terça-feira, 30 de julho de 2013

De boleia para Angola com o macaco sem rabo

O macaco subiu então para cima do telhado e cantou:

"Do rabo fiz navalha,
da navalha fiz sardinha,
da sardinha fiz farinha,
da farinha fiz menina,
da menina fiz camisa,
da camisa fiz viola,
e eu vou para Angola".
.
Uma história que faz parte da infância de todos nós.  
O macaco do rabo cortado constava do meu livro da 1ª classe (1974) e lembro-me de o ter lido tantas vezes que, se não sabia a história de cor e salteada, pelo menos esta parte final eu sabia de certeza absoluta.
O macaco fez uma série de trapalhadas, ficou sem rabo e no final quis voltar para o seu habitat natural: Angola.
Compreendo perfeitamente o estouvado do macaco, e mais ainda, depois de ver e ouvir este vídeo. 
Quem não gostaria, agora, de lá estar ?!...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sentido figurado

                                 (Tempête dans un verre de menthe à l'eau, por Pascal Baudot)

Em sentido figurado

Bebeu palavras tuas sem conseguir matar a sua sede.
Fez uma tempestade num copo de água... Alguém disse que, depois da tempestade vem a bonança, mas nada fica como antes. Talvez... talvez, seja assim, às vezes. Nem sempre.
Talvez naquele copo... em vez de água, ficasse mágoa.
Mesmo em sentido figurado tudo faz sentido na mesma.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Será? Na Moldávia, traumatologistas operam crianças com berbequim e ...

Segundo a reportagem, foi uma rede social (de novo), a responsável pela denúncia pública de mais um acontecimento que, a bem dizer, pensamos sempre impossível ou surreal nos tempos que correm; sobretudo numa Europa onde parece cada vez mais evidente a existência de dois mundos: o dos ricos e o dos muito muito pobres.
Neste caso, a cadeia noticiosa Euronews Portugal pegou na informação veiculada na dita rede social e divulgou-a. Calhou ver, por mero acaso, no Youtube. Incrédula, ainda me questionei: Poderá isto ser verdade? Uma brincadeira? Ou uma estranha forma para chamar a atenção?

O caso passa-se na Moldávia num hospital para crianças. 
Os médicos traumatologistas são acusados de utilizarem indevidamente material "cirúrgico" nas operações. 
"Berbequins e outras ferramentas de construção", eis o material "cirúrgico"que supostamente é usado em cirurgias com crianças, num dos países mais pobres da Europa.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Moi j'dis putain c'est fabuleux!" C'est déjà lundi!

Depois da comunicação do Sr Presidente Aníbal Cavaco Silva ao país, senti uma necessidade inexplicável de me virar para outras músicas. Diferentes, alternativas; essencialmente mais agradáveis aos ouvidos.

Voilá! La Belle Bleue est un groupe de cinq jeunes musiciens français, dont je passe ce petit résumé, pris sur leur site internet.
http://www.labellebleue.org/index.php/qui.html

"L’enregistrement de leur deuxième album Morceaux de Papier en 2010, réalisé dans leur studio à domicile et auto-produit marque une évolution plus mûre associant chanson française écorchée, utilisation d’instruments traditionnels et insolites, et énergie rock métissée."

Excelente! 


Mr Jean

C'est un bon jour pour Monsieur Jean
Hier il a croisé l'amour
Lui qui broyait souvent du noir
Se noyait dans un jus de cauchemars
Maintenant il flirt avec la chance
Respire de grandes bouffées d'espoir
Elle s'appelle madame Clarence
Introduction d'une belle histoire.

Monsieur Jean adore la peche
Monsieur Jean aime la tendresse
Monsieur Jean a peur des gens
Monsieur Jean n'aime plus la messe
Il dit qu'ils sont tous vieux et tristes
Et que leurs chants sont malheureux
Lui qui adore le roots'n'roll
Et qui maintenant est amoureux
Monsieur Jean

Quelle belle journée pour dame Clarence
Hier elle a heurté l'amour
Un choc puissant et intense
C'est l'incendie des grands jours
Elle qui vit seule depuis 5ans
Après avoir frôler la mort
Quand le père de ses enfants
L'a jeté de son mirador
Dame Clarence adore la voile
Dame Clarence aime les thriller
Les grands ouvrages de Stendhale
La cote bretonne et la douceur
Du vent qui vient flatter ses joues
De l'eau qui inspire les jeux
Que ses enfants à genoux
Inventent l'été devant ses yeux
Dame Clarence

365 tours de Terre
365 jours de fetes
L'amour leur fait tourner la tête
Ils ont la passion du manège
Y a des fous rires dans leurs cheveux
Et des frisettes au fond d'leurs yeux
Bientôt au doigt un cercle d'or
Et dans 9mois un nouveau trésor

Monsieur Jean adore la voile
Dame Clarence adore la pêche
Monsieur Jean craint plus les gens
Dame Clarence n'est que tendresse
Elle dit qu'ils mourront amoureux
Il dit qu'ils ne s'ront jamais vieux
Moi j'dis putain c'est fabuleux!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Do It Again

Este espaço virtual mais parece às vezes, um memorial vintage a não sei muito bem o quê. 
Talvez a música que se segue, confirme um pouco esta minha tendência, apesar de eu não pertencer à geração hippie.
Do ano 1972 para a actualidade, eis que os norte-americanos Steely Dan tiveram a feliz ideia de reaparecer, já velhotes e tal, para uma tournée pelas Américas. 
Diz a fonte informativa que o tour poderá terminar com a gravação de um novo cd (informação veiculada pela revista da especialidade - Rolling Stone).
Isto de ressuscitar boas memórias e sonoridades do passado é sempre bem-vindo.
Portanto, Do It Again and have a nice weekend.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Chama-se Sara Alhinho e é filha da Teté. Conheceis?

                                                               (Sara Alhinho - Foto retirada do Google)

"Sara Alhinho (c/link) desde muito pequena esteve ligada à arte. Pertenceu à escola Pentagrama onde se iniciou no canto e na flauta. Participou diversas vezes no festival dos pequenos cantores de Cabo Verde e representou o país no Festival Infantil da Figueira da Foz. Aos 8 anos participou com a mãe Tété Alhinho na gravação de um CD intitulado Menino das lhas produzido pelo Paulino Vieira..."
(A restante informação encontra-se neste sítio)

Não duvido que o talento e a beleza desta rapariga chegarão longe. É merecido!


quarta-feira, 17 de julho de 2013

O meu amigo levou consigo, para a última morada, um maço de Gitanes

Aquilo que cada um de nós gostaria de levar para a cova quando morrer, é do foro intímo e pessoal, forçosamente comunicado atempadamente (como convém) a alguém da nossa confiança.
E para que o desejo do morto se concretize, espera-se que os vivos respeitem e cumpram  a sua vontade.
Desculpem. Prefiro mil vezes falar-vos da vida em vez da morte, que a morte é coisa certa, bem sei, mas triste. E se assim é, desejo que dê muitas curvas antes e que chegue com bastante tempo de atraso. A vida agradece este contratempo da morte!
Há quem não tenha medo de morrer. Há quem saiba que vai morrer. Há quem morra inesperadamente. Há quem considere a  morte, algo que só acontece aos outros. Há ainda quem lute contra a morte e se deixa vencer por ela.
A pessoa que foi hoje a enterrar no cemitério novo da minha aldeia, era um conhecido da família desde longa data. Tratava-nos, assim como tratava a morte, “Tu-cá, tu-lá”.
Sei por isso, que não levará a mal esta mensagem.
 
A certa altura do funeral, eu bem vi um pacote de cigarros igual a este passar de mão em mão.


Não percebi. Houve alguma movimentação. Alguém dizia “já lá tá dentro?!”. E eu continuava sem perceber.
Até que percebi.
O maço de Gitanes, trazido, presumo, directamente de França, era para lançar à terra, em cima da urna. 

Nada de mãos cheias de terra. Nada de flores em cima dele. Rien que les adorables Gitanes
Apesar da tristeza própria do momento, a filha, a viúva e eu esboçamos um ténue sorriso. Ele queria assim, disse a mulher.
Acredito que sim. Mas que homem aquele! Foi sempre uma das suas grandes paixões… o cigarro!

P.S. Escusado será dizer qual foi a causa da morte...

sábado, 13 de julho de 2013

Um recorde em matéria de congelação

«A polícia chinesa descobriu uma rede de venda de partes de frango - principalmente de pernas - mal armazenadas e algumas delas fora do prazo há 46 anos, informou hoje a imprensa local»
 China: Polícia apanha à venda toneladas de frango cujo prazo acabou há 46 anos - Internacional - Sol

Se foi há 46 anos não há que enganar. As pernas de frango foram conservadas em 1966/1967. Tantos anos quantos os meus anos de existência. É obra!!! Mas é sobretudo nojento!!!!
Smiley
Estes chineses são do piorio...  Já agora, com ou sem frango, tenham um excelente fim-de-semana!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Continuando a saga da reposição de algumas publicações

Leio, releio e até corrijo. De repente deparo-me com esta pergunta: "como foi possível eu ter escrito isto?!"
Deve ser normal pensar assim, não deve?
 

O risco do verbo arriscar

Arriscar Tem a Ver com Confiança Arriscar tem a ver com confiança. Uma pessoa sem confiança vai tentar repetir, fazer igual aos outros, não cometer erros, que é uma ideia muito valorizada. Mas o erro está ligado à descoberta. É fundamental não ter medo nenhum do erro. O que é o erro? Eu tinha previsto ir numa determinada direcção e não fui, errei. O erro é encontrar alguma coisa, algo que se cruza com o novo, o criativo.

Gonçalo M. Tavares, in "Entrevista a Mil Folhas (Público), em 8 Janeiro 2005"

SMS

SMS  

Ela caminha já a tarde vai alta pelo passeio que segue paralelo ao mar, por cima das praias. Em baixo, a areia estende-se vazia até à água, acabando numa espuma branca, das ondas que rebentam com o fragor dos dias de Inverno. Vai sozinha. Cruza-se com jovens a passo de corrida, outros que deslizam em patins, um casal com o filho pequeno feliz na sua bicicleta de rodinhas, acompanhado por um cãozinho saltitante que corre para a frente e para trás em redor dele.
Leva na mão o telemóvel e nos olhos castanhos brilhantes uma esperança. Vai pensativa e sem horas, caminhando sem pressa, reparando nas pessoas, no mar desabrido que se atira à praia, no ar fresco que respira, no vento que se levanta com uma promessa de tempestade. Cruza o casaco grosso, azul-escuro, à frente do peito, sem apertar os botões. Cruza os braços. Uma folha de jornal passa por ela a esvoaçar, notícias antigas, pensa divertida, logo se concentrando no navio de carga iluminado que vem de Lisboa e ruma ao mar aberto com o vagar de quem tem um destino certo num dia certo.

Acaba por apertar os botões do casaco e levantar a gola para se sentir mais protegida do vento, que agora traz os primeiros pingos de uma chuva anunciada. Enfia as mãos nos bolsos, mas a direita mantém-se fechada em volta do telemóvel. Os seus cabelos curtos, uma feliz confusão de caracóis castanho-escuro começam a molhar-se, mas ela não se apressa, porque gosta da chuva. Enquanto as outras pessoas correm para se abrigar, ela mantém-se no seu passo, tranquila, em direcção a um café com paredes de vidro, mesmo ali à frente.
Escolhe uma mesa, senta-se, pede um chá ao empregado. Quando este o traz, aquece as mãos em concha à volta da chávena. E, nesse entretanto, vem-lhe à cabeça uma música que náo entoa, mas escuta só de memória, o som de uma caixa de música. Dá por ela a formar os versos nos lábios, sem som,

You could be happy, I hope you are
You made me happier than I'd been far.

A lembrança da música transporta-a para outro tempo, um tempo recente que está sempre a voltar, contra a sua vontade. Sacode-os da cabeça, a música, o tempo que já lá vai, pois não quer viver no passado. Olha para fora, através do vidro por onde escorrem fios de água. O temporal escureceu o dia. Dá um gole de chá, pousa a chávena, pega no telemóvel que, nesse preciso momento, anuncia com um toque a entrada da mensagem que esperava. Abre-a, lê,
       Jantamos hoje?
       O seu rosto ilumina-se com um sorriso bonito e responde com uma só palavra,
       Sim!

Tiago Rebelo, in " Breve História de Amor"

terça-feira, 9 de julho de 2013

It's too late

It's Too Late é uma canção sobre um amor que já era.
Pertence ao álbum Tapestry de 1971, mas continua a ser uma belíssima interpretação na voz de Carole King.

And it's too late baby, now it's too late  
Though we really did try to make it (We can't make it)  
Something inside has died and I can't hide it 
And I just can't fake it

(Pois... Acontece...)


 Versão ao vivo com James Taylor, aqui.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Je vais et je viens entre tes ... les touches du clavier

Andava este "passatempo" um tanto desleixado, quando alguém inconformado, começou a reclamar: "Está na hora. Faça qualquer coisa, que já é tempo de voltar!".
E o Rolex decidiu regressar para umas coisas escrevinhar.

Agora a sério. Deixo o meu agradecimento ao leitores que ainda continuaram a visitar este espaço e um pedido de desculpas pela mudança abrupta que ocorreu há uns meses atrás.
Consta que a ausência do pseudónimo "Relógio de Corda" gerou alguma confusão, havendo quem pensasse que o velho Rolex de corda teria embarcado para sempre na famosa máquina do tempo. E viajou sim, mas não aqui.
A pedido e por vontade própria, voltarão as "Sugestões de Leitura" (todas) e mais algumas publicações. Tudo a seu tempo, que isto de ver e reler mil e tantas mensagens é dose!
Outras (publicações) porém, continuarão encarceradas nas masmorras do castelo encantado do Tempo (Boa! Gostei desta, do castelo encantado...).
Boa semana de trabalho ou de férias, se for o caso.



domingo, 7 de julho de 2013

Uma aventura numa noite quente de Verão (mais uma!)

Em Tempos que já lá vão, este espaço viu publicadas algumas "aventuras" semelhantes  a esta. 
São apenas histórias nocturnas, horríveis, que geralmente acontecem num cenário dantesco chamado Verão, cujas personagens principais são as melgas e eu, eu e as melgas.
E se isto já me parece péssimo só com estas duas personagens, imaginem quando entram mais. 

Smiley

Overdose de calor origina noites mal dormidas, sonos atrasados e por conseguinte, umas ressacas do caraças nas horas seguintes.
Sem ar condicionado (uma invenção boa, sem dúvida, cujo efeito sobre as minhas vias respiratórias é incondicionalmente mau), há que recorrer à ancestral técnica do abre-janela e do corre-estores para baixo (uma rede mosqueira resolveria igualmente o problema, mas não havendo...) e a outros procedimentos à mão-de-semear. 
Abrem-se portas, liga-se, porventura, o veneno à electricidade (o que nem sempre resulta) e apagam-se luzes (sempre ouvi dizer que as melgas malditas eram atraídas pela luz). 
Posto isto, tenta-se dormir.

 Smiley

3:47
Acordo. Ouço o cocoricó de um galo!!!!!!!!!!!!!
"Eh pah Xiça! Mas qual é o estupor do galo que se põe a cantar a esta hora da madrugada?!??!?!?! Deve ser efeito deste calor..." - pensei eu, com vontade de fazer isto mesmo ao bicho.

Smiley

Mas o galo teve um rasgo de bom senso e resolveu calar-se. Adormeci de novo.

6:00
Finalmente uma melga! "Que bom! Já cá falava esta"!!!
Levanto-me. Espalho insecticida às cegas, na esperança que ela morresse depressa e me deixasse em paz. 
E deixou!

Smiley

8:00
Pensando que finalmente estava tudo calmo, ouço uma mosca ou algo da espécie, fazendo uma barulheira infernalmente irritante. Levanto-me pela segunda vez. 
Procuro de onde vem aquele barulho e nada! Mas aquele zzzzzzzzzzzzz continuava. 
Surpreendemente descubro a origem do mal: uma mosca, atordoada, zumbia como se não houvesse amanhã, do lado de fora do estore. 
Não cheguei a perceber se o insecto estava com vontade de entrar, se estava entalado ou se estava ali, mesmo numa de chatear também. 
Na realidade, não me interessava mesmo nada perceber o motivo de tanto zumbido.
Danada da vida com esta bicharada toda que fica, indiscutivelmente, "passada" com tanto calor, espalhei outra dose de insecticida.
Mesmo através dos buracos do estore, a mosca iria de certeza respirar alguma coisa...
Agonizou até às quinhentas que eu bem ouvi mas finalmente consegui dormir até ao meio-dia.
Verdade verdade, estava feita se fosse segunda-feira!     

"Histórias Desencontradas"


«Chegou exausto naquele fim de tarde. 
Deu voltas e mais às voltas, numa ansiedade sem explicação. Pegou num copo de água fresca, e da janela do 6º andar, fixou-se na avenida a transbordar de trânsito, tão natural àquela hora do dia. 
O vazio do pensamento imediatamente se encheu com a imagem daquele sorriso de "criança" crescida.  Como gostava dela! Como gostava da cor dos seus olhos, tão cheios de ingenuidade! Tão cheios de verdade! Tão cheios de tudo! Teria-os visto tão poucas vezes, mas o suficiente, e com tal intensidade que os conhecia de cor. Depois, havia aquela foto... Sempre dava para matar a saudade.
Naquela sexta-feira, sentia-se angustiado; um culpado sem culpa formada; um prisioneiro sem crime ou delito cometido. Inexplicavelmente sentia tudo e nada ao mesmo tempo. 
"Que espécie de homem era ele?" - pensou. Um fraco, um imbecil, um resignado, um submisso ou um louco?
E pela primeira vez sentiu a falta que ela lhe fazia...»

                                      In Histórias Desencontradas, Perpétua Perez    

quinta-feira, 4 de julho de 2013

De volta às voltas do tempo

De volta às voltas do tempo.
Volta o Relógio, com ou sem Corda, sob a forma de uma Flor silvestre amarela. Volta porque sim, porque Relógio era assim, como que... um "nome" engraçado!
E assim, matam-se as saudades que um nome inventado deixou.

Paulinho Moska e Céu, em 10 contados.

 Mandei uma mensagem a jato às entidades do tempo
Já me foi verificado que nem mesmo haverá segundos
Que os minutos foram reavaliados e que pra cada suspiro serão 10 contados

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O barco vai de saída

No último dia de aulas pedi que me fizessem um desenho. O tema era livre; de preferência uma obra de arte que servisse para mais tarde recordar.
Sol, calor, férias... tudo faz lembrar a praia ou o descanso num pacato areal, sem bolas ou coisas do género sobrevoando as nossas cabeças.
Olho para este desenho. E não é que me fez lembrar uma certa situação que está a acontecer neste país, agora?!
Mas atenção! Nada de confusões! Aqueles que embarcaram no navio da minha Maria são uns queridos e eu gosto muito deles.
Já outros...


terça-feira, 2 de julho de 2013

«Quanto tempo tem a vida ainda para mim?...»

Ontem falou-se muito sobre uma certa carta que não tem, nem de longe nem de perto, nada a ver com o excerto que a seguir se transcreve; uma carta, certamente, bem mais bela e profunda do que qualquer carta de ministro demissionário.
Fernando Pessoa escreveu um dia, todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Será mesmo assim?...

Significados para ridículo, segundo o sítio pt.wiktionary.org:
  1. digno de riso, de escárnio
  2. de pouco valor; insignificante

«Quanto tempo tem a vida ainda para mim? E pensar que nunca mais estarás. É difícil. Nunca mais. É mesmo incompreensível e só ao fim de muitos anos é que se irá entendendo. E à medida que se entende fica a mágoa que se aceita. A tristeza apaziguada no cansaço e num certo retorno mental (...) Estou a ouvir a tua palavra oblíqua -  que tolice. E todavia, vê tu, estou a ponto de construir no meu nada de tudo uma ideia de redenção com a memória de ti para esse nada que é meu. Está uma tarde sufocante, vou deixar que ela se cumpra na sua fadiga e o sol se apague na noite.
Voltarei a escrever-te - voltarei?»
                                                                                   Paulo 

 Vergílio Ferreira, in CARTAS A SANDRA

(um livro disponível aqui)