segunda-feira, 28 de abril de 2014

El secreto de la trompeta: comédia absurda

Comédias absurdas? Venham elas!


Aclamado corto que se sitúa entre lo absurdo y lo castizo, con una estética hipersaturada y un humor extraño y surrealista.

TÍTULO ORIGINAL: El secdleto de la tlompeta (El secreto de la trompeta)
AÑO: 1995
DURACIÓN: 17 min.
PAÍS: España
DIRECTOR: Javier Fesser
GUIÓN: Javier Fesser
FOTOGRAFÍA: Luis Manso
REPARTO: Ramón Langa, Pablo Pinedo, Pietro Olivera, Guillermo Fesser, Juan Luis Cano
PRODUCTORA: Películas Pendelton
GÉNERO: Comedia absurda, Cortometraje

A morte

Ninguém sabe ao certo o último desejo daquele homem.
Os olhos deixaram de brilhar e o movimento lento da cabeça que direcionava para a voz, anteviam uma despedida que era necessário apressar. Do que antes fora um corpo, só restava pele e osso e um  sofrimento já moribundo.
A morte, essa, esperava-o à porta com impaciência.
Era preciso continuar viagem, sem bagagem, sem corpo físico, sem nada. Despojado de tudo, e leve, foi assim que prosseguiu nesta última caminhada da sua vida, agora morte.
Ao certo, ninguém sabe em que galáxia da Via Láctea fica esse outro "mundo"; esse que é o destino final de todas as nossas viagens. 
Eu imagino-o como um lugar acolhedor e silencioso, onde as estrelas nunca deixam de brilhar.
Ninguém soube ao certo o último desejo daquele homem...
Mas amava a vida com a mesma intensidade com que amava aquela mulher. 
A mesma que lhe dera o último beijo. A mesma que lhe fechara os olhos com as suas delicadas mãos...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Os 40 anos mais os 7 que eu tinha

Há 40 anos houve um ideal. 
Aos homens e às mulheres que lutaram por ele, eu continuo a dizer: OBRIGADA.
Obrigada por terem lutado por mim e para mim; eu que nessa altura tinha apenas 7 anos.
40 anos passados, não sei muito bem onde anda esse, e outros ideais. Nem sei sequer se existem...
Às vezes penso que os ideais passaram a ser meros objectivos ou metas ou qualquer outra coisa.
Mas seja o que for, o ideal que levou milhares a rejubilar de alegria há 40 anos, não estava errado. 
Errados estavam alguns técnicos de não-sei-quê que, armados em políticos, tiveram o cuidado de subverter o ideal de uma revolução pacífica que reclamou justiça, liberdade e igualdade para todos os portugueses. 
Que seja um dia em grande. Bom feriado!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Maruca entre cotovelos

Dos poucos progamas de rádio que ouço e gosto. 
Os Sinais de Fernando Alves, na TSF, tal como certos livros ou filmes de culto, fazem parte daqueles programas radiofónicos, únicos e inesquecíveis, que nos obrigam a umas quantas voltas ao pensamento logo pela manhã.
A maruca entre cotovelos, mais não é do que a triste realidade com que se defrontam muitas mulheres portuguesas em tempo de austeridade.

http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=3766273

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"MEMÓRIA DAS MINHAS PUTAS TRISTES"

                                                                       Gabriel García Márquez
                                                                              (1927 -2014)

Da obra, "MEMÓRIA DAS MINHAS PUTAS TRISTES"

Nunca esqueci o seu olhar sombrio enquanto tomávamos o pequeno-almoço: Porque me conheceste tão velho?
Respondi-lhe a verdade: A idade não é a que temos mas a que sentimos.
     Desde então tive-a na minha memória com tal nitidez que fazia dela o que queria. Mudava-lhe a cor dos olhos conforme o meu estado de espírito: cor de água ao despertar, cor de calda de açúcar quando ria, cor de lume quando a contrariava. Vestia-a de acordo com a idade e a condição que convinham às minhas mudanças de humor: noviça apaixonada aos vinte anos, puta de salão aos quarenta, rainha da Babilónia aos setenta, santa aos cem. Cantávamos duetos de amor de Peccini, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel, e verificávamos uma vez mais que os que não cantam não podem sequer imaginar o que é a felicidade de cantar. Hoje sei que não foi uma alucinação mas um milagre mais do primeiro amor da minha vida aos noventa anos.

Foi ontem, a 17 de Abril.
O escritor colombiano, prémio nobel de literatura 1982, sai fisicamente de cena deste atribulado filme, que é o mundo dos vivos.
Gabriel García Márquez tinha 87 anos.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

E por vezes, de David Mourão Ferreira

E por vezes encontramos poemas assim...

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a vida nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

                      David Mourão Ferreira, Cem Sonetos Portugueses, Terramar

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pontos..............................................................................

Era uma vez três pontos.
Era o Ponto de Exclamação que exclamava por tudo e por nada.
Mais um ponto problemático, que todos conheciam por Ponto de Interrogação. Tinha umas manias... Perguntava, questionava interrogava... Nunca se calava.
Os dois viviam felizes, na mais perfeita sintonia em diversos "com textos".
Até que um dia, apareceu um Ponto Final bastante arreliado e de certa maneira descontextualizado, que quase acabava com a harmonia.
Farto de pontuar numa história de amor com demasiadas reticências, resolveu ser ponto final noutro contexto. E assim nasceu a união dos três pontos mais importantes da escrita. 
Talvez não seja este o texto, nem a história ideal mas jaz aqui, já, esta história maluca de um simples Ponto Final.
Ponto!
(Votos antecipados de bom fim-de-semana!)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Simple

Não há nada mais simples (e belo) do que a simplicdade.
S I M P L E de Odile ROUGÉ

L'arbre ne peut grandir coupé de sa racine
Le fleuve ne peut couler divorcé de sa source
Il ne fait pas jour sans lumière
Et je ne sais marcher sans repos

Simple, simple. comme une marche d'escalier
Simple comme bonjour à l'ami croisé par hasard
Simple comme bonjour au premier rayon de l'aurore
entrevu par la paupière endormie
Simple comme bonsoir au vieillard

L'arbre ne vit pas sans nourriture
La source irrigue son entourage
Il n'y a pas d'âge pour être heureux
C'est qu'il m'arrive de pleurer

Simple, simple. comme un barreau d'échelle
Simple comme bonjour aux bras au loin tendus
Simple comme bonjour au chien qui se hisse
au dehors tout remué du retour
Simple comme bonsoir quand vient le soir

L'arbre mort fait de la flamme
Le torrent a creusé le rocher
La vie ne cesse de continuer
Et je cherche à gravir l'existence

Simple, simple. comme les bras d'une mère
Simple comme bonjour dès les lèvres du coeur
au cher de mes chers

Simple comme bonjour aux primevères nouvelles
Simple comme - je ne veux pas aller me coucher -
mais demain tôt, on part en voyage
Simple comme bonsoir

Odile ROUGÉ http://www.poesie.net/odile1.htm

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Hipermetropia, de José Mário Silva


Hipermetropia

Nas fotografias mais antigas
ainda uso óculos: memória
das lentes riscadas e paninhos
de flanela. Um dia as dioptrias
desapareceram («óptimo», disse
o oftalmologista) e fiquei a ver
melhor ao longe – mas não tão
longe que consiga alcançar, hoje,
o que via quando as hastes me
magoavam atrás das orelhas.

(José Mário Silva, Luz Indecisa, vai ser publicado em Abril na colecção de poesia da Oceanos)
Mais sobre o JMS, aqui