quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um lugar (quase) fantasma

Era uma vez um lugar por onde passo milhentas vezes, ainda que a passagem seja uma pouco mais ao lado.
Como tudo, o tempo contado e a azáfama do dia-a-dia, nem sempre nos proporcionam os desvios necessários para o contemplamento de vales e serranias. Hoje, sem desculpas, o tempo deixou que eu fizesse um pequeno desvio. 
Permitam-me a partilha do que está para além do meu (nosso) olhar.

Este recanto perdido e parado no tempo conta com pouco mais de meia dúzia de casas, a maioria  em avançado estado de degradação. Um ou outro idoso que ainda resiste a (sobre)viver nesta ou naquela casita; uma estrada estreita onde passa um automóvel de vez em quando e em modo de espera para que outro passe e pouco mais.
No ar, voam supostas gralhas de bico vermelho cujo som misturado com o zumbido das abelhas fazem arrepiar caminho no meio de tanto sossego. Parece um lugar fantasma.
Escondido do resto da "civilização" e tão perto dela... Não haverá ninguém, nenhuma entidade ou empresa do ramo turístico que queira fazer deste amontoado de casas velhas, uma outra "Pia do Urso"?! 
Vales, é assim que se chama. Dista uma dezena de km da A1. A meio caminho entre Lisboa e Coimbra, algures no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

                              (O que resta de um forno, penso eu)

(O anexo -palheiro- e a eira)

                                    (Da eira, as vistas sobre vales e  montes)

(Uma cisterna e as respectivas calhas construídas com telhas de barro e pedra)

1 comentário:

  1. Ruínas do que foi vida
    E as pedras, que nos contam elas?
    que os que por lá passaram
    nada contam, nada contaram...
    Há quem pegue nestes lugares?
    Há quem pegue em Portugal?
    Ah, que não te amoleça a alma
    por ela passar por estes ermos, por estes lugares de calma...

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