quarta-feira, 10 de março de 2010

O "estranho quotidiano" de todos nós

O livro que mencionei no "post" anterior, já está lido. A sua escrita, directa e acessível, facilita a vida ( mais a leitura!) aos pragmáticos e também a todos aqueles que têm aversão a calhamaços. No entanto, e, apesar de não ser um livro "gordo" como dizem as crianças, fornece-nos imenso material para reflexão.
E eu, como gosto de ler mas também gosto de reflectir sobre aquilo que leio, só posso dizer que "estranho quotidiano" correspondeu às minhas expectativas. Não me desiludiu. O conjunto das crónicas que J-L.Pio Abreu, reuniu nesta obra, é um retrato (quase) verbalizado através da escrita, do nosso dia-a-dia e da sociedade em que vivemos.
Para vos aguçar a curiosidade, aqui ficam algumas passagens do livro:
      «Existe uma pseudo-assepsia nas teorias da educação. Não se pode bater nos meninos, nada de ralhar ou sequer contrariá-los. Podem ficar traumatizados. Esta teoria é constestada pela observação de que a vida é traumática: não consta que as crianças nasçam a rir ou com ar de satisfação. O que importa não é o trauma, mas o modo como cada um o suporta e aprende com ele.  
      De facto, não são os filhos da teoria atraumática que farão história. Pelo contrário, a história está cheia de grandes personalidades que passaram uma infância difícil(...)» in Resilência - página 103
À pergunta "Quanto vale uma pessoa?", escreve o autor, o seguinte:
     «Já sei que me vão atirar com a qualidade do produto. E que me vão explicar que as pessoas - sobretudo as que valem mais, como os jogadores de futebol e eles próprios - também se compram, vendem e até se traficam. Têm um valor de mercado. Mas, então, como vou medir o valor da pessoa que tenho à minha frente?
     Se não me responderem, armo-me em terrorista e uso a bomba económica que Hipócrates me ensinou: a pessoa que tenho à minha frente vale mais do que tudo o resto». - página 69

Um livro interessante... vale a pena ler.

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