terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É tempo de acabar com a matança das nossas esperanças.

A notícia despertou-me a atenção. 
"Homem morre após seis horas à espera de ser atentido".
Aconteceu no hospital de S. José, em Lisboa (em 30/12/2014).
E perguntarão algumas pessoas: e quantas mais morreram ou morrerão à espera de serem atendidas?!
Perguntar assim, como se de um facto consumado se tratasse ou como se situações semelhantes tivessem que ser fatalidades, aguça ainda mais a nossa revolta e indignação.
Afinal, é tudo muito mais simples do que nós imaginamos. Nós é que temos este velho hábito de complicar... Se eles querem cortar na despesa, qual é a lógica de querer prolongar vidas humanas?
Depois, esta mania de estarmos contra tudo e todos tem de acabar (ou não fosse esta nossa mania que os sistemas, ditos "democráticos" e "justos" desta velha Europa, querem au fur et à mesure do Tempo, retirar a todo o custo aos seus cidadãos).
Temos verificado que este "a todo o custo" acaba por ser o que menos custos traz aos cofres dos ditos sistemas "democráticos" e justos. 
Não valerá a pena relembrar aquilo que todos já sabemos, que estamos cada vez mais desprotegidos na doença e desprovidos de direitos.
E com ironia vos deixo neste ano 2014. 
Façamos com que em 2015 não tenhamos que prolongar a governação desta gente; gente que ordena a matança das nossas esperanças num futuro de vida melhor e condigno.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Cronologia de um ano

Janeiro frio e chuvoso, fazem-se votos para um ano melhor. Estabelecem-se metas (palavra muito em voga ultimamente).
Em Fevereiro, o mês mais curto do ano. Houve o Dia 14... E há sempre quem deteste Dias instituídos para isto e para aquilo!
Com Março chega o Carnaval. Momento ideal para deixar cair as máscaras. Estava frio ainda... Apesar disso conheceram-se num fim de tarde.
Em Abril, tempo incerto e águas mil. A revolução continuava sem que poucos dessem por ela.
Maio. Mês de revelações, intenções e muitas questões. Nada voltaria a ser como antes. 
Em junho, tempo para um interregno. Porém, a luta não pára.
Em julho nada de novo. Os guerreiros digladiam-se na arena.
Agosto. O calor não esteve à altura mas a luta por um lugarzinho ao sol continua.
Chega Setembro. Nada parece ainda muito bem definido (e de quem seria a culpa?).
Em Outubro parece finalmente vislumbrar-se uma luz ao fundo do túnel.
Novembro. Pensar que 13 é dia de azar, é puro engano. Nem sempre é assim.
Estamos em Dezembro outra vez.
Os ponteiros continuarão a girar, porque é da natureza dum relógio, qualquer que ele seja, contar o tempo.
Que o tempo seja um aliado e nunca uma desculpa; pois quem quer, tem sempre tempo para dar aos outros.

Feliz Ano 2015 para todos com uma música que nos fala também do Tempo.


 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Poema Pouco Original do Medo

(The Fear - Travis)





O Poema Pouco Original do Medo
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
       (assim assim)
escriturários
       (muitos)
intelectuais
       (o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Viciado'

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

This is a lucky hour

Lembrei-me que o Relógio de Corda começou a contar o Tempo há precisamente cinco anos.
A 9 de Dezembro de 2009 ia para o ar esta brincadeira; ou como alguém disse um dia, e muito bem, mais um "passatempo".
Passaram 1825 dias e cerca de 43800 horas desde o seu nascimento. Entre desistências e insistências, o Relógio cá vai aguentando. Menos regular, é certo. Mas sempre pontual, onde e quando, é necessário. 
Se fosse um rio, diria que muita água passou debaixo da ponte (isto, dependendo do rio e do caudal do mesmo). Tratando-se de um relógio, muitas voltas deram os ponteiros...
Boa semana!


Cottonflower

You are my cottonflower
You are the one forever
Your smile is like a little wrinkle
Don't suffer, babe, just let it trickle
This is my lucky hour
Let us spend it together
You keep me warm each time I travel
You give me shelter from the drizzle
Sing this song for you to sing when I'm gone
I'm bleeding, bleeding hard.

You are my cottonflower
I'm nothing but the lonely rider
I don't wonder who is right or is wrong
Sing this song for you to sing when I'm gone.

I am your purple spider
My hose are getting wider
Eventhough there're a robin's crying
I Don't worry cause I'm only dying
Sing this song for you to sing when I'm gone
It don't hurt no more now.

You've seen a thousand like me
I'm not the first one, I'm not the only one
The best one, the first one, the last one
You've seen a thousand like me
Won't you turn off your tv?

I'm nothing but a lonely soldier
I don't wonder who is right who is wrong
Sing this song for you to sing when I'm gone
I'm gone, now I'm gone
I'm gone.

You are my cottonflower
You are my cottonflower...

Cancer riding on my chest
Soon I'll return to dust and rest

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Elasticidade temporal


[...]
le temps est élastique
il passe et il revient
immuable
à la pureté des gens qui l’ont nourri. 


Excerto do poema " Elasticité temporelle", de Sybille Rembard

 Bom fim-de-semana ao som deste "Passado Presente" do compositor brasileiro, Alexandre Guerra.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Folha A4

Um dia disseram-lhe: tens dois dias de vida e uma folha A4 para deixares uma mensagem de despedida. Nada mais poderás utilizar.
O pânico correu-lhe pelas veias à velocidade luz.

Perguntou então, se podia recortar a folha e dividi-la em tantos pedaços quantas as pessoas para as quais desejaria deixar uma última e derradeira mensagem.
Perante a resposta afirmativa, contou as linhas e dividiu-as.
Nunca pensara na importância de uma simples folha de papel. Ela - folha de papel - que já estava tão ultrapassada pelo ecrã de um qualquer portátil, tablet ou smartphone!!
Escolheu criteriosamente destinatários e começou a escrever.
"Para ti, que amei sem ter tempo para mais. 
Deixo-te a outra linha para completares o resto da nossa história. Até sempre".

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do tempo ninguém se atreve a perguntar-me, por Jorge Ferreira

Do tempo ninguém se atreve a perguntar-me, porém, atrevo-me a publicar este excelente texto para que todos os contadores e não contadores do Tempo o possam ler e apreciar. 
E deste modo, eu, um simples e parado Relógio de Corda, remeto-me à minha singela insignificância. 
Apesar de tirano, aproveitai bem o Tempo. Boa semana.

Do tempo ninguém se atreve a perguntar-me. Ninguém me aflora um conceito, para mim, sem sentido. Durmo e acordo e de repente atrasaram os relógios. Detesto horários.
Não sei que horas são. Não tenho sono, mas acham que devo dormir. Tudo porque a tirania do tempo assim o ordena. Mas se o corpo não o pede!
Vou-te contrariar ditador de ponteiros afiados. Vou andar ao contrário dos teus desejos. Vou destruir todos os relógios [...]
                                                                                                  (Leitura integral do texto, aqui)







O perfil do tempo - escultura de Salvador Dali, em Singapura (foto google)






quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Se eu, tu

A fazer fé na informação deste vídeo, letra e voz deste poema pertencem a Txus di Fellatio, Jesús María Hernández Gil, um músico, letrista e baterista espanhol.
Este post é para ti. Tu, que ajudaste um velho relógio parado no tempo, a olhar para as horas, para os minutos e para todos os segundos com outro mecanismo. 
Se o tempo é vida, então a vida é demasiado preciosa para ser desperdiçada. 
Aproveitemos o tempo enquanto é tempo.  




SE EU, TU

Se eu, tu.
Se cais, eu contigo,
e levantar-nos-emos juntos nisso unidos.

Se me perco, encontra-me.
Se te perdes, eu contigo,
e juntos leremos nas estrelas
qual é o nosso caminho.
E se não existe, o inventaremos.

Se a distância é o esquecimento,
farei  pontes com os teus abraços,
pois o que tu e eu temos vivido
não são cadeias… nem sequer laços:
é o sonho de qualquer amigo
é pintar um quero-te a traços largos,
e secá-lo no nosso regaço.

Se eu, tu.
Se duvido, empurras-me.
Se duvidas, entendo-te.
Se me calo, escuta o meu olhar.
Se te calas, lerei os teus gestos.

Se precisas de mim, assobia
e eu construírei uma escada
feita dos teus últimos beijos,
para roubar à lua uma estrela
e pô-la na tua mesinha para que te dê luz.

Se eu, tu.
Se tu, eu também.
Se choro, ri-te.
Se ris, chorarei,
pois somos o equilíbrio,
duas metades que formam um sonho.

Se eu, tu.
Se tu, comigo.
E se te ajoelhas
farei com que o mundo seja mais baixo, à tua medida,
pois às vezes para continuar a crescer
temos de nos agachar.
 
Se me deixas,
manterei viva a chama até que regresses,
e sem perguntas, continuaremos caminhando.
E sem condições, continuarei perdoando.
Se adormeces, continuamos sonhando,
que o tempo não passou
que o relógio parou.

E se alguma vez o riso se te tornar amargo,
se  te secam as lágrimas e a ternura,
estarei ao teu lado,
pois sempre te quis,
e sempre de ti cuidei.
 
Mas jamais te cures de querer-me,
pois o amor é como  D. Quixote:
só recupera a sanidade para morrer.
Quer-me na minha loucura,
pois a minha camisa-de-forças és tu,
e isso me acalma,
e isso me cura…

Se eu, tu.
Sem ti, nada.
Sem mim, se queres, experimenta.

(tradução para português de David T. Ferreira)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O passarinho viúvo

Se há histórias em que não conseguimos retirar nada de nada; esta história é uma delas, porque tudo faz falta e tudo faz sentido.
Descobri-a esta tarde, na sala de aula, num livro de histórias da Matilde Rosa Araújo. E é lindíssima!

O passarinho viúvo

     Era uma vez um passarinho viúvo. Sua fêmea tinha morrido numa tarde de Inverno. Numa daquelas tardes de Inverno em que caem as folhas e os troncos das árvores ficam sozinhos. E o céu cinzento. E tudo muito frio. Tão frio que param os corações.
     E sua fêmea morreu. Morreu sobre um tronco ao qual havia caído a última folha. Quem sabe se naquele tronco faria ninho na próxima Primavera?
     Caiu no chão num novelito de penas. E tudo pareceu mais frio. Mais cinzento. O ar menos transparente e estava transparente.
     Chegou o passarinho macho ao tronco onde há pouco descansava a fêmea.
     Trazia uma erva no bico. Uma fina erva tenra de luz. Como uma flor.
     - Onde estás? Onde estás?
     Agora um voo planado rente à poeira e às formigas no chão. 
     - Onde estás? Onde estás?
     A pequena erva, quando fez a primeira pergunta, caiu mesmo sobre o novelito de penas. Estava ali o novelito morto de frio.

     O passarinho viúvo sentiu mais frio também. Apeteceu-lhe morrer para ali. Mas elevou-se no ar. E cantou. Como se escrevesse com o bico riscos de tinta roxa no ar frio. Riscos tristes.
     E o vento ouviu. E começou a bailar. E juntou as folhas caídas num bailado quase maluco sobre o novelito de penas.
     E o passarinho viúvo cantou mais. Agora os riscos do som do seu bico tomaram as cores todas do arco-íris. Já não eram roxos apenas. Penas.
     E, por fim, calou-se. E o silêncio foram riscos brancos de paz. Eram paz.
     Agora o passarinho viúvo canta de novo. Canta no dia porque a alegria, a coragem é o dever de toda a gente. Desde os homens aos pássaros.
     Canta.
     Os homens escutam-no. E dizem:
     - Que pássaro feliz!
     E trabalham com alegria maior. Sofrem menos.
     E o passarinho viúvo continua a cantar. Vai buscando ervinhas novas que traz no bico. Poisa em troncos cheios de folhas novas.
     E, no chão, já não há o montinho de folhas. Na terra, húmida de Primavera, nasce uma flor simples - uma flor. Aberta.

                                            Matilde Rosa Araújo, O Gato Dourado, Ed. Livros Horizonte

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Uma definição exacta da solidão


                                                                                        (foto google)

(…) A solidão em que vivia era atroz e não cheguei a dar-me conta disso, verdadeiramente, antes do dia em que lhe pedi um despertador. - Amanhã, muito cedo, tenho de ir à cidade, e por isso o peço – comentei. - Mas, como! Não tens despertador? – Olhou-me, atónito, como se não desse crédito ao que estava a ouvir. Respondi-lhe que não, que na realidade não tinha despertador. Entrou em casa, pensativo, para voltar em seguida com um aparelho grande, de cor prateada. Colocando-o na minha mão, disse-me, quase emocionado: - Amigo, compra um despertador! Não vês que nos faz muita companhia! Senti um calafrio. Acabava de ouvir, e da boca de quem menos o podia esperar, uma definição exacta da solidão. O que era a solidão? Uma situação em que até o tiquetaque de um relógio se converte em companhia. (…)

Bernardo Atxaga In Obabakoak

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Meia-noite, por Virgínia Victorino

Virgínia Victorino é uma poetisa e dramaturga portuguesa, nascida em Alcobaça a 13 de Agosto de 1895.
Meia-noite
Começaram as horas a cair;
uma, duas... Virá? Vem, com certeza.
E eu, comovida, assim como quem reza,
cá vou contando as horas, a sorrir.

E três, e quatro... cinco... E ele sem vir!
Se não vem, será prova de frieza?
Seis... sete... - Não será! - Mas aqui presa,
sem saber nada, sem poder sair!...

Oito... nove... Mentiu. Onde estará?
Sinto passos. É ele quem vem lá!
Enganei-me... Não sei... Não é ninguém.

Dez... onze... Mas meu Deus, tanta demora!
A minh'alma sucumbe, treme, chora...
Meia-noite... Acabou-se! Já não vem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Could it be magic (1973)

É um ciclo repetitivo ano após ano. Assim é e assim será, porque o tempo, inexorável, não dá tréguas nem ouvidos a ninguém.
No próximo domingo, 26 de Outubro, alguns relógios poderão necessitar de uma mãozinha para voltarem atrás no tempo 60 minutos.    
E já que se fala em tempo... Há 41 anos, cantava-se e tocava-se assim (versão 1975).
Muita magia e votos de um bom fim-de-semana.

Could It Be Magic é uma canção composta por Adrienne Anderson e por Barry Manilow. Foi incluída no álbum de estreia de Barry Manilow em 1973, Barry Manilow I.
[...]
A canção é baseada no Prelúdio em C Menor de Frédéric Chopin, Opus 28, número 20, e cantado no último versículo desbota uma performance em linha recta dos poucos últimos compassos do Prelúdio.
A canção foi regravada por vários outros artistas ao longo dos anos [...]
(Fonte Wikipédia)



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Fish that Smiled at Me

Nem só de Tempo vive um relógio.
A todos aqueles que se perderam por aqui, por gosto ou acidente, votos sinceros de um bom fim-de-semana.

[...] Este filme, baseado num conto de Jimmy Liao "A Fish that Smiled at Me", é a história comovente de um homem solitário que encontra companhia e consolo no seu peixe de estimação. 
O filme explora o mundo interno deste personagem de carácter terno e generoso que compreende através de um sonho, o valor da liberdade [...]

(excerto traduzido do texto que acompanha a curta metragem)

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Beautiful Flower

Because we are beautiful like a flower, brilliant, powerful and resilient.
More valuable than a diamond.
Eis aquilo a que se pode chamar, uma letra cheia de força anímica.
Para todas as flores, independentemente da sua beleza.
Bom fim-de-semana!

 

"Beautiful Flower" (India Arie)

This is a song for every girl who's
Ever been through something
She thought she couldn't make it through
I sing these words because
I was that girl too
Wanting something better than this
But who do I turn to?

Now we're moving from the darkness into the light
This is the defining moment of our lives

'Cause you're beautiful like a flower
More valuable than a diamond
You are powerful like a fire
You can heal the world with your mind

There is nothing in the world that you cannot do
When you believe in you, who are beautiful
Yeah you, who are brilliant
Yeah you, who are powerful
Yeah you, who are resilient

This is a song for every girl who
Feels that she is not special
'Cause she don't look like a supermodel Coke bottle
The next time the radio tells you to shake your moneymaker
Shake your head and tell them, tell them you're a leader

Now we're moving from the darkness into the light
This is the defining moment of our lives

'Cause you're beautiful like a flower
More valuable than a diamond
You are powerful like a fire
You can heal the world with your mind

There is nothing in the world that you cannot do
When you believe in you, who are beautiful
Yeah you, who are brilliant
Yeah you, who are powerful
Yeah you, who are resilient

Yeah you, who are beautiful
Yeah you, who are brilliant
Yeah you, who are powerful
Yeah you, who are resilient

Yeah you, this song is for you
Yeah you, this song is for you
Yeah you, this song is for you
Yeah you, yeah you
You are brilliant

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

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Antecipo os votos de um bom fim-de-semana com esta belíssima interpretação de Tatiana Parra e Andrés Beeuwsaert.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Antes, o Depois e o Agora

Chegou o Antes
que perguntou ao Amanhã
se o Depois podia ser Agora
                      Relógio de Corda

Fica a dedicatória à nova estação que está prestes a chegar.
Boa semana!



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O Adão, a Eva e o feiticeiro do pântano

Adão nasceu por obra e graça de um mix de terra com alguma magia. 
Adão não vivia no paraíso, nem nada que se pareça. Este Adão, boneco de madeira meio apinóquiado, vivia dentro da caixa de música de um feiticeiro.
Reza a lenda que uma mulher de nome Eva acabou por entrar na história. No entanto cada um interpreta a "coisa" como bem entende e nesta versão, os dois acabam dançando alegremente para júbilo de três batráquios solitários.
Mas danças e alegria à parte, falta falar da serpente má. 
Num golpe de baixeza inqualificável, ela rasteja o par dançarino e ambos tropeçam, não um no outro, mas sim, na tal maçã que, como todos sabem, não se tratava de uma peça de fruta qualquer, apesar de ser uma maçã igual a tantas outras.
O final desta história há-de terminar num pântano sem graça nenhuma.
Para quem esperava ver uma paisagem verde com muitas árvores e flores (uma espécie de paraíso, digamos assim) acaba um pouco "desiludido".  
Não se sabe, porém, o final daqueles dois.
Os batráquios, esses, pareceram-me bastante satisfeitos com  a companhia...

Bom fim-de-semana!

domingo, 14 de setembro de 2014

O Tempo Não Para

O tempo Não Para      Música e letra de Miguel Gameiro

Eu sei, que a vida tem pressa
que tudo aconteça,
sem que a gente peça,
Eu sei,
Eu sei, que o tempo não pára,
tempo é coisa rara
e a gente só repara,
quando ele já passou
(...)
 
(Votos de uma boa semana)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Poema de Sete Faces - Carlos Drummond de Andrade


POEMA DE SETE FACES
                     Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para quê tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.





domingo, 7 de setembro de 2014

A Mão da Nuvem I

I
Ao voltar de viagem, acordei ontem, perturbado.
Sonhava -
       no meu sonho vi que a luz subia como uma
       planta cujo nome ignoro mas que se assemelha ao girassol.
       Passaram pelo sonho
       numerosas cidades, sem casa,
       numerosas casas, sem quarto,
       numerosos quartos, sem cama,
       numerosas camas, sem sono.

                 Adonis (traduzido do francês por Nuno Júdice) 
                 NO CAIS DA POESIA 2 Antologia, Livros teorema

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A trajectória errada

Tratou-se de um feliz erro de trajectória.
A janela entreaberta durante a noite, permitiu a entrada deste intruso de penas.
Visivelmente atrapalhado e assustado, voando de um lado para o outro, colava-se à janela como que a pedir socorro, "tirem-me já daqui!!".
Indiquei-lhe o caminho da saída e o passarito, feliz, seguiu viagem rumo à liberdade.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

As Perguntas Verdadeiramente Importantes

Sobre as perguntas verdadeiramente importantes.

Nunca tinha pensado nesta proporcionalidade entre complexidade e importância da pergunta.
As perguntas ingénuas são as mais importantes (nem sempre, eu acho) e para as quais não há resposta (também depende). 
À luz desta complexa ingenuidade, talvez esteja explicada a razão de ser das perguntas difíceis, que nem sempre são ingénuas e nem sempre são formuladas por crianças.
Para perguntas difíceis nem sempre existem respostas fáceis.

«As perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e apenas essas. Só as perguntas mais ingénuas são realmente perguntas importantes. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.»

Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"


Moody Blues,"Question", em 1970.

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Setembro, um

«Setembro é o Maio do Outono»
Os meses que fazem a transição das estações para outras são assim mesmo; ou como diz o povo: "nem são carne nem são peixe".
Setembro é o Janeiro do Ano Novo. E percebe-se porquê.
É o início de mais um ano de trabalho escolar. Há que fazer, portanto, votos para que corra tudo pelo melhor.
Para muitos, é apenas mais uma continuação... mais umas quantas rotinas...
Mas eu, que sou um Relógio de Corda sem corda, apelo ao Tempo que descontinue rapidamente algumas.
Como escreveu Proust, é preciso seguir em busca do tempo perdido.

Para todos, professores e alunos, um bom ano lectivo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Da introspecção à realidade

Introspecção apela à consciência e à reflexão de todos nós sobre a sociedade actual.
Neste tema, Sensi contou com a bonita voz de Manuela Azevedo, dos Clã, e, quer se goste ou não do género, é uma música que merece ser ouvida.
Bom fim-de-semana.

"A ideia deste tema partiu de um instrumental de DJ Amp que foi posteriormente produzido por SENSI em estúdio.
O sampler original fala de como hoje em dia é difícil ou mesmo impossível encontrarmos rostos felizes, e inspirou o produtor português a escrever uma letra que abordasse a temática da influência da crise no comportamento das pessoas e na sociedade em geral"
 ( http://www.gazetadosartistas.pt/?p=31660)


 

"Podíamos ser brilhantes mas eles preferem o tacho
O declive é constante 
Vai tudo para o mesmo saco
Pesados como elefantes só paramos lá em baixo
Só na  merda é que pensamos, refletimos sobre o erro
O homem tem de levar um estalo para reparar no degredo
Não é segredo.Todos vamos. São casos reais
Vivemos a dormir e cada vez perdemos mais"

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"I wish I could stop the clocks"

Donots, e não Donuts, assim se chamam estes músicos germânicos.
O título da cançoneta despertou-me a atenção. Nada de especial, porém. É apenas mais uma música.
Se bem que... quem é que nunca desejou, em algum momento da sua vida, parar os relógios; vulgo tempo. Verdade?!...

"And if i could stop the clocks
If i could make this moment mine
I´d make the most of a bad time
I wish i could stop the clocks ..."

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

É tempo de dar tempo ao Tempo

Era uma vez um homem.
Quando o sol desaparecia
O homem pedia:
Quero do sol, os raios mais luminosos!
Da Primavera, os lilases mais cheirosos!
E num instante, a sua vida transbordava de luz e de cheiros.

Até que um dia, encontrou um sorriso.
Um sorriso sem rosto,
Deixado ao acaso,
No meio do nada,
Então, de novo, o homem pedia:
Quero este sorriso no rosto mais bonito que houver!

E ficou feliz.
Não porque tivesse encontrado o rosto mais bonito que havia.
Mas porque o sorriso mais bonito que conhecia, era aquele.
E só ele sabia porquê.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

The clocktower

Através das rodas dentadas e do mecanismo complexo que o faz avançar, o Tempo vai percorrendo o seu ciclo de existência. 
Subtilmente acabamos por dar corda à vida; tal como acontece com o relógio desta torre.
E é com esta curta, mas simbólica animação, que me despeço.
Votos de boas férias e bom descanso para todos os meus amigos e leitores.
Até breve.

 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Do stand by ao Stand By Me...

Na vida como na semântica, basta uma simples palavra para que tudo tenha outro sentido. 

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, No I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me
 ...
If the sky that we look upon
Should tumble and fall
Or the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry
No I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
 ...

E a versão do Movimento, Playing For Change, para este Stand By Me é simplesmente fantástica.

sábado, 12 de julho de 2014

Charlie Haden Quartet West with string orchestra



Relembrando o contrabaixista norte-americano de jazz Charlie Haden...

Defensor dos movimentos de libertação, realizou a 20 de Novembro de 1971, em Cascais, um concerto como forma de protesto contra a ditadura.
No dia seguinte, Haden foi impedido de viajar. Detido pela PIDE, foi levado à prisão e interrogado. Acabaria em liberdade, após intervenção do adido cultural dos Estados Unidos em Lisboa.
(Informação retirada do Jornal Público)

terça-feira, 8 de julho de 2014

PLAYING FOR CHANGE: sabe o que é?

PLAYING FOR CHANGE
É um movimento nascido em 2002 com o objectivo de inspirar e ligar o mundo através da música. 

«A ideia para este projeto surgiu de uma crença comum de que a música tem o poder de romper fronteiras e superar as distâncias entre as pessoas»

«A verdadeira medida de qualquer movimento é o que ele dá de retorno ao povo. Nós criamos o Playing For Change Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada à construção de escolas de música e arte para as crianças ao redor do mundo, para trazer esperança e inspiração para o futuro do nosso planeta.
Não importa quem você é ou de onde você vem, estamos todos unidos através da música

A comprovar tudo isto, e não só, deixo-vos este fantástico cover dos Rolling Stones (clicar para ouvir a versão original):
Gimme Shelter
em versão Playng For Change.


domingo, 6 de julho de 2014

Domingo, dia cinzento

Neste Domingo, em que era suposto ser mais Verão do que Inverno, apetece-me fazer como o gato. Enroscar-me na cadeira de vime, ouvir música e começar a leitura de um livro que certa editora resolveu vender com 50% de desconto.
Nem tudo é mau...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

La Fleur (Mathieu Chedid)

Une dédicace à toutes les fleurs victimes de la pollution.
Boa semana!

 

La Fleur, par Mathieu Chedid

J'ai aimé une fleur
Elle m'a appris l'amour
Elle m'a appris les pleurs
C'était si naturel
J'étais tellement pollué
Elle était tellement belle
J'aimais la renifler

La fleur
Alors je ferme les yeux
Pour reprendre des couleurs
Mais l'orage m'émeut
Et le noir me fait peur
La tristesse m'assassine
C'est la mort qui m'effleure
J'ai perdu c'est un signe
Capucine la fleur

La fleur

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Little Bird

                                                                                       (foto Google)

«...Open your window and look upon
All the kinds of alive you can be
Be still, be light, believe me...»
Fly Little Bird, fly! 
 Smiley
 Para a restante letra, clicar aqui

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Mar de Sophia, pela voz de Andrés Stagnaro

Os franceses utilizam a palavra "frisson" para definir uma sensação intensamente agradável.
Que frisson senti ao ouvir este poema da nossa Sophia de Mello Breyner, tão bem musicado e cantado!
Interpreta-o Andrés Stagnaro, um cantautor e poeta uruguaio. 
E creio não estar a cometer nenhuma barbaridade se escrever que, este homem é um grande amigo de Portugal e de muitos portugueses.
Votos antecipados de bom fim-de-semana.
 Smiley

(Mais sobre Andrés Stagnaro,aqui)
 
 
Mar
I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua
.
II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Sophia de Mello Breyner, in Poesia, 1944

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Que tal este filme? "Une jeune fille"...


Se existem pessoas de poucas falas, será assim tão incorrecto falarmos em filmes de poucas falas, também?!
É minha opinião de que este "Une jeune fille" é um filme de poucas falas, mas que vale pela sua profundidade, pelos contrastes visuais e sonoros, e sobretudo, pelas paisagens lindíssimas de um Canadá rural.
A sinopse resume-se a pouco mais do que isto:
Uma adolescente solitária cuida da mãe, que acaba por morrer.
Sai de casa com a fotografia de um lugar onde a progenitora sonhava voltar de novo.
Na procura desse lugar simbólico, algures perto do mar, encontra alguém que lhe dá abrigo...

Pode uma menina chegar ao coração empedernido de outra pessoa?... Talvez sim. Talvez não.
O final é uma narrativa aberta...

(Nota: os filmes estão legendados)
http://www.g1filmesbrasil.net/2014/05/une-jeune-fille-legendado.html
ou
http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-une-jeune-fille-legendado-online.html

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A caixa dos segredos, que não é

A caixa dos segredos
não é caixa nenhuma
e não guarda segredos, não
os segredos
guardo-os eu
numa caixinha
chamada coração 

(poema escrito em parceria com os alunos do 1º e 2º ano)

Termina neste dia, o ano lectivo 2013/2014.
Em Setembro há-de chegar um novo ano... No mesmo lugar, os mesmos alunos, as mesmas rotinas,...
Em Setembro há-de chegar igualmente o começo de um tempo novo,...
Pelo menos, espera-se que seja assim.

E para terminar, um sorriso secreto.
A versão original pertence a esta banda, no entanto, o Secret Smile dos Semisonic ficou igualmente bem entregue na voz desta jovem britânica.
Audrey Begley é parcialmente cega devido a um glaucoma e tem esta voz maravilhosa.    
Bom fim-de-semana.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Silêncio de ouro

Dos meandros da imaginação, reza a lenda que um dia o silêncio se cruzou com o ruído, e ambos começaram a discutir sobre a importância de um e de outro.
Inconclusivos, o silêncio, que era sensato e compreensivo, pegou na mão do ruído, que era irrequieto e precipitado. Os dois decidiram, então, conviver em harmonia.
Sempre que o ruído subia de tom ou falava demasiado, o silêncio vestia-se de ouro e acalmava-o.
 

domingo, 1 de junho de 2014

Pourquoi down?

Este espaço estará temporiamente "down", "out of service", que é como quem diz, ainda mais inativo do que tem estado nos últimos Tempos.
Os "Relógios", sobretudo, os humanos, também têm os seus contratempos profissionais e pessoais.
Até sempre.

POURQUOI?

Você me pergunta: Porquoi?
Eu te respondo: Et bien je ne sais pas vraiment.
Há momentos em que se foram as escolhas.
Sobraram gestos, pensamentos,
Restolhos de mim mesmo.
As sombras tomaram conta.
Talvez, o oceano, Tsunami.
O vulcão. Sei lá.
O vento que balança.
O precipício final e o terremoto.
Nada disso importa.
Só faltou o braço estendido,
A mão amiga,
A força para driblar o destino
E salvar.
Hoje, estou um pouco
Down, down, down.

Claudio Antunes B.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Rescaldo eleitoral



Eis o rescaldo de uma noite eleitoral: preocupação, preocupação e mais preocupação.
Em França, terra de milhares de compatriotas, conterrâneos e familiares, cresce a olhos vistos um partido descaradamente xenófobo. 
Por cá, nada de novo. O sistema político continua a funcionar em dual-band; ora numa frequência partidária, ora noutra. 
E enquanto o partido da alternância "arrota" os seus 30 e tal por cento de votos, relembro que cerca de 66% do povo deste país 'esteve-se nas tintas' para as eleições europeias. 
Mais uma vez vence a abstenção e a indiferença!!!
O senso comum leva-me a acreditar que existe uma forte probabilidade para que este mesmo povo que, se queixa a torto e a direito de tudo e mais alguma coisa, que trabalha (quando trabalha) e recebe a custo (e mal) para poder (sobre)viver, e ainda, encher os cofres das poderosas instituições financeiras, continue 'nas tintas' em futuras eleições.
Com cidadãos tão acomodados, não admira que as Marina's, os Jean Marie e outros que tais, estejam desejosos pelo poder. 
É que, governar gente acomodada e sem voto na matéria é tão mais fácil!...