terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"A história da máquina de esperar"

Do livro de literatura infantil, "29 HISTÓRIAS disparatadas" de Ursula Wölfel - Kalandraka Editora 2006

                      A HISTÓRIA DA MÁQUINA DE ESPERAR

«Era uma vez um menino que não queria ter sempre que esperar pelas coisas, por isso construiu uma máquina de esperar. 
Por fora parecia uma caixa de tabaco redonda. O menino fechou a tampa com fita adesiva. Ninguém sabia como era a máquina de esperar por dentro. 
Agora, para este menino, já não havia aulas aborrecidas. Metia a máquina de esperar no bolso dos calções e era ela que esperava no seu lugar pelo toque do recreio. 
Na paragem metia-a na papeleira do poste com o horário. Depois punha-se tranquilamente a ver as montras e os cartazes de cinema. É que a sua máquina esperava em vez dele pelo autocarro. Até esperava, no lugar do menino, pelo seu aniversário, pela Páscoa e pelo Natal. Agora já nunca estava impaciente. 
Um dia levou-a também ao futebol. Ele era o guarda-redes e não queria estar sempre à espera da bola. Assim, colocou a máquina de esperar atrás das redes e encostou-se com toda a calma a um poste da baliza, mas claro que a máquina de esperar não era capaz de defender uma bola. 
Nisso o menino não tinha pensado e, assim, a sua equipa perdeu o jogo por dezassete a um.
Agora já não queria ter nenhuma máquina de esperar. Furioso, deu-lhe um pontapé que a mandou por cima da cerca e foi espalmada por um camião. Esta é a razão porque ainda hoje ninguém sabe como é que se constroem as máquinas de esperar. O menino nunca contou a ninguém.»

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

5 a seco

Lembram o nome de um conhecido franchising no ramo da lavandaria, embora não lavem a roupa (suja) de ninguém.
Posso garantir que são cinco rapazinhos e que têm um repertório musical excepcional. Ouçam aqui, caso o vídeo não funcione.

 

domingo, 29 de janeiro de 2012

A "Fractura"

Fractura é um telefilme francês (2010) que aborda de forma nua e crua, a miséria social dos subúrbios, o aumento dos fundamentalismos e a "importação" do conflito israelo-palestiniano pelos espíritos mais jovens.
Adaptado do mais recente romance de Thierry Jonquet, os realizadores Alain Tasma e Emmanuel Carrère optaram por atenuar parte da raiva presente na obra... para melhor se fazerem compreender...


Fractura conta a história de um miúdo muçulmano de 15 anos (Samy Seghir no papel de Lakdar Abdane) sobredotado para o desenho, que ambiciona seguir um futuro na B.D.
Mas infelizmente, uma queda acidental e na sequência de um gesso demasiado apertado, colocado nas urgências de um hospital parisiense, a sua mão direita ficará para sempre paralisada; mesmo depois de saber que uma cirurgia não lhe poderá devolver a tão desejada mobilidade.
O sonho de se tornar ilustrador desfaz-se, e, com ele se desfaz toda uma vida, como se verá.
A ficção deste telefilme descreve ainda o quotidiano de Anna kagan, uma jovem professora judia de História e Geografia que faz a sua estreia profissional como substituta, numa escola e numa turma problemáticas. 

P.S.) O texto (com supressões) que faz parte desta postagem foi retirado, em parte, do sítio Telerama.fr.
Foi traduzido para português pela minha pessoa, o melhor que me foi possível. Peço portanto, desculpa por qualquer gralha. 

Deixo-vos então, na companhia deste telefime (não tem legendas em português).
Apesar de polémico e dramático, espero que gostem.

 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O que faz feliz uma galinha portuguesa? Bruxelas empenhou-se nesta questão


Porque é que uma notícia sobre galinhas despertou a minha atenção? Simples. Na minha escola vive uma galinha Ruiva e um galo Galaró, ambos integrados num projecto pedagógico para o ano lectivo que se apresenta.
A Autarquia local apoiou este projecto com a construção do galinheiro, tendo o resto ficado por conta da escola. Boa comida (pão, arroz, massa, couve cozida - sobras dos almoços - água, poleiro improvisado, palha, rede e um resguardo contra a chuva e o vento).

Estava eu convencida que estes dois galináceos tinham uma vida farta e despreocupada. Pensava assim, até ler esta notícia, hoje: Bruxelas está preocupada com as galinhas portuguesas e o modo como estão a ser tratadas (nem a porra das galinhas, estes gajos deixam em paz?! - pensei) e isto deixou-me algo apreensiva.
Concluo portanto, que os portugueses, donos de galinhas, não estão a fazer, nem poleiros nem galinheiros, à altura! E eu que sempre achei o contrário...

Compreendo que estejam em causa os direitos e o respectivo bem-estar dos animais.
Dificilmente me oporia à criação de melhorias nos galinheiros, nas pocilgas ou em qualquer outro local habitável por um animal, muito embora me preocupem mais, confesso, as condições de habitabilidade de inúmeros cidadãos nacionais e europeus. Mas bom... isso seria outra conversa. 

"... As galinhas precisam de espaço e tranquilidade para pôr ovos, mas os galinheiros portugueses não oferecem as condições desejadas...".

"Segundo a União Europeia, caso se trate de uma galinha poedeira, o seu bem-estar só pode ser garantido com uma gaiola dita “melhorada”, com mais espaço para fazer ninho, esgravatar e empoleirar-se."                                   
                                   (notícia aqui)

É verdade que os nossos dois galináceos não têm muita tranquilidade (viver paredes meias com uma escola e com o barulho das crianças, não é o melhor) e já que a capoeira da minha escola está na mira da Comissão Europeia, gostava de esclarecer o seguinte:
1º - Apesar do nosso galinheiro não ter os tais 750 cm2 por ave e não possuir o tal dispositivo para desgastar as garras, a nossa galinha põe um ovo por dia.
2º - A galinha e o galo desgastam as garras na terra e nas pedras do chão, empoleiram-se num pau, estão-se nas tintas para a legislação de Bruxelas e vivem felizes na mesma.
3º - As crianças, embora familiarizadas com o campo, tomam consciência da origem daquilo que comem e ficam a saber que os ovos não nascem nas árvores ou nas caixas dos supermercados e que a canja de galinha se faz à custa de um corpinho igual ao da Ruiva, sem corantes nem conservantes.
Pergunta para uma resposta que se adivinha difícil: afinal, o que faz feliz uma galinha portuguesa?

Bom fim-de-semana

("Une petite poule grise" para embalar as cerca de 47 milhões de galinhas europeias com ordem de despejo iminente)

 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"O horror de ser pobre" - Brecht

Os falsos pobres deste país poderiam muito bem ler o texto que se segue...
Mesdames et messieurs; "O horror de ser pobre" por Bertold Brecht

O Horror de ser Pobre Risco c'um traço
(Um traço fino, sem azedume)
Todos os que conheço, eu mesmo incluído.
Para todos estes não me verão
Nunca mais
Olhar com azedume.

O horror de ser pobre!
Muitos gabavam-se que aguentariam, mas era ver-
-lhes as caras alguns anos depois!
Cheiros de latrina e papéis de parede podres
Atiravam abaixo homens de peitaça larga como toiros.
As couves aguadas
Destroem planos que fazem forte um povo.
Sem água de banho, solidão e tabaco
Nada há que exigir.
O desprezo do público
Arruina o espinhaço. 

 
O pobre
Nunca está sozinho. Estão todos sempre
A espreitar-lhe pra o quarto. Abrem-lhe buracos
No prato da comida. Não sabe pra onde há-de ir.
O céu é o seu tecto, e chove-lhe lá pra dentro.
A Terra enxota-o. O vento
Não o conhece. A noite faz dele um aleijado. O dia
Deixa-o nu. Nada é o dinheiro que se tem. Não salva ninguém.
Mas nada ajuda
Quem dinheiro não tem.

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Filho Da Mãe (não é quem estão a pensar)

De volta ao mundo, numa altura em que cresce a indignação perante as palavras proferidas pelo representante máximo da Nação...
Os programas de edicão fotográfica e mais umas quantas mentes criativas, encarregaram-se de espalhar pela net (em especial nas redes sociais), caricaturas da pessoa em causa. 
Pela parte que me toca, estou sem vontade para comentar o assunto; os meus parceiros da bologosfera já o fizeram, e, fizeram-no de tal forma bem, que limitar-me-ei a subscrever os seus comentários sobre este "tiro" verbal do senhor Presidente. 
Passemos, portanto, adiante.

O planeta Terra continuou a sua trajectória nestes últimos oito dias de ausência mas eu também continuei a minha. "A minha vida não é isto"- penso - contudo, é isto, este escrevinhar sem eira nem beira, que me vai proporcionando algum alívio diante de tanta notícia deplorável e desanimadora que abocanha a nossa réstia de esperança.

Esta semana, numa aula de Estudo do Meio, uma das minhas quatro meninas fez-me perguntas "difíceis":
- Oh professora!... É verdade que vão morrer mais de mil pessoas hoje, em todo o mundo?
- Claro que é verdade! Hoje, e todos os dias, morrem milhares, muitos milhares de pessoas no mundo inteiro... - respondi eu.
- Então mas porquê?...
- Então... umas morrem porque sofrem acidentes, outras pessoas morrem porque estão subnutridas (termo com direito a explicação), outras morrem nos países onde ainda existem guerras ou conflitos (outro termo com direito a explicação), outras morrem porque estão doentes...
- Mas se estão doentes, porque é que não vão ao médico? 
- Porque há países pobres onde não há médicos suficientes para tratar as pessoas. Outras vezes, acontece que há médicos mas as pessoas também são pobres e não têm dinheiro para se tratarem, curarem, por isso, muitas acabam por morrer.
- Ah! Então é por isso?!... Eu se fosse rica, ajudava as pessoas e não as deixava morrer! - exclamou a pupila de 8 anos de idade.
As palavras de uma criança são sempre para levar a sério e é pena, que este sentido de justiça fique tantas vezes pelo caminho.

Para vós, o Filho Da Mãe, tocando um instrumental com um título tão invulgar como o nome artístico do músico. Ouvide pois, "encontrei os teus dentes num balde de nãos". Bonito.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O que tem o sistema de ensino finlandês que o nosso não tem?

Agradeço ao meu conterrâneo, Jorge A. , o envio desta reportagem transmitida pela SIC e que eu não tive oportunidade de ver.
É sempre com alguma tristeza e desagrado que (re)lembramos o que nos distingue pela negativa de alguns países, em  matéria de educação.
Por cá, houve alguma evolução mas ainda há muito caminho por percorrer.

 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

o TPC de Matemática

Chegou a hora da correcção das contas (dos algoritmos) no quadro.
Todos fizeram, menos dois alunos; um, por doença (faltou) e o outro, por preguicite.
Resposta deste último para a sua professora (neste caso, eu):
- Oh professora!... Eu não fiz, por causa que me doíam muitooo as pernas!!!!!
Resposta da professora para o aluno pouco empenhado  nas suas tarefas escolares (atenção que, apelidar uma criança de preguiçosa é anti-pedagógico, traumatizante e desmotivador). Os profissionais desta área (Educação) devem evitar a utilização do termo preguiçoso ou , quando muito, arranjar um outro menos agressivo (como sabemos, vai dar tudo ao mesmo):
- A sério?! E o que é que as pernas têm a ver com as mãos? Afinal escreves com os pés ou com as mãos?
Mesmo sem resposta, não se livrou dos comentários de alguns colegas. O menino pouco empenhado levou as contas do TPC  e mais cinco para efectuar e apresentar no dia seguinte, sob pena da meia hora de recreio dele, ir desta para melhor (foi o que aconteceu).

Depois percebi de onde vinham as dores nas pernas. Os papás inscreveram o menino (do 3º ano) nos treinos de futebol (mais um futuro Ronaldinho para as ruas da amargura) e como foi fim-de-semana....
O Tempo não chegou para tudo. Pelos menos, neste caso, não chegou para fazer as contas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

The old man

Era um homem velho. Abandonado à sua sorte, muito doente; doente de doença física e doente de solidão (deve ser terrível estar-se doente de solidão...).
Nunca teve filhos. Mulher?... Há muito que ela deixou de ser sua companheira e companhia por razões que a própria razão desconhece.
Hoje lembrei-me do homem velho... Morreu... assim... sem mais nem menos. Triste e só.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O NAMORO - Parte II

O jogo de sedução entre a Fiona e o gatarrão continua. A bem dizer, este jogo mais não é do que um período de tempo (indefinido) em que o macho aproveita para "passar pelas brasas" e pasmar diante da sua amada gata.
Entretanto, o Ceguinho não desiste ... E eis que, de um duo, se formou este triângulo amoroso.



Mas o triângulo rapidamente passou para quadrado com a aproximação de um quarto potencial interessado: o Selvagem, que de selvagem não tem nada, mas foi neste estado que apareceu por aqui, há uns anos atrás. Depois de domesticado acabou por ficar e do nome não se livrou).


A verdade, é que esta história podia dar um "excelente" guião para uma dessas telenovelas que aquecem almas nos longos serões de inverno (e verão!!!).
Hoje, meus caros, fiquei a saber que há um quinto gato... Vamos portanto, a caminho de um pentágono, com a esperança de que as coisas fiquem por aqui.
Este novo elemento, outro gato preto e branco , encontrou o lugar estratégico que lhe permite observar melhor as cenas dos próximos capítulos sem ser atacado pelo siamês Trombudo: o cimo do telheiro.
Mas cheira-me que nada disto vai acabar bem porque, entretanto...


A minha outra gata, mais novinha - a Loirinha - também já está de olho nesta gataria pegada.
Não quero muito saber do futuro desta história mas prevejo uma concorrência feroz e muitas dores de cabeça para a vizinha...
Enfim, coisas de gatos!

Tenham um excelente fim-de-semana com esta música.
A minha homenagem ao maestro e compositor Pedro Osório, ontem desaparecido.

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O NAMORO... de gatos

Era uma vez uma gata que era minha e se chamava Fiona.


Depois, era uma vez um gato... Gato não! Um senhor gatarrão que não sendo meu, queria muito namorar com a Fiona. A minha gata, tal como os seres humanos, também tem as preferências mas este gatão... Ui!...Cuidado com ele!




No meio desta história felina de encontros e de desencontros (tal e qual como na vida real dos humanos) há sempre os que "ficam a ver navios", como acontece com este gato preto chamado Ceguinho, por ter sido vítima de um acidente campestre.
Durante algum tempo, o gato mais parecia o poeta Camões (percebe-se pela foto, um defeito no olho direito) mas felizmente, a coisa compôs-se e o Ceguinho só ficou ceguinho de nome.


Bem... voltando ao namoro dos gatos (afinal estamos em Janeiro!).
A Fiona escolheu o gatarrão. Um comensal que se faz à comida cá de casa, que tem um miar irritante de arrepiar cabelo e que é bruto como as portas!
E perante este feitiozinho, confesso que não simpatizo com o bichano, mas se a minha gata gosta... Quem sou eu para travar esta relação?!


Pouco tempo depois...
Eis que o gatarrão passa à acção. 



Armei-me em desmancha-prazeres e acabei com aquilo a que a minha vizinha pensa ser uma pouca vergonha, mesmo ali em frente à sua janela. E antes que o festim acabasse com alguma vassoura ou pedra a voar do lado de lá da vizinhança, acabei eu com tudo, do lado de cá.

E falando em namoro, quem se recorda deste "Namoro" dos Trovante?


domingo, 1 de janeiro de 2012

Um conselho importante

Numa altura em que se fala tanto em mercados, perdas, ganhos e coisas assim, talvez não fosse descabido lembrar, no primeiro dia deste novo ano, isto:

"Valoriza-te para mais: os outros ocupar-se-ão em baixar o preço."

                Anton Tchekhov