domingo, 14 de fevereiro de 2016

As voltas do Valentim, o santo.

Com algumas (poucas) alterações, reedito um texto alusivo ao dia, escrito em 2011.
E agora, com a vossa licença, vou dar corda ao relógio.
Malgré le temps, tenham um resto de bom domingo!

http://quantotempotemotempo.blogspot.pt/2011/02/e-se-sao-valentim-voltasse-hoje-terra.html

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Felicidade mórbida

Sofriam de felicidade mórbida.
Ela, à sua maneira, era a mulher mais feliz à face da terra. Ele, à sua maneira, era o homem mais feliz à face da terra. Eles, cada um no seu canto, cada um com seu encanto, cada um a seu modo, eram os mais felizes. 
Apelidados de loucos ou simplesmente de desajustados sociais, eram olhados com desconfiança pela sociedade.
Estados exacerbados de felicidade como este, começaram a preocupar as autoridades de saúde pública e a comunidade científica.
Estava em fase experimental uma cápsula milagrosa que prometia, sem recuso a qualquer intervenção cirúrgica, retirar substancialmente o excesso da felicidade, com vista a um maior bem-estar pessoal e social dos afectados. 
Apesar da felicidade mórbida não ser causa directa de transtornos graves nas suas vidas, havia a inexorável  pressão social...
O homem e a mulher oferecer-se-iam como cobaias. Mas muitos outros seguir-lhe-iam os passos.
Os resultados seriam apresentados anos mais tarde.
Os efeitos secundários associados à medicação para o combate ao flagelo da felicidade mórbida desencadearam reacções e comportamentos inesperados pelo laboratório responsável. 
Os estudos acabariam pouco tempo depois, por falta de financiamento e voluntários. 
Entretanto...
Pelo mundo inteiro, eles e elas continuavam a alimentar os respectivos egos, e fantasias e, demais relações inter-pessoais.
Até à data não foi quantificado o número de estados depressivos ou suicídios provocados por este distúrbio afetivo-emocional.
  

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Egoísmos

O egoísmo faz parte do Homem, manifestando-se das mais variadas formas e intensidades. Uns manifestam-no mais; outros menos.
Cada um é egoísta à sua maneira e pratica esse acto conforme o jeito ou a conveniência.
O egoísmo não tem status social, nem status económico. Em suma, não tem cara, mas existe.
Pode estar numa pessoa bem falante, numa pessoa que irradia charme, muito charme; num simples rosto simpático e bonito ou, em nada disto. Tanto veste Prada como uma marca contrafeita qualquer. 
Sendo considerado um defeito, pode tornar-se prejudicial consoante o modo de aplicação, e o fim a que se destina.
Porém, há um número finito de pessoas que, felizmente, não manifesta qualquer tipo de egoísmos. A estas, chamamos-lhes altruístas, generosas, abnegadas,... 
Em boa verdade, só conheci uma pessoa assim na vida.
E, pensando bem, creio que era despretensiosamente uma pessoa egoísta também, pois esquecia-se dela para cuidar dos outros.
Na noite em que a tradição das aldeias mandava velar pela alma dos mortos, ninguém apareceu para velar a dela.

(Este vídeo mostra um coro, constituído por homens e mulheres com problemas respiratórios. Pensar na força de vontade e no gosto com que cantam, dá que pensar)