domingo, 17 de julho de 2016

A doçura e a amargura do Tempo

Com o tempo perdemos capacidades e adquirimos outras (poucas, diga-se).
São mais as capacidades que perdemos que aquelas que ganhamos. Embora as capacidades que deixamos para trás - consciente ou inconscientemente - se possam considerar de discutível importância face a novas aquisições. Nada acontecerá por acaso. 
Adaptamo-nos aos efeitos colaterais do Tempo, mais do que ele a nós. 
É um mecanismo defensor que mais nenhum ser vivo possui e por isso nos torna seres tão especiais (ou pelo menos deveria tornar...).
Com o tempo tornamo-nos mais exigentes, mas também menos exigentes. Depende das circunstâncias.  
Isto é mais frequente quando pessoas se deparam, durante as suas vidas, com situações de doença, por exemplo. Mas também  há desgostos, desilusões, más experiências de vida, que podem condicionar ou influenciar as  nossas prioridades e exigências. Daí, o nível de exigência aumentar perante factos e vivências que antes nos passariam (mais) ao lado. E a verdade é que já não estamos para aturar determinados comportamentos ou levar com meia dúzia de balelas de terceiros, e mandámos às urtigas potênciais prevaricadores das nossas vidas pessoais e afectivas.
É assim que o tempo nos faz. Dóceis e amargos. É assim que o tempo implacável e protector quer que sejamos, acho.

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