quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Emerson Lake&Palmer (1972) - Sons vintage...

Banda de rock progresssivo britânica formada nos anos 70 e uma das primeiras a usar sintetizador nos seus concertos.
Sons vintage. Só para apreciadores!


terça-feira, 28 de agosto de 2012

O caminho para a liberdade


Entrou pela janela entreaberta, uma ave desorientada.
Talvez fosse um pardal... Não sei ao certo, mas é-me igual.
Visivelmente atrapalhada e assustada, esvoaçando de um lado para o outro, indiquei-lhe o caminho da liberdade.
Encontrou-o sem dificuldade. Voou apressada, sem piar nem nada.
Acho que partiu feliz.

sábado, 25 de agosto de 2012

E «O mundo estará fodido de vez...» Gabriel Garcia Marquez


Retomei pela segunda vez a leitura inacabada da obra "Cem Anos de Solidão" de Gabriel Garcia Marquez. Um livro fa-bu-lo-so!!  
O relato de vida das várias gerações da Família Buendía começa e acaba em Macondo; um lugar onde a solidão foi a única resistente...
Pela voz de uma das personagens do livro, Gabriel Garcia Marquez escreve, a propósito da importância da leitura, o seguinte: 
«O mundo estará fodido de vez, no dia em que os homens viajarem em primeira classe e a literatura no vagão de carga» 

In Cem Anos de Solidão, Publicações Dom Quixote - 7ª edição: Maio de 1992 (pág.315)

Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Uma reflexão impressa no papel, por Mikashi

Uma reflexão impressa no papel

"Carreguei no "Delete" e apaguei aquelas interrogações que me incomodavam bem no início da página... Cliquei no "Enter" e aumentei o espaço entre as linhas passadas e as novas que escrevo com um tom de afirmação diferente...mais pausadamente mas com mais certezas... Aumentei o tamanho da letra...chega de escrever com letra pequena, tímida, quase apagada...e ao ritmo do bater dos dedos nas teclas que clamam a liberdade vou construindo um texto com sentido, onde as palavras deixaram de estar de pernas para o ar...e a pontuação feita num oito! "
                           Mikashi
Texto retirado do blogue da autora que publicou este ano, o seu primeiro livro de poesia intitulado "União" (Editora Universus). Mikashi é o pseudónimo de Carolina Lemos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Palavras, por Maria Eugénia Cunhal


PALAVRAS
Queria chamar-te tanta coisa bela

pássaro, fogo, vento, caravela
terra, semente, pão

Chamar-te amigo
e inventar as palavras que não digo
com medo de as dizer sem ter razão.

(Maria Eugénia Cunhal)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Poema de agradecimento à corja, por Joaquim Pessoa

"Poema de agradecimento à corja", por Joaquim Pessoa 

"Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar."


Joaquim Pessoa

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Le Chat - (1971) com Jean Gabin e Simone Signoret

Le Chat é um filme franco-italiano de 1971 realizado por Pierre Granier-Deferre, segundo um romance de Georges Simenon. 

Sinopse
A película retrata a vida de dois reformados (Jean Gabin e Simone Signoret). Ele, antigo trabalhador numa tipografia; ela, ex trapezista de circo obrigada a abandonar a profissão devido a uma queda. Não têm filhos. Após 25 anos de casamento, a desagradação dos sentimentos não resiste ao tempo e uma coabitação mais forçada do que desejada, irá complicar-se com a presença de um gato que "Julien Bouin" acolhe na rua.
A afeição do homem pelo animal irá despoletar o ciúme ... e a tragédia final.
(tradução e resumo daqui)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A tecla da letra A

Um pano humedecido. Algumas gotas de detergente e limpei-o com mil cuidados, porque era branca a sua cor, a cor do meu teclado. 
Branco... "Que raio de ideia ter comprado um teclado branco!" - pensei - "se fosse hoje não escolhia esta cor".
Todas as teclas, todas as letras se submeteram à suave passagem do pano humedecido... sem sobressaltos e só então reparei na letra A, mais sumida do que as outras. 
A letra A... engraçado... Uma das letras mais importantes do alfabeto corresponde à tecla mais gasta pelo uso e pelo tempo. Que desapareça para sempre, mas aquela tecla nunca deixará de lhe pertencer!
O que seria do amigo, da amizade, do amor ou do amado? Do apaixonado, do abraço e do afago? Do abrigo, do aceno, do aconchego, do acento, do adiar, do avançar? Do ajudar, do admirar, do adorar, do adocicar e até do adoecer? Do adormecer ou do acordar, do ar, da água?...  

Bom fim-de-semana ao som da boa música de Cabo Verde.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Homo cuniculis. Sabeis quem é?

Descobri que o boasnotícias.pt é uma lufada de ar fresco no que se refere a notícias, que são geralmente más e deprimentes noutros sites.
A descoberta vem do Quénia e refere agora, dois milhões de anos depois, que o Homo erectus não viveu sozinho, e ainda bem!
Sem centros comercias, cinema, música, satélites, consolas de jogos, internet, livros e sem a capacidade de comunicação verbal ainda desenvolvida, como poderia o Homo erectus, ou outro qualquer, sozinho, aguentar tal pasmaceira de vida?! 
Análises e estudos efectuados aos ossos fossilizados de um crânio ajudaram a montar o puzzle há muito por completar. As conclusões parecem dar como certa, a presença de mais duas espécies de Homos no planeta: o Homo habilis e o Homo rudolfensis
Creio que estamos agora mais perspicazes e informados. Não serão precisos dois milhões de anos para concluirmos relativamente à existência de outras espécies de Homos...
Refiro-me em concreto ao Homo oryctopassus cuniculis - clicar para ver foto (oryctolagus cuniculus é o termo científico correcto) e o Homo latronis troikis (ver foto).
E escrever mais para quê?!

                                             (foto retirada do google)

Votos de um bom fim-de-semana.




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"A amizade e o amor segundo uma lógica de bazar" por Miguel E.Cardoso

Miguel Esteves Cardoso escreveu, acertivo, claro e directo como sempre. Há quem não aprecie o seu estilo de escrita. Eu gosto.
Em boa verdade, parece que estamos/somos agora mais desconfiados do que em qualquer outra fase da humanidade.
Culpa de quem, de quê e porquê? As respostas devem ser muitas...

Quando a sociedade começa a formar pessoas demasiado individualistas, egoístas, calculistas, gananciosas, depreciativas... é quase certo que, acontecendo o inverso, a desconfiança  aparece na linha da frente.
Ser-se afável, simpático, sincero, bondoso ou prestativo no mundo actual são qualidades que vão fazendo parte de uma minoria de pessoas; uma minoria em vias de extinção.
Sendo assim, quanto mais raras mais importantes. E se falamos de pessoas, a importância também se manifesta na capacidade de as saber preservar ao longo do Tempo.
Porém, desenganem-se aquelas que por possuirem qualquer uma destas qualidades, se livram dos julgamentos, das opiniões e da desconfiança de terceiros.
"Não há bela sem senão" e como poderia muito bem dizer Miguel Esteves Cardoso: na vida há coisas lixadas de entender!

A Amizade e o Amor Segundo uma Lógica de Bazar 
por Miguel Esteves Cardos


"Desconfia-se do que é dado e pesa-se o que se recebe. A amizade e o amor parecem gerir-se, por vezes, segundo uma lógica de bazar. Já nem é considerado má-educação perguntar quanto é que uma prenda custou. Se esse preço é excessivo chega-se a dizer que não se pode aceitar. Recusar uma dádiva é como chamar interesseiro ao dador. É desconfiar que existe uma segunda intenção. De qualquer forma, só quem tem medo (ou corre o risco) de se vender pode pensar que alguém está a tentar comprá-lo. Quem dá de bom coração merece ser aceite de bom coração. A essência sentimental da dádiva é ultrajada pela frieza da avaliação.
A mania da equitatividade contamina os espíritos justos. É o caso das pessoas que, não desconfiando de uma dádiva, recusam-se a aceitar uma prenda que, pelo seu valor, não sejam capazes de retribuir. Esta atitude, apesar de ser nobre, acaba por ser igualmente destrutiva, pois supõe que existe, ou poderá vir a existir, uma expectativa de retribuição da parte de quem dá. Mas quem dá não dá para ser pago. Dá para ser recebido. Não dá como quem faz um depósito ou investimento. O valor de uma prenda não está na prenda - está na maneira como é prendada.
Hoje em dia, com a filosofia energumenóide e pseudojusta que impera, condensada no ditado ‹‹There is no such thing as a free lunch» é praticamente impossível oferecer um almoço a alguém. Todos os gestos de amor e de amizade são reduzidos ao valor de troca, a uma mera transacção em que é tudo avaliado, registado, saldado, pago a meias e de um modo geral discutido e destruído até estar esvaziado de significado."

 
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'  

Texto retirado daqui.

sábado, 4 de agosto de 2012

"Africa" revisitada pelos Perpetuum Jazzile

Estávamos num Tempo em que a moda das músicas de intervenção sobre a fome e a pobreza em África rendeu alguns milhões... Não se sabe muito bem quem beneficiou mais, mas isso é outra história; USA for Africa - we are the world - foi a  música mais famosa, como devem estar recordados.
A banda americana Toto também teve o seu momento de glória na década de 80, embora numa escala menor, quis seguir a moda musical da época.
"Africa" faz parte das minhas memórias de adolescente. Confesso que, após ouvir e comparar estas duas versões, prefiro a do coro esloveno Perpetuum Jazzile.
Sem instrumentos musicais e usando apenas o instrumento da voz conseguiram esta pequena maravilha. É harmoniosamente bela a versão desta música!
 
 

A versão coral