segunda-feira, 17 de abril de 2017

Talvez... o fim.


E falando em caminhar.
O caminho chega, pelo menos por agora, ao fim. 
Muitos, senão a maioria, vieram a este lugar virtual "picar o ponto" ao engano. Mas isso que importa?!... 
Agradeço os meus amigos, colegas, seguidores e desconhecidos que fizeram parte das estatísticas de visualizões, e que ao longo destes quase oito anos tiveram o engenho e a arte da sensibilidade para perceber que até a vida de um velho e antiquado Relógio de Corda parado, também pode ter movimento.
Foi bom ter libertado a alma e o stress da rotina dos dias, escrevinhando. 
Foi bom ter divulgado e partilhado aqui, os mais variados géneros literários. 
Foi bom ter transformado alguns esporádicos leitores em amigos e conhecidos. 
Foi bom ter tido este "passatempo" como companhia.
Mas o caminho prossegue. Outras paragens são necessárias para voltar de novo a caminhar.
Continuarei a marcar presença como leitora, acompanhando e lendo os meus parceiros blogosféricos de toujours.
Dizer até sempre lembra despedida sem regresso (e como sabeis, detesto despedidas sejam elas, com ou sem regresso), por isso fico-me pelo "até um dia destes".


domingo, 16 de abril de 2017

Caminhos


Caminhada errante. Sem norte. Sem eira. Sem beira. 
Caminhada na lonjura do tempo. Não importa quando ou até, se chegamos.
Caminhada pela relatividade das distâncias. E o que está próximo pode estar tão distante...




domingo, 9 de abril de 2017

"Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor..."


O quê? Valho Mais que uma Flor

O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.
Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
(Tudo é nada sem outra coisa que não é).

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"