quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os dois grandes inconvenientes de estarmos vivos: o declínio do cérebro e a morte

Inconveniente nº I
Quando li esta notícia há poucos meses atrás, tive aquela sensação a que vulgarmente chamamos "enfiar o carapuça". 
Primeiro, porque os 45 também já cá cantam. Segundo, porque é verdade que entramos em declínio cerebral a partir de uma certa idade. Só assim se explicam, de vez em quando, os meus lapsos de memória ou a mão enfeitada de cruzinhas a caneta de forma a evitar possíveis esquecimentos...

Inconveniente nº II
A notícia que se segue estava online, ontem, para quem a quisesse ler.
Mais uma machadada na minha (nossa) tão desejável qualidade de vida na velhice que é, tão só e apenas, uma miragem.  Qual qualidade, qual vida, qual velhice, qual carapuça! Se vivermos menos, o Estado até fica a ganhar!
Reforma aos 65 anos + 5 anos de vida extra... Hummm... Parece-me muito pouco Tempo...
Cidadãos deste país, recordemos o velhinho ditado: "Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje" ou este, "Vive AGORA porque DEPOIS, podes já não estar AQUI".

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A preto e branco ou às cores? É a vida.

Em noite de nomeações para os Óscares 2012, a  página virtual do Sapo.pt homenageia o cinema, apresentando-se nas cores preta e branca. É estranho olhar para uma "homepage" a preto e branco... 
É estranho, tendo em conta que o nosso olhar já parece viciado num mundo feito de cor, muitas cores. 
E o que são, afinal, as cores do mundo ou da vida senão meros estados de alma!?...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quando as crianças da aldeia descobrem a existência de Picasso...

Ser professor requer para além da paciência (muitíssima!), alguma versatilidade. Dado que as crianças são todas diferentes, nem sempre aquilo que fazemos com umas resulta com outras, porém, tentamos fazer o que achamos melhor para elas.
O mote começou com um poema de José Jorge Letria e um tal de Pizarro (o conquistador espanhol do século xv) que ninguém conhecia. Por causa de Espanha, falou-se da avó de uma das alunas que é espanhola. De Espanha, alguns ouviram falar das sevilhanas, das castanholas, das touradas e sobretudo do futebol, e de Picasso! Acrescentei eu.
"Quem é esse?" - perguntaram.
Um pintor! Um pintor famoso! - respondi.
Graças ao Google e ao quadro interactivo, meninos que nunca ouviram falar de Picasso, puderam ver e apreciar algumas pinturas.
A minha escolha recaiu sobre esta. Pareceu-me adequada aos objectivos pretendidos.
À pergunta "o que te faz lembrar esta pintura?"; surgiram nos cadernos, as seguintes respostas:
"Faz-me lembrar uma mulher a contar 3 mais 3."
"... um pavão."
"... uma lua."
"... um monstro."
" ... um palhaço", etc.
No final, expliquei que os pintores também escolhiam nomes para os seus quadros e que este se chamava "A rapariga sobre a almofada".
Perante o espanto do "Ah! Como? Não parece!", levantaram-se e começaram a virar as cabeças para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, tentando perceber o desenho, se era mesmo uma almofada, se era mesmo uma rapariga...
Há coisas que realmente nos surpreendem pela positiva.
Bom fim-de-semana ao som deste recuerdo "Eye In The Sky" (Alan Parsons Project).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um lugar (quase) fantasma

Era uma vez um lugar por onde passo milhentas vezes, ainda que a passagem seja uma pouco mais ao lado.
Como tudo, o tempo contado e a azáfama do dia-a-dia, nem sempre nos proporcionam os desvios necessários para o contemplamento de vales e serranias. Hoje, sem desculpas, o tempo deixou que eu fizesse um pequeno desvio. 
Permitam-me a partilha do que está para além do meu (nosso) olhar.

Este recanto perdido e parado no tempo conta com pouco mais de meia dúzia de casas, a maioria  em avançado estado de degradação. Um ou outro idoso que ainda resiste a (sobre)viver nesta ou naquela casita; uma estrada estreita onde passa um automóvel de vez em quando e em modo de espera para que outro passe e pouco mais.
No ar, voam supostas gralhas de bico vermelho cujo som misturado com o zumbido das abelhas fazem arrepiar caminho no meio de tanto sossego. Parece um lugar fantasma.
Escondido do resto da "civilização" e tão perto dela... Não haverá ninguém, nenhuma entidade ou empresa do ramo turístico que queira fazer deste amontoado de casas velhas, uma outra "Pia do Urso"?! 
Vales, é assim que se chama. Dista uma dezena de km da A1. A meio caminho entre Lisboa e Coimbra, algures no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

                              (O que resta de um forno, penso eu)

(O anexo -palheiro- e a eira)

                                    (Da eira, as vistas sobre vales e  montes)

(Uma cisterna e as respectivas calhas construídas com telhas de barro e pedra)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A vida numa fracção.

Uma pizza de pimentos muito verdes, milho de plasticina e tomate espuma sobre massa cartão Maquete Canson Pluma C ?!
Não quero que gostem da minha pizza mas espero que a mesma, seja um ingrediente motivador para os meus alunos iniciarem com o pé direito, o estudo das fracções e dos números décimais.
Uma fracção da nossa vida é utilizada fazendo estas "brincadeiras". Aqui para nós, são estes trabalhos "out of school" que ainda nos vão proporcionando algum prazer, para além do acto de ensinar, claro. 
O resto já sabem...


Em dia de Carnaval, ninguém leva a mal se eu terminar esta mensagem com uma parte que me é especialmente cara: as perguntas!!!
Smiley 
A propósito de fracções e de tempo; quanto será uma fracção de segundo?...
Poderá a nossa vida estar igualmente fraccionada? Se não está, então, porque dizem que passamos um quarto do nosso tempo a dormir? E os outros três quartos? Possíveis respostas...
Dois quartos das nossas vidas (e da vida daqueles que virão depois de nós) estão por conta da Troika. 
O que sobra é nada, ou quase nada. Uma insignificância, a bem dizer. 


(pizza doce - cereais de chocolate e smarties de plasticina espalmados sobre cola quente)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"Dar corda à memória" - parte II

                             (Hermínia - Busto e desenho mural da autoria de José Feitor)
A história de vida da heroína da mensagem anterior dava um livro. Não tenho dúvidas. 
Juntando testemunhos daqui e dali, teríamos certamente   muitas histórias para contar, tal como a história do autor das obras que ilustram esta mensagem.
José Joaquim Feitor era natural de Antanhol (Coimbra) e teria fugido de uma casa de correcção da cidade, corria a década de 40 do século passado.
Foi o acaso que fez um rapazola, franzino, rebelde mas habilidoso, perder-se por este lugar.
O Zé ("Bazaruco") - assim passou a ser conhecido - ficou na aldeia, ao cuidado da Ti Hermínia, e de uma tia desta.
Tanto a afabilidade como o sustento tinham um preço. Em troca, o Bazaruco tinha que ajudar nos trabalhos do campo, e era com gosto que o fazia!
Atingida a maioridade, rumaria a Lisboa atrás do seu sonho: ser um artista. 
Na capital, casou, teve uma filha, enviúvou cedo, fez-se artista, auto-didacta com atelier montado junto ao Palácio dos Coruchéus. Porém, nunca se desligou das pesssoas que deste lado o acolheram e ajudaram.
Um dia, cerca de 40 anos depois, regressou à sua terra adoptiva. Matou saudades junto dos principais amigos de infância, das raparigas bonitas que conheceu, agora avós, perguntou pelos que já não "estavam"... E emocionado, prometeu voltar.

Mas por mais que gostasse das pessoas e da aldeia, a sua vida pertencia a Lisboa.
Soube mais tarde que morrera em condições para lá de miseráveis, muito doente, sem família e sem amigos...

A provar que a Sra Hermínia era  pessoa de trato fácil e de coração aberto às mais variadas crenças políticas ou religiosas, registo um testemunho recebido via email.
Julgo, no entanto, pertinente contextualizar uma outra história de vida: a do autor do referido testemunho.
A geração à qual pertence, sabe que a Liberdade é um bem sem preço... Com o devido conhecimento e autorização de Jorge Amado, meu conterrâneo, passo a transcrever as suas palavras:
"Aos 21 anos dei o "salto" para França, em abril de 65, três semanas antes de dar entrada no CSM (curso de sargentos milicianos) das Caldas da Rainha, por discordância das nossas guerras coloniais, tendo regressado em julho de 74.
Em 72, liguei-me ao PCP (...)
Sou agnóstico (penso eu), mas muitos dos valores da Igreja são também meus (se me permitem...)"
Porventura, o Jorge seria uma alma vermelha que Deus não estava disposto a "desperdiçar"... (Parece que ele - Deus - lá tem as suas razões!!!). E, se era uma alma para "converter", essa missão estava entregue à minha tia, que pelos vistos nunca conseguiu conversão nenhuma.

"...da tia Hermínia, de quem a minha mãe e eu gostávamos muito (e depois, dadas as idiossincrasias político-religiosas do meu lado paterno, a tia Hermínia sempre a tentar trazer-me, ou manter-me, para o lado "certo". A Ti Hermínia era de facto muito especial. Mesmo em termos de abrangência religiosa (se bem que eu não seja especialista na matéria), ela ia bem além do vulgo de então e de agora."
                                             (Jorge Amado - 67 anos)
(Obrigada, Jorge)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Dar corda à memória" - parte I

Há fotografias especiais.
Não sei ao certo Quanto Tempo tem esta foto. Pela idade das duas crianças, hoje pessoas adultas, rondará os primórdios da década de 80, num tempo em que ainda se usava este quadrúpede para o transporte de mercadorias e pessoas, aqui, no lugar onde me encontro.
Neste registo fotográfico estão duas irmãs celibatárias. À direita (óculos pretos), a legítima dona do tal relógio de corda com o dito num dos braços.
Do lado esquerdo, a Dona Hermínia - mais conhecida por Ti Hermínia - (vestido negro) com aquele estilo e semblante tão característicos. De ar sereno e cândido, assim se manteve até ao fim dos seus dias.

Para além da sua extrema religiosidade, era das pessoas mais generosas e solícitas que havia. 
Raramente exigia, mas muito frequentemente dava, e, talvez por isso, a tratassem também por "Madrinha" sem o ser.

Pessoa simples, sempre aberta ao diálogo, estivesse entre ricos, pobres, crentes, agnósticos, comunistas, fascistas, foragidos, pedintes, intelectuais... A todos, tentava fazer valer a sua fé, converter o infiel de uma forma tão peculiar quanto cómica. Evangelizava numa missão quase impossível; ainda assim, era respeitada.
A Dona Hermínia, assim era tratada pelas senhoras de Leiria ou de Lisboa que lhe vendiam anualmente os "trapos" fora de moda, foi uma precursora desta (e outras do estilo) loja vintage clothing, em Lisboa, por exemplo - A Outra Face da Lua
Foram muitas décadas vestindo pessoas, algumas vezes a custo quase zero; outras, sem custo nenhum. Assumia os prejuízos do negócio, relembrando aos críticos que a sua missão era ajudar o próximo e não, enriquecer.
Coisas que o tempo tem... Um dia, as gerações vindouras não saberão quem foi afinal, a senhora do vestido negro com ar sereno e cândido. A mesma que morreu em sua casa, só, sem que ninguém lhe velasse a alma, como se faz nas aldeias. Ela que velou pela alma, pelo bem-estar e pela vida de tanta gente!...  Foi como se se esquecessem dela.
Numa noite de Novembro chuvoso e ventoso do ano de 2000, morre esta tia/avó/Madrinha. A minha tia.
Foram 81 anos cheios de História e de estórias para contar. Morreu convencida que a morte era o caminho para chegar ao reino dos céus. Aconteceu tudo conforme a sua fé, desde a aceitação do cancro até ao último minuto da sua morte... O olhar vazio, já quase apagado, e a lentidão com que ainda conseguiu mover a sua cabeça na minha direcção, minutos antes de morrer, foram os gestos de uma despedida anunciada. Respondi, passando a minha mão pela sua testa... Lá no fundo, talvez quisesse dizer-me que, e, apesar do sofrimento, morria feliz, que eu não tivesse pena dela... mas tive.
Há pessoas que nunca morrem... Se o céu existe de facto, acredito que a Ti Hermínia esteja lá por mérito próprio. Bem o merece! (Cont.)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Invenção do Amor

"Invention of Love" é um mini filme de animação produzido e realizado por Andrey Shushkov.
Para além da beleza visual, da banda sonora e da originalidade deste trabalho, deixo no ar algumas descabidas e sempre "inquietantes" questões; questões estas, aparentemente sem resposta ou de difícil resposta...
Quem inventou o amor? Como nasceu? Quando? Onde? Quanto tempo dura?...
Será um mecanismo (ver filme) susceptível a "avarias" e "reparações"? E se "avariar", e for "reparado", poderá ele funcionar como antes (ver filme)? O amor é um estado de alma? Uma sina ou uma fatalidade? Uma combinação de vários fatores? Uma reacção química?...
Teria sido o Paraíso, o berço do amor? E que papel tiveram Adão e Eva nesta matéria?...
Será o amor, uma dor de cabeça que se sente sem doer, um "fogo que arde sem se ver"?...
               (O S.Valentim de 2011 aqui)


domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Valicova

O nome Valicova (vale + cova), existe desde que me conheço como gente.
Não sei de onde veio, nem imagino quem tenha sido o autor deste pleonasmo.
Sei que antes de ser já o era: um vale, uma cova, um lugar com imensas belezas escondidas.
Uma parte da Valicova foi durante muito tempo o local onde se despejava entulho, terra e todo o tipo de lixo. Até que um dia, alguém decidiu travar este atentado ao meio ambiente.

Da antiga via de comunicação que liga Porto de Mós a Alqueidão da Serra, resta esta recordação: uma curva, uma estrada estreita que não permitia a passagem de dois automóveis... Foram muitos, os toques e os retoques de chapa na famosa curva da Valicova. Do lado esquerdo ficava o vale (de lixo) - o tal.
Não sei precisar há quantos anos deixou de existir, mas a Junta de Freguesia de S. João (concelho de Porto de Mós) decidiu embelezar o local, desbravar mato e abrir caminhos para mostrar as belezas que a Valicova escondeu durante anos.

No presente, um dos acessos faz-se por esta via, e...

em cima do lixo, do entulho, das terras etc, fez-se um parque de merendas.

A partir daqui, é pegar num calçado prático e partir à descoberta do interior da Cova... O percurso não é longo mas, vale a pena admirá-lo pela sua beleza natural.

Espero que tenham apreciado a paisagem.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Do verbo engonhar

É um tríssilabo porque tem três sílabas. Palavra oxítona ou aguda porque a sílaba tónica é a última.
Eu engonho, tu engonhas ... nós engonhamos... e que a conjugação do verbo se fique pelo presente, pois, engonhar, parece-me uma acção inimiga da produtividade.
Fevereiro de 2012, dia 7 (quase 8), dia em que me apetece engonhar.
Não é uma atitude exemplar de uma cidadã e profissional que passa a vida, a tentar "desengonhar" alunos, mas perdoai-me senhor (esse mesmo que estão a pensar...) que o engonhanço, hoje, deu-me para isto!
Se engonhamos, logo começamos a pensar nas coisas da vida e ficamos baralhados e não sabemos o que é melhor ou pior: se é sermos piegas ou engonhas.
Da definição que se segue, a(s) parte(s) que mais gostei está(ão) devidamente assinalada(s), ou seja, quase tudo.

en.go.nhar
  1. (verbo intransitivo) habilidade para fazer o tempo passar, ocupando-o, sem que se faça nada de proveitoso. É no entanto uma arte de perícia, muito para além da preguiça. A necessidade de engonhar advém do facto de se ter algo para fazer e nenhuma vontade para tal. Vê-lo feito é, não obstante, um desejo, facto que faz o engonhanço diferir da preguiça.Quem engonha sente variadíssimas vezes depois do acto ou efeito de engonhar, a consciência a pesar. Pode também ser usado como capacidade linguística, mais nomeadamente a nível oral, quando se fala, fala e não se diz nada. Bastante usado por políticos dos variados quadrantes partidários 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"O Homem que amava as mulheres"

François Truffaut (Paris, 6 de Fevereiro de 1932 — Neuilly-sur-Seine, 21 de Outubro de 1984) foi um cineasta francês. Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX, em quase 25 anos de carreira como diretor Truffaut dirigiu 26 filmes. (Informação Wikipédia)
Deste realizador, recordemos este filme de 1977: "L' Homme qui aimait les femmes".

P.S.) Ao contrário da personagem principal do filme - Bertrand Morane interpretado por Charles Denner - já poucos homens, nos nossos dias, se dão ao trabalho (de tentar) compreender as mulheres. Como dizem os franceses, ça prend du temps et c'est trop compliqué.
Smiley

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Poema da flor proíbida - António Gedeão

                                                            (fotos retiradas do Google)

Há dias, uma pessoa fez-me voltar atrás no Tempo por causa destas flores, os brincos-de-princesa.
...
Bom fim-de-semana

                                                          Poema da flor proíbida 
                                                                                          por António Gedeão

Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um Magalhães, um vício e a bateria

Quando pedimos a um aluno que traga o Magalhães, por norma, acontece qualquer coisa ao dito cujo na véspera, já para não falar naqueles que se encontram num avançado estado de deterioração. 
Estes pequenos "incidentes" acontecem essencialmente, quando o dito cujo se destina a trabalhar na sala de aula: passar um texto colectivo previamente redigido (ou não), explorar as funcionalidades do Word, etc.
O contrário não aconteceria se porventura, eu pedisse o computador para jogar... Aposto que os teria todos (ou quase) no dia seguinte.
Ora... há dias pedi o Magalhães para os meninos passarem uma história e fazerem uma ilustração num dos programas incluídos na Caixa Mágica (Tux Paint). 
E logo, as desculpas do costume: "esqueci-me", o meu "tá" avariado", o meu isto, o meu aquilo, mas a melhor foi esta (dito sempre com um ar sério e preocupado por um dos alunos que só traz o computador quando lhe convém ou quando ninguém pede):

- Eu já disse professora... o meu tá viciado!
- Como assim?... Explica-me lá isso do viciado que eu não estou a perceber - perguntei eu, numa de moer o juízo ao rapazinho.
- Eu não sei bem professora... acho que o meu Magalhães anda viciado "cua" bateria!!!!

Escusado será dizer que a expressão facial do aluno juntamente com a frase, me fizeram rir (por dentro, claro), ao que eu, prontamente respondi, no mesmo tom sério e preocupado:
- Olha que isso não é nada bom. Tens que ver isso!...

Smiley