que apenas estava à espera de uma oportunidade para se atirar ao que resta. É essa a minha convicção. 
Mais tarde ou mais cedo terão o mesmo destino que os mentirosos anteriores, mas para nós - os tais 99% - vai ser um processo muito longo e doloroso, e penso que nunca mais conseguiremos recuperar os recursos indispensáveis à soberania nacional. Fechou-se uma era.
Mas… o rei morreu, viva o rei! Há sempre uma solução menos má do que
todas as outras. E não é esta, disso estou plenamente convicta
( MM - publicação autorizada pela própria autora, em 16/10/2011)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A letra D. D de desalento, de desilusão, de desânimo...

É compreensível que os jornalistas debatam em seminários, palestras e afins, como aconteceu há semanas atrás, algumas questões relacionadas com o exercício da sua profissão.
O jornalismo enfrenta um concorrente de peso: o facebook. O poder das redes sociais em geral e desta em particular, é tal, que, consegue mobilizar cidadãos para manifestações, criar movimentos cívicos, divulgar informação, conseguindo manter mais gente informada que qualquer outro meio.
Se a isto juntarmos a blogosfera; um universo virtual repleto de cidadãos anónimos que  pensa por si, que faz a análise da actualidade e escreve sobre temas que preocupam a sociedade; então, poder-se-á, de facto, temer pelo futuro da referida classe profissional.   
Há dias visitei o blogue Urgência interna. O seu autor é mais um cidadão do mundo, um cidadão deste país que pensa por si pensando também nos outros. Escreve sobre a actualidade, assim:
(Poderá ler o texto na íntegra, aqui)

«Carta ao futuro

Olá Tomás,
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele
(...)
Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e  gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»

Fernando Baptista in  urgenciainterna.blogspot.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A letra F. F de fome

A Renascença adverte:

"Mais de 400 mil portugueses podem sofrer com cortes de Bruxelas"

«Para mim, o grande problema é que as próprias instituições chegaram ao limite da sua capacidade física e até material. Já não podem ajudar mais e, portanto, há que haver aqui formas da sociedade civil que possam ajudar a minorar estas dificuldades das famílias, porque as famílias vão pedir mais ajuda”, afirma Isabel Jonet.

Oikos quer protecção dos mais desfavorecidosA Oikos, por seu lado, não tem dúvidas de que as medidas do Orçamento do Estado para 2012 vão contribuir para o empobrecimento dos portugueses, “não apenas da classe mais desfavorecida, que já está a viver em situação de pobreza, mas incluindo uma parte da classe média, que poderá cair na pobreza”.

“Não discutimos a necessidade de pagar a dívida, não discutimos a necessidade de ajudar o sector financeiro. Aquilo que dizemos é: se existem recursos para aliviar as dificuldades do sector financeiro, têm que existir recursos para aliviar as dificuldades do sector mais desfavorecido da população portuguesa”, afirma à Renascença o secretário-geral desta organização não-governamental para a cooperação e o desenvolvimento.»

E eu pergunto: quem nos (des)governa, está preocupado em aliviar as dificuldades do sector mais desfavorecido da população portuguesa?
Não me parece...

domingo, 16 de outubro de 2011

Amanhecer

Numa madrugada estival de Outono, o dia começava assim...


(Pink Floyd - do álbum The Dark Side of the Moon ,1973)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os abutres são aves do ... caraças!


Fiquei hoje a saber que o abutre, animal de hábitos necrófragos, divide-se em várias sub-espécies (e géneros). Sãos eles: 
  • o abutre barbudo ou quebra-ossos, 
  • o abutre-do-cabo, 
  • o abutre-indiano, 
  • o abutre-real, 
  • o abutre-negro, 
  • o abutre-das-palmeiras, 
  • o abutre-de-capuz, 
  • o abutre-de-cabeça-branca, etc, etc (fonte informativa Wikipédia). 
Porém, surpreendeu-me a certa altura, verificar que não constava na enciclopédia livre e virtual mais famosa do mundo, o abutre-europeu, igualmente conhecido como o abutre-da-União Europeia...
Este abutre tem a particularidade de ser uma ave de hábitos bastante selectivos.
Ao contrário dos congéneres da sua espécie, vive em países (ditos civilizados e poderosos) como os Estados Unidos da América, a Alemanha ou a França.
Seria igualmente desnecessário referir (mas é sempre melhor relembrar); estas aves "raras" têm uns "tratadores" especiais que tratam (passo a redundância) muito bem da saúde delas para que a seguir, sejam elas a tratarem da nossa!
O abutre-da-União Europeia tem alvos específicos, bem definidos: escolhe preferencialmente países "com a corda na garganta".

Os abutres nacionais, comandados pelos abutres europeus, estão a fazer o que tem de ser feito para grande regozijo dos abutres-mor. Estes, parece que já batem as asas de contentamento pela decisões que os abutres nacionais tomaram e anunciaram há umas horas atrás.
Deixem-me dizer (escrever) alto e com todas as letras, o seguinte: 
Estes governantes nacionais e internacionais, este FMI e estes canalhas todos (abutres) que nos querem comer vivos, precisam de levar nas orelhas, já!
Está na hora do povo português  mostrar que não come e cala a tudo!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Esta minha mania de guardar coisas

É verdade! Tenho a mania de guardar coisas; coisas que para algumas pessoas acabariam num caixote do lixo.
Tenho na minha parede, este desenho cuja data remonta ao ano lectivo 2002/2003. Apesar dos seus 9 anos, encontra-se em perfeito estado de conservação, como se pode ver.


A aluna que mo ofereceu (lá está! A vantagem de termos um certo e determinado nome. Pode faltar tudo no desenho mas as flores, essas, aparecem sempre) era tímida, muito metida consigo, tinha algumas dificuldades de aprendizagem. No entanto, lembro-me perfeitamente, era muito trabalhadora e esforçada; uma mulherzinha em miniatura.
Espero que apreciem mais uma obra-de-arte infantil.

P.S.) Este "estaminé" encerra por uns tempos. Sendo sexta-feira e véspera de fim-de-semana, despeço-me com música: os Fistful Of Mercy - um projecto musical do qual fazem parte Ben Harper, Dahni Harrison (filho de peixe...) e Joseph Arthur.


Até breve.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dia Mundial do Professor: as minhas dúvidas.

O Ministério da Educação (e Ciência), entidade super, hiper entendida em matéria de pedagogia e educação, moeu o juízo aos professores por causa das famigeradas Evidências, consideradas, aliás, elementos de suma importância na Avaliação do Desempenho Docente (ADD).
Pois bem, eu ando às voltas com o ensino dos Aparelhos (digestivo,circulatório, respiratório, excretor e reprodutivo).
Tento fugir das aulas demasiado expositivas para não ter minutos depois, criancinhas a mandarem aviões de papel uns aos outros dentro da sala.
Também, não faço questão de requisitar ao Instituto de Medicina Legal nenhum corpo para análise, nem quero dissecar nenhum coelhinho para não ter que exibir as suas entranhas à pequenada (se bem que... esta hipótese parece-me viável).
Entretanto, fui à compras e encontrei este boneco que me pareceu interessante para as crianças poderem mexer e visualizarem a localização dos principais orgãos do corpo humano.
Este "brinquedo" custou-me 19.99€ e comprei-o, a pensar nos meus alunos, e não, no vistão que faria, se o colocasse como bibelot na estante da minha sala.
Ao debruçar-me sobre esta aquisição (mais uma), outras dúvidas surgiram nesta minha cabeça:
Será que o talão desta compra é considerado uma Evidência? E o boneco, poderá constituir também uma Evidência aos olhos do MEC?...
O ridículo do sistema chega a atingir um nível tal que uma pessoa já pensa em tudo, não é verdade?! :-)
Eu, pelo sim pelo não, pois, uma mulher prevenida vale por duas, vou mas é guardar o talãozinho bem guardado e desejar que este "corpo humano" nunca desapareça da minha vista.
No próximo ciclo avaliativo, eles vão ver... com quantas evidências se faz a ADD.

Há petróleo em Peniche!!!!!!!!!!

"A Petrobras e a Galp vão mesmo avançar com a exploração de petróleo em águas portuguesas. As avaliações feitas ao largo de Peniche revelaram fortes indícios da existência de crude. O primeiro poço deve avançar já em 2012." SICnotícias  

                                    (leia a notícia integral, aqui)

Os 101 anos da República são importantes mas, a "originalidade" desta notícia também tem a sua importância. Os republicanos que me perdoem.
E perguntam vocês: importante?... Porquê?
1º- Peniche é terra de gente do mar, gente com muito "sangue na guelra".
2 - Uma publicidade ao nome da terra (cidade) é sempre uma grande ajuda para o turismo da zona.
3 - Peniche (ainda) pertence ao distrito de Leiria (o meu distrito); logo, "puxar a brasa à sua sardinha" não é defeito, embora possa considerar apenas este "puxar...", um feitio de carácter ocasional, tendo em conta a possível descoberta do precioso líquido em águas nacionais.
A "urina do diabo" (não sei onde é que eu já li isto) vulgo, petróleo, é um bem que provoca um mal tremendo (dos diabos!). Bem sabemos que, por ele, o homem (alguns) mata, esfola e guerreia a torto e a direito.
É, portanto, ao mesmo tempo, assustador pensar que o "pitrol" possa existir mesmo, lá, nas profundezas do mar, em Peniche.
Mas bom... deixo o benefício da dúvida. Se esta descoberta servir para tapar o buraco económico do país e ajudar a melhorar a vida de TODOS os portugueses, fico satisfeita.
O pior, é se não acontece nada disto...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

De PALHEIRO fiz (fizeram) AUDITÓRIO


Lembram-se da história do macaco do rabo cortado? Arranjava sempre maneira de fazer alguma coisa daquilo que tirava aos outros... Neste caso, ninguém tirou nada a ninguém. Conseguiram apenas transformar um velho e decadente palheiro de burros num espaço cultural; um espaço capaz de provocar alguma "dor de cotovelo" a certas aldeolas e freguesias das redondezas.
Infelizmente, o impulsionador deste projecto teve um final trágico há alguns anos atrás.
Porém, alguém haveria de dar continuidade à obra...
E assim nasceu um mini-auditório que presta um papel importante ao serviço da população da freguesia, com os mais diversos eventos culturais. 
                                    (A entrada principal. Mais atrás funciona o Centro de Dia)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Abordagem infantil da crise. Elas (as crianças) também desejam sair dela.

                                                   Little kids ( Kings of Convenience )

A palavra crise já faz parte do dia-a-dia das crianças portuguesas; umas porque ouvem falar dela na comunicação social; outras, porque a sentem dentro das suas próprias casas através de restrições várias. Uma larga maioria, talvez, passe a conhecê-la melhor quando o pai ou a mãe ficam sem o seu posto de trabalho. 
As crianças querem e sabem, com a ingenuidade que lhes é própria, contornar a crise com uns "extras"...

Há uns dias atrás, num dos intervalos, dei com as minhas quatro meninas (8 anos) sentadas nas escadas exteriores da escola "tecendo" as "coisas" (desculpem a minha ignorância mas não sei o nome disto) que podem ver do vosso lado direito.
Perguntei-lhes para que serviam e porque estavam a fazer aquilo. Eis a resposta:
- É para vender. Então (atão)... oh professora... também precisamos de ganhar dinheiro!!!
- Acho bem que ajudem os vossos pais e quanto custa uma coisinha dessas?
- 1€ !!!- respondeu-me uma das mais despachadas, pelo menos de língua.
- 1€?!?!?? Não acham que estão a vender isso muito caro!?- perguntei
- Então (atão)... isto dá muito trabalho a fazer professora e depois queremos comprar mais fios para fazer outros por isso, temos que vender caro. Já vendemos duas!!
"Pronto, já cá não está quem falou" - pensei eu. E lá continuaram a "tricotar" alegremente com aqueles fios de plástico coloridos.

Este episódio lembrou-me uma ida à praia, em Agosto deste ano; altura em que me cruzei com três crianças que se dedicavam à arte da bijutaria, ali mesmo, em cima do muro, na praia de S. Martinho do Porto.
Parei, perguntei se podia fotografar e meti-me com elas. Acabei por receber esta resposta:
- Estamos a fazer pulseiras para vender. "Quer alguma, senhora?" - perguntou um dos meninos.
As pulseiras estavam ainda, em fase inicial de execução, porém, o preço já estava estipulado - 1.50€ -
Mais tarde, arrependi-me não ter passado para saber como tinha corrido o "negócio".