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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Amor em Tempo de Escola

Há uns tempos dizia-se que o despontar da Primavera coincidia com o desabrochar de paixões.
Penso, é claro, no meio ao qual estou profissionalmente ligada: o ensino. 
Porém, a tradição já não é o que era. Qual Primavera, qual despontar, qual quê!!
Agora, a paixão desponta em qualquer estação do ano e até o frio pode aquecer os coraçõezinhos mais carentes das crianças.
Há três dias que se vive na sala de aula (e sobretudo fora dela), cenas de um amor não correspondido. 
Em causa estão dois alunos (de 9 anos). Uma menina e um menino.
Ele gosta dela mas ela não gosta dele. Ele não pára de olhar para ela; ela não pára de se queixar dos olhares incomodativos e furtivos que ele lhe lança a toda a hora.
Às duas por três, nos intervalos, ele não a larga e quer dar-lhe o famoso beijo roubado... Ela, por sua vez, não aprecia o gesto (ou a tentativa falhado do mesmo) e afasta-se. Diz que ele é «nojento» e afirma bem alto, que a deixe em paz porque ela não gosta dele.
"Entendam-se! E tu, ******, não sejas chatinho! Se a ****** diz que não gosta de ti, não insistas. Deves respeitar e aceitar os seus sentimentos" - diz a professora (sem saber se havia de rir ou não, com tanto queixume e amor desperdiçado).

Smiley 

Hoje, constatei que os meninos sentados do lado da janela queriam mudar de lugar... e a mesma desculpa de sempre: não vejo o quadro!  
Perante a minha recusa, um deles amuou e os olhos vidrados indiciavam uma choradeira na certa. Não chorou por vergonha, mas imagino a raiva que o meu "Joãozinho" deve ter sentido naquele momento, quando um "não" firme e sem "com paixão" saiu da boca da insensível professora.
Conclusão: os meninos preferem sempre as meninas mais giras e inteligentes.

sábado, 13 de outubro de 2012

Uma mosca + um "mosco" = a muitas mosquinhas

Duas moscas resolveram encontrar-se no local mais improvável para namorar,
pois ao quadro interactivo foram parar.
Estavam os meninos a ouvir uma versão da História da Carochinha e do falecido João Ratolas
Quando uma menina se levanta, e a seguir mais outra, e mais outro, e mais outra ...
E todos pasmaram frente à mosca e ao "mosco"
Que namoravam, preto no branco, no quadro interactivo.
(Que grande risada afinal, deu aquele namoro anormal)
Passou à história, a História da Carochinha... e
Agora adivinha
O que disse uma das menininhas?...
"Professora! A mosca e o "mosco" estão a fazer mosquinhas!"

P.S.) História real passada hoje na sala de aula, ou se preferirem, como duas moscas conseguem destabilizar a (pouca) atenção de crianças com 8 anos.
(Da próxima já sei. Pelo sim pelo não, levo insecticida)  

Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O enterro do xaréu

Dois dias passaram e o xaréu voltou novamente ao centro das atenções. Encontraram-no durante o intervalo, no chão, e moribundo, já sem forças para voar.
O meu especialista em pombos e outras aves, larga de chorar. Chorou porque sim. Porque os meninos sensíveis são assim. Porém, e para meu espanto, ninguém se atreveu a troçar dele ou tecer um comentário que fosse.  

(Na hora de almoço...)

O Zezinho (nome fictício) assumiu o cargo de cangalheiro, pegando nele com mil cuidados. Atrás, ao lado e à frente dele seguiam os restantes colegas que, sentados na escadaria da escola, tentaram reanimar o passarinho com umas gotas de água e uma minúscula migalha de pão.
Entretanto, outros (quiçá mais realistas) meteram mãos à obra, começando a escavar um buraco.
Um deles tratou de arranjar a caixa vazia de um compasso para servir de urna.
Os restantes rumavam à roseira mais próxima que, por sinal já ficava no quintal da vizinha. E eu observava atenciosamente toda aquela movimentação da janela.
O  enterro do xaréu estava em marcha.
Uns minutos depois ouvia-se: "o pássaro já morreu! O pássaro já morreu!" - gritavam as crianças em coro.
Bateram à porta. Pediram-me que fosse ver...
No meio da tristeza de um e da preocupação de alguns, a verdade é que o charéu teve direito a um final, digamos que... digno.
E quem respeita a tristeza de um colega que chora a morte da avezinha vulgar e insignificante como o xaréu, corre o risco bom, um dia, de conseguir respeitar a dor e a sensibilidade dos outros. 
A criançada também tem destas coisas boas.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O dia em que um charéu entrou no wc das meninas

Um dos acontecimentos susceptíveis de quebrar a "monotonia" dentro de uma escola: encontrar um passarinho ferido na casa de banho das meninas! 
E de imediato se junta a criançada toda num alvoroço histérico, tentando resgatar a pobre ave. 
O Charéu acaba por ir parar às mãos de quem percebe do assunto; um verdadeiro especialista em pombos e outras aves comuns. 
Nervoso mas feliz, aquilo é que era ver o meu especialista "emborcando" migalhas de côdea e água pelo bico abaixo do pássaro! Creio que se o infeliz pudesse, teria chilreado bem alto para o deixarem em paz.
Conseguiu-se improvisar uma gaiola (uma velha caixa de fruta) gerenosamente coberta com um pano, a fim de evitar uma possível fuga (o calor era tal que eu não sei como a ave não morreu sufocada, mas bem...). Consumada a captura, os "grandes" procederam à vigília para que os meninos do Jardim não lhe mexessem. Ver para crer!!!


Entretanto, estava na hora da entrada...
Lá fora ficara o charéu que, mesmo ferido numa asa, resolveu enfrentar o mundo e ir à vida dele.
Tristes e desconsolados, perceberam que apesar das adversidades, por vezes, é preciso voar.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

José Fanha - "The day after"

Os alunos inspiram-nos e "aspiram" a nossa paciência em pouco tempo, mas também merecem elogios. Segunda-feira revelaram um comportamento à altura perante as visitas e isso, é sempre motivo de algum orgulho para nós, educadores/professores.
A vinda à escola do escritor José Fanha, foi um momento, um encontro que as crianças não esquecerão. Os petizes gostaram de conhecer pessoalmente mais um escritor de livros... e nós, adultos, também gostámos.


Na calada da noite, foi a vez da professora meditar sobre o dia e fazer o balanço da actividade.
Acabou por sair isto...

Quem não tem jeito para fazer poemas
Levante o dedo no ar
E levantou o João, o Joaquim, o Jorge e o José.
De seguida
O Sebastião e o Crispim que não sabem o que é.
Ora, um Poema é...
"Ir à pesca da palavra certa!" - disse a Berta
"Escolher palavras e vesti-las com roupa bonita!" - disse a Anita
Então
Em conjunto disseram 
Vamos fazer um poema todo catita!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quando as crianças da aldeia descobrem a existência de Picasso...

Ser professor requer para além da paciência (muitíssima!), alguma versatilidade. Dado que as crianças são todas diferentes, nem sempre aquilo que fazemos com umas resulta com outras, porém, tentamos fazer o que achamos melhor para elas.
O mote começou com um poema de José Jorge Letria e um tal de Pizarro (o conquistador espanhol do século xv) que ninguém conhecia. Por causa de Espanha, falou-se da avó de uma das alunas que é espanhola. De Espanha, alguns ouviram falar das sevilhanas, das castanholas, das touradas e sobretudo do futebol, e de Picasso! Acrescentei eu.
"Quem é esse?" - perguntaram.
Um pintor! Um pintor famoso! - respondi.
Graças ao Google e ao quadro interactivo, meninos que nunca ouviram falar de Picasso, puderam ver e apreciar algumas pinturas.
A minha escolha recaiu sobre esta. Pareceu-me adequada aos objectivos pretendidos.
À pergunta "o que te faz lembrar esta pintura?"; surgiram nos cadernos, as seguintes respostas:
"Faz-me lembrar uma mulher a contar 3 mais 3."
"... um pavão."
"... uma lua."
"... um monstro."
" ... um palhaço", etc.
No final, expliquei que os pintores também escolhiam nomes para os seus quadros e que este se chamava "A rapariga sobre a almofada".
Perante o espanto do "Ah! Como? Não parece!", levantaram-se e começaram a virar as cabeças para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, tentando perceber o desenho, se era mesmo uma almofada, se era mesmo uma rapariga...
Há coisas que realmente nos surpreendem pela positiva.
Bom fim-de-semana ao som deste recuerdo "Eye In The Sky" (Alan Parsons Project).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A vida numa fracção.

Uma pizza de pimentos muito verdes, milho de plasticina e tomate espuma sobre massa cartão Maquete Canson Pluma C ?!
Não quero que gostem da minha pizza mas espero que a mesma, seja um ingrediente motivador para os meus alunos iniciarem com o pé direito, o estudo das fracções e dos números décimais.
Uma fracção da nossa vida é utilizada fazendo estas "brincadeiras". Aqui para nós, são estes trabalhos "out of school" que ainda nos vão proporcionando algum prazer, para além do acto de ensinar, claro. 
O resto já sabem...


Em dia de Carnaval, ninguém leva a mal se eu terminar esta mensagem com uma parte que me é especialmente cara: as perguntas!!!
Smiley 
A propósito de fracções e de tempo; quanto será uma fracção de segundo?...
Poderá a nossa vida estar igualmente fraccionada? Se não está, então, porque dizem que passamos um quarto do nosso tempo a dormir? E os outros três quartos? Possíveis respostas...
Dois quartos das nossas vidas (e da vida daqueles que virão depois de nós) estão por conta da Troika. 
O que sobra é nada, ou quase nada. Uma insignificância, a bem dizer. 


(pizza doce - cereais de chocolate e smarties de plasticina espalmados sobre cola quente)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um Magalhães, um vício e a bateria

Quando pedimos a um aluno que traga o Magalhães, por norma, acontece qualquer coisa ao dito cujo na véspera, já para não falar naqueles que se encontram num avançado estado de deterioração. 
Estes pequenos "incidentes" acontecem essencialmente, quando o dito cujo se destina a trabalhar na sala de aula: passar um texto colectivo previamente redigido (ou não), explorar as funcionalidades do Word, etc.
O contrário não aconteceria se porventura, eu pedisse o computador para jogar... Aposto que os teria todos (ou quase) no dia seguinte.
Ora... há dias pedi o Magalhães para os meninos passarem uma história e fazerem uma ilustração num dos programas incluídos na Caixa Mágica (Tux Paint). 
E logo, as desculpas do costume: "esqueci-me", o meu "tá" avariado", o meu isto, o meu aquilo, mas a melhor foi esta (dito sempre com um ar sério e preocupado por um dos alunos que só traz o computador quando lhe convém ou quando ninguém pede):

- Eu já disse professora... o meu tá viciado!
- Como assim?... Explica-me lá isso do viciado que eu não estou a perceber - perguntei eu, numa de moer o juízo ao rapazinho.
- Eu não sei bem professora... acho que o meu Magalhães anda viciado "cua" bateria!!!!

Escusado será dizer que a expressão facial do aluno juntamente com a frase, me fizeram rir (por dentro, claro), ao que eu, prontamente respondi, no mesmo tom sério e preocupado:
- Olha que isso não é nada bom. Tens que ver isso!...

Smiley

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O que tem o sistema de ensino finlandês que o nosso não tem?

Agradeço ao meu conterrâneo, Jorge A. , o envio desta reportagem transmitida pela SIC e que eu não tive oportunidade de ver.
É sempre com alguma tristeza e desagrado que (re)lembramos o que nos distingue pela negativa de alguns países, em  matéria de educação.
Por cá, houve alguma evolução mas ainda há muito caminho por percorrer.

 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

o TPC de Matemática

Chegou a hora da correcção das contas (dos algoritmos) no quadro.
Todos fizeram, menos dois alunos; um, por doença (faltou) e o outro, por preguicite.
Resposta deste último para a sua professora (neste caso, eu):
- Oh professora!... Eu não fiz, por causa que me doíam muitooo as pernas!!!!!
Resposta da professora para o aluno pouco empenhado  nas suas tarefas escolares (atenção que, apelidar uma criança de preguiçosa é anti-pedagógico, traumatizante e desmotivador). Os profissionais desta área (Educação) devem evitar a utilização do termo preguiçoso ou , quando muito, arranjar um outro menos agressivo (como sabemos, vai dar tudo ao mesmo):
- A sério?! E o que é que as pernas têm a ver com as mãos? Afinal escreves com os pés ou com as mãos?
Mesmo sem resposta, não se livrou dos comentários de alguns colegas. O menino pouco empenhado levou as contas do TPC  e mais cinco para efectuar e apresentar no dia seguinte, sob pena da meia hora de recreio dele, ir desta para melhor (foi o que aconteceu).

Depois percebi de onde vinham as dores nas pernas. Os papás inscreveram o menino (do 3º ano) nos treinos de futebol (mais um futuro Ronaldinho para as ruas da amargura) e como foi fim-de-semana....
O Tempo não chegou para tudo. Pelos menos, neste caso, não chegou para fazer as contas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Poderá o cigarro de musgo estar na origem do vício do tabaco? :))

A exploração de um determinado texto, ontem, na aula, tinha um objectivo: alertar as crianças para o perigo que representa a aceitação de certo tipo de coisas (o texto falava sobre um rapaz crescido que parou junto de uns meninos que brincavam, oferecendo-lhes um cigarro...) e a importância de saber dizer NÃO.
Respostas e comentários para todos os gostos, inclusivamente este, "não devemos ceder à tentação"... mas, o que eu mais gostei foi desta resposta, e da cara séria com que o aluno de 8 anos se virou para mim, dizendo: eu já fumei um cigarro.
E quando me preparo para ler a resposta escrita, deparo-me com esta confissão na primeira pessoa:


Ri-me com os meus botões e pensei... a génese do vício (do fumador) pode bem estar no maldito cigarro com musgo!  :)
Pronto! Hoje é o último dia do 1º período escolar. O tempo passa a correr e muitas vezes nem damos por isso.

Votos de um bom fim-de-semana ao som de clássicos da música infantil: "O mar enrola na areia" na voz de Jorge Palma.
Esta canção e outras mais, encontram-se no CD da Leopoldina 2011. Ao adquiri-lo, está a contribuir para a MISSÃO SORRISO ; uma iniciativa que visa apetrechar e melhorar muitas instituições de saúde do nosso país.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O som do silêncio

Definições na boca das crianças...

O que é o silêncio?
R: O silêncio é um barulho mudo, um barulho baixinho, é um som que não faz barulho, é quando não se diz nada, é o que a professora manda fazer quando estamos a fazer muito barulho...

De que cor é o silêncio?
R: O silêncio não tem cor, pode ser da cor que eles mais gostam mas o silêncio é "às cores se eu estiver contente" - respondeu um menino.

O silêncio faz lembrar?... 
R: O silêncio faz lembrar o barulho do mar,  faz lembrar a noite ou "faz-me lembrar coisas boas" - disse outro.

Como na canção, chegou o momento de também eu "sussurrar o som do silêncio".
Que o silêncio seja de oiro para que reine o som "mudo" das teclas...
Até um dia destes e bom fim-de-semana.
"The sound of silence"- Simon & Garfunkel, em 1967.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Curtas & breves (2) - A subtracção com empréstimo


Hoje, na aula... olhando para as contas de subtrair que passei no quadro... pensei: o meu país parece uma subtracção com empréstimo!
Quem é o diminuendo? Quem o diminuidor? Ao cabo e ao resto, por mais subtracções que façamos,  pouco ou nada resta e isso, faz toda a diferença nos dias que correm.
Malditas contas!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Esta minha mania de guardar coisas

É verdade! Tenho a mania de guardar coisas; coisas que para algumas pessoas acabariam num caixote do lixo.
Tenho na minha parede, este desenho cuja data remonta ao ano lectivo 2002/2003. Apesar dos seus 9 anos, encontra-se em perfeito estado de conservação, como se pode ver.


A aluna que mo ofereceu (lá está! A vantagem de termos um certo e determinado nome. Pode faltar tudo no desenho mas as flores, essas, aparecem sempre) era tímida, muito metida consigo, tinha algumas dificuldades de aprendizagem. No entanto, lembro-me perfeitamente, era muito trabalhadora e esforçada; uma mulherzinha em miniatura.
Espero que apreciem mais uma obra-de-arte infantil.

P.S.) Este "estaminé" encerra por uns tempos. Sendo sexta-feira e véspera de fim-de-semana, despeço-me com música: os Fistful Of Mercy - um projecto musical do qual fazem parte Ben Harper, Dahni Harrison (filho de peixe...) e Joseph Arthur.


Até breve.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dia Mundial do Professor: as minhas dúvidas.

O Ministério da Educação (e Ciência), entidade super, hiper entendida em matéria de pedagogia e educação, moeu o juízo aos professores por causa das famigeradas Evidências, consideradas, aliás, elementos de suma importância na Avaliação do Desempenho Docente (ADD).
Pois bem, eu ando às voltas com o ensino dos Aparelhos (digestivo,circulatório, respiratório, excretor e reprodutivo).
Tento fugir das aulas demasiado expositivas para não ter minutos depois, criancinhas a mandarem aviões de papel uns aos outros dentro da sala.
Também, não faço questão de requisitar ao Instituto de Medicina Legal nenhum corpo para análise, nem quero dissecar nenhum coelhinho para não ter que exibir as suas entranhas à pequenada (se bem que... esta hipótese parece-me viável).
Entretanto, fui à compras e encontrei este boneco que me pareceu interessante para as crianças poderem mexer e visualizarem a localização dos principais orgãos do corpo humano.
Este "brinquedo" custou-me 19.99€ e comprei-o, a pensar nos meus alunos, e não, no vistão que faria, se o colocasse como bibelot na estante da minha sala.
Ao debruçar-me sobre esta aquisição (mais uma), outras dúvidas surgiram nesta minha cabeça:
Será que o talão desta compra é considerado uma Evidência? E o boneco, poderá constituir também uma Evidência aos olhos do MEC?...
O ridículo do sistema chega a atingir um nível tal que uma pessoa já pensa em tudo, não é verdade?! :-)
Eu, pelo sim pelo não, pois, uma mulher prevenida vale por duas, vou mas é guardar o talãozinho bem guardado e desejar que este "corpo humano" nunca desapareça da minha vista.
No próximo ciclo avaliativo, eles vão ver... com quantas evidências se faz a ADD.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Abordagem infantil da crise. Elas (as crianças) também desejam sair dela.

                                                   Little kids ( Kings of Convenience )

A palavra crise já faz parte do dia-a-dia das crianças portuguesas; umas porque ouvem falar dela na comunicação social; outras, porque a sentem dentro das suas próprias casas através de restrições várias. Uma larga maioria, talvez, passe a conhecê-la melhor quando o pai ou a mãe ficam sem o seu posto de trabalho. 
As crianças querem e sabem, com a ingenuidade que lhes é própria, contornar a crise com uns "extras"...

Há uns dias atrás, num dos intervalos, dei com as minhas quatro meninas (8 anos) sentadas nas escadas exteriores da escola "tecendo" as "coisas" (desculpem a minha ignorância mas não sei o nome disto) que podem ver do vosso lado direito.
Perguntei-lhes para que serviam e porque estavam a fazer aquilo. Eis a resposta:
- É para vender. Então (atão)... oh professora... também precisamos de ganhar dinheiro!!!
- Acho bem que ajudem os vossos pais e quanto custa uma coisinha dessas?
- 1€ !!!- respondeu-me uma das mais despachadas, pelo menos de língua.
- 1€?!?!?? Não acham que estão a vender isso muito caro!?- perguntei
- Então (atão)... isto dá muito trabalho a fazer professora e depois queremos comprar mais fios para fazer outros por isso, temos que vender caro. Já vendemos duas!!
"Pronto, já cá não está quem falou" - pensei eu. E lá continuaram a "tricotar" alegremente com aqueles fios de plástico coloridos.

Este episódio lembrou-me uma ida à praia, em Agosto deste ano; altura em que me cruzei com três crianças que se dedicavam à arte da bijutaria, ali mesmo, em cima do muro, na praia de S. Martinho do Porto.
Parei, perguntei se podia fotografar e meti-me com elas. Acabei por receber esta resposta:
- Estamos a fazer pulseiras para vender. "Quer alguma, senhora?" - perguntou um dos meninos.
As pulseiras estavam ainda, em fase inicial de execução, porém, o preço já estava estipulado - 1.50€ -
Mais tarde, arrependi-me não ter passado para saber como tinha corrido o "negócio".

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Eu amo-te" - diz ele (ou ela?). "Eu também" ...

Há dias em que eu não sei ao certo, que espécie de profissional sou.
Sou má porque ralho muito.
Sou boazinha porque às vezes, brinco e faço rir.
Sou chata porque estou sempre a pedir para darem respostas escritas completas ou para apagarem e mais isto e mais aquilo.
Posso até, nem saber definir bem os meus defeitos e qualidades enquanto profissional, mas sei o tipo de alunos que tenho: crianças imprevisíveis.
Pelo 2º ano consecutivo e apesar de algum conhecimento mútuo, confesso que a pequenada não pára de me surpreender.
Ora vejam:
Ontem, preparava-me para iniciar a aula do Estudo do Meio sobre o Aparelho Digestivo para os alunos do 3ºano.
Reparo então, que um dos meninos estava constantemente distraído. Para "ajudar à festa", levantou-se e apanhei-o, largando sorrateiramente e apressadamente, um minúsculo papelinho em cima da mesa de uma colega. Não se livrou de uma repreensão.
Entretanto, a colega estava tão atenta ao meu paleio que nem viu aterrar aquele papel na sua mesa (ou talvez visse porque afinal, alguém escreveu o "eu também"). O certo, é que ela não se apercebeu que eu passei para o recolher. Ainda pensei colocá-lo no lixo mas achei melhor guardá-lo.
O autor olhou para mim com cara de poucos amigos, algo atrapalhado.
Discretamente, coloquei a mensagem  no meu bolso e a aula prosseguiu.

Reparei no seu conteúdo ao chegar a casa. A mensagem contida num pedaço de papel mal amanhado, fez-me rir.
Afinal, aqueles olhares... aquela história de dizer que não via bem o quadro... (só para se sentar ao lado dela)... dizer se podia pintar na mesa da XPTO... Agora percebo tudo!
Anda paixão e amor no ar!!! E pelo registo, é sentimento correspondido.  :-)
Que estupidez a minha, pensei... eu para ali a falar do Aparelho Digestivo quando o rapazinho estava numa de congeminar palavras ternas e doces para a sua amada!
Smiley 
Tão bom sermos crianças...
E para todas as princesas e príncipes em miniatura, cá vai música.
Um bom fim-de-semana.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Teachers Are People" but George is awesome, irritante, mal-comportado...

Este é o texto que alguém colocou em circulação pelo facebook:
"Sou professor(a) 
Com o novo ano lectivo a começar... "Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 30 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali, e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo durante dez meses, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do(a) professor(a) na sala de aula. Se és PROFESSOR(A) cola isto no teu mural... e ORGULHA-TE!!!"

Ontem, ao ler isto, lembrei-me do Goofy da Walt Disney e de um episódio com o nome: "Teachers Are People".
Se nos querem elevar ao nobilíssimo estatuto de super-homens ou mulheres professores ... fico com sérias dúvidas sobre tão nobre intenção. Se nos querem enlouquecer de vez ... não só não tenho dúvidas sobre esta intenção como acredito que é mesmo isso que pretendem.
No 1º ciclo do ensino básico, o limite de alunos por turma passou para 26. Nos restantes níveis de ensino, julgo que serão mais uns 4 alunos - os tais 30!
Não alarguemos o conteúdo desta mensagem porque seria dar seca, a quem não tem qualquer interesse no assunto.
Uma coisa é certa, tendo em conta os "Jorges", iguais ou muito parecidos com a personagem do desenho animado, um pequeno passo até à loucura (ou um estado semelhante) é quanto basta.
Acreditem; o povo português em geral e algumas profissões em particular, caminham para a mais completa loucura.
Depois, lê-se na comunicação social que o consumo de antidepressivos vai duplicar até 2016 por causa da crise (dela e de todos os seus derivados!). Pudera! ...
E que ninguém diga, desta água não beberei!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O escritor veio à escola!

"No Tempo em que eu andava na escola não havia nada disto..."  É uma frase recorrente e proferida por muitas pessoas mas ainda bem que os Tempos evoluíram e conseguimos, no presente, facultar às nossas crianças, experiências e vivências únicas, diferentes.
É saudável verificar que a literatura infantil invadiu (no bem sentido, é claro) o mercado, preencheu as estantes das livrarias e das bibliotecas e chega cada vez mais, a esta camada da população estudantil.
Nunca se escreveu tanto para a infância. Os escritores para esta faixa etária são às centenas e a maioria, é boa naquilo que escreve.
Há uns meses atrás, registei aqui, um gosto pessoal e vou repetir-me, mas não faz mal: eu sou fã do estilo literário, desde a escrita à ilustração.
António Mota, um ex-professor e colega viciado na escrita, colecciona uma vasta obra de livros infantis (cerca de oitenta e duas publicações) bem como, a atribuição de vários prémios nacionais.
Grande parte dos seus livros, integram o Plano Nacional de Leitura, sendo por isso, difícil encontrar um manual escolar do 1ºciclo do ensino básico que não tenha um texto deste autor.
Foi precisamente, o escritor nascido no ano de 1957 em Baião - António Mota - que tive o prazer de conhecer, hoje, dia 16 de Maio. Aliás, eu, e todos os elementos da comunidade educativa!
As crianças arregalaram os olhos e os ouvidos perante o autor dos textos que eles tão bem conhecem e no final, perceberam que os escritores são pessoas como todos nós: simples, divertidas e simpáticas.

(Ao almoço... porque a barriga do artista também se alimenta e a nossa, idem aspas)
  

(Momentos de cumplicidade e de partilha)

 (Os autógrafos... eu também tive direito ao meu... ) :))