quinta-feira, 25 de setembro de 2014

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Antecipo os votos de um bom fim-de-semana com esta belíssima interpretação de Tatiana Parra e Andrés Beeuwsaert.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Antes, o Depois e o Agora

Chegou o Antes
que perguntou ao Amanhã
se o Depois podia ser Agora
                      Relógio de Corda

Fica a dedicatória à nova estação que está prestes a chegar.
Boa semana!



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O Adão, a Eva e o feiticeiro do pântano

Adão nasceu por obra e graça de um mix de terra com alguma magia. 
Adão não vivia no paraíso, nem nada que se pareça. Este Adão, boneco de madeira meio apinóquiado, vivia dentro da caixa de música de um feiticeiro.
Reza a lenda que uma mulher de nome Eva acabou por entrar na história. No entanto cada um interpreta a "coisa" como bem entende e nesta versão, os dois acabam dançando alegremente para júbilo de três batráquios solitários.
Mas danças e alegria à parte, falta falar da serpente má. 
Num golpe de baixeza inqualificável, ela rasteja o par dançarino e ambos tropeçam, não um no outro, mas sim, na tal maçã que, como todos sabem, não se tratava de uma peça de fruta qualquer, apesar de ser uma maçã igual a tantas outras.
O final desta história há-de terminar num pântano sem graça nenhuma.
Para quem esperava ver uma paisagem verde com muitas árvores e flores (uma espécie de paraíso, digamos assim) acaba um pouco "desiludido".  
Não se sabe, porém, o final daqueles dois.
Os batráquios, esses, pareceram-me bastante satisfeitos com  a companhia...

Bom fim-de-semana!

domingo, 14 de setembro de 2014

O Tempo Não Para

O tempo Não Para      Música e letra de Miguel Gameiro

Eu sei, que a vida tem pressa
que tudo aconteça,
sem que a gente peça,
Eu sei,
Eu sei, que o tempo não pára,
tempo é coisa rara
e a gente só repara,
quando ele já passou
(...)
 
(Votos de uma boa semana)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Poema de Sete Faces - Carlos Drummond de Andrade


POEMA DE SETE FACES
                     Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para quê tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.





domingo, 7 de setembro de 2014

A Mão da Nuvem I

I
Ao voltar de viagem, acordei ontem, perturbado.
Sonhava -
       no meu sonho vi que a luz subia como uma
       planta cujo nome ignoro mas que se assemelha ao girassol.
       Passaram pelo sonho
       numerosas cidades, sem casa,
       numerosas casas, sem quarto,
       numerosos quartos, sem cama,
       numerosas camas, sem sono.

                 Adonis (traduzido do francês por Nuno Júdice) 
                 NO CAIS DA POESIA 2 Antologia, Livros teorema

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A trajectória errada

Tratou-se de um feliz erro de trajectória.
A janela entreaberta durante a noite, permitiu a entrada deste intruso de penas.
Visivelmente atrapalhado e assustado, voando de um lado para o outro, colava-se à janela como que a pedir socorro, "tirem-me já daqui!!".
Indiquei-lhe o caminho da saída e o passarito, feliz, seguiu viagem rumo à liberdade.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

As Perguntas Verdadeiramente Importantes

Sobre as perguntas verdadeiramente importantes.

Nunca tinha pensado nesta proporcionalidade entre complexidade e importância da pergunta.
As perguntas ingénuas são as mais importantes (nem sempre, eu acho) e para as quais não há resposta (também depende). 
À luz desta complexa ingenuidade, talvez esteja explicada a razão de ser das perguntas difíceis, que nem sempre são ingénuas e nem sempre são formuladas por crianças.
Para perguntas difíceis nem sempre existem respostas fáceis.

«As perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular - e apenas essas. Só as perguntas mais ingénuas são realmente perguntas importantes. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.»

Milan Kundera, in "A Insustentável Leveza do Ser"


Moody Blues,"Question", em 1970.

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Setembro, um

«Setembro é o Maio do Outono»
Os meses que fazem a transição das estações para outras são assim mesmo; ou como diz o povo: "nem são carne nem são peixe".
Setembro é o Janeiro do Ano Novo. E percebe-se porquê.
É o início de mais um ano de trabalho escolar. Há que fazer, portanto, votos para que corra tudo pelo melhor.
Para muitos, é apenas mais uma continuação... mais umas quantas rotinas...
Mas eu, que sou um Relógio de Corda sem corda, apelo ao Tempo que descontinue rapidamente algumas.
Como escreveu Proust, é preciso seguir em busca do tempo perdido.

Para todos, professores e alunos, um bom ano lectivo.