segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fui ver o mar numa tarde de Inverno

Retomando os "Balanços" da mensagem anterior, um desejo cumpriu-se: ver o mar  pela última vez este ano. E se ele estava bravo!
S.Pedro de Moel e Praia das Paredes (praias do concelho da Marinha Grande e Alcobaça respectivamente) num fim de tarde, no dia 30 de Dezembro de 2012.

Um gato! A eterna atração... Logo debaixo do meu carro!


E o sol, tímido, foi-se aconchegando por entre as nuvens, até desaparecer. 
Do alto da falésia, o vento e o frio como que a sugerirem um recolher obrigatório. 


domingo, 30 de dezembro de 2012

Balanços...

Excluindo os balanços económicos...
Balanços (pessoais) são os prós e os contra ocorridos durante um determinado período de Tempo.
Em 2012 aconteceu-me isto e aquilo. Apeteceu-me desistir disto e daquilo. Fiquei indecisa... Senti remorsos por esta ou aquela situação. Houve momentos de alegria. Houve momentos de tristeza.
Não consumei actos simples e gratuitos, como ver o mar num dia de Outono ou Inverno.
Tive dias de aperto, com saudades de pessoas (algumas). Umas vezes matando as saudades com a ajuda do telefone ou do telemóvel. Outras vezes nem por isso.
Adiei sucessivamente reencontros com pessoas amigas com a desculpa da falta de Tempo (a maior parte foi mesmo por falta de tempo). Algumas eu vi a correr; outras há, que eu gostaria de ver mais e com mais tempo...
Mandei igualmente pessoas e coisas para lugares impróprios, e isso foi bom (ajudou a aliviar o stress). 
Umas vezes falei de menos, umas vezes felei de mais. Outros vezes foi o silêncio de ouro que imperou.
Nem sempre escrevi (aqui ou além) o que queria. Nem sempre escrevi o que sentia. Muitas vezes senti que não escreveria nada com jeito e por isso não escrevi.  
Fará isto tudo parte da "Human Nature"? Se calhar...
Se não nos virmos amanhã por aqui, ver-nos-emos em 2013.

 
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hoje foi o fim do m... meu tinteiro preto

21/12/2012 às 12h21

Fiquei uns minutos sentada, à espera para assistir ao anunciado fim do mundo, e nada! A oportunidade de nos vermos livres uns dos outros, afinal, não aconteceu. Que fiasco! Que desilusão! Vão ter de me aturar mais um tempito. Lamento.
Acabei por concluir que fim mesmo, só o do Outono e o do tinteiro preto da minha impressora que acabou há poucos minutos, em virtude da sobrecarga de trabalho destes últimos dias.
Um fim tão certeiro quanto a minha profecia; final do 1º período escolar e montes de coisas para imprimir. Era mesmo previsível que acabasse o raio da tinta.
Afinal eu é que estava certa: algo acabou hoje, e antes o tinteiro do que a vida humana de uma pessoa conhecida, por exemplo.
Com o fim do tinteiro da minha impressora e este anedótico fim do mundo posso eu bem. Já outros fins... preocupam-me bem mais. Esses, eu sei e vocês sabem... podem deixar marcas do caraças!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

"E viu a barba de chibo, pêra retorcida..." (cont)

Para completar mais um pouco o conto da mensagem anterior e satisfazer a curiosidade...

O diabo deu a mão ao menino Jesus que entretanto ficara pregado à pedra. Este, ao levantar-se, deu um encontrão no diabo que caiu desamparado no meio da lama. Quando se ergueu, já o menino ia longe. "o menino Jesus" voltou-se para trás e ainda viu, na noite escura, um clarão de raiva." 
Mais tarde, o diabo voltou a casa do menino Jesus disfarçado de Pai Natal, mas como era diabo (um pobre diabo!), pediu para brincar um bocadinho com a carrocinha (carroça), a prenda do S.José para o menino.
- Não tem vergonha de ser tão grande e querer brincar ainda?"- perguntou o menino Jesus. 
- Eu? Vergonha? - e o diabo ia rir-se, mas tornou a lembrar-se do fiasco do enxofre pelos intervalos do riso.

Brincaram, brincaram mas o menino Jesus precisava de uma prova em como aquele homem era um impostor.
E como é que ele descobriu que era um falso Pai Natal? Ora, através do método de sempre. O infalível teste das barbas!
"O menino Jesus levantou e viu a barba de chibo, pêra retorcida, que o diabo nunca pode tirar, como se está a ver. As barbas brancas, tão imaculadas, é claro que eram postiças."
Depois de lhe puxar as barbas e ficar com elas na mão, o menino Jesus gritou bem forte uma palavra mágica; o diabo deu um estoiro e saiu pela porta fora com muita muita força (mas a porta ficou inteirinha no mesmo sítio).
Só depois deste episódio é que surge o Pai Natal verdadeiro...

"Por tudo isto é que o Natal é pai e tem barbas branca, para se distinguir do outro, que traz brinquedos do inferno, brinquedos que, como os meninos também sabem, são feitos neste mundo, tal qual como os outros brinquedos."  
Jorge de Sena - Antigas e Novas Andanças do Demónio
                                           1944

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Natal? Mas que Natal é esse? - perguntou o diabo

Esta é a história que vos deixo. 
Dedico-a às pessoas crescidas com espírito de criança, independentemente do outro espírito, o natalício.  
Jorge de Sena escreveu e eu, Florbela (desta vez sem "Relogio e sem Corda), passo a transcrever um excerto, porque é diferente de todas as outras histórias de Natal que eu já li.
Desejo a todos um Santo e Feliz Natal.

  "Como toda a gente sabe, e os meninos melhor que ninguém, o Natal é uma coisa muito velha. O que nem toda a gente sabe é que , no princípio, ele não era pai; nem era velho, e não tinha, portanto, barbas brancas. Assim, quando o menino Jesus nasceu, já todos os meninos punham o sapato na chaminé.
     A única diferença era que a chamniné não tinha, como hoje, fogão de gás ou fogareiro. Depois, com o menino Jesus, veio outra diferença: também ele punha o sapatinho, que, por acaso, era uma sandália.
     Isso durou pouco tempo? Não, porque o menino Jesus só cresce e se faz homem quando os outros meninos crescem e julgam que se fazem homens. O que, e lá isso é verdade, não acontece a toda a gente, como os meninos terão muito tempo para ver. Mas isso é já outra história, que os meninos aprenderão, sem que ninguém lha conte.

     A que eu vou contar começa quando o menino Jesus ia fazer sete anos, idade que é muito importante, visto que são sete as maravilhas do mundo. O menino Jesus, como os outros meninos tinha vontade de crescer e não acreditava no Natal. Ele bem sabia quem punha os brinquedos na sandália (era a mãe), e, por não haver então lojas de brinquedos, e, mesmo que houvesse, não terem os pais do menino Jesus dinheiro para os comprar (os brinquedos já eram muito caros), ele bem vira S.José estar a fazer uma carrocinha, às escondidas. 
Por isso, naquela tardinha, sempre muito comprida, que há antes da noite de Natal, noite que, por sua vez, é a mais comprida do ano, o que lhe valeu ser ela a Noite de Natal; por isso, como ia dizendo, o menino Jesus que estava à espera de lhe darem a carroça, fingia que se não importava, fingia, até, não esperar coisa alguma. A tarde estava muito bonita (...) e é natural que estivesse: o Natal ia ser pai e, o que é muito mais, ganhar as suas barbas brancas. 
O céu fazia-se verde e amarelo e cor-de-rosa, que são as cores que as pessoas grandes não gostam de ver no céu (...). O menino Jesus, é claro, via-as melhor que ninguém. E, então, para disfarçar, começou a contar as nuvenzinhas soltas, que estavam todas paradas, muito quietas de propósito para ele contar - mal imaginavam o que lhes iam acontecer. (...)
O menino Jesus sentara-se numa pedra à beira do caminho, e com uma varinha (que não era de condão, pois só as fadas precisam desses objectos), fazia riscos na poeira (...). Ora, o menino Jesus, umas vezes olhava para o céu, outras olhava para o chão, e qualquer pessoa com dois dedos de testa perceberia que ele estava a desenhar as nuvens. 
Mas parece que estas coisas são muito difíceis de perceber, como os meninos sabem pelas perguntas parvas que muitas pessoas crescidas costumam fazer. 
     - Que estás tu para aí a riscar, pequeno?
     O menino Jesus voltou-se (quando nos fazem perguntas destas, a gente está sempre de costas), e viu um homem muito bem vestido que até parecia mentira. O menino não se deixou enganar, porque a pergunta estragara o fato do homem, e era como se estivesse todo rasgado e com a fralda de fora.
     - Estou a fazer riscos.
     - Isso vejo eu. Que riscos?
     - Só riscos.
     O homem mostrou uma cara muito má, e o menino Jesus foi pondo os pés a jeito, para o caso de ser preciso levantar-se de repente e fugir a correr.
     - Estás a armar em esperto, mas a mim não me enganas. 
     O menino Jesus, que estava farto de enganar imensa gente, riu-se, mas só por dentro, por causa da má cara do homem.
    - É mal fazer riscos? - perguntou.
    - Se é! Ora experimenta lá.
     O menino Jesus ficou desconfiado, e traçou um risco, um muito pequenino. E qual não foi o seu espanto ao ver a varinha ficar presa ao chão! Ver não viu, mas quis tirá-la e não pôde.
     Claro que, desta feita, quem se riu foi o homem. Ora é sabido que o diabo não se pode rir muito alto, porque lhe sai enxofre pelos intervalos do riso. E assim aconteceu. O menino Jesus sentiu o cheiro, viu o fumozinho a sair da boca do homem, era quase noite (anoitecera quase de repente), não passava ninguém na estrada, ele estava um bocado longe de casa, e, apesar de ser quem era, teve medo, um medo enorme, um medo ainda maior que o diabo.
     Estão a ver o menino Jesus nestes assados. Que faria qualquer menino? Evidentemente, não mostrava medo, o que é a melhor maneira de assarapantar o demónio. Foi o que ele fez. Fingiu que não queria a vara para nada (e queria porque era uma bela vara, muito direita), e disse:
     - Bem, são horas de voltar para casa.
     - Ah, sim? E porquê? - (o diabo a ver se ele caía).
     - Tenho lá o Natal à minha espera. 
     O diabo sentiu vontade de rir; mas, aflito com o fiasco do fumo pelos intervalos do riso, mordeu os lábios e perguntou:
     - O Natal? Mas que Natal é esse? 
     - Se calhar não sabe o que é! - exclamou o menino Jesus, e tentou levantar-se. Aí é que foram elas! Estava pregado à pedra, como a vara à lama! (...) Se ao menos passasse alguém! Mas qual! Nem vivalma, que o diabo não conta, não é gente. E como nessa altura ainda não havia santos por quem chamar, a Nossa Senhora estava em casa, e o menino Jesus, apesar de saber que era menino Jesus, não sabia que era filho de Deus, não havia salvação possível. Não havia!... Nisto, porque era um menino igual aos outros meninos, teve uma ideia luminosa." (...)
                 
Jorge de Sena - RAZÃO DE O PAI NATAL TER BARBAS BRANCAS -
in Antigas e Novas Andanças do Demónio, edições70.pt - 2006

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quanto tempo dura a tua cara?

Um título engraçado para um livro infantil que eu não conheço mas quero conhecer.
É também uma boa sugestão de leitura e um bom presente, numa época em que a generalidade das crianças só sabe pedir jogos para as consolas e afins.
Quanto tempo dura a tua cara? foi escrito por Maria Inês de Almeida e tem a chancela editorial da Gato na Lua.
(à venda aqui ou aqui)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Adiem o fim do mundo por favor!

E se de repente o seu espírito de Natal deixar de o ser para se tornar num espírito "apocalíptico", isso deve-se ao fim do mundo que, segundo rezam as profecias, está para acontecer no próximo dia 21/12. Esta reportagem mostra que já está em marcha a fuga de muitas pessoas em direcção à locadidade francesa de Bugarach, nos Pirinéus. 
Não se sabe bem por que razão, mas consta que este "fim do mundo" perdido nas montanhas é o lugar mais seguro para os crentes em profecias se protegerem do outro temível fim do mundo. Penso não me enganar muito se disser que este êxodo para locais desconhecidos é uma óptima campanha de marketing para promover o turismo lá do sítio. Nos tempos que correm é de aproveitar!
Como dizia a minha tia-avô "Relógio", pessoa temente a Deus e com um coração do tamanho do universo, "o mundo só acaba para quem morre". Eu acreditava nas suas palavras e acredito ainda hoje que seja assim. Se eu morrer amanhã (que o diabo seja cego, surdo e mudo!) o mundo acaba para mim, mas continuará para outros.
De qualquer modo, perante a crise social e económica com que muitos países desenvolvidos (ou não) se defrontam, acredito sim, que um fim do mundo agora, vinha mesmo a calhar. 
Com um "The End" para todos, ninguém se ficava a rir de ninguém. Seguramente não ficaria cá vivalma para contar a história; aliás, o fim da história do mundo! Não posso garantir que esteja certa, pois nunca presenciei nenhum e como sou um pouco incrédula nesta matéria, resta-me vir para aqui fazer deduções parvas.
Estou cheia de preocupações, cheia de trabalho, farta da porcaria que os governantes deste país têm feito ao longo de tantos anos. Mas por favor! Peço a quem de direito que esperem mais uns dias para o anunciado fim do mundo... É que no dia 21... o fim do mundo, já?!??!... Não me dá jeito nenhum!!!!
É que... ainda tenho coisas para fazer... coisas para escrever... pessoas de quem eu gosto que preciso de ver pela última vez... sorrisos para ver, dar e receber... ou seja, preciso de me despedir deste mundo!
Dá para adiar o fim do mundo do dia 21 para outro dia, outra semana ou outro mês? 
Fico à espera que alguém me responda.

Smiley 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois: sugestão de leitura

O que fazer quando, algures num local recôndito das nossas casas se descobre uma fotografia amarelecida pelo tempo?!
Tudo e mais alguma coisa, mas daí a imaginarmos que uma simples fotografia possa originar a escrita de um livro é, quando muito, algo invulgar. Foi porém, o que acabou por acontecer com esta Foto.

Desta fotografia, tirada em 1963 no campo de futebol da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, numa altura conturbada da vida político-social do país, constam os oitos autores deste livro.
A ditadura salazarista estava no seu auge.
As vivências individuais e a amizade colectiva que sempre os uniu, embora separados pelo tempo, seriam motivos suficientes para, anos mais tarde, proporcionar o reencontro destes oito amigos numa de "dar corda à memória"... E assim nasceu este livro. A Foto relata de forma realista e pessoal alguns episódios que marcariam para sempre a vida destas oito pessoas.
A travessia "a salto" para a Suiça, a clandestinidade, as perseguições pela PIDE, a prisão e tantos outros momentos... fazem parte desses episódios.
A Foto pode ser igualmente o retrato de um Portugal dos anos 60 e 70; um país caracterizado por um considerável atraso social e cultural; um país "cinzento" onde uma juventude destemida e cheia de ideais soube, de norte a sul, "dar o corpo ao manifesto" na luta por um país livre.
A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois, foi publicado em Maio de 2012 pela Âncora Editora e contou com a participação de Jaime Teixeira Mendes, Joaquim Letria, José Gomes de Pina, Mário Lino, Noémia de Aritztía, Paula Mourão, Raimundo Narciso e Teresa Tito de Morais.
Esta obra vale pelos seus testemunhos. Mostra à minha geração e a outras certamente, as dificuldades, as conquistas alcançadas e o longo caminho percorrido até hoje: o da luta pela liberdade, pela justiça e pela igualdade.  Está nas nossas mãos não deixarmos que estas conquistas retrocedam no tempo.  

Termino com este excerto:

[...] Já dentro do avião, ouvi chamarem-me, várias vezes, pelo altifalante. Fiquei calada sem me mexer. Entraram então de rompante dois agentes da PIDE aos gritos:« Retirem as malas dessa passageira, por precaução.» (como se  de uma terrível terrorista se tratasse...)
(...)
Permaneci na sede da PIDE durante dois dias consecutivos. As funcionárias que me vigiavam estavam sentadas numa cadeira à minha frente, só uma pequena secretária rectangular nos separava, e revezavam-se de quatro em quatro horas. Durante esse tempo, as guardas faziam renda ou liam um pequeno livro preto, talvez de notas, ou simplesmente estavam em silêncio.
Saíam quando o inspector da PIDE vinha fazer o interrogatório. 
Vencida pelo cansaço, por vezes parecia que ia dormitar, mas rapidamente acordava sobressaltada com um batimento forte na tampa da secretária. Não conseguia comer e elas ameaçavam que iriam «fazer como os gansos» e colocar-me um funil pela garganta abaixo. (...)
O inspector da PIDE que conduziu os interrogatórios foi Abílio Pires, já conhecido pelos seus métodos cruéis contra os presos políticos. 

A certa altura deu-me um safanão que me deitou da cadeira abaixo.» (...)

Teresa Tito de Morais in  A Foto - E o Reencontro Meio Século Depois (pág.255/257)

                             (Poderá adquirir este livro aqui)