segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um pianista tão diferente quanto talentoso

Ser diferente é também sinónimo de ser talentoso.
Michel Petrucciani por influência paterna, foi um pianista francês de jazz. Escrevo "foi" porque na realidade, Michel morreu em 1999 com 36 anos de idade.
Petrucciani era portador de uma patologia congénita e rara que afecta os ossos - osteogénese imperfeita, (com link) - vulgarmente conhecida pela doença dos ossos de vidro.
Curvo-me perante tão admirável artista.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Canção do tempo - Ary dos Santos

É bem bonito este poema do José Carlos Ary dos Santos sobre o tempo, musicado e interpretado pela belíssima voz de Fernando Tordo.

Bom fim-de-semana.



Canção do tempo

Para um tempo que fica
Doendo por dentro
E passa por fora
Para o tempo do vento
Que é o contratempo
Da nossa demora
Passam dias e noites
Os meses...os anos
O segundo e a hora
E ao tempo presente
É que a gente pergunta
E agora...e agora

Tempo
Para pensar cada momento deste tempo
Que cada dia é mais profundo e é mais tempo
Para inventarmos outro tempo menos lento
Tempo
Dos nossos filhos aprenderem com mais tempo
A rapidez que apanha sempre o pensamento
Para nascer, para viver, para existir
E nunca mais verem o tempo fugir

Ai...o tempo constante
Que a cada instante
Nos passa por fora
Este tempo candente
Que é como um cometa
Com laivos de aurora
É o tempo de hoje
É o tempo de ontem
É o tempo de outrora
Mas o tempo da gente
É o tempo presente
É agora...é agora

Tempo
Para agarrar cada momento deste tempo
E terminar em absoluto ao mesmo tempo
Em temporal como os ponteiros do minuto
Tempo
Para o relógio bater certo com a vida
Que um homem bom que um homem sao que um homem forte
Que não chegava a conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte

Ary dos Santos

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"Hoje venho falar-te do tempo"


Hoje venho falar-te do tempo (Carlos Corga)

Hoje venho falar-te do tempo
Não, não é do tempo que faz
Não é do sol ou da chuva do vento ou do frio.

Hoje venho falar-te do tempo que passa.
Sim, do tempo de ontem
Que é já hoje e logo e amanhã.
Daquele tempo que finge mais do que o poeta
Porque finge que não passa
Mas afinal sempre passa
Do tempo que traz a marca de cada um de nós
Que está em todas as coisas
Do tempo que é a máscara de todos os sonhos
Que é o poeta de cada momento
Que já foi menino
Que brincou pulou correu
E num instante é o nada
Hoje venho falar-te do tempo
Para dizer que não olhes para trás
Porque esse tempo passou
Que tens de olhar para a frente
E viver o momento do tempo que é teu

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Where are we now?

David Robert Jones, conhecido pelo nome artístico de David Bowie está de parabéns. O "camaleão do rock" faz 66 anos hoje. São muitos anos de música e 66 anos igualmente bem conservados!
Uma idade redondinha como esta merece um feito importante. Talvez por isso, neste dia, ficámos a conhecer um dos seus mais recentes trabalhos musicais.

Where are we now? The moment you know ... you know, you know...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O amor segundo Miguel Esteves Cardoso

Ainda no embalo do recém-nascido 2013 e das coisas boas que todos desejamos uns aos outros: saúde, paz, emprego, felicidade... e amor, detenho-me neste último, a propósito de mais uma crónica de M.E.C. 
Miguel Esteves Cardoso aborda os mais variados temas como só ele sabe. Directo, simples, sarcástico q.b., é por isso que eu gosto de ler os seus textos.
Este, sobre o Amor e a Vida fez-me pensar e rir ao mesmo tempo... "há coisas que não são para se perceberem"... (Não mesmo?!?! Mau!...) 
Smiley
"Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores" (Gritaria?! Facada?! Mas que maluqueira vem a ser esta? Romance, flores, abraços e alguma maluquice, sim... o resto dispensamos)
 
Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira  
Miguel Esteves Cardoso

«Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.»

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ecos do dia 1 do 1 de 2013

Consegui pela primeira vez (vá lá... mentira... segunda talvez) abrir uma garrafa de vinho sem estragar a rolha. Tirando este feito, o que para mim é extraordinário, outros feitos fizeram o dia ou as primeiras horas do novo ano.

A registar:
O primeiro bebé do ano (uma menina) nasceu no Porto não sei quantos segundos após a meia-noite (nunca percebi bem a lógica destas notícias repetidamente em cada ano que passa), mas o que me deixou mesmo "preocupada" foi o facto de não terem ocorrido nascimentos nas últimas horas de 2012 na Maternidade Alfredo da Costa (fonte - www.jn.pt). 

Paulo Macedo, o "nosso" "simpatiquíssimo" Ministro da Saúde está (finalmente!??!) "preocupado" com a saúde dos portugueses, mas só de alguns! Pôr a malta fumadora a pão e água no que respeita ao vício, é uma das suas boas intenções. 
E falando em vícios... nem todos recebem tratamento igual do Estado. Ora vejamos. 
Soube-se ontem que o mesmo Estado, que até quer reduzir o consumo do tabaco nos portugueseses, abriu os cordões à bolsa para ajudar os viciados do dinheiro; os da banca.
E não foi com uma simples injeção não senhor! Uma injeção de capital no valor de 700 milhões para recapitalizar mais um banco (Banif, neste caso) é muito mais do que uma injeção de cavalo! Se é!
Sabemos como é o poder político e este vício maldito de injectar milhões nos cofres dos banqueiros. Mas isto tem que acabar!!!!
E a revolta é tanto maior quando sabemos que injeções deste calibre se fazem à custa do dinheiro que subtraem dos ordenados e das pensões de milhares de portugueses. Sem esquecer ainda, que o dinheiro que segue para os cofres destes senhores (para fazerem não se sabe muito bem o quê com o capital injectado), poderia servir para outros fins, socialmente mais dignos e humanos. 

Bem... nada como ir para o campo da ciência com notícias mais simpáticas. 
Termino, abordando a descoberta das últimas horas. 
O cérebro das libelinhas tem características parecidas aos dos humano!!!! Quem diria?!... Não sendo grandes, as libelinhas têm cérebros complexos; o que comprova a minha teoria (uma vez mais) de que o tamanho é sempre algo muito relativo (a notícia encontra-se aqui).Smiley

Siga a música para animar o começo de 2013 com Gabin, banda italiana de Acid Jazz.