sábado, 16 de janeiro de 2016

A foto de perfil, a de capa e eu

"Estás linda(o)! "
"Ui, que lindona (lindão)!"
"Mas que gata(o)!"
"Que bonito(a)!"
"Jeitosa(o)!"
"Estás muito bem!"
"Estás cada vez melhor!"
E um desenrolar de elogios, de piropos e de outros tantos "de's", continuaria.
Bem, mas, eu cá, o que gosto mesmo, é de ser visto(a), e revisto(a), e visitado(a), e gostado(a), clicado(a), e adorado(a) e... Sei lá que mais!
Altero a foto de perfil ou a foto de capa as vezes que forem necessárias e ninguém tem nada com isso! É uma necessidade, exterior ou interior, ou ambas, ou nenhuma, ou uma simples mania minha. Quiçá, uma espécie de obsessão-compulsão que me invade.
Não importa se a foto serve para fazer pirraça ou impressionar o amigo, a amiga, o vizinho, a vizinha, o primo, a prima, o/a colega, o/a ex,... Que se lixe! A culpa é de quem não gosta ou de quem a ignora.
Exponho-me em poses produzidas, coloco fotografias fofas do meu cão, do meu gato, do meu papagaio, do meu cágado e até do peixe minúsculo que mal se vê dentro do aquário, do anel de brilhantes, se necessário.
Abdico da minha privacidade familiar, expondo-a em prol de muitos "gostos" e atenção, ou, quem sabe, de algo mais.
Seja de perfil, seja de capa, não quero, nem posso passar despercebido(a).
Que tédio seria a minha vida! Como poderia alimentar o meu ego?!
É urgente publicar e alterar tudo o que seja visual. Se não o fizer, corro sérios riscos da atenção de uns quantos potenciais curiosos(as)/interessados(as) pela minha formosura (ou feiura), ou qualquer outro atributo meu, ir deambular num qualquer perfil alheio.
A superficialidade impera. Por mais que doa, esta é a grande verdade.
E queremos ser vistos pelos outros! E queremos ver os outros!
Transformamo-nos sem nos darmos conta, nos maiores "voyeurs" alguma vez já vistos; com a agravante de que não estamos a dar importância aquilo que realmente tem valor, para nos determos em milhentos de "gostos" ao longo da nossa vida, na superficialidade de uma foto, por exemplo.

2 comentários:

  1. Nem tudo é tão mau. Há fotografias de rostos que nos ajudam a perceber que existe mais alguma coisa para lá da superficialidade do instantâneo visual. Expressões que nos sugerem a existência de de sentimentos. Mas tem razão: há muito tempo perdido a fazer gestos sem sentido e a ignorar a profundidade dos minutos e das horas que todos vamos vivendo. Possivelmente não consegui aqui deixar mais do que palavras que não são mais do que simples palavras...

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  2. Há sempre excepções, Dr Toni, claro. Aqui, só me limitei a generalizar, sem particularizar situação ou pessoa alguma.

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