segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Imagens que falam por si.

Domingo de sol, 27 de Novembro de 2011 junto ao poço do Arneiro (Aljustrel - Fátima).
Estas fotos são tão expressivas e profundas que dispensam quaisquer comentários.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O som do silêncio

Definições na boca das crianças...

O que é o silêncio?
R: O silêncio é um barulho mudo, um barulho baixinho, é um som que não faz barulho, é quando não se diz nada, é o que a professora manda fazer quando estamos a fazer muito barulho...

De que cor é o silêncio?
R: O silêncio não tem cor, pode ser da cor que eles mais gostam mas o silêncio é "às cores se eu estiver contente" - respondeu um menino.

O silêncio faz lembrar?... 
R: O silêncio faz lembrar o barulho do mar,  faz lembrar a noite ou "faz-me lembrar coisas boas" - disse outro.

Como na canção, chegou o momento de também eu "sussurrar o som do silêncio".
Que o silêncio seja de oiro para que reine o som "mudo" das teclas...
Até um dia destes e bom fim-de-semana.
"The sound of silence"- Simon & Garfunkel, em 1967.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"A única crítica é a gargalhada" - Eça de Queirós

É o clássico mais contemporâneo de todos os tempos, pela ironia, pelas palavras certeiras que registava nas suas inúmeras crónicas.
Tão certeiras eram essas palavras, que nem notamos que o presente é afinal, um simples retrato a cores do passado.
Assim pensava e escrevia Eça de Queirós. Estávamos nos finais do século XIX.
Quando penso no tempo que já passou e no estado da Nação, neste século XXI, quase jurava que este homem deve estar aos saltos no túmulo, de tanta gargalhada, ao ver que em 150 anos(aproximadamente) pouco mudou no "mundo político em Portugal".

 A Única Crítica é a Gargalhada 

«A única crítica é a gargalhada! Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem um sentimento; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único comentário do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. E sempre esta política, liberal ou opressiva, terá em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, e cruel – a gargalhada! Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça
                                  Eça de Queirós, in "Uma Campanha Alegre

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Não são Papos de Anjo mas os papos dos olhos do Vítor Gaspar

Há quem diga que enquanto "relógio", independentemente da corda ou não, eu tenho um razoável poder de observação. Tem dias...
Às vezes, e, citando conhecidos ditados populares, mais pareço " um burro a olhar para um palácio" ou usando outros animais da quinta, "não vejo um boi à frente".
Neste caso, vi, li a notícia e observei os olhos do "nosso" Ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
"Bah!... Coisas de mulher..." - pensarão algumas pessoas, mas o que é facto, é que as mulheres também lêem nas entrelinhas dos olhos dos homens, mesmo que sejam os olhos de um  ministro com o qual não simpatizamos.
Claro que, pode até não haver nada para ver nos olhos de quem quer que seja e muito menos nos olhos deste Sr Gaspar, mas eu vi!
Estão à vista de todos... Uns papos, logo ali, abaixo dos olhos.
Noites mal dormidas, preocupações próprias de ministro... consciência pesada (se é que há alguma). Porventura, deve ser a Troika que lhe tira umas boas horas de descanso (pensei)...
Nós, cidadãos, que aturamos esta gente toda, aguentamos (aquilo que os governantes vão proporcionando): as olheiras, os papos, as preocupações, as noites mal dormidas, etc ... As insinuações, as contradições, as vigarices e o cinismo deles é que são intoleráveis e desprezíveis.

Post Scriptum) Obrigada Gasparzito pelo elogio. Eu, enquanto funcionário pública, sinto orgulho por saber que passei de problema a solução para o problema. Somos inúmeros, pois somos, mas sempre vamos servindo para alguma coisa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pés de salsa

 

Já aqui se escreveu sobre um caroço de azeitona que virou oliveira, de uma ninhada de gatos que nasceu sem bigodes e agora, de um planta aromática que resolveu crescer em meio considerado hostil: as pedras.
Este pé de salsa arrebitou com a chuva e cresce a olhos vistos, entre os espaços apertados das lages de pedra de uma eira antiga. Não é o único pé. Há mais.
A prova de que a natureza consegue vencer as adversidades e vingar.
Talvez esteja na altura de tomarmos a natureza com exemplo de vida e de persistência...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uma história de feijões e gorgulhos.

Certo gorgulho passava a vida a encher o bandulho na loja de sementes do Sr João.
Como não gostava de barulho, o gorgulho costumava andar em bicos de pés, de feijão em feijão, fazendo aquilo que todos os insectos da sua espécie fazem em qualquer parte do mundo: gorgulhar!
O gorgulho não fazia barulho porque não era da sua condição, comer e falar ao mesmo tempo.
Era um bicharoco que comia pela calada. Ninguém dava por nada, a não ser o gorgulhão-capitão, o único que conhecia muito bem os costumes e os vícios desta bicharada.
O gorgulhão pertencia à espécie das feijocas, e, por ser maior que os outros, só podia viver num feijão de dimensões igualmente avantajadas. Era ele quem decidia como, quando e quem atacar.
A "gorgulhagem" sentia-se protegida, com um futuro que julgava farto e bem seguro. Enquanto houvesse feijões, havia sustento.
Porém...
Um dia, os feijões decidiram fazer uma revolução. Reuniram em plenário com o feijão-catarino - um feijão fino e respeitado por todos.
Os feijões reclamavam, pois estavam fartos de serem comidos pelos gorgulhos e pior ainda, de ficarem reduzidos a pó. Um  feijão em pó, fosse ele qual fosse, não servia para nada e isso aborrecia-os imenso:
- Eu estou farto de ser mole e de derreter por tudo e por nada! A partir de hoje, quero ser rijo e forte! - exclamou o feijão-manteiga.
No meio da confusão, dos sacos no meio do chão, salta um feijão-preto:
- E eu?! Já pensaram?... Estou farto de ser discriminado. Sou preto mas sou como os outros. Também tenho direitos!
O feijão-preto não se entendia com o feijão-branco. Um tinha a mania que era mais saboroso do que o outro; logo, passavam a vida a discutir sobre quais os pratos em que cada um devia ou não devia entrar.
O gorgulho, entretanto, apreciava esta discussão escondido, e ria a bom rir:
- ... estes feijões desunidos vão acabar todos cozidos num panelão! Para quê tanta discussão?... - pensava ele, imaginando já, o respectivo bandulho vazio, à conta desta contestação.
Para apaziguar a discussão, eis que entra o feijão-frade em acção........................................................

E, meus caros amigos, acabou-se-me a minha inspiração!
Lembrei-me do gorgulho, não sei ao certo muito bem porquê. Talvez porque nos sentimos todos, nesta altura da vida, como que... uns "feijões". Uns "feijões" comidos a cada dia que passa por certos e determinados "gorgulhos". 

Enfim... Haja paciência!

Bom fim-de-semana

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Para sempre" - José Fanha

Tenho lido ultimamente, alguns livros do arquictecto/escritor José Fanha. Conhecia alguns, mas há sempre outros que vamos descobrindo...
Gostei deste texto inserido no livro, "Diário inventado de um menino já crescido" da Gailivro - 1ª Edição de 2004. Talvez porque, Novembro e Dezembro, continuam ainda, tanto tempo depois, meses especiais... Aqueles que a minha memória pessoal não esquece nunca.

«Para sempre

Eu gostava de acordar em cada dia e
ter a minha mãe ao meu lado.
E o meu pai. E a minha avó.
E todas as pessoas de quem gosto.

Mas alguns já se foram embora. Para sempre. E isso deixa-me confuso. Porque para sempre é mesmo muito tempo.
     Eu consigo perceber o que é uma hora. Percebo dez minutos. Percebo dez segundos que é uma medida de tempo que uma pessoa começa a dizer e já passou. E percebo um dia ou uma semana. Mas para sempre é tão difícil perceber...
     Um dia, o meu pai foi-se embora para sempre. E eu esqueci-me de lhe dizer uma coisa. Nem sei bem que coisa era. Só sei que esta coisa que eu queria dizer ficou-me entalada na garganta. Para sempre.»
                     
              José Fanha - "Diário inventado de um menino já crescido" - pág.61

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

António Aleixo - o poeta popular

 

António Aleixo (1899 - 1949) foi o poeta popular mais conhecido entre nós. 
Nascido no Algarve, mais precisamente, em Vila Real de Santo António, passou parte considerável dos últimos anos da sua vida, internado num sanatório em Coimbra, por culpa da impiedosa tuberculose. Acabaria por morrer aos 50 anos de idade, desamparado e mais pobre do que nunca (mais informação, aqui). 

"ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO", é a obra onde estão compilados estes e outros versos.

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado
O ribeirinho não morre
Vai correr por outro lado.

Sei que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço,
Que, não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.

Uma mosca sem valor
Pousa co'a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

Sou um dos membros malditos
Dessa falsa sociedade
Que, baseada nos mitos,
Pode roubar à vontade.

Finges não ver a verdade,
Porque, afinal, tu compreendes
Que, atrás dessa ingenuidade,
Tens tudo quanto pretendes.

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que ás vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.

Nós não devemos cantar
A um Deus cheio de encantos
Que se deixa utilizar
P'ra bem duns e mal de tantos.

Veste bem já reparaste
Mas ele próprio ignora
Que por dentro é um contraste
Com o que mostra por fora.

Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer. 
              António Aleixo

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O que muda hoje?

Nada de especial.
Procede-se apenas, a uma pequeníssima actualização no canto inferior do vosso lado direito.
Quanto ao bolo em forma de F... pois...
Comia-se!...
Smiley

domingo, 6 de novembro de 2011

"Quando vier a Primavera" - Alberto Caeiro

Ainda o Inverno não começou e já eu penso na Primavera.
A espécie humana tem este grande defeito: nunca está satisfeita com nada.
Então, lastima-se e reclama, reclama... como se, nestas andanças do tempo meteorológico, tivesse algum poder de escolha ou decisão.
Se chove quer sol; se faz sol quer chuva; se está frio quer calor; se está calor pensa saudosamente no frio; se vem o Verão preferia a Primavera e quando chega o Outono deprime só de pensar no saudoso e quente Verão.
Estou de acordo com Alberto Caeiro;
«Não tenho preferências (...)
O que for, quando for, é que será o que é.» (do poema Quando vier a Primavera)