quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Wolfgang Weyrauch

Vi-te, e no entanto não te vi,
não te vejo e no entanto eu te vejo,
nunca te vi e ainda te vejo,
pois o teu ver é o ver com que te vi.

Pois o que é meu é teu, e tu és eu,
e eu sou tu. Somos nós o mundo,
e quando a lava vai ao fundo
pensas tu em mim, penso em ti eu.

A cinza voa, em sinais de chama,
crepita o fogo, e eu respondo ao que chamas.
De pura ventura gemem as chamas,
depois por última vez chiam as chamas.

Nós, porém, eternidades respiramos,
respiramos água, respiramos pão,
e a morte da morte experimentamos
no bafo dos lugares e dos tempos que se vão.

                Wolfgang Weyrauch

                IN LÍRICA AMOROSA ALEMÃ MODERNA - Versões portuguesas de Paulo Quintela, Cancioneiro Vértice - Coimbra 1978

1 comentário:

  1. Belíssimo! Folgo em rever o Relógio ao ativo.

    ResponderEliminar