sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"Eu amo-te" - diz ele (ou ela?). "Eu também" ...

Há dias em que eu não sei ao certo, que espécie de profissional sou.
Sou má porque ralho muito.
Sou boazinha porque às vezes, brinco e faço rir.
Sou chata porque estou sempre a pedir para darem respostas escritas completas ou para apagarem e mais isto e mais aquilo.
Posso até, nem saber definir bem os meus defeitos e qualidades enquanto profissional, mas sei o tipo de alunos que tenho: crianças imprevisíveis.
Pelo 2º ano consecutivo e apesar de algum conhecimento mútuo, confesso que a pequenada não pára de me surpreender.
Ora vejam:
Ontem, preparava-me para iniciar a aula do Estudo do Meio sobre o Aparelho Digestivo para os alunos do 3ºano.
Reparo então, que um dos meninos estava constantemente distraído. Para "ajudar à festa", levantou-se e apanhei-o, largando sorrateiramente e apressadamente, um minúsculo papelinho em cima da mesa de uma colega. Não se livrou de uma repreensão.
Entretanto, a colega estava tão atenta ao meu paleio que nem viu aterrar aquele papel na sua mesa (ou talvez visse porque afinal, alguém escreveu o "eu também"). O certo, é que ela não se apercebeu que eu passei para o recolher. Ainda pensei colocá-lo no lixo mas achei melhor guardá-lo.
O autor olhou para mim com cara de poucos amigos, algo atrapalhado.
Discretamente, coloquei a mensagem  no meu bolso e a aula prosseguiu.

Reparei no seu conteúdo ao chegar a casa. A mensagem contida num pedaço de papel mal amanhado, fez-me rir.
Afinal, aqueles olhares... aquela história de dizer que não via bem o quadro... (só para se sentar ao lado dela)... dizer se podia pintar na mesa da XPTO... Agora percebo tudo!
Anda paixão e amor no ar!!! E pelo registo, é sentimento correspondido.  :-)
Que estupidez a minha, pensei... eu para ali a falar do Aparelho Digestivo quando o rapazinho estava numa de congeminar palavras ternas e doces para a sua amada!
Smiley 
Tão bom sermos crianças...
E para todas as princesas e príncipes em miniatura, cá vai música.
Um bom fim-de-semana.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

C'est quoi le temps, encore?

Qu'est-ce le temps, sinon um comptoir d´épisodes de la vie; de notre vie?
Pourquoi le rechercher lorsqu'il disparait aussitôt?
Le temps, c'est plus de passé que de futur, laissons-le vivre à present. C'est comme une fleur qui est née au bord du chemin; il n' a pas de maître car il appartient à tous.
Surtout, n'oublie pas: le temps est libre, ne l' emprisonne jamais; laisses-en un peu pour les autres.
                                                     (relogio de corda)

Que bela canção esta, do Monsieur Charles Aznavour e Patrick Bruel!
Duas gerações, o mesmo encanto nas vozes.


Hier Encore
                                             Composição: letra e Música de Charles Aznavour

                                                 Hier encore
J'avais vingt ans
Je caressais le temps
Et jouais de la vie
Comme on joue de l'amour
Et je vivais la nuit
Sans compter sur mes jours
Qui fuyaient dans le temps

J'ai fait tant de projets
Qui sont restés en l'air
J'ai fondé tant d'espoirs
Qui se sont envolés
Que je reste perdu
Ne sachant où aller
Les yeux cherchant le ciel
Mais le coeur mis en terre

Hier encore
J'avais vingt ans
Je gaspillais le temps
En croyant l'arrêter
Et pour le retenir
Même le devancer
Je n'ai fait que courir
Et me suis essoufflé
Ignorant le passé
Conjuguant le futur
Je précédais de moi
Toute conversation
Et donnais mon avis
Que je voulais le bon
Pour critiquer le monde
Avec désinvolture

Hier encore
J'avais vingt ans
Mais j'ai perdu mon temps
A faire des folies
Qui ne me laissent au fond
Rien de vraiment précis
Que quelques rides au front
Et la peur de l'ennui

Car mes amours sont mortes
Avant que d'exister
Mes amis sont partis
Et ne reviendront pas
Par ma faute j'ai fait
Le vide autour de moi
Et j'ai gâché ma vie
Et mes jeunes années

Du meilleur et du pire
En jetant le meilleur
J'ai figé mes sourires
Et j'ai glacé mes pleurs
Où sont-ils à présent
A présent mes vingt ans?

domingo, 25 de setembro de 2011

O Tempo por Rubem Alves

Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora
Tenho muito mais passado do que futuro
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas
As primeiras, ele chupou displicentemente
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram.
Cobiçando seus lugares, talento e sorte

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos
Quero a essência.... Minha alma tem pressa....
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana... muito humana...
Que não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade... 

Rubem Alves  (escritor brasileiro nascido em 1933)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Era um brinquedo para crianças muito, mas mesmo muito, irritante

Certo dia, num hospital, vi entrar um menino.
Não sei ao certo a sua idade; talvez tivesse 6, 7 anos. Também não sei que vivências eram as dele mas percebi que algumas tristezas e muitas carências deviam constar na lista. Nem pai, nem mãe, apenas os avós (já idosos) cuidavam dele como podiam.
Ao contrário dos outros, era um menino só. Não se fazia acompanhar por ninguém, por nenhum familiar. Valeu-lhe as funcionárias e os enfermeiros da instituição pediátrica para lhe dar alguma atenção e carinho. 
Concretamente, não sei qual era o problema de saúde do G. 
Poderia ter vários até, mas um deles, estava bem visível nas suas pernitas curtas e assimétricas. Coxeava, no entanto, corria e andava que se fartava. E falava muito!
Uns dias depois, na mesma enfermaria, reencontro o G, engessado e confinado a uma cama, impossibilitado de se mexer. Às vezes, ele chamava-me e eu ia ter com ele...
Para o ajudar a passar o tempo, alguém lhe colocou nas mãos, um objecto semelhante ao da imagem. 
A partir deste acto, o nosso "sossego" passou a fazer parte do passado.

Este brinquedo sonoro, ter-nos-ia conduzido à loucura completa se o cachopo insistisse em tocar mais Tempo. Juro! O som dos animais juntamente com uma melodia ultra irritante, tornavam-se insuportáveis ao fim de um dia!
Volvidos quase três anos, conseguimos no presente, encontrar alguma graça ao recordar esta história.
Afinal, estávamos num hospital para crianças. O que podemos nós esperar delas, mesmo que estejam doentes ou entrevadas?  
Criança será sempre criança, esteja ela onde estiver, esteja ela sã ou doente porque elas são, tantas vezes, a tal força bruta que a natureza humana tem de melhor.
Lembrei-me deste episódio quando ouvia esta música das "CocoRosie".
Quem diria que um brinquedo irritante e umas cornetas de plástico para umas simples assobiadelas pudessem deliciar desta maneira, os nossos ouvidos?!

 

P.S.) No dia em que este menino teve alta, a auxiliar do hospital juntou uma série de brinquedos dentro de um saco e colocou lá dentro o tal jogo didáctico.
"Ufa, que alívio!" - pensei.
                                                                Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O pintor partiu, a obra ficou

Partir deste mundo aos 93 anos de idade, é um sinal claro de benevolência do meu "amigo" Tempo. Quando "ele" quer e quando nós queremos, o Tempo, é de facto nosso "amigo".
Mesmo que o artista deixe de fazer parte do mundo dos vivos, a obra fica.

                                        (Júlio Resende - serigrafias)

domingo, 18 de setembro de 2011

De gaivota passei para pato

Da intenção de ver gaivotas em terra, acabei por admirar patos nadando no rio Lis, junto à sua nascente, mais precisamente na aldeia de Fontes (Cortes - Leiria). 
Pelas fotos, dá para ver que da nascente principal não sai nada de nada mas garanto-vos que vi jorrar água  mais atrás; o suficiente para os patos chapinharem tranquilamente. 
No Inverno, vale a pena visitar este lugar pelo espectáculo que a força da natureza proporciona. 
Por ora, fiquem com os meus registos fotográficos.


Afinal a Madeira era um buraco e não um jardim.

Afinal, a ilha da Madeira não era só um jardim!
Descobriram (só agora?) que havia por lá um enorme buraco e muitos nem sabiam (ou faziam de conta que não sabiam).
Mas agora que todos sabemos, apetece-nos maldizer esta corja de indivíduos que "abancam" no poder, que falam falam, acabando por não dizerem nada e o pior de tudo; até têm telhados de vidro!
Mais uma vez, a sabedoria popular tem o adágio certo para isto: "a verdade  vem sempre ao de cima".
Alberto João, agora que a Troika não deixou passar essa linda brincadeira, deixo esta questão no ar: vai continuar a bailar prá gentinha da Madeira (e do "Contenênte"), este seu "Bailinho da Madeira"?
Bem... e eu que estou farta destes políticos, desta política de sumir e desta Troika que comanda o cérebro de muita gente, vou mas é ver as gaivotas para arejar as ideias. Inté!  

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Uma "Bomba Relógio"

Esta mensagem será perceptível apenas, para alguns leitores deste "passatempo". Ora leiam.
Uma flor, um relógio, cores, "smiles" ... ele há imagens que uma pessoa encontra por aí, que têm mesmo alguma coisita a ver connosco. Este relógio é original. É um relógio-flor.
Não é uma bomba mas é bem engraçado.

Bom fim-de-semana ao som desta "Bomba relógio" (Cristina Branco).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bandeiras nacionais a meia haste?!... Os humilhados (nós) vs os prestigiados (eles)

 Qualquer diferença entre este ser "humano" e o gato, é pura semelhança. Ambos pertencem à espécie animal.


Calma. Não vos assustais! Não virei adepta do nazismo nem me tornei fã do Adolf Hitler.
Nesta vida, pergunto-me às vezes, o que me leva a simpatizar mais, menos ou mesmo nada, com esta ou aquela pessoa... Inexplicavelmente, nunca consegui simpatizar com a figura do Adolfo, o Furhor! 
Aquele bigode ridículo, as suas expressões, a sua voz, os seus gestos, o seu estilo, as suas manias, o seu tudo e mais alguma coisa, perfazem um conjunto de características que eu desprezo com todas as letras e mais algumas. 
Se há pessoa a quem me apetecia espetar uns bons pares de estaladas na cara, este Hitler, era sem dúvida alguma, o primeiro antes do senhor Bush, igualmente merecedor de outras tantas.
E perguntam vocês: "relogio"? Que estás para aí a dizer?... Agora viraste uma brutamontes, é?! :))
Não digo mas escrevo o seguinte: ontem, ouvi novamente aquele disparate vindo do comissário alemão, Gunther Oettinger, o tal que veio dizer que os países endividados deviam exibir as respectivas bandeiras nacionais a meia haste. 
Ora eu, cá com os meus botões, se já implico q.b. com esta gente e mais a americanada beligerante, pensei...
Os alemães (salvo raras excepções, claro), quer queiram quer não, admitam ou não, ainda não esqueceram os fantasmas de um passado nazi, altamente discriminatório, sectário, cruel e tudo aquilo que já sabemos desse triste período da História da humanidade. Creio portanto, que a maniazinha da superioridade continua entranhada nas ventas daquela gente. 
Não queria terminar esta mensagem sem um discurso do Furhor Adolfo. Foi um pequeno sacrifício da minha parte, perder uns minutos do meu tempo para o ouvir, acreditem. Sugiro que façam também o vosso e que tirem as vossas conclusões.