terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É tempo de acabar com a matança das nossas esperanças.

A notícia despertou-me a atenção. 
"Homem morre após seis horas à espera de ser atentido".
Aconteceu no hospital de S. José, em Lisboa (em 30/12/2014).
E perguntarão algumas pessoas: e quantas mais morreram ou morrerão à espera de serem atendidas?!
Perguntar assim, como se de um facto consumado se tratasse ou como se situações semelhantes tivessem que ser fatalidades, aguça ainda mais a nossa revolta e indignação.
Afinal, é tudo muito mais simples do que nós imaginamos. Nós é que temos este velho hábito de complicar... Se eles querem cortar na despesa, qual é a lógica de querer prolongar vidas humanas?
Depois, esta mania de estarmos contra tudo e todos tem de acabar (ou não fosse esta nossa mania que os sistemas, ditos "democráticos" e "justos" desta velha Europa, querem au fur et à mesure do Tempo, retirar a todo o custo aos seus cidadãos).
Temos verificado que este "a todo o custo" acaba por ser o que menos custos traz aos cofres dos ditos sistemas "democráticos" e justos. 
Não valerá a pena relembrar aquilo que todos já sabemos, que estamos cada vez mais desprotegidos na doença e desprovidos de direitos.
E com ironia vos deixo neste ano 2014. 
Façamos com que em 2015 não tenhamos que prolongar a governação desta gente; gente que ordena a matança das nossas esperanças num futuro de vida melhor e condigno.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Cronologia de um ano

Janeiro frio e chuvoso, fazem-se votos para um ano melhor. Estabelecem-se metas (palavra muito em voga ultimamente).
Em Fevereiro, o mês mais curto do ano. Houve o Dia 14... E há sempre quem deteste Dias instituídos para isto e para aquilo!
Com Março chega o Carnaval. Momento ideal para deixar cair as máscaras. Estava frio ainda... Apesar disso conheceram-se num fim de tarde.
Em Abril, tempo incerto e águas mil. A revolução continuava sem que poucos dessem por ela.
Maio. Mês de revelações, intenções e muitas questões. Nada voltaria a ser como antes. 
Em junho, tempo para um interregno. Porém, a luta não pára.
Em julho nada de novo. Os guerreiros digladiam-se na arena.
Agosto. O calor não esteve à altura mas a luta por um lugarzinho ao sol continua.
Chega Setembro. Nada parece ainda muito bem definido (e de quem seria a culpa?).
Em Outubro parece finalmente vislumbrar-se uma luz ao fundo do túnel.
Novembro. Pensar que 13 é dia de azar, é puro engano. Nem sempre é assim.
Estamos em Dezembro outra vez.
Os ponteiros continuarão a girar, porque é da natureza dum relógio, qualquer que ele seja, contar o tempo.
Que o tempo seja um aliado e nunca uma desculpa; pois quem quer, tem sempre tempo para dar aos outros.

Feliz Ano 2015 para todos com uma música que nos fala também do Tempo.


 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Poema Pouco Original do Medo

(The Fear - Travis)





O Poema Pouco Original do Medo
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
       (assim assim)
escriturários
       (muitos)
intelectuais
       (o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Viciado'

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

This is a lucky hour

Lembrei-me que o Relógio de Corda começou a contar o Tempo há precisamente cinco anos.
A 9 de Dezembro de 2009 ia para o ar esta brincadeira; ou como alguém disse um dia, e muito bem, mais um "passatempo".
Passaram 1825 dias e cerca de 43800 horas desde o seu nascimento. Entre desistências e insistências, o Relógio cá vai aguentando. Menos regular, é certo. Mas sempre pontual, onde e quando, é necessário. 
Se fosse um rio, diria que muita água passou debaixo da ponte (isto, dependendo do rio e do caudal do mesmo). Tratando-se de um relógio, muitas voltas deram os ponteiros...
Boa semana!


Cottonflower

You are my cottonflower
You are the one forever
Your smile is like a little wrinkle
Don't suffer, babe, just let it trickle
This is my lucky hour
Let us spend it together
You keep me warm each time I travel
You give me shelter from the drizzle
Sing this song for you to sing when I'm gone
I'm bleeding, bleeding hard.

You are my cottonflower
I'm nothing but the lonely rider
I don't wonder who is right or is wrong
Sing this song for you to sing when I'm gone.

I am your purple spider
My hose are getting wider
Eventhough there're a robin's crying
I Don't worry cause I'm only dying
Sing this song for you to sing when I'm gone
It don't hurt no more now.

You've seen a thousand like me
I'm not the first one, I'm not the only one
The best one, the first one, the last one
You've seen a thousand like me
Won't you turn off your tv?

I'm nothing but a lonely soldier
I don't wonder who is right who is wrong
Sing this song for you to sing when I'm gone
I'm gone, now I'm gone
I'm gone.

You are my cottonflower
You are my cottonflower...

Cancer riding on my chest
Soon I'll return to dust and rest