sábado, 27 de junho de 2015

Esquecimentos e apontamentos

Tomo nota para não me esquecer e acabo esquecendo o pedaço de papel dentro do carro, que acaba por voar a cem à hora assim que abro a porta.
Ora bolas! A culpa foi do vento! Pensei.
Sim, até podia ser. Mas pensando melhor, a culpa foi mesmo minha. 
Tivesse eu guardado o apontamento noutro local - num bloco de notas, por exemplo -, e lembrar-me-ia agora da expressão para a qual tinha em mente, a escrita de um pequeno texto.
É sempre a mesma coisa. A culpa dos meus esquecimentos é sempre minha. 
Como podia eu culpar o vento, ou qualquer outro factor externo à minha pessoa?! Não não. O verbo esquecer conjugado no presente e no pretérito perfeito, é o meu mea culpa de estimação. 
O melhor até, seria não escrever mais nada acerca do assunto (e com isto esqueci-me quão tarde já é); a não ser para reforçar esta ideia (discutível): tendencialmente, a idade, sob o efeito do Tempo, ajuda a agravar esta situação, ou se preferirem , predisposição.
No entanto, que esta disputa entre tempo e idade, e todos os estragos que daí advêm, não sirvam de desculpa para todos os esquecimentos. 
Há "notas" que fazem parte dos nossos apontamentos de vida que o vento não leva, que resultam, se nos esquecermos mesmo deles, em "esquecimentos" fatais. 
Ora, estes pseudo esquecimentos matam sonhos, matam esperanças, matam projectos, matam-nos também um pouco por dentro.
That's All!!
Votos de um excelente fim-de-semana.





segunda-feira, 22 de junho de 2015

"A serenidade tem a ver com aprendermos a nos relacionar com o tempo"

Flávio Gikovate pensa, e pensa bem.
Quem não se relaciona bem com o tempo, dizem, costuma stressar mais (será?!).

"Por vezes penso que a serenidade tem a ver com aprendermos a nos relacionar com o tempo e também com o encontro da nossa "velocidade" ideal.
Cada pessoa, para se equilibrar e se sentir bem, tem que ocupar seu tempo com um certo volume de ocupações. Essa cota não é igual para todos.
Tenho chamado de "velocidade ideal" ao ritmo de vida no qual a pessoa se sente bem. Uns gostam de andar devagar e outros são mais acelerados.
O que é fato é que são muito poucos os que se sentem bem em pleno ócio, totalmente desocupados. Para a maioria, essa condição traz o tédio!
O tédio corresponde a um estado depressivo muito peculiar no qual sentimos um enorme vazio e a total falta de sentido e significado da vida.
É provável que muitas das nossas ocupações estejam vinculadas ao desejo de fugir do ócio e do tédio. Ao nos entretermos, nos sentimos melhor.
A cota de ocupação que nos provoca o bem-estar é aquela que alivia a depressão do tédio sem gerar a ansiedade derivada do excesso de funções.
Estando acima da nossa "velocidade ideal" nos sentimos ansiosos; quando abaixo, ficamos deprimidos (tédio): convém acertarmos o ritmo ideal!"

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A corrente descontente

Ser corrente de relógio não é fácil, não!
Sempre marcada pelo tempo,
incomodada pela palpitação de pulsos
peludos, carnudos, ossudos;
às vezes, paredes meias com pulseiras
tendo como paisagem umas veias!
E lá vem mais um furo à pressão!
É o clima quente e húmido como no Verão!
Depois, com o relógio, mil miminhos;
estragou-se, arranja-se com prontidão.
Comigo não, porque estou velha!
Pronto! É logo a substituição.
Não têm em conta a afeição
de uma vida dedicada a um pulso.
Ai! Aperta-me esta ingratidão!
         
                             Teresa Guedes