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sexta-feira, 3 de junho de 2011

"O Burro de Buridan"- última parte. Moral da história

Com toda esta "tragédia", a estalajadeira oportunista esfregava as mãos de contente, "tecendo planos, em voz alta."
- Então com a pele vou fazer uma mala para guardar o enxoval. Transformo o rabo em vassoura. Com a carne vou cozinhar um banquete para os meus hóspedes e deito os ossos aos cães.

O burro até espetou as orelhas ao ouvir estas palavras.
Deu um par de coices no ar, não hesitou mais. Trotou até ao fardo da direita e comeu metade, trotou até ao fardo da esquerda e comeu outra metade.

Depois, feliz por se ver livre, para mais com a barriga cheia, largou a galope até uma encruzilhada de onde partiam duas estradas iguais.

Não perdeu tempo a decidir, meteu pelo campo. Para que é que um burro precisa de estradas?"

Só parou à beira de um regato. Aí vicejavam trevos, floriam papoilas. Mas, mais encantadora que todos os regatos azuis, todos os trevos verdes, todas as papoilas vermelhas era uma burrinha cor de burro quando foge, que ali pastava. 
O burro zurrou-lhe. Ela soltou um doce, carinhoso zurro (...)"
O resto...?! Deverão ler este livrinho da autoria da Luísa Ducla Soares (Editora Civilização, Maio 2010) que está à venda aqui ou em qualquer livraria online. 
Moral da história: a importância e o valor da liberdade é algo que não tem preço. Sem ela, como poderíamos fazer as nossas escolhas?!
O burro desta história foi mais esperto do que nós pensávamos: escolheu, assumiu as suas escolhas e avançou sem medos. No final foi recompensado.

"O Burro de Buridan" - a 2ª Parte

Continuando a história, ficámos na parte em que o burro tinha de fazer uma escolha entre dois fardos de palha iguais...

"O bicho olhava para a direita, depois para a esquerda. Cheirava para a esquerda, depois para a direita. Qual seria a palha mais apetitosa?(...)"

Entretanto, a estalajadeira, mulher sabida e dotada de algum espírito prático, resolveu testar as teorias de Buridan, o filósofo:

"Quando este pediu o jantar, pôs-lhe um prato de feijão numa ponta da mesa e um segundo prato em tudo semelhante, na outra. 
- Coma, se for capaz - riu-se ela.
Buridan, hesitante, olhava para um lado, olhava para o outro e... nada.
Quando chegou a hora de arrumar a cozinha, a espertalhona retirou os pratos, repartiu a comida pelos filhos e disse:
- Agora é melhor ir deitar-se, senhor. Pode escolher o quarto que quiser.
E apresentou-lhe dois quartos parecidos que nem duas gotas de água: ambos pintados de amarelo, com uma cama de pinho e lençóis às bolinhas cor-de-rosa .
No corredor, entre as duas portas, o sábio hesitou. Tão grande foi a hesitação que acabou por adormecer ali mesmo, estendido no chão. 
Trocista, descarada, a mulher, no dia seguinte, fê-lo pagar as duas pratadas de feijão e os dois quartos.
Com a barriga a dar horas e as pernas a fraquejar, o sábio dirigiu-se ao pátio para ver o burro. 
Lá estava ele entre dois fardos, ainda indeciso.
- Pobre bicho, vai morrer de fome para mostrar que eu tinha razão.... - murmurou o dono."
(continua)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Apresento-vos "O Burro de Buridan"; uma história para miúdos e graúdos

Era uma vez um filósofo chamado Buridan.
Reza a história, escrita por Luísa Ducla Soares que o filósofo "é um homem cuja profissão é pensar. Pensa, pensa, pensa... e ensina os outros a pensar."
Este homem sábio, era pois, dono e legítimo possuidor de um burro, que fazendo jus à sua fama, tinha o proveitoso defeito de "pensar pouco" e "carregar muito".
As histórias infantis são muitas vezes, grandes lições para os "grandes" e acho que esta, é uma delas; uma história que fala sobre a importância das escolhas e leva-nos a pensar sobre a nossa capacidade de decisão (nada mais apropriado ao periodo eleitoral que atravessamos).
Vamos então à história...
Buridan corria mundo e viajava de terra em terra para ensinar quem quisesse aprender.
Um dia, ao parar numa hospedaria, encontrou um "jovem lavado em lágrimas". À pergunta "porque choras?", responde o rapaz que estava com o seu coração destroçado porque se apaixonara por uma rapariga tão bela e tão maravilhosa que julgava não existir outra igual.
Estava convencido disso, até ao dia, em que lhe foi apresentada a irmã gémea!!! Tão parecidas e tão iguais que era impossível distingui-las. O moço, coitado, mergulhado num terrível dilema, ficou sem saber qual delas havia de amar.

" Aí está um problema sem solução. Dizem que o homem é livre de fazer escolhas mas, diante de duas pessoas ou coisas iguais como há-de decidir?
- Então estou condenado a ficar solteiro?
O filósofo procurou consolá-lo.
- Bem, tu ainda tens sorte porque um homem pode viver sem se casar. Mas um caso de indecisão até pode levar à morte."
Para comprovar a sua teoria, Buridan usou o burro como cobaia.
"Mandou buscar dois fardos de palha iguaizinhos. Colocou o burro no meio do pátio com um fardo de cada lado, à mesma distância.
- Como ele não pode decidir entre dois objectos iguais vai hesitar, hesitar até morrer de fome. As pessoas puseram-se a espreitar em silêncio." 

 (continua)