sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Meu amor anda sempre de barco", por João Lóio

João Lóio (António João da Rocha Lóio) nasceu em Matosinhos no ano de 1953. É licenciado em medicina mas foi na música que encontrou a sua realização pessoal.
"Meu amor anda sempre de barco" faz parte do disco "Encontros" de 1997.
De volta ao silêncio por dois dias, sem toques de campainhas nem gritarias. Que bom ouvir isto!... 
Bom fim-de-semana.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Amor em Tempo de Escola

Há uns tempos dizia-se que o despontar da Primavera coincidia com o desabrochar de paixões.
Penso, é claro, no meio ao qual estou profissionalmente ligada: o ensino. 
Porém, a tradição já não é o que era. Qual Primavera, qual despontar, qual quê!!
Agora, a paixão desponta em qualquer estação do ano e até o frio pode aquecer os coraçõezinhos mais carentes das crianças.
Há três dias que se vive na sala de aula (e sobretudo fora dela), cenas de um amor não correspondido. 
Em causa estão dois alunos (de 9 anos). Uma menina e um menino.
Ele gosta dela mas ela não gosta dele. Ele não pára de olhar para ela; ela não pára de se queixar dos olhares incomodativos e furtivos que ele lhe lança a toda a hora.
Às duas por três, nos intervalos, ele não a larga e quer dar-lhe o famoso beijo roubado... Ela, por sua vez, não aprecia o gesto (ou a tentativa falhado do mesmo) e afasta-se. Diz que ele é «nojento» e afirma bem alto, que a deixe em paz porque ela não gosta dele.
"Entendam-se! E tu, ******, não sejas chatinho! Se a ****** diz que não gosta de ti, não insistas. Deves respeitar e aceitar os seus sentimentos" - diz a professora (sem saber se havia de rir ou não, com tanto queixume e amor desperdiçado).

Smiley 

Hoje, constatei que os meninos sentados do lado da janela queriam mudar de lugar... e a mesma desculpa de sempre: não vejo o quadro!  
Perante a minha recusa, um deles amuou e os olhos vidrados indiciavam uma choradeira na certa. Não chorou por vergonha, mas imagino a raiva que o meu "Joãozinho" deve ter sentido naquele momento, quando um "não" firme e sem "com paixão" saiu da boca da insensível professora.
Conclusão: os meninos preferem sempre as meninas mais giras e inteligentes.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Um povo de bem consigo não vive a dominar os outros", mas há quem não queira saber...


No Médio Oriente a matança continua. Os alvos (humanos) a abater pouco importam porque outros interesses se levantam. 
O HOMEM É SEM DÚVIDA O SER VIVO MAIS ESTÚPIDO À FACE DA TERRA! 
Questiono-me algumas vezes se a espécie humana merece a inteligência que a mãe natureza lhe deu... 
E como dizia um escritor que eu muito admiro: "um povo de bem consigo não vive a dominar os outros", mas há quem não queira saber disto para nada.
Enfim... Volto um dia destes.


 (Le Trio Joubran é formado por três irmãos palestinos. Mais informação aqui)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ela (final) - "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento"

ELA

     "Eu conhecera-a muitos anos antes, quando ela era uma adolescente. Mas ao reencontrá-la em Serpa naquela manhã vi uma desconhecida.
     Foi num dia de Junho e o calor abrasava as lajes da velha praça.
     Estávamos numa esplanada, tomando refrescos. No grupo, as conversas, cruzadas, incidiam sobre assuntos diferentes. Eu não as acompanhava. Estava concentrado nela.
   Os cabelos, aquecidos pelo sol alentejano, adquiriram um tom acobreado. Os olhos, enormes, irradiavam uma luminosidade húmida (...). Falava devagar, com um ritmo que lhe valorizava a voz que também me pareceu ser diferente de qualquer voz já escutada. E tudo o que dizia parecia-me profundo, inteligente.
    Reencontrei-a no dia seguinte, num almoço ruidoso na aldeia da sua família materna. E a minha atenção voltou a ser absorvida por ela.
     Lera livros meus e recordou deles personagens, interrogando-me sobre situações e comportamentos em que, como autor, não havia reflectido.
    Deu-me o e-mail para mantermos contacto permanente. Nas semanas seguintes recebi quase diariamente breves mensagens suas. Numa delas citava Proust, a propósito de personagens de grandes romances criadas pela imaginação mas que amamos como se fossem gente. Impressionou-me a sua capacidade para descer fundo no que em cada um de nós é quase incomunicável e registei também o seu domínio da palavra. Ana Catarina transmitia ideias e sentimentos com um estilo original [...].
      À inibição somava-se o temor do ridículo.
     Ela tinha 38 anos e eu ia completar 80. Uma jovem como Ana Catarina não podia sentir-se atraída por um velho como eu. Tomar uma grande afinidade intelectual e humana por um sentimento diferente seria uma atitude reveladora de que eu entrava em fase senil sem me dar conta disso [...]
    Passei a dormir menos. Sem insónias. Deitado, pensava nela durante horas. Um dia venci as muralhas da inibição e disse-lhe que a atracção complexa que exercia sobre mim era um sentimento muito próximo do amor, o que me assustava.
    Mas ela não se assustou. Respondeu que eu a fazia feliz e sugeriu que levantasse as barreiras ao   amor. [...]
     Em Agosto desse ano, 2005, viajei para o Brasil. Decidimos que no meu regresso iríamos passar um fim de semana alargado a Mérida (...). Redescobri ali a felicidade (...).
     Fechei numa gaveta do cérebro as elucubrações sobre o absurdo de romper todas as fronteiras que se interpunham entre mim e uma mulher jovem. Esqueci que tinha mais do dobro da sua idade [...]

     Hoje sei que Etna no Vendaval da Perestroika é um livro filho do amor. Não teria sido escrito se não houvesse encontrado a Caty numa manhã de Junho em Serpa. Quando eu envelhecia, pensando na contagem decrescente do tempo de vida útil, ela me sacudiu até às raízes, levando-me a redescobrir o amor em patamares que não imaginava existirem.
     Reencontrei pela sua mão a felicidade pessoal, meta perseguida pelo homem como fim supremo, esse estado de paz interior, de alegria pagã cultivado pelos epicuristas gregos e satanizado pela igreja de Jesus e muitas outras.
     Caty somente se desentende comigo quando o diálogo incide sobre a brevidade dessa felicidade. Porque na lógica da vida, ela continuará em breve sozinha o seu caminhar (...). A corrente da vida prosseguirá quando eu desaparecer. E de alguma maneira continuarei presente nos meus filhos e netos e em Caty".

         Serpa e Vila Nova de Gaia, Setembro de 2008

Miguel Urbano Rodrigues - Parte IV, pag, 211 a 216 In "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Ed.Calendário

Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Felicidade

SOBRE A FELICIDADE

     "A felicidade comum é o objectivo da sociedade.
     Tão profunda era essa convicção nos revolucionários franceses de 1973 que a transmitiram no artigo primeiro da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
     Perseguiam a utopia. Mas logo ficou claro que não havia uma resposta consensual para a pergunta o que é a felicidade?[...]
     Pascal foi categórico:"todos os homens tentam ser felizes(...) quaisquer que sejam os meios a que recorrem para isso".
    Não fui excepção. Não localizo o momento em que me interroguei pela primeira vez sobre a felicidade como objectivo. Mas, incapaz de a definir, persegui-a antes da idade da razão [...]
    Tive desde menino uma boa saúde apesar de doenças graves; a infância, no campo alentejano, fez-me descobrir um mundo mágico. Nunca fui atingido por estados depressivos e cedo principiei a tirar prazer de desafios em defesa da dignidade. Tive a oportunidade de conhecer dezenas de países em viagens de trabalho que me propocionaram um conhecimento da aventura da humanidade (...) que me levaram a fazer o meu combate solidário com povos em luta pela liberdade contra a opressão.
     Casei três vezes. Conclui apressadamente ter descoberto o amor quando conheci a minha primeira companheira. Nasceram três filhos dessa relação, que foi harmoniosa. Não fui, por desatento, o pai que mereciam. Mas une-me a eles um afecto profundo. Admiro nos três o carácter de aço e um talento de que me orgulho, mas para o qual nada contribuí. Amei com paixão a minha segunda mulher, a brasileira Zillah Branco, companheira maravilhosa nas batalhas da Revolução Portuguesa. O convívio com ela fez-me compreender que o amor tem muitos andares. Subimos juntos aos pisos superiores..."
Miguel Urbano Rodrigues - Parte IV , pag 200/201

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - O declínio fisico

DECLÍNIO FÍSICO
    
     "Em Serpa percebi que uma saúde estável, na ausência de doenças crónicas e dores ósseas, não detém o avanço do envelhecimento. Em mim o processo acelerou-se a partir dos 80.
   Durmo menos e pior, caminho com menos segurança, os movimentos tornam-se mais lentos, sobretudo quando me levanto ou sento, as pernas incham com facilidade, sinto alguma sonolência após as refeições, como muito menos, qualquer esforço físico gera cansaço, o olfacto diminuiu. Mas continuo a ler e a escrever sem necessidade de usar óculos.
     A idade gera a instabillidade permanente na saúde. Em certos dias, quando saio para o passeio matinal percebo que tenho "as baterias carregadas". Caminho quilómetros através dos campos sem sentir a menor fadiga. No Inverno, o frio, nesses dias, entra em mim como carícia; no verão suporto bem calores tórridos.
     Na semana seguinte a respiração pode tornar-se ofegante, as pernas pesam, um mal estar generalizado retém-me em casa. Mas, dias depois, acordo com a sensação de ter rejuvenescido.
    Desisti de interpretar essas rápidas alterações, tão inesperadas como a mudança do tempo de um dia para outro.
     Acompanho com atenção vigilante o enfraquecimento da memória [...].
    Mas, aceitar o rápido enfraquecimento da memória foi menos difícil do que imaginava. Registo os sintomas com alguma surpresa. O processo é contínuo, irreversível, mas diferente do esperado. Mais do que a ausência de resposta imediata (porque ela chega muitas vezes, mas atrasada) a perguntas que formulo ao cérebro, preocupa-me a desarrumação do conhecimento acumulado. Sinto agora insegurança ao localizar datas e cenários, confundo os anos e os lugares onde ocorreu aquilo que pretendo recordar com precisão. Quase sempre, insistindo, acabo por resolver a dúvida, mas a ultrapassagem da falha de memória inquieta-me".

Miguel Urbano Rodrigues in parte  III, pag 195/196

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Sonhos

Sonhos

     "Muitas pessoas sonham raramente. Não é o meu caso. Desde criança sonhei muito. Quase todas as noites [...]
Não entendia o fenómeno onírico. Dormia, mas pensava e via como se estivesse acordado. Com uma diferença fundamental. Nos sonhos aconteciam coisas inesperadas, muitas impossíveis e eu era sempre personagem do sonho, em situações e aventuras estranhíssimas.
     Alguns sonhos repetiam-se com leves variantes. Dois com frequência. Num deles um touro enorme perseguia-me e eu, apavorado, temia que ele me trespassasse com os cornos. Mas, quando já ouvia o resfolegar do bicho, acordava, e aliviado, pensava:afinal foi um sonho".
Miguel Urbano Rodrigues in parte I, pág.44

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Rotina

ROTINA

"Eu via na rotina uma sucessão de dias iguais, de hábitos mecanizados, de emoções muito similares. Era o tempo imóvel.
Ele encurta a vida ao repeti-la. Ao fechar caminhos e horizontes mediocriza a existência. A sua aceitação implica renunciar a ser diferente, a desafiar. A rotina, no temor à aventura da vida, retira-lhe significado, transformando-a numa viagem aborrecida para a morte".
Miguel Urbano Rodrigues in Parte I, página 33

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - O céu e o inferno

O CÉU E O INFERNO

     "A ideia do divino foi transmitida mais tarde, quando minha mãe se embrulhou num discurso confuso ao tentar explicar-me o que era isso do Céu  e do Inferno, palavras que eu ouvira de uma empregada que me ameaçara com a queda no segundo, se continuasse a fazer maldades.
     Deus na sua imaterialidade, foi logo esquecido (...).
   O que me assustou foi a personagem do diabo. Imaginava aquela criatura maligna envolvida permanentemente em chamas. Não percebi porque não ardia. Contemplara-o em gravuras, empunhando um tridente de ferro. A ideia do Inferno ficou por isso mais presente que a do céu. Não consegui porém, compreender o que seria o Purgatório como lugar de trânsito". Miguel Urbano Rodrigues, Parte I - página 17

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Deus

DEUS

     "Uma questão que, ao caminhar pelo tempo, me envolve em brumas densas é a fixação de uma data para a "entrada" em mim da palavra Deus [...].
Creio que a presença de Deus no meu mundo coincidiu com o descobrimento do Natal. A árvore com as bolas de vidro faíscantes e as velas acesas - no monte não havia luz eléctrica - deslumbrava-me. O presépio também, com os Reis Magos, aquela criança numa manjedoura e os animais em volta [...].
     O melhor das Festas eram as prendas que o Pai Natal trazia, preciosidades que meus irmãos e eu encontravamos em volta da árvores, na manhã do dia 25. Quis saber quem era o homem generoso que nos oferecia os brinquedos, de onde vinha e como conseguia chegar à Quinta.
      Disseram-me que era um amigo de todas as crianças e viajava num trenó puxado por renas. Percebi que me enganavam porque no Alentejo não havia trenós, nem neve, nem renas, um bicho esquisito que vira num livro [...]."  Miguel Urbano Rodrigues, Parte I - página 16
   

domingo, 11 de novembro de 2012

Sugestão de leitura: "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento"


“Durante as três décadas posteriores ao 25 de Abril a vida proporcionou-me correr muito pelo mundo. Concluí que a reflexão sobre alguns acontecimentos históricos de que fui testemunha ou participante não destoaria aqui, porque assinalou etapas no meu processo de envelhecimento”. 
(In Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento - Prólogo - página 12)
 
As quatro partes deste livro reflectem acontecimentos vividos em várias fases da vida de Miguel Urbano Rodrigues (mais notas biográficas e bibliográficas aqui). 
O mergulho fundo na memória traz à superficie, mas sem qualquer superficialidade, um conjunto interessante de reflexões sobre a vida, a infância, a religião, o colapso de regimes políticos daqui e dalém... 
No final, destaque para o hino à vida. Apesar das marcas do tempo tudo é possível; até o amor.

A “Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" será destaque ao longo de toda a semana neste espaço simpatizante do Tempo. Com toda a justiça, parece-me merecido. 
Espero portanto, poder contribuir para a leitura integral deste livro (da Ed. Calendário, 2009). 

                                          (à venda aqui e aqui)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

1.451.965.931 segundos de vida. É muito tempo!

Fazendo jus ao nome deste espaço, quanto Tempo tem o tempo do "Relogio de Corda", hoje?

Resposta: 552 meses, 2.400 semanas, 16.802 dias, 403.248 horas, 24.194.932 minutos e 1.451.965.931 segundos de idade.

Ah! E sabem que mais?! Não perdi tempo a fazer estes cálculos. Está tudo aqui para quem tiver curiosidade em esmiúçar o seu tempo de vida.

                                                         (desenho by Té - 1997)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Como se explica o que não tem explicação", segundo Pedro Chagas Freitas

Pedro Chagas Freitas é natural de Guimarães e nasceu a 25 de Setembro de 1979.
Dado o facto de eu ser um pouquinho distraída, não garanto se conhecia este nome. De qualquer forma, se não conhecia passei a conhecer e confesso que não desgostei da expressividade e do estilo da sua escrita.
Da página pessoal do escritor, no facebook, passo a transcrever as informações que se seguem e mais um texto interessante, a propósito de "como se explica o que não tem explicação".
Ora... Nem a propósito! Anda tanta gente à procura de explicações para isto e para aquilo, incluindo eu, quando o óbvio por vezes, se resume à última frase de Pedro C. Freitas: "só o que não tem explicação vale a pena viver".
Voilá! Para quê complicarmos com tantos ?????????
Smiley
Pedro Chagas Freitas é escritor, orador e professor de escrita. Tem 17 obras publicadas, entre ficção, filosofia, crónica, biografia, história e humor. É um fabricante de ideias. Estudou linguística e liderou redacções e equipas criativas. Criou artigos de jornal, guiões, anúncios, slogans e programas de rádio. Foi nomeado para vários prémios literários de nível nacional. Desde 2001 que é coordenador de sessões de escrita criativa um pouco por todo o lado. É o criador da Engética do Discurso, uma área de análise e de trabalho que traz a Engenharia e a Estética para o processo de construção discursiva. Tem vindo a coordenar e a levar ao terreno palestras, seminários e workshops em Portugal e no estrangeiro. (In https://www.facebook.com/pedrochagasfreitas)

"como se explica o que não tem explicação? como se explica o que acontece porque acontece. simplesmente isso: acontece porque acontece. e o que acontece, porque acontece, já está explicado. explicar é uma mania, uma manobra de diversão do Homem. desde sempre que o Homem quis explicar, entender. e ao fim de tanto tempo o que é que conseguiu descobrir, o que é que conseguiu explicar? nada. absolutamente nada. zero vezes zero. nicles. niente. Continuamos, ao fim deste tempo todo de questões e explicações procuradas e voltadas a procurar, sem a ponta de um corno de respostas às perguntas essenciais. continuamos sem saber de onde vimos e para onde vamos; continuamos sem saber o que é e quando acaba esta coisa a que chamamos vida; continuamos sem saber o que fazer com a dor quando ela aparece. continuamos, em suma, sem uma única resposta para todas as questões essenciais. e a procura de respostas às questões essenciais só trouxe um resultado visível: o aumento do número de perguntas essenciais. quanto mais se sabe mais fica por saber. quanto mais se sabe mais espaços se abrem. quantos mais espaços preenches mais espaços ficam por preencher. só o que não tem explicação vale a pena viver."

in "OU É TUDO OU NÃO VALE NADA"