quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Trouxe mil palavras só para ti" (autor desconhecido) - Ontem no "mural" do C.C.D.Dinis, em Coimbra


"TROUXE MIL PALAVRAS SÓ PARA TI".

Não se sabe se as mil palavras serão fracionadas e ditas ao longo de um, dois, três ou mais dias, semanas, meses, anos ... Mas também, pouco importa.
O importante, é que são mil (1000) as palavras, e, um milhar de palavras, é muita palavra!

Para lerem esta mensagem num mural real - se entretanto não desaparecer - terão que se deslocar junto à poética esquina, junto ao Centro Cultural D. Dinis, em Coimbra.

Tirando o facto de eu considerar que as paredes ou muros, por norma, não devem ser espaços para expor  sentimentos ou devaneios, principalmente, tratando-se de estruturas pertencentes a edifícios de renome como este; apelava junto da reitoria desta Universidade (caso seja a responsável pelo "mural" improvisado): arranjai um mural para a malta estudantil, que é gente inspiradíssima, e, com muita  poesia a correr-lhe nas veias!
Estão a imaginar esta declaração escrita no mural de um facebook , por exemplo?!...
Não tem nada a ver... porque há coisas que as novas tecnologias, nunca, jamais, conseguirão transmitir.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hoje, as bruxas são rainhas neste blogue

Há algum Tempo que ando com vontade de dedicar uma história às bruxas.
Não me refiro, é claro, às bruxas que andam por aí a enganar as mentes mais vulneráveis com as suas bolas de cristal malucas, os seus agoiros e visões futuristas. Estas, eu não conheço, e, não me perece que venha alguma vez a conhecer.
Queria sim, dedicar uma história às bruxas da literatura infantil. Aquelas que no nosso imaginário, enquanto crianças, usam e abusam da vassoura voadora (e mágica), imaginamos-lhe uma voz esganiçada, as unhas compridas, uma verruga geralmente situada na zona periférica do nariz...
As bruxas são seres imaginários, normalmente, feias, mal arranjadas e (quase sempre) más.

(se repararem na pele da cara desta minha bruxa, poderão constatar que a limpeza facial não teve o efeito desejado) :))
Nunca o disse publicamente mas admito que tenho uma grande simpatia por todas as bruxas que entraram nas muitas histórias infantis que me contaram ao longo da minha vida. E sabeis porquê? Porque fazem parte daquelas minorias que não se podem defender. São as personagens marginalizadas que a literatura infantil coloca sempre ao lado dos sapos, das poções e dos panelões.
As bruxas continuam nos contos e nas histórias, tal e qual como há cem anos atrás. A modernização passou-lhes totalmente ao lado. Não largam a tradicional vassoura porque me parece, que ainda não apareceu ninguém, capaz de lhes arranjar algo mais sofisticado para além de um pau com meia dúzia de giestas secas na ponta!
Eu estou disposta a mudar o rumo destas bruxas. Não as quero ver condenadas às vassouras, às poções mágicas feitas com sapos e baba de crocodilo para o resto das suas vidas.
Está na hora de darmos volta a isto. Quando?! Nem eu sei. Sei que será em breve e os meus amigos desse lado, ajudar-me-ão.
Até lá (de preferência sem bruxarias)!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os cheiros e os sabores do Verão

(Summer - Joe Hisaishi) 
Eis a razão pela qual, eu nunca serei bem sucedida na arte do desenho: não consigo fazer nada de jeito!
Também... pouco importa. Desenhar esta bonecada, ainda que mal, alivia-me a alma e o stress.
Em co-autoria com o meu filho (eu desenhei o mar , o barco e os bonecos), fizemos o desenho de boas-vindas ao Verão que começa amanhã, dia 21 de Junho.
Segundo reza a Wikipédia, nos tempos primitivos, era comum dividir o ano em cinco estações, sendo o Verão dividido em duas partes: o Verão propriamente dito (no fim da Prima Vera cujo significado é primeiro verão) e o Estio (Tempus Veranus), o "tempo da frutificação".

O Verão tem cheiro e tem sabor, mais do que as outras estações. Eu sei porque hoje, senti-o, cheirei-o e enquanto o fazia, veio-me à memória um sem fim de recordações.
É bom saber que o Verão está outra vez de volta.
Quando andava na escola, as então denominadas redações sobre esta estação do ano, eram as minhas favoritas porque, achava eu, que tinha sempre imensas coisas para escrever.
Em boa verdade, quando se gosta do que quer que seja, somos naturalmente tendenciosos e até, sentimos alguma dificuldade em poupar nas palavras escritas. Digo eu...Não sei.

P.S.) Outras responsabilidades chamam pelo relogio.de.corda. O tempo agora, é de balanço escolar por isso, este "passatempo" encerra temporariamente as suas janelas. A porta, essa, permanece aberta para quem o quiser visitar.  
Um abraço para todos.

sábado, 18 de junho de 2011

"Hard to explain" for my little Té. Parabéns pelos18 anos!

Recordam-se de fazer 18 anos?!
Eu lembro-me quando em 1984 fiz os meus, alguém disse-me: "agora já tens idade para ter juízo!". Nada mais verdade. A maioridade traz responsabilidades acrescidas e traz igualmente, mais dores de cabeça e preocupações para os pais.
Há 18 anos, por esta altura, estaria eu, numa cama de hospital, à espera... À espera que o tempo passasse.
A criancinha que habitava no ventre de sua mãe Relógio, ameaçara nascer alguns meses antes, por isso, foi necessário "portar-me bem" e acatar as ordens médicas, senão...
O tempo (horas) passou e a HORA acabou por chegar, bem cedo, pela madrugada. Lembro-me dessa noite ser de lua cheia (não consta que fosse eclipse) e como dizem as pessoas mais velhas, as fases da lua indiciam quando é que uma mulher vai dar à luz. No meu caso, a crença popular estava certa.
Enquanto as minhas "companheiras de infortúnio" berravam e gritavam conturcidas com dores, ou, sei lá eu o quê; eu tentava permanecer calma e serena.
A leitura do livro de Benjamin Spock até à exaustão, ajudara-me bastante, sem dúvida. Foi lá que aprendi as técnicas respiratórias para que a tal HORA, fosse um pouco mais curtinha e menos dolorosa.

E pronto. Foi assim.
O resultado da espera, o resultado de ter tido algum juízo, ao longo das 35 semanas de gestação, resultaram nesta cachopa: a minha Teté ( para os amigos). :))
Uma menina que não dispensava uma fralda de pano e uma chupeta para adormecer, que dizia " mafacã " em vez de faca, "" em vez de gato, que aprendeu a ler sozinha, que aos 7 anos fez a sua primeira dissertação escrita sobre velhas rabujentas e o porquê de andarem sempre vestidas de preto, que aos 16 anos, poucos dias após uma cirurgia de 8 horas e de lhe terem remexido as costelas todas, tem a lata de responder ao cirurgião ortopédico quando este lhe pergunta "então rapariga, como é que te sentes?";  isto:"...pensei que fosse pior!!".
Que melhor homenagem pública se pode fazer a uma jovem, senão, oferecer-lhe uma música da sua banda preferida?!... E as mães, claro, de tanto ouvir esta, e outras, acabam por ir na onda ...
The Strokes for my little Té. "Hard To Explain" (sometimes...). :))


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Conheça as Extensões de Saúde fantasma que passam a fazer companhia às escolas fantasma

Os responsáveis pela governação deste pequeno país à beira-mar plantado, têm revelado ao longo destes anos, atitudes completamente descabidas, deixando qualquer cidadão minimamente responsável com os "nervos à flor da pele".
"Dinheiro deitado ao ar", é o que tem feito o Estado português à conta dos dinheiros públicos. Ora reflictam lá comigo...
Depois de ler a notícia do Presidente da ERS (Entidade Reguladora da Saúde), Jorge Simões, não consigo pensar de outro modo: o Estado português é um mau gestor, não sabe nem se preocupa em planear nada de nada. Há hospitais ou centros de saúde a mais... porquê? Por que diabo não fizeram um estudo, um planeamento adequado sobre a viabilidade destes serviços, antes?
Os registos fotográficos que passo a divulgar, foram feitos hoje, durante a minha hora de almoço. Confesso-vos que senti uma dor-de-alma e alguma revolta à mistura, ao ver um edifício inaugurado há pouco mais de dois anos, apetrechado com tudo o que é bom, assim... ao abandono!


A médica que prestava serviço nesta Extensão de Saúde, reformou-se há uns meses.
A falta de médicos (dizem) no concelho, não permitiu a substituição desta profissional, embora eu acredite, que outras razões estiveram por detrás do encerramento desta Unidade de saúde, localizada na sede de freguesia de uma aldeia serrana.
Gastaram-se milhões - possivelmente teriam sido mais úteis noutros sectores da economia nacional - em edifícios que hoje, se encontram de portas fechadas, entregues aos vândalos e aos larápios. Este então; tem tudo ali à mão de semear e à vista de todos. Parece incrível mas é verdade!
Relembro que há uns anos, gastaram-se rios de dinheiro na recuperação de muitas escolinhas de aldeia. A grande maioria encerrou daí a pouco tempo.
Seguiu-se a febre da construção das Extensões de Saúde nas aldeiazinhas (sedes de freguesia). Se pensarmos bem e olharmos para as coisas com olhos de ver, não se justificava um edifício destes, quando a pouco mais de 6 km, está o Centro de Saúde.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

A propósito de loucura... "Os Deuses Devem Estar Loucos", lembram-se?

"Os Deuses devem estar loucos" surgiu na saudosa década de 80 e o sucesso foi tanto que decidiram dar continuidade à saga do nativo Xi, posteriormente, em aventuras pelo complicadíssimo mundo do homem civilizado.
Eu gostei particularmente do primeiro filme e sobretudo, de o recordar por estes dias.
Acreditar que uma garrafa de coca-cola é um presente enviado pelos deuses, é algo inconcebível. Cómico até.
Porém, ironicamente, não foi por acaso que escolheram "something made in USA". A intenção para esta escolha, estaria muito para além da publicidade à dita bebida acastanhada. Um produto e um símbolo do dito mundo civilizado, na origem da dor, da discórdia, da desunião, do conflito...
Vamos lá então recordar, "The Gods Must Be Crazy".

 

domingo, 12 de junho de 2011

"...portanto, não separe o homem o que Deus uniu"

Registei estas palavras, ontem, quando assistia a um casamento religioso "não separe o homem o que Deus uniu". E mais estas:

Eu XPTO, recebo-te por minha esposa
a ti XPTU, e prometo ser-te fiel,
amar-te e respeitar-te,
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
todos os dias da nossa vida.


À entrada da igreja, enquanto esperávamos pela noiva, o padre que fora na década de 80, o meu professor de religião e moral, comentava com cara de quem já se habituou a fazer muitos casamentos de curta e média duração:
- Já cheguei a mandar alguns de volta a casa para reflectirem melhor ...

Bem... não querendo entrar em polémicas (que o assunto é delicado e daria "pano para muitas mangas"); todos sabemos que este acordo nupcial do amar e do respeitar na alegria e na tristeza, na sáude e na doença nem sempre é cumprido. À mínima contrariedade, há quem abandone o barco mas há também aqueles que, por "esquecimento", deixam de cumprir a sua parte... Enfim...
A realidade mostra-nos, no presente, que existe um número tendencialmente maior de pessoas desacreditadas de tudo, inclusive, destes valores e destas intenções muito nobres, sem dúvida.
E não me venham com a história de que a culpa disto estar a acontecer e das coisas não correrem de feição para muitos homens e mulheres, seja do facebook! No fundo, tudo começa dentro da cabeça das pessoas. O resto vem por arrasto.

A curiosidade a propósito do assunto, levou-me até à página "www.pordata.pt".
Não deixa de ser interessante comparar estas duas épocas -1960 / 2009 - em que os casamentos passaram de 69.457 para 40.391.
Relativamente aos divórcios, a evolução é surpreendente: 749 em 1960 para 26.176 divórcios contabilizados em 2009, sendo os casamentos católicos, aqueles  que apresentam um número mais elevado de dissoluções; cerca de 15.569 contra os 10.605 divórcios ocorridos nos casamentos civis.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", será mesmo assim?!...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"A pressa do tempo"


A pressa do tempo

Guardei o tempo num saco
Feito de linho e cetim
Para ele, que é apressado,
Passar sem pressa por mim.
Pendurei-o num ponteiro
De um relógio de parede
Onde morava o cuco
Que estava cheio de sede.

Luís Infante, Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, Gailivro, 5ª edição, 2004 (excerto)

sábado, 4 de junho de 2011

Debrucemo-nos sobre a crise dos pepinos. É importante.

Uma leitura apressada pela Visão online, despertou-me a atenção para esta triste realidade que está a assombrar a fama de alguns vegetais, injustamente.
Seja na Alemanha ou em qualquer parte do planeta, uma crise envolvendo pepinos envenenados com uma bactéria denominada E-Coli, é péssimo e é tanto mais grave, quando a ingestão do referido vegetal, causa a morte a seres humanos inocentes que apenas tencionavam degustá-lo.
A senhora dona Angelina Merkelina deve estar pelos cabelos com tudo o que se anda a passar na política, na economia, na Europa... Faltava-lhe seguramente, mais esta agora!!... A estranha história dos pepinos envenenados, e, logo havia de estalar a polémica no seu país!!! Raios, que má sorte!

Na realidade, os pepinos estão com problemas, tal como a maioria dos cidadãos. A diferença entre o pepino e o cidadão, é que o cidadão, embora "cheio de veneno" contra o sistema político-económico que o fez mergulhar na penúria e no desemprego, não anda por aí a matar ninguém, enquanto que o pepino...
Porém, corre o boato que o legume que lhe faz  companhia, tantas e tantas vezes nas saladas, também está sob suspeita. Falo-vos, é claro, do(s) tomate(s)!
No meio de toda esta salada russa à alemã, quem ganha é a alface que deve estar a gozar à brava, à custa dos seus habituais companheiros de saladas. A alface vai saindo em alta de toda esta crise e dificilmente lhe retirarão o título de "rainha das saladas".
Bem... e não vá o diabo tecê-las, os pepinos nacionais já começaram o seu calvário rumo aos laboratórios para as dolorosas análises.
Só não percebo isto... pepinos são pepinos!!! Para quê ou porquê, guardar a confidencialidade da origem dos pe....... dos pepinos?!?!?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"O Burro de Buridan"- última parte. Moral da história

Com toda esta "tragédia", a estalajadeira oportunista esfregava as mãos de contente, "tecendo planos, em voz alta."
- Então com a pele vou fazer uma mala para guardar o enxoval. Transformo o rabo em vassoura. Com a carne vou cozinhar um banquete para os meus hóspedes e deito os ossos aos cães.

O burro até espetou as orelhas ao ouvir estas palavras.
Deu um par de coices no ar, não hesitou mais. Trotou até ao fardo da direita e comeu metade, trotou até ao fardo da esquerda e comeu outra metade.

Depois, feliz por se ver livre, para mais com a barriga cheia, largou a galope até uma encruzilhada de onde partiam duas estradas iguais.

Não perdeu tempo a decidir, meteu pelo campo. Para que é que um burro precisa de estradas?"

Só parou à beira de um regato. Aí vicejavam trevos, floriam papoilas. Mas, mais encantadora que todos os regatos azuis, todos os trevos verdes, todas as papoilas vermelhas era uma burrinha cor de burro quando foge, que ali pastava. 
O burro zurrou-lhe. Ela soltou um doce, carinhoso zurro (...)"
O resto...?! Deverão ler este livrinho da autoria da Luísa Ducla Soares (Editora Civilização, Maio 2010) que está à venda aqui ou em qualquer livraria online. 
Moral da história: a importância e o valor da liberdade é algo que não tem preço. Sem ela, como poderíamos fazer as nossas escolhas?!
O burro desta história foi mais esperto do que nós pensávamos: escolheu, assumiu as suas escolhas e avançou sem medos. No final foi recompensado.

"O Burro de Buridan" - a 2ª Parte

Continuando a história, ficámos na parte em que o burro tinha de fazer uma escolha entre dois fardos de palha iguais...

"O bicho olhava para a direita, depois para a esquerda. Cheirava para a esquerda, depois para a direita. Qual seria a palha mais apetitosa?(...)"

Entretanto, a estalajadeira, mulher sabida e dotada de algum espírito prático, resolveu testar as teorias de Buridan, o filósofo:

"Quando este pediu o jantar, pôs-lhe um prato de feijão numa ponta da mesa e um segundo prato em tudo semelhante, na outra. 
- Coma, se for capaz - riu-se ela.
Buridan, hesitante, olhava para um lado, olhava para o outro e... nada.
Quando chegou a hora de arrumar a cozinha, a espertalhona retirou os pratos, repartiu a comida pelos filhos e disse:
- Agora é melhor ir deitar-se, senhor. Pode escolher o quarto que quiser.
E apresentou-lhe dois quartos parecidos que nem duas gotas de água: ambos pintados de amarelo, com uma cama de pinho e lençóis às bolinhas cor-de-rosa .
No corredor, entre as duas portas, o sábio hesitou. Tão grande foi a hesitação que acabou por adormecer ali mesmo, estendido no chão. 
Trocista, descarada, a mulher, no dia seguinte, fê-lo pagar as duas pratadas de feijão e os dois quartos.
Com a barriga a dar horas e as pernas a fraquejar, o sábio dirigiu-se ao pátio para ver o burro. 
Lá estava ele entre dois fardos, ainda indeciso.
- Pobre bicho, vai morrer de fome para mostrar que eu tinha razão.... - murmurou o dono."
(continua)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Apresento-vos "O Burro de Buridan"; uma história para miúdos e graúdos

Era uma vez um filósofo chamado Buridan.
Reza a história, escrita por Luísa Ducla Soares que o filósofo "é um homem cuja profissão é pensar. Pensa, pensa, pensa... e ensina os outros a pensar."
Este homem sábio, era pois, dono e legítimo possuidor de um burro, que fazendo jus à sua fama, tinha o proveitoso defeito de "pensar pouco" e "carregar muito".
As histórias infantis são muitas vezes, grandes lições para os "grandes" e acho que esta, é uma delas; uma história que fala sobre a importância das escolhas e leva-nos a pensar sobre a nossa capacidade de decisão (nada mais apropriado ao periodo eleitoral que atravessamos).
Vamos então à história...
Buridan corria mundo e viajava de terra em terra para ensinar quem quisesse aprender.
Um dia, ao parar numa hospedaria, encontrou um "jovem lavado em lágrimas". À pergunta "porque choras?", responde o rapaz que estava com o seu coração destroçado porque se apaixonara por uma rapariga tão bela e tão maravilhosa que julgava não existir outra igual.
Estava convencido disso, até ao dia, em que lhe foi apresentada a irmã gémea!!! Tão parecidas e tão iguais que era impossível distingui-las. O moço, coitado, mergulhado num terrível dilema, ficou sem saber qual delas havia de amar.

" Aí está um problema sem solução. Dizem que o homem é livre de fazer escolhas mas, diante de duas pessoas ou coisas iguais como há-de decidir?
- Então estou condenado a ficar solteiro?
O filósofo procurou consolá-lo.
- Bem, tu ainda tens sorte porque um homem pode viver sem se casar. Mas um caso de indecisão até pode levar à morte."
Para comprovar a sua teoria, Buridan usou o burro como cobaia.
"Mandou buscar dois fardos de palha iguaizinhos. Colocou o burro no meio do pátio com um fardo de cada lado, à mesma distância.
- Como ele não pode decidir entre dois objectos iguais vai hesitar, hesitar até morrer de fome. As pessoas puseram-se a espreitar em silêncio." 

 (continua)