segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Quanto tempo tem o tempo


Quanto tempo tem o tempo

Dizem que o tempo é aquilo que dele fazemos. Mas o tempo também nos faz. Noutros tempos o tempo passava devagar e as pessoas viviam à sua cadência. Vivia-se ao ritmo do crescimento das plantas e das fases da lua. Do sobe e desce das marés e do amadurecer dos frutos. Ainda há sítios onde as gentes vivem assim. E parecem ser felizes. 
Agora, por estes lados, vivemos ao compasso das máquinas arrastados por um tempo que passa demasiado rápido. É o tempo que nos faz. 
Por mais que nos apressemos nunca o alcançamos. E isso esgota-nos e consome-nos. Deprime-nos porque nos faz julgar inaptos. Talvez seja tempo de parar para pensar o tempo. 
Há quem diga que o tempo não espera por nós. Mas se pensarmos bem o tempo é sempre o mesmo. Eu estou convencido que, se eu abrandar, o meu tempo não tem outro remédio se não esperar por mim. É só uma questão de dar tempo ao tempo.

                                                                                                                   (Texto da autoria de DTF)


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cultura e civilização, por Almada Negreiros



Cultura e Civilização  

«Uma mesa cheia de feijões.
O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão.
O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.
Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.
O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização.
A civilização é um fenómeno colectivo.
A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.»

Almada Negreiros, in "Ensaios"

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como explicar o desemprego na Europa em 30 minutos

A tão desejada convergência social na Europa é uma miragem.
O desemprego, a precariedade e os baixos salários são estratégias do sistema neo liberal para enfraquecer e manipular cidadãos (nada que já não se soubesse).
O vídeo de 2014 que hoje partilho, é um documentário sobre as causas e os efeitos do desemprego na Europa.

(O vídeo está em francês, devendo activar as legendas, igualmente na mesma língua)


domingo, 11 de janeiro de 2015

"... Ora, deixem-se de merdes! Pas de conneries!"

Tem apostado, e bem, na análise e na crítica da actualidade nacional e internacional.

                                                                              (Foto google)

Modesta homenagem a Charlie

“Um atentado à França, uma nação livre e pluralista!”. Esta é uma afirmação repetida por jornalistas e políticos a propósito do bárbaro crime cometido por terroristas nascidos e criados em Paris, pormenor que quase passa despercebido na miríade de discursos alinhados e politicamente correctos que ocupam os noticiários.
Mas que França estão a falar? Da França das liberdades e do bem-estar dos gauleses brancos e puros de La Defense ou da dos descendentes magrebinos atirados para os guetos pobres dos subúrbios onde, desempregados e marginalizados, são quotidianamente agredidos e humilhados pela polícia (mais dura depois de Sarko) e pela população xenófoba que os trata como seres indesejados e desprezíveis, estrangeiros no próprio país?
De que França falam, afinal? Da que tolera o humor libertário dos geniais cartoonistas assassinados do “Charlie Hebdo”, ou da França agressora que põe bombas nos barcos da “Greenpeace” (assassinando Fernando Pereira, um fotógrafo português), apoia o canibal Bokassa dos diamantes de Giscard, persegue Simon Malley da revista Afrique-Asie que os denunciou, e se associa aos fundamentalistas islâmicos na guerra aos regimes laicos do Iraque, da Líbia e da Síria “para os libertar ”, deixando um rasto de destruição caótica onde os atentados a civis são tão vulgares que nem merecem mais do que poucos segundos na TV francesa?
Obama (que ordena execuções extra-judiciais de americanos com “drones”), Hollande, Sarkosy, Merkel, o nosso Durão, da cimeira dos Açores com Busch, e até a Le Pen, são todos “Charlie”? Ora, deixem-se de merdes! Pas de conneries!
(Esta é uma modesta homenagem a “Charlie”, que imagino a usar estas últimas frases mas não a alinhar nas balelas hipócritas dos que contribuem, directa ou indirectamente, para que aconteçam atentados horríveis como o de Paris).

Jorge F. Seabra

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vende-se Relógio de Corda antigo

Num país em que quase tudo é negociável, vendável (CTT, PT, TAP, etc, etc) e algumas vezes detestável; creio que é chegada a minha hora também...
Vendo-me!
Vendo-me pela módica quantia de uns míseros trocos, com a certeza de que jamais darei lucro a quem quer que seja.
Garanto-vos que a minha taxa de rentabilidade será ZERO (€0€) visto que, já nem sirvo para contar o Tempo.

P.S.) A propósito de tempo... Já aqueceram as vossas mãos, hoje?!

 Smiley




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mr Time

1 de janeiro de dois mil e quinze.
Já no início do ano e a fazer contas... não à vida, mas ao Tempo. 
Faltam trezentos e sessenta e cinco dias, oito mil setecentas e sessenta horas para que este recém-nascido ano mostre o que vale.
Obviamente que, quem dá vida ao "recém-nascido" e faça com que ele valha algo mais do que uma simples contagem ou passagem  do tempo, é cada um de nós.
Mr Time, by Alan Parsons Project.
 Smiley



[...]
Where's the man, where's the child
Wrapped together side by side.
Who can tell you what to do,
When Mr. Time has come for you.
See the truth, hear the lies,
Can there be no compromise
And who can tell you what they knew,
When Mr. Time has come for you.