domingo, 28 de abril de 2013

"Ce que le jour doit à la nuit" (o filme)

"Ce que le jour doit à la nuit", Éditions Julliard, 2008, é um romance da autoria de Yasmina Khadra (pseudónimo do escritor argelino Mohammed Moulessehoul).
Passou da literatura para o cinema (2012) pela mão do realizador Alexandre Arcady mas diz quem conhece, que o livro é muito melhor (é sempre assim...).
A acção do filme desenrola-se no período de 1930 a 1962, época em que decorrem os conflitos que conduziriam à  indepedência da Argélia.
Jonas e Émilie são os personagens principais...

«Celui qui passe à côté de la plus belle histoire de sa vie n'aura que lâge de ses regrets et tous les soupirs du monde ne sauraient bercer son âme...»    
                                                                    Yasmina Khadra


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sobre amizade

 
Se chove.... O céu está cheio de nuvens. É normal.
Se me atraso... Não dei pelo tempo passar. É descuido.
Se não ando... Estou parado. É monotonia.
Se digo a verdade... Não estou a mentir. É lógico.
Se sou teu amigo... é porque existem tantas razões quantas as nuvens que existem num céu nublado, os segundos de um dia ou os passos que avançam para a verdade de toda e qualquer amizade. 
Informal, natural, sem palavras ou gestos planeados, pensados, escolhidos... Eis a verdadeira essência da amizade.
Bom fim-de-semana.




quarta-feira, 24 de abril de 2013

A minha homenagem ao 25 de Abril


Era uma vez um país pobre.
- Pobre ou podre? - perguntou o menino.
Era um pobre país podre que todas as noites se deitava sobre um mar de lágrimas chamado oceano.
Chorava em segredo, baixinho para os seus cidadãos não perceberem o quanto estava triste.
- E esse pobre país podre era triste porquê? - quis saber o menino.

Era uma vez umas pessoas que mandavam nesse país e depois noutro e noutro... Ao mesmo tempo que mandavam, tiravam... saqueavam...
- saqueavam ou "sacaneavam"? - perguntou novamente o menino.
As duas coisas. Como eram muito poderosas, ninguém conseguia ver-se livre delas.

Os meninos como tu cresceram, fartos de ver o seu país sempre triste, debruçado todas as noites sobre o mar de lágrimas chamado oceano.
Nesse lugar, os meninos fizeram-se homens ouvindo sempre as mesmas palavras: austeridade, pobreza, desemprego, crise, injustiça, corrupção e muitas mais. Já ninguém aguentava.
Foi então que ouviram a história sobre uma tal flor vermelha...
Poucos sabiam que essa flor se chamava cravo e menos ainda, os que conheciam o seu simbolismo.
Outros ouviram a história contada pelos seus antepassados que, aos poucos, foi passando de boca em boca, fazendo renascer de novo a esperança.
Plantaram-se cravos por toda a parte. O pobre país podre começou a ficar menos triste e encheu-se de coragem porque, já ninguém queria viver numa Nação que chorava todas as noites sobre um mar de lágrimas chamado oceano. 
Uniram-se, colheram os cravos e espalharam-nos por todo o lado.
E foi assim que começaram a honrar a memória dos seus antepassados...
(FF)
Votos de bom feriado!

domingo, 21 de abril de 2013

Por que mudou "Quanto tempo tem o tempo?" e o que mudou...

Foram, ou melhor, são algumas, as pessoas que me têm abordado pessoalmente e virtualmente sobre as alterações efectuadas neste blogue. Que estava melhor antes, que se perderam mensagens interessantes e pertinentes, que era notório um outro espírito, etc, etc.

Reservo-me o direito de não comentar a razão ou as razões para as alterações ocorridas aqui. Ocorreram e ponto final.
Lamento, no entanto, o desalento que este "apagão" e esta alteração possa ter provocado.
A vida, mesmo a de um blogue está sujeita a mudanças, por mais aborrecido que isso possa ser ou parecer aos "habitués" desta (s) "coisa(s)".
Quem anda nestas lides da blogosfera, sobretudo quem está do lado de fora, sabe que um blogue, em alguns casos, acaba por ser um pouco o reflexo da personalidade da pessoa que o administra. O "Relogio" deu "Corda" ao longo de quase quatro anos mas como compreenderão, os administradores dos blogues são pessoas e nunca máquinas, apesar dos pseudónimos.
Em boa verdade, caros amigos e leitores, o que mudou apenas foi a capa de apresentação deste espaço. A administradora continua a mesma pessoa e a sua forma de estar nesta "arte" do "escrevinhar"  não sofrerá alterações, penso.
Todo o conteúdo destes quatros anos de "Quantotempotemotempo" mantém-se intacto algures no blogger. Para ser mais precisa, todas as mensagens foram revertidas para rascunho.
Porém, por uma questão de princípio e de coerência, esse conteúdo não voltará mais a ver a luz do dia.
Virou-se uma página... no tempo, e não só.

sábado, 20 de abril de 2013

A oliveira

A minha oliveira já está assim.


Alguns amigos e leitores conhecem-na do outro "tempo". Recordando um pouco a sua história: nasceu do caroço de uma azeitona lançado ao acaso num vaso de rua.
Germinou. Cresceu. Ficou da altura de um dedo e depois de uma mão...
Um dia, resolvi dar-lhe espaço para crescer. 
Nem chuva, nem vento, nem frio, nem calor, nada pára esta árvore que está cheia de folhinhas novas e já mede 1,40 m de altura. 
É bonito acompanharmos o crescimento, seja de uma árvore, seja de qualquer outra coisa.

Bom sábado e até para a semana. 

domingo, 14 de abril de 2013

Eis a "minha" história

Esquecendo, como devem estar recordados de outros "Tempos", a parte da ilustração - essa nobre arte na qual me considero uma nulidade - eis a história contada há uns dias aos petizes que vão apreciando quão bonito e importante é a aprendizagem das palavras.
Como já conheciam a letra h, o resto veio naturalmente.


                                       Letra H procura amigos
                                                          (introdução ao estudo dos dígrafos ch/nh/lh)

     O h era a letra mais solitária do alfabeto. Ignorado pelas outras, andava sempre triste.
Não tinha amigos para brincar, pois era uma letra muda. Nasceu assim... Muda, significa que não consegue produzir nenhum som e para uma letra, o som é muito importante.
     Desde cedo que os pais do h - a letra K e a letra I - tudo fizeram para resolver a tristeza do "filho". 
Percorreram meio mundo, consultando sábios, estudiosos, autores de enciclopédias e  escritores de livros com muitas páginas. Tudo em vão. 
Nunca conseguiram encontrar ninguém que lhes explicasse o verdadeiro "problema" do h...
- Insista novamente com as outras letras... - aconselhou o autor do dicionário mais caro do mundo.

    Numa bonita tarde, em que o sol convidava para a brincadeira, o h tentou outra vez fazer amigos.
Bateu à porta de todas as letras do alfabeto. 
Começou pelas vogais, mas as vogais tinham fama de reguilas. Eram muito activas e estavam sempre, mas sempre, metidas em tudo o que era palavra. Dizem até, que não há palavra no mundo sem uma vogal. E eu acredito que seja verdade!
Desiludido, regressou a casa.
Voltaria no dia seguinte à aldeia do Alfabeto para tentar a sua sorte com as letras que não tivera tempo de abordar, e que a bem dizer, eram as consoantes todas! A jornada avizinhava-se comprida, mas era preciso resistir.
Bateu à porta do c, que logo lhe abriu a boCa com um sorriso enorme. Deram as mãos e formaram uma dupla inseparável - o ch.
Depois correram à procura do n. 
O n andava sempre sisudo. Ficou assim desde que o m lhe arrancou uma perna numa brincadeira de letras. Porém, pensou que talvez estivesse na altura de mudar e aceitou a amizade do h.
Foi remédio santo. O n tornou-se mais risonho e juntamente com o h formaram outra dupla de peso: o nh!
Mas faltava uma letra... 
Era a letra mais luxuosa do alfabeto. Só se dava com o p, o t, e mais umas quantas letras finas. Achou que podia brilhar junto do h... E brilhou mesmo! O l e o h formaram a terceira dupla inseparável, formando o lh. 
C, N, L e H tornaram-se amigas inseparáveis até aos dias de hoje e tenho a certeza que o serão para todo o sempre.
     O h percebeu finalmente que, sozinho ou acompanhado, mudo ou não, é uma letra tão importante como as outras. 
Percebeu que sem ele as pessoas não conseguiriam escrever carinho, que é como uma chave que entra no coração e torna brilhantes os olhos de todas as pessoas da terra.
                                        FIM   

(Boa semana para todos. Volto na próxima)

sábado, 13 de abril de 2013

Blog With No Name

Foram 1131 mensagens que deixaram de estar visíveis. 
Esqueçam a contagem do tempo, esqueçam o "Relógio", com ou sem "Corda", esqueçam tudo. A partir de agora, será assim.
"Quantotempotemotempo" continua acessível no motor de pesquisa do google. Apesar do nome de capa deste espaço ser outro, é o anterior que prevalece (pormenores técnicos, os quais me recuso por ora alterar).
Horse with no name para começar. Porque sim, porque é assim, porque sempre gostei deste cavalo sem nome.
Aproveitem o sol. Bom fim-de-semana!

"You see I've been through the desert on a horse with no name
It felt good to bo out of the rain
In the desert you can't remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain"

 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Aquelas merdices que nos dão voltas na cabeça, que nos consomem, não têm qualquer valor" por José Luis Peixoto

Esta é a estrada, nós somos os condutores
  por José Luis Peixoto, Visão 14/03/2013

«Aquelas merdices que nos dão voltas na cabeça, que nos consomem, não têm qualquer valor. Haveremos de arrepender-nos de cada uma dela»  

                  
"Um dos pneus da frente derrapou alguns centímetros. Quando tentei corrigir a direção, o carro transformou-se numa matéria mais mole. A serpentear, só voltou a ser de metal quando chocou com o separador. Pronto, já não havia nada a fazer. Aquela tarde tinha mudado para sempre. A lateral raspou durante muito tempo no separador de cimento, mas não foi aí que o carro parou. A seguir, virou-se para o outro lado e chocou com a traseira de um automóvel que seguia à direita, na faixa do meio. A estrada tinha três faixas. Creio que ainda vi esse automóvel a afastar-se, mas não estou certo. Deixei de ver com clareza, o meu carro girava sobre si próprio. Atravessei toda a estrada a deslizar. Esse momento foi rápido porque não chegou para reparar em muita coisa, mas também foi longo porque chegou para pensar. Então, o carro chocou com o separador da berma e ainda voltou para o meio da estrada, onde se imobilizou.
Durante um ou dois segundos, esperei que algum carro desgovernado pudesse chocar contra mim.
Desde ontem, contei esta história várias vezes. Contei-a à minha mãe, aos meus filhos e a um polícia mais novo do que eu, que me tratava por senhor José. No papel do seguro, desenhei esta história com dois quadradinhos a serem o veículo A e o veículo B. Tentei reconstruí-la muitas vezes na minha cabeça.
Ainda não tinha saído do carro, ainda não sabia o que fazer e comecei a ouvir os gritos de uma senhora. O limpa-para-brisas balançava para um lado e para outro.
Enquanto deslizava na estrada, sem nada que pudesse fazer parar o carro, às voltas, antecipei que o para-brisas iria rebentar, pareceu-me que alguma coisa poderia atirar-se de encontro ao para-brisas. Ao mesmo tempo, também senti que algum pedaço de chapa podia facilmente lançar-se na minha direção e atravessar-me o peito.
Completamente amolgada, a porta custou a abrir. Afinal, a senhora só queria acalmar-se e perguntar-me se estava bem. Havia várias pessoas a rodearem-me. Eu acreditava que toda essa gente eram ocupantes de carros envolvidos no acidente. Nesse momento, eu não sabia se havia feridos ou mortos. Aquele era o tipo de acidente onde podia haver mortos.
Estavam vários carros desarrumados na estrada. Todas as pessoas precisavam de falar, precisavam de expulsar alguma coisa de dentro de si. Sem conseguir dizer frases completas, apercebi-me de que toda a gente estava bem e que só tinha acertado num carro. Aos poucos, apercebi-me também que um grupo aleatório de portugueses são muito melhores, muito mais prestáveis, simpáticos, cívicos e cordiais do que, à partida, poderia ter imaginado. Toda a gente quis ajudar, confortar. Várias pessoas deixaram contactos para o caso de serem necessárias testemunhas e houve um senhor que esteve uns bons dez minutos a tentar abrandar o trânsito para impedir que alguém esbarrasse nos carros acidentados. O condutor do outro carro ia na sua vida e, de repente, foi abalroado. Teria todo o direito a zangar-se com o destino e, no entanto, parecia entendê-lo e preocupava-se mais em resolver o assunto.
Ainda na estrada, à espera da polícia e do reboque, telefonei para os lugares onde me esperavam nessa tarde. Logo no primeiro, uma voz entediada, pouco interessada em detalhes e em desculpas, muito mais interessada em saber quando poderíamos agendar outra hora, porque estava atrasada para qualquer coisa. Essa voz não tinha entendido nada.
Somos uma folha de papel, somos um sopro.
Aquelas merdices que nos dão voltas na cabeça, que nos consomem, não têm qualquer valor. Haveremos de arrepender-nos de cada uma delas. A derrapagem de um pneu na estrada ou qualquer outro acaso banal irá abrir-nos os olhos para uma realidade maior. Então, iremos surpreender-nos com aquilo que, afinal, sempre soubemos que iria ser assim. Já lemos em livros, vimos em filmes, ouvimos em canções, fomos avisados mil vezes e, no entanto, precisamos que aconteça mesmo.
E irá acontecer. Mesmo. Já vem na nossa direção. Quando esse instante chegar, haverá verdades que se tornarão únicas e talvez nos admiremos por termos sido capazes de as ignorar com tanta força."