quinta-feira, 9 de maio de 2019

Má sorte ser professor ou os sinais interiores de "estupideza" ?

A propósito dos 49% dos portugueses inquiridos que consideraram que António Costa agiu bem quando ameaçou demitir-se, caso a contagem integral do tempo de serviço congelado aos professores fosse aprovado na globalidade, cumpre-me o  registo de algumas ideias. E me caiam já em cima todos aqueles a quem a carapuça servir, a ver se importo!

1º - Estes inquiridos só podem - digo eu - fazer parte duma maioria de invejosos da qual provavelmente farão parte, um grupo indeterminado de pessoas (incluindo pais e encarregados de educação) mal formadas, mal informadas e mal educadas que muito provavelmente negligenciam a torto e a direito a educação e a formação dos seus filhos/educandos (e só menciono estes por cortesia).

2º - Os professores são funcionários públicos, vulgo trabalhadores do Estado, cujo trabalho especializado e específico tem de ser também valorizado. Muitos o criticam, mas pouquíssimos sabem o quão difícil é nos nossos dias, levar as tarefas ensinar e formar a bom porto. 

3º - Um professor é um cidadão como tantos outros, cuja única diferença reside no ponto anterior (2º). Um professor como ser humano que é, também tem o direito a casar, a ter filhos ou a divorciar, por exemplo. Um professor tem ainda uma agravante relativamente a certos funcionários/trabalhadores do Estado: não tem quaisquer ajudas de custo ou subsídios quando é colocado por concurso, a centenas de quilómetros da sua casa, colocando a sua vida pessoal e familiar num imbróglio dos diabos. 

4º - Um professor cujos 9 anos, 4 meses e 2 dias não foram contabilizados cumpriu, apesar de tudo, o seu dever na escola. Por certo, teve de cumprir com compromissos bancários; teve gastos pessoais (transporte, alojamento, saúde, entre outros). Acusou desgaste profissional. 
Alguns não ganharam mais; antes pelo contrário... Porém, estiveram ao longo desses 9 anos, 4 meses e 2 dias ao serviço!

5º - Sou professora e não aceito que usem o nome da minha profissão para fazer política suja e "bluffista". Sou professora e quero o melhor para os meus alunos, para mim, para os meus e para o meu país, mas não me venham com tretas. Eu não tirei nem roubei nada a ninguém. 
Queria apenas aquilo a que tenho direito. 





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