quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Beijos em lista de espera

Porque me apetece publicar about kisses. Porque quem beija, seus males também espanta.
Façam bom proveito, pois continuam isentos de taxas & sobretaxas. Não esquecendo que, ainda existem os resistentes (os beijos, claro!) que se vão mantendo longe dos cliques (des)Gosto(sos) de uma certa praga virtual viciante, named facebook.
 The Bird and The Bee é um dueto americano pertencente ao estilo indie pop e tem este nome bem engraçado!
... And the bee kisses the bird... A little one.



(a música original, aqui - Dary Hall & John Oates-)

Beijo

Beijo na face
Pede-se e dá-se:
             Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
             Vá!

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
             Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
             Vá!

Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
             Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
             Vá!

Guardo segredo,
Não tenha medo...
             Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
             Dê!
*
Como ele é doce!
Como ele trouxe,
             Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
             Amor!

Saciar-me? louco...
Um é tão pouco,
             Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
             Amor!

Talvez te leve
O vento em breve,
             Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
             Amor!

Guardo segredo,
Não tenhas medo
             Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
             Dois...
*
Oh! dois? piedade!
Coisas tão boas...
             Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
             Três!

Três é a conta
Certinho, e justa...
             Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
             Três!

Três, sim: não cuides
Que te desgraças:
             Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes;
             Três.

As folhas santas
Que o lírio fecham,
             Vês?
E não o deixam
Manchar, são... quantas?
             Três!

João de Deus, in 'Campo de Flores'

domingo, 27 de setembro de 2015

Medos

Assustas-me. Assusto-me. Tudo à minha volta é assustador.
Não sei que medo é este, mas sei que é um medo pavoroso; um medo diferente de todos os outros medos.
E eu que já tive tantos medos, devia estar habituado a (con)viver com eles. Mas desta vez parece não ser assim.
Um medo que tem medo de se revelar e de se assumir, é pior que o próprio medo. 
Faz mal. Muito mal!
Um dia, este medo que tem medo dele próprio, acabará por nos corroer, tal como o tempo sobre uma peça de madeira ... 


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Caçadores de Sóis

No lugar de Chora havia uma rua. Na Rua da Saudade, uma casa. Na casa viviam duas mulheres. Chamavam-se Mágoa e Esperança. Irmãs inseparáveis, velhas e assustadoramente solitárias.
Quando novas, diziam que eram as raparigas mais bonitas e alegres da aldeia. 
Conta-se também que a guerra as mortificara em vida.
Um dia viram partir os homens que amavam.
Eles, não mais voltariam; nem vivos, nem mortos.
E daí em diante, duas mulheres viveriam numa dúvida angustiante para o resto das suas vidas.
Quando se perde o norte às pessoas e o amor teima em marcar a sua posição, fica-se desorientado.  
Na Rua da Saudade, em Chora, duas mulheres, Mágoa e Esperança, espreitam, sentadas, à janela.
No horizonte, a leste, nasce o sol, como sempre, ao longo de noventa e tantas primaveras.
Juraram companhia e amizade eternas. Até que a morte as separe. Ou, quem sabe, até que a morte as leve para junto dos seus amores.  

P.S. Que nunca ninguém deixe de ser um "Caçador de Sóis".
Bom fim-de-semana.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Quanto vale uma vida?

Quanto vale uma vida?
Vale pelo tempo que cá andamos e fazemos. Então, faça-se dela algo que valha a pena, para nós e para os outros.
Nesta dialética constante sobre a vida e a morte, reduzo-me e resigno-me à minha insignificância. 
Afinal, tanto morre o pobre como o rico; o feio como o bonito; o vaidoso como o simples, o incluído e o excluído; o inteligente e o básico; o médico e o paciente; o famoso e o incógnito; o que se julga saudável e o doente; o sociável e o solitário, o mentiroso e o sincero; o falso e o genuíno; o habilidoso e o desajeitado;... 

Quanto vale então, a tua, a minha, a nossa, a vida de cada um de nós?! 

Aquele filme da TV dizia que, para todas as perguntas há sempre uma resposta. Eu já não sei se há. Se há, ou andamos todos enganados ou a ser enganados.
Respeito-a, embora nem sempre a aceite, mas incomoda-me a morte; não uma morte qualquer. Incomoda-me a morte, por exemplo, de duas jovens que, embora não conhecendo pessoalmente, podia qualquer uma delas, ser milha filha...
Incomoda-me a injustiça da vida. 
Incomoda-me quem troca o tempo, as pessoas e a vida, já por si tão enigmática e fugaz, por banalidades, por assuntos e por ocupações menores.
Também eu, sei que posso incomodar, mas é assim que me posiciono perante a vida.
Boa semana e já agora, think twice!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Recomeços

Marés, praia, férias, e afins. Estamos em maré de recomeços.
Depois da pausa, é chegada a hora da renovação de votos para um ano de trabalho, tanto quanto possível, cheio de realizações pessoais e profissionais. Qual delas a mais importante?... Qual delas!?...

Recomeços à parte, e porque todos eles são importantes, sejam os profissionais como os pessoais,o importante é nunca perder o norte.
Nunca nos deixarmos vencer pelos "Adamastores", pelos "Cabos das Tormentas" e tantos outros obstáculos que se nos deparam pela frente. E digo-vos; são tantos, os obstáculos!

Continuo este pensamento com uma palavra da moda: meta.
Nos dias que correm, ouvimos falar dela à boca cheia. Uma perfeita banalização. Ou aberração, tendo em conta que existem metas que não respeitam a individualidade de cada um, que não olham a meios para serem atingidas.

Estabelecem-se metas para tudo. Há que as cumprir e atingir. De preferência num curtíssimo espaço de tempo. Caso contrário, é quase como ficar perdido no meio de uma viagem.
Mesmo que tenhas sede,fome,que te falte o ânimo,que não tenhas capacidades físicas, ou outras, que te falte o emprego, a saúde,o amor, para continuares essa viagem, as metas estão lá, à tua espera.
E é por elas que lutamos no dia-a-dia, ou pelo menos, é assim que "o serviço" nos é impingido.
A viagem termina supostamente, com sucesso, desde que as alcances. O resto... Deixa lá! É secundário. Sobrevive e não vivas. Alguns agradecerão ( e muito) a tua "opção" de vida.

E resta-nos a pergunta:vale assim tanto,o esforço que é feito para atingirmos metas?
Apregoadas aos sete ventos para tudo e mais alguma coisa, causa-me alguma náusea mental, esta palavra da moda, e tudo aquilo que gravita à volta dela.
Não há bom senso. Não há realismo. Não há humanismo perante esta corrida desenfreada e cega até às metas.

Todos temos objectivos de vida. Também tenho os meus. Sempre tive, embora nem sempre cumpridos por motivos de força maior.
O meu lema foi e continua a ser o de sempre. Ter objectivos e atingi-los sem ferir susceptibilidades. Respeitar para receber respeito de volta. Evitar danos, sejam eles quais forem, à minha volta.
Agradeço, portanto, ao mundo:pessoas; instituições várias; políticos; mundo virtual, etc, etc, que me deixem cumprir em paz,sem pressões e com a confiança necessária,os meus objectivos.
E que se lixe o mundo das metas!