domingo, 20 de outubro de 2019

POEMA DO QUOTIDIANO

Das "Palavras apócrifas" (Ulmeiro Editor, ed. 2019), a mais recente obra editada de Luis Vieira da Mota, deixo-vos com este belíssimo poema sobre o Tempo. 


 POEMA DO QUOTIDIANO

Todos os dias me bate à porta
           e eu não abro
Ou me chama ao telefone
         e não atendo

Se lhe abro a porta
puxa-me os cabelos
Se atendo o telefone
perfura-me os tímpanos

E diz

Pertences-me

Respondo sem falar

Eu sei
mas não tenho tempo

Então perder-te-ás
como sempre te perdes
quando não me tens

Eu sou o teu tempo

                      Luis Vieira da Mota

    

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