domingo, 30 de março de 2014

A hora H


O relógio apressou o tempo. Era preciso encontrar a "hora H".
Os números desorientados, perderam o norte.
Ponteiros confusos, giravam em sentido contrário. 
Em segundos, as horas disfarçaram-se em minutos e brincaram ao faz-de-conta. 
E neste contratempo desconexo, o tempo voou...
No rescaldo da desordem do mecanismo, o relógio aprendeu que o tempo não se apressa.
Que a tal hora desejada e nunca encontrada, não existe.
Que qualquer hora pode ser a "hora H", independentemente da ordem alfabética da vida.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Modelito dos Charanga

Directamente da "cooperativa agro-musical" dos Charanga, eis uma versão (muito melhor do que a música original) do tema - The Model - lançado em 1978 pelos alemães Kraftwerk.
O Modelito, assim se chama a versão portuguesa, é um dos temas incluído no álbum Borda Tu.
Não deixa de ser interessante o efeito final da gaita de foles... Para ouvir aqui.
Bom fim-de-semana!



quarta-feira, 26 de março de 2014

Alma de espanta-pardais

Voltei a cruzar-me com a história do Espanta-Pardais.
Um pouco diferente do texto publicado, aqui, em Maio de 2010, continuo a considerar esta história um hino à liberdade, à amizade e à imaginação.
No fundo, todos temos alma de espanta-pardais e todos queremos seguir caminho na tal Estrada-Larga...

                                                                              (imagem google)

     Espanta-Pardais era um boneco humilde que vivia no meio de uma seara.
     Tinhas dois grandes braços sempre abertos à espera que alguém os fechasse com amizade, um casaco cheio de remendinhos de todas as cores, um cachecol muito comprido e um chapéu preto com uma flor lá no alto.
     A única coisa que o Espanta-Pardais queria era poder caminhar na Estrada-Larga. Palavra que não desejava mais nada! E digam lá se ele não tinha razão: é tão triste uma pessoa nascer e morrer no mesmo sítio.
                                           Maria Rosa Colaço, Espanta-Pardais, Edições Vega, 2008

segunda-feira, 24 de março de 2014

Perder tempo

Perder tempo.
Perdemos tempo quando: adiamos, recuamos, ignoramos, paramos ou deixamos de lutar e de acreditar.
"Tempo é dinheiro"
Segundo uma certa filosofia, é. 
Subverteu-se a ordem e a harmonia quando alguém decidiu usar e abusar do tempo para servir os apologistas/defensores do maldito "Time is money". 
E nunca mais a nossa vida voltou a ser a mesma.

Até um dia destes. Boa semana.

terça-feira, 18 de março de 2014

Curtas

Contemplativa, a ave "pensa" se voa ou se fica.
Se fica, não voa. Se voa, parte para pouso incerto.
E quem parte, corre riscos ... O maior de todos, sem dúvida,
... viver. 

sábado, 15 de março de 2014

Abrigos...

Veio o vento. Veio o frio e a geada. Veio muita chuva e a planta "enfezada" continuava parada. Não crescia. Não se desenvolvia nada. 
Até que um dia para a proteger das agruras do Inverno, arranjei um garrafão para lhe servir de abrigo.

Então, podia fazer todo o vento e frio, cair toda a geada, e toda a chuva do Inverno e do mundo inteiro, que a planta "enfezada" - porém, protegida - continuava crescendo na sua redoma de plástico, sem que ninguém percebesse a razão de tão feia "fatiota". 
Mas eu percebia. Sabia que só desta maneira podia salvar este pé de "brinco-de-princesa".
Uma flor precisa de abrigos e de cuidados para que o vento, a geada, o frio ou a chuva em excesso, não a impeçam de crescer, de se tornar numa planta bonita e viçosa.
Uma flor é uma flor, mas podia ser um humano... Uma mulher (e porque não um homem?!), um idoso ou uma criança.
E quanto às "fatiotas" feias... Lembro que o exterior, por vezes, é o que menos importa. O importante é sempre a intenção, e essa, poucos a conseguem entender e aceitar.
Resto de bom descanso e bom Domingo.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Time Waits For No One, pelas "Pedras Rolantes"

Parece que o Tempo não espera por ninguém. E é.
Quem não o aproveitou, chapéu!... Aproveitasse.


[...]
And time waits for no one, and it won't wait for me
And time waits for no one, and it won't wait for me
Time can tear down a building or destroy a woman's face
Hours are like diamonds, don't let them waste
Time waits for no one, no favours has he
Time waits for no one, and he won't wait for me
Men, they build towers to their passing yes, to their fame everlasting

[...]

quinta-feira, 6 de março de 2014

A Ana Flor, de kurt Schwitters




                                                                                                             Kurt Schwitters, Seidenstrumpf (Silk Stocking), 1943

«Kurt Schwitters (1887 – 1948), artista plástico longo tempo esquecido, membro da vanguarda alemã de entre-guerras, embora não se encontrando incluido entre os fundadores do  movimento Dada em Berlim, participou no período de entre-guerras neste movimento ao lado dos protagonistas franceses Tristan Tzara e Hans Arp.
[...]
Em 1919 conheceu a fama enquanto artista plástico, e nesse mesmo ano publicou An Anna Blume – ou A Ana Flor como Jorge de Sena traduziu, a qual tradução escolhi para assinalar no blog o Dia da Mulher e assim dar alguma espécie de resposta aos visitantes, pois as pesquisas têm chovido nestes dias, em busca de poemas alusivos à mulher.»
(Informação retirada deste sítio. E aqui, para quem quiser ler o poema em alemão...)

A ANA FLOR

Ó tu, bem-amada dos meus vinte e sete sentidos, amo-te!
Tu teu tu a ti eu a ti tu a mim - Nós?
Isso (diga-se de passagem) não é daqui.
Quem és tu, inumerável fémea? Tu és – és tu? –
Há quem diga que deves ser – deixa-os dizer, os que não sabem como o campanário está de pé.
Trazes um chapéu nos teus pés e andas com as
mãos, com as mãos é que tu andas.
Olá roupas vermelhas e tuas, justas em pregas brancas. Vermelha te amo, Ana Flor, vermelha a ti amo – tu teu tu a ti eu a ti tu a mim - Nós?
Isto (diga-se de passagem) pertence ao fogo frio.
Vermelha flor, vermelha Ana Flor, que diz a gente?

Tema de concurso:      1. Ana Flor tem um passarinho.

2. Ana Flor é vermelha.

3. De que cor é o passarinho?
Azul é a cor do teu cabelo louro.
Vermelho é o arrulho do teu pássaro verde.
Tu, simples rapariga com o vestido de todos os dias, tu querida verde
criatura, amo-te – tu teu tu a ti eu a ti tu a mim –
Nós?
                                                           Kurt Schwitters

Para as da minha "espécie", com amizade. Votos para que o tal Dia 8 seja todos os dias.
Emoticon
 

quarta-feira, 5 de março de 2014

"Marie, tu pleures" - Karkwa

Do álbum "Os Caminhos de vidro" (Les Chemins de verre), apresento-vos um grupo canadiano formado em 1998, mais precisamente em Montréal.
Nada mal!


Marie, tu pleures
Marie tu pleures pour rien
Marie ton coeur revient

Marie tu peux sortir
T'as traversé le pire
Même s'il grêle au milieu de juillet
Même s'il tu mêles tes cheveux défaits

Marie les jours avancent
Marie l'amour balance
Même s'il grêle au milieu de juillet
Même si tu mêles tes cheveux défaits

Marie tu pleures pour rien, revient.

Après il fait soleil
Après il grêle
Après il neige
Après il fait soleil
Après il grêle
Après il neige
Après il fait soleil
Après il grêle..

segunda-feira, 3 de março de 2014

Hiroshima, Mon Amour

"Hiroshima, Meu Amor", é um dos filmes mais conhecidos do realizador francês recentemente falecido, Alain Resnais. A escritora Marguerite Duras escreveu o guião, e apesar da película ter estreado em 1959, só chegou a Portugal a 27 de Abril de 1974.
Realizador da "nouvelle vague", Resnais produziu ainda inúmeros documentários nas décadas de 50 e 60. Este, por exemplo, que, estranhamente, mais parece uma apologia poética ao plástico.