sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A última mensagem

As previsões apontam 2012 como um ano difícil (2011 também não foi um ano fácil).


O fim do mundo, supostamente anunciado há 11 anos atrás (em 2000, portanto) não passou de um embuste. Porém, na altura, alguém achou melhor adiar esse final para 2012 (porquê 2012? E quem adiou? Não me façam perguntas complicadas... Sei tanto como vós).

Digam o que disserem, acreditem neste velho relogio de corda Rolex; vão novamente adiar o fim do mundo de 2012 (e ainda bem! Apesar de tudo, tenciono viver mais algum Tempo) porque o FMI e sua comissão cobradora de dívidas, vulgo Troika, jamais autorizarariam este evento à escala mundial, numa altura em que o encaixe (€€€€!!) vai de vento em popa.
No meio desta tragicomédia (mais "tragi" do que comédia) que é a nossa vida, desde que nos vimos envolvidos (pior; nos envolveram) em crises e mais crises, já nem eu sei se devo rir ou chorar, esperar ou desesperar, ficar ou emigrar como diz o outro.

É que o sentido de humor também não escapa à crise, sabiam?!...  Eu esforço-me para não o perder de vista mas acreditem... Há dias em que apetece mandar tudo pelos ares: a crise, a contenção, o memorando de entendimento, as exigências da Troika, os conselhos do Passos & Comp e do raio que parta essa gente toda e outras coisas mais.
Deixem-me pelo menos, terminar este ano com um sorriso! Pode ser amarelo, triste, de orelha a orelha, de esperança... Tanto faz.
Deixem-me igualmente terminar, agradecendo a vossa passagem por aqui, mesmo que fugidia e incerta.
Nem sempre as minhas palavras foram as mais acertadas ou as minhas mensagens, as mais pertinentes. Talvez não tenha o dom da escrita como têm, reconhecidamente, algumas das pessoas que "seguem" ou lêem este "passatempo" virtual. Não há nada a fazer... relogio velho, parado no tempo, não agoura nada de novo. É a vida! Mesmo assim, desculpem qualquer coisinha.

Despeço-me com os votos de um 2012 cheio de saúde e regado de alguma esperança. Nós bem o merecemos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"Tiagolas e outras estórias"- um livro de Manuel Miranda

Já é tempo de dar continuidade ao rascunho desta mensagem, iniciada em Julho do ano que agora termina (mais vale tarde do que nunca).
Tomei conhecimento do livro que hoje vos trago aqui, através de referências blogosféricas ligadas à educação (mais precisamente aqui). Trata-se de um livro que acabei de ler há dias.
Se dúvidas houvesse relativamente à utilidade deste universo virtual (blogues) - "passatempo" para muitos, onde também me incluo - de imediato seriam esclarecidas com esta incontornável verdade: os blogues são de facto, meios priviligiados para a divulgação de tudo e mais alguma coisa.
E é graças aos "passatempos" existentes por "estas bandas" que vamos descobrindo o que de outra forma seria (mais) díficil encontrar. Eis um exemplo.

Tiagolas e outras estórias, não é um livro qualquer, não é um livro que possa enquadrar-se em qualquer um destes géneros literários: romance, banda desenhada, poesia, ficção ou aventuras; porém, parece ter características de todos eles.
Não é um romance, mas ficamos a conhecer uma relação de afectos entre um pai (pais) - Manuel Miranda e o filho deficiente mental profundo - o Tiago, Tiagolas como é carinhosamente tratado.
Não é uma banda desenhada, mas tem pensamentos, comentários e diálogos.
Não é um livro de poesia, mas na capa final, pode ler-se o poema das mãos... mãos paternas que sentem, "falam" e "vêem" aquilo que os nossos orgãos dos sentidos todos juntos, dificilmente consegueriam captar ou sentir. 
Não é ficção, porque retrata a dura e por vezes complexa realidade, que é nascer "diferente" dos demais.
Não é um livro de aventuras, daquelas que qualquer um de nós gostaria de viver; é um livro de aventuras de carne e osso, tantas vezes tristes e dramáticas, que o autor Manuel Miranda com a participação de mais três autoras, nos dão a conhecer através das estórias do Tiagolas, da Sara, do Zé Cadilhas, da Gracinha, do Garrancha, do Jorge, do António, do Ti Cocho Anica, do Carlitos...

Quando alguém decide abrir o coração, escrevendo de uma forma clara, directa e transparente sobre um assunto que para muitos ainda permanece tabu ou vergonha, fá-lo garantidamente por coragem, por amor,  mas fá-lo certamente, por solidariedade para com as outras pessoas que vivem as mesmas angústias e as mesmas preocupações que este pai.

Tiagolas e outras estórias é para além de um testemunho, um apelo à sensibilidade da sociedade em geral para a problemática das pessoas com deficiência e do futuro incerto que preocupa os familiares destas crianças e adultos, condicionados das mais variadas formas.
Se o futuro é um tempo de incerteza para a maioria de nós, o que dizer destas pessoas quando progenitores ou familiares lhes faltarem?

Nota) Os proveitos da venda deste livro revertem para a Associação de famílias solidárias com a deficiência (A.F.S.D), Projecto Cavalo Azul, cujo objectivo é a construção de uma residência e um centro de actividades ocupacionais para pessoas com deficiência. Mais informações aqui ou aqui.
Para aquisição do livro, poderá contactar o autor através de miranda.manel@gmail.com


«Quando sinto a tua mão na minha mão, eu sei se estás bem ou estás mal.
Quando a tua mão agarra a minha roupa, eu sei que precisas de mim para te levar pelos caminhos do nosso bairro.
Quando tu apertas com força as mãos, eu sei que tu estás aflito, ansioso.
Quando tu com a tua mão puxas a minha mão, eu sei que tu queres de mim que te resolva aquilo de que tu não és capaz.
Quando tu com a tua mão bates na tua cabeça, eu sei que tu estás com dores.
Quando tu com a tua mão agarras o meu braço e até me fazes sangue com as unhas da tua mão, eu sei que tu estás inseguro, inquieto, aflito.
Quando tu poisas tua mão suavemente na minha mão, eu sei que tu me queres junto de ti numa conversa em silêncio que nós os dois bem compreendemos sem palavras inúteis.
Pela tua mão tu passas-me o que tu sentes, o que tu de mim queres e precisas.
A tua mão fala-me sem palavras.
A tua mão é a tua linguagem, a tua fala sem palavras.»
                               
                                Manuel Miranda

domingo, 25 de dezembro de 2011

"I am Sam" - Sean Penn no papel de um deficiente com atraso mental

SINOPSE:
Sam Dawson (Sean Penn) é um homem com deficiência mental de comportamento autístico que cria a sua filha Lucy (Dakota Fanning) com a ajuda dos seus amigos. Porém, assim que faz 7 anos, Lucy começa a ultrapassar intelectualmente o seu pai, e esta situação chama a atenção de uma assistente social que quer a menina internada numa instituição. 
A partir daqui, Sam disputa a guarda da filha na barra do tribunal contando para isso com a ajuda da problemática advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) que aceita o caso como desafio e graças ao qual repensará a sua vida e aprenderá a valorizar a relação com o seu filho. (informação Google)
Este é um filme magnificamente interpretado pelo actor Sean Penn; um filme que permite fugir um pouco à invasão cinematográfica dos filmes natalícios, tão habituais nesta época.
Nota) Chamo a atenção para possíveis pausas ou interrupções durante o filme (encontra-se também aqui).   Lamento igualmente a dobragem... Não consegui encontrá-lo em inglês com legendas em português.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"O estranho caso de Benjamin Button" - o filme completo

"O estranho caso de Benjamin Button" é um filme de 2008, adaptado da obra de F. Scott Fitzgerald e já referenciado neste espaço, há algum tempo atrás.
É apenas mais uma história que o cinema imortalizou... Para ver, ou, simplesmente, rever.

SINOPSE:
"Eu nasci sob circunstâncias pouco habituais".
E assim começa O Estranho Caso de Benjamin Button, adaptado a partir da história de F. Scott Fitzgerald sobre um homem que nasce com oitenta anos e regride na sua idade: um homem, como qualquer um de nós, que é incapaz de parar o tempo.

O filme conta a história de Benjamin (Brad Pitt) e da sua incomum viagem, das pessoas e lugares que descobre ao longo do seu caminho, dos seus amores, das alegrias da vida e da tristeza da morte, e daquilo que dura para além do tempo.
http://putlocker.bz/watch-the-curious-case-of-benjamin-button-online-free-putlocker.html


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Poderá o cigarro de musgo estar na origem do vício do tabaco? :))

A exploração de um determinado texto, ontem, na aula, tinha um objectivo: alertar as crianças para o perigo que representa a aceitação de certo tipo de coisas (o texto falava sobre um rapaz crescido que parou junto de uns meninos que brincavam, oferecendo-lhes um cigarro...) e a importância de saber dizer NÃO.
Respostas e comentários para todos os gostos, inclusivamente este, "não devemos ceder à tentação"... mas, o que eu mais gostei foi desta resposta, e da cara séria com que o aluno de 8 anos se virou para mim, dizendo: eu já fumei um cigarro.
E quando me preparo para ler a resposta escrita, deparo-me com esta confissão na primeira pessoa:


Ri-me com os meus botões e pensei... a génese do vício (do fumador) pode bem estar no maldito cigarro com musgo!  :)
Pronto! Hoje é o último dia do 1º período escolar. O tempo passa a correr e muitas vezes nem damos por isso.

Votos de um bom fim-de-semana ao som de clássicos da música infantil: "O mar enrola na areia" na voz de Jorge Palma.
Esta canção e outras mais, encontram-se no CD da Leopoldina 2011. Ao adquiri-lo, está a contribuir para a MISSÃO SORRISO ; uma iniciativa que visa apetrechar e melhorar muitas instituições de saúde do nosso país.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Xarope de cenoura

Ingredientes para o xarope: cenouras, açúcar amarelo e folhas de hortelã. 
Cortam-se duas ou três cenouras às rodelas finas, junta-se o açúcar com a hortelã e deixa-se repousar 24 horas.
O xarope de cenoura era, segundo a sapiência das nossas avós, um remédio natural para curar a tosse e as dores de garganta (algo que agora me daria imenso jeito). Não confirmo nem desminto os benefícios do dito xarope, porém, faço questão de deixar-vos na companhia desta ternura textual, da autoria de José Fanha.

(imagem retirada do Google)                                                        XAROPE DE CENOURA

«A minha madrinha é doce e cheira tão bem que eu, mal a vejo, atiro-me ao pescoço dela e dou-lhe muitos beijos e ela só diz:- Aí que ternuras, que ternuras!
     E as "Ai que ternuras, que ternuras" ficaram guardadas num dicionário que só eu é que tenho.
     Há palavras assim. Palavras que vivem numa gramática que não está escrita em parte nenhuma. A gente puxa por elas e logo atrás aparecem outras cores, cheiros e sabores.
      É tal e qual como se fôssemos à pesca de carapaus e nos viesse na linha uma lua cheia muito grande, um gato às riscas amarelas e verdes ou um chupa-chupa do tamanho dos candeeiros da minha rua.
     No meu dicionário, a palavra ternuras diz-se quase com o mesmo som que a palavra cenouras. Eu sei que isto pode parecer um bocadinho maluco. Mas é assim e é tão simples de entender como todas as coisas que são assim.
     Quando eu tinha tosse, a minha avó cortava cenouras às rodelas e punha açúcar, e eu até queria ter tosse para poder beber aquele xarope tão bom que ficava a escorrer das cenouras.
     Das cenouras vinha o xarope... Da minha madrinha, as ternuras... Cenouras e ternuras! É fácil de perceber. O xarope de cenouras tinha um gosto parecido com o cheiro das ternuras da minha madrinha. São duas palavras muito doces, cada qual à sua maneira.
     E pronto. No meu dicionário as coisas estão ligadas de uma forma um bocadinho misteriosa. E eu gosto de beijinhos e cenouras e xarope de ternuras...»

       José Fanha, "Diário inventado de um menino já crescido" - página 42/43

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"J'en ai marre..." - Big Bazar 1972

Os franceses - Big Bazar - formaram-se na década de 70. 
Michel Fugain, o interprete deste grupo e confesso admirador de sonoridades made in Brasil, adaptou o "Você abusou" de Antônio Carlos e Jocafi (informação Wikipédia) para este "Fais comme l'oiseau", corria o ano de 1972. Polémicas à parte, o estilo da banda era invulgar para a época, sobretudo pelas coreografias que acompanhavam as músicas.
Vá lá uma pessoa saber porquê... hoje lembrei-me disto. É que... moi aussi j'en ai marre!

 «Mais j’en ai marre d’être roulé
Par des marchands de liberté
Et d’écouter se lamenter
Ma gueule dans la glace, dis
Est-ce que je dois montrer les dents?
Est-ce que je dois baisser les bras?
Je ne sais pas, je ne sais plus, je suis perdu


Fais comme l’oiseau
Ça vit d’air pur et d’eau fraîche, un oiseau
D’un peu de chasse et de pêche, un oiseau
Mais jamais rien ne l’empêche, l’oiseau, d’aller plus haut»



Fais comme l'oiseau

Sa vie d'air pur et d'eau fraîche, un oiseau
D'un peu de chasse et de pêche, un oiseau
Mais jamais rien ne l'empêche, l'oiseau, d'aller plus haut

Mais je suis seul dans l'univers
J'ai peur du ciel et de l'hiver
J'ai peur des fous et de la guerre
J'ai peur du temps qui passe, dis
Comment peut on vivre aujourd'hui
Dans la fureur et dans le bruit
Je ne sais pas, je ne sais plus, je suis perdu

Fais comme l'oiseau
Sa vie d'air pur et d'eau fraîche, un oiseau
D'un peu de chasse et de pêche, un oiseau
Mais jamais rien ne l'empêche, l'oiseau, d'aller plus haut

Mais l'amour dont on m'a parlé
Cet amour que l'on m'a chanté
Ce sauveur de l'humanité
Je n'en vois pas la trace, dis
Comment peut on vivre sans lui ?
Sous quelle étoile, dans quel pays ?
Je n'y crois pas, je n'y crois plus, je suis perdu

Fais comme l' oiseau
Sa vie d'air pur et d'eau fraîche, un oiseau
D'un peu de chasse et de pêche, un oiseau
Mais jamais rien ne l'empêche, l'oiseau, d'aller plus haut

Mais j'en ai marre d'être roulé
Par des marchands de liberté
Et d'écouter se lamenter
Ma gueule dans la glace, dis
Est-ce que je dois montrer les dents ?
Est-ce que je dois baisser les bras ?
Je ne sais pas, je ne sais plus, je suis perdu

Fais comme l'oiseau
Sa vie d'air pur et d'eau fraîche, un oiseau
D'un peu de chasse et de pêche, un oiseau
Mais jamais rien ne l'empêche, l'oiseau, d'aller plus haut