terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fast love

No seguimento da notícia de ontem, eis uma versão alternativa ao tema "Fast love" do recentemente desaparecido George Michael.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dr Fastluv

Foi de um conceito empreendedor que nasceu a máquina que promete revolucionar os hábitos e os costumes de homens e mulheres em todo o mundo.
Dr Peaceluv era um desconhecido até ao momento em que os seus estudos começaram a ser conhecidos e contestados por vários associações profissionais e, cidadãos em geral.
De facto, este estudioso do comportamento humano tem vindo a dedicar-se nas últimas duas décadas à problemática amorosa/sentimental dos seres humanos, não esquecendo os gatos, os cães, os ratos e outros bichinhos.
Após ter dedicado cinco anos a um exaustivo trabalho de "laboratório", Dr Peaceluv conseguiu finalmente comercializar a sua inovadora máquina Fast Emotions que, tal como o nome indica, e à semelhança das suas congéneres - máquinas de fast food ou de tabaco - permitirá satisfazer a curto, médio e longo prazo, as necessidades básicas do ser humano, no que toca às questões de índole afectiva, emocional, e até sexual.
Vocacionada para os info excluídos que não podem suportar uma ligação à internet, Peaceluv explicou numa entrevista, ao jornal GreaTbosTlie, que o funcionamento da sua máquina indutora de emoções e afectos, se baseia no mesmo princípio das distribuidoras de outros produtos de consumo imediato. A diferença é que a Fast Emotions está ligada a uma plataforma digital que é actualizada diariamente por técnicos com formação em human relations
Na Fast Emotions não faltam feitios, personalidades, beldades, sexo e outros atributos para os mais variados gostos. A vantagem da utilização desta máquina é que ninguém assume qualquer compromisso com nada nem ninguém, podendo usar e deitar fora quando e como lhe aprouver; como aliás já vinha acontecendo de há umas largas décadas para cá desde que os sites de encontros e redes sociais tomaram de assalto as casas e os lares do mundo "civilizado".   

As perguntas, porém, continuam no seio dos contestatários desta invenção.
Como funciona, realmente? Como pode uma máquina satisfazer e substituir necessidades tão básicas e humanas?
Estamos na véspera do Dia dos Namorados do ano de 2087. Talvez não falte muito para que cada um se questione sobre o que é isso do amor ou o que é isso de namorar e de namorados.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Wolfgang Weyrauch

Vi-te, e no entanto não te vi,
não te vejo e no entanto eu te vejo,
nunca te vi e ainda te vejo,
pois o teu ver é o ver com que te vi.

Pois o que é meu é teu, e tu és eu,
e eu sou tu. Somos nós o mundo,
e quando a lava vai ao fundo
pensas tu em mim, penso em ti eu.

A cinza voa, em sinais de chama,
crepita o fogo, e eu respondo ao que chamas.
De pura ventura gemem as chamas,
depois por última vez chiam as chamas.

Nós, porém, eternidades respiramos,
respiramos água, respiramos pão,
e a morte da morte experimentamos
no bafo dos lugares e dos tempos que se vão.

                Wolfgang Weyrauch

                IN LÍRICA AMOROSA ALEMÃ MODERNA - Versões portuguesas de Paulo Quintela, Cancioneiro Vértice - Coimbra 1978

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Possessivos

Nem sempre a utilização dos possessivos é sinónimo de posse (no sentido de ser propriedade de) de algo ou de alguém.
A minha ou o meu poderão apenas significar afeto, carinho, amizade, amor,... e serem apenas usados como tal.
Lembro-me dos professores, por exemplo, que se referem muito aos alunos como sendo SEUS.
O MEU JOÃO.
A MINHA MARIA.
O MEU isto.
O MEU aquilo.
E não sendo deles, os alunos pertencem-lhes através dos laços da afetividade. 
E é assim que deveriam funcionar estas palavras e todas as outras.
Do meu ao teu. Do meu ao nosso. 
É bom ter este sentido de "posse". Ao mesmo tempo despretensioso. Ao mesmo tempo libertador e ao mesmo tempo tão reconfortante.
É bom quando se pertence a alguém que nos quer bem, sempre.

 


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016 - 2017

Dou por mim uma vez mais, talvez inconscientemente, a fazer este desnecessário, mas quiçá útil, exercício de memória barra/ retrospectiva barra/ balanço, sobre os restantes 364 dias deste ano que está prestes a terminar.
O usual nestas datas já todos sabem como é. 
São votos e mais votos.
Muita saúde (de facto sem ela dificilmente teremos o que se segue), trabalho, paz, e mais o resto. Incluo neste "resto" também, as expectativas que temos em relação ao futuro e às pessoas. 
Sobre pessoas refiro-me, claro, às mais chegadas; familiares, companheiro/a, amigos, colegas, entre outros.  
É nosso desejo que as expectativas não saiam defraudadas, sob pena de levarmos com uma grande decepção na tola, e a desdita nos apoquente o coração durante uns bons tempos. 
Este sistema rodopiante de vivências fugazes, superficiais e libertalistas no qual estamos envolvidos enquanto membros da sociedade, não é fácil e traz responsabilidades acrescidas, seja na vida pessoal, seja na vida social.
É preciso cada vez mais ser uma espécie de super homem ou de super mulher para que nos ENTENDAMOS DE VERDADE, sem filtros, sem medo de reclamar, sem medo de dizer, sem medo de opinar ou perguntar.   
Pessoas, cuja paciência é de curta duração. Pessoas que se cansam de outras demasiado depressa. Pessoas egocêntricas. Pessoas insatisfeitas. Pessoas irresolutas. Pessoas dissimuladas. Pessoas falsas. Pessoas violentas. E a lista continuaria por aí fora... 
Por todos os motivos, gostaríamos de manter distância de pessoas que possuam algumas destas características em doses potencialmente perigosas para a nossa saúde e bem-estar físico e mental. 
Que 2017 seja diferente para melhor! Que 2017 seja um dos melhores das vossas vidas!

sábado, 19 de novembro de 2016

domingo, 13 de novembro de 2016

Renascer

Por vezes nascemos, mas com uma necessidade urgente de renascer.
E renasce-se para se ser a mesma pessoa, apenas com um colorido ligeiramente diferente e poder pintar com as cores do arco íris, um futuro que queremos melhor. Foi assim que se sentiu o Relógio de Corda há dois anos.

«Era um relogio de corda que, parado, esperava por quem o pusesse a medir o tempo. Porque ele gostava de medir o tempo. De ouvir o discreto tic-tac do seu mecanismo quando trabalhava. Parecia-lhe que assim o tempo custava menos a passar. Estranha idiossincrasia de quem, assim parado, estava condenado a medir eternidades. E angustiava-se por depender de quem lhe desse corda para poder ser efectivamente um medidor de tempo. Então, farto de esperar, concentrou energias e tic atrás de tac começou a funcionar sozinho. E nunca mais parou de medir o tempo.»

David Teles Ferreira
In Crónica de um renascimento e outras escritas de bolso, página 40.
 (Edição de Autor – 1ª Edição – junho 2016)