segunda-feira, 30 de maio de 2011

A paz e algum sossego!!!!!

As lagoas na localidade de Arrimal (concelho de Porto de Mós) são reservatórios naturais das águas pluviais que, ao longos dos sucessivos invernos, se foram infiltrando no subsolo argiloso destes terrenos.
As fotos que se seguem, pertencem à Lagoa Pequena, um charco imenso de rara beleza, envolto pela serra e por um silêncio apenas quebrado pelo sino da igreja quando quer marcar o Tempo das horas certas, a escassos metros.
Estes registos fotográficos foram tirados em trabalho, numa visita de estudo, mas depois de as editar, pensei que não seria uma má ideia, um dia destes, abancar por ali, de esferográfica verde ou vermelha na mão com as minhas dezenas de fichas por corrigir... em harmonia com a bicheza autóctone.
Chegada a esta altura do ano - Maio/Junho - já pouca coisa há a fazer, senão desejar um pouco de silêncio e de tranquilidade.
Acho que os meus amigos professores percebem bem o que eu quero dizer...
                                              (Likufanele by Zero 7)
 

sábado, 28 de maio de 2011

A verdadeira dona do relogio de corda Rolex

Tendo em conta que a idade da menina mais nova (a minha mãe) rondaria os 6/7 anos, presumo que esta fotografia seja de 1937 ou por aí perto.
As moçoilas das pontas - minhas tias - viveram orgulhosamente sós (por opção) até ao fim das suas vidas. Dedicaram o seu tempo a ajudar o próximo porque eram mulheres com uma fé inabalável e de uma bondade invejável, reconhecida por todos.
A da setinha verde, contava-me muitas vezes, as histórias da sua juventude e dos pretendentes que tivera. Fazia sempre questão de dizer que nunca sentiu vocação para casar e de facto, nunca casou. 
Confeccionava cavacas como ninguém e era a única mulher na aldeia que sabia administrar injecções aos animais para além do sr Joaquim Alentejano. A sua seringa de metal era um instrumento digno de respeito. 
Seria ela, então, a verdadeira e legítima dona do tal relógio de corda da marca Rolex. 
Deixou de pertencer ao mundo dos vivos numa data estranha... 09/09/09.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Políticos de eclipse ou o eclipse dos políticos ?

Estamos a pouco mais de uma semana das eleições e de saber (como se já não soubessemos) quem conduzirá o destino do país nos próximos Tempos. 
A sombra "eclipseana" de uns certos senhores, paira novamente sobre esta tragico-comédica que é a vida política nacional. Aldrabões, mentirosos, vigaristas, presunçosos, demagogos, incultos, homens de memória curta, homens sem vergonha na cara, continuam a reclamar o voto como se, de heróis se tratassem... Há de tudo para todos os gostos. Porém, são pessoas com estas características que a população continua a escolher... não se percebe porquê. Não é um destino. Não é uma fatalidade. É uma triste realidade.

Depois de termos sucessivas desgovernações perpetradas, ora por X ora por Y e vice versa. Depois de terem transformado Portugal, num país estéril com o desemprego e a precariedade no topo do que melhor se produz a nível nacional. Depois de nos atribuírem mais umas quantas dívidas para pagarmos ao longo da nossa existência enquanto mortais... Do que é que o povo está à espera para dar uma oportunidade a outros de mostrarem o que valem?! Porque é que os vencedores são sempre os mesmos?!... Continuo sem perceber porquê.

Mobilizaram-se grupos um pouco por todo o mundo virtual para lembrar e debater a importância do voto; lembrar sobretudo, que o voto, vale o que vale quando é devidamente assumido e assinalado num boletim.
De nada servirá demonstrar o seu descontentamento, ignorando um dever e um direito cívico (votar). De nada servirá colocar o "papelinho" em branco dentro de uma urna de voto ou ainda, rabiscar meia dúzia de parvoíces num boletim e fazer dele, um voto nulo.
" Quem cala consente ". Se o voto é a voz do povo e se o povo não vota, é porque consente que o seu país continue a navegar sem rumo definido, por mares nunca antes navegados Os mares nunca antes navegados são agora, mares revoltosos, onde cada um de nós navega como pode. Conduzidos para uma viagem atribulada sem preparo e sem aviso, enfrentamos Adamastores e perigos mil. Navegamos à deriva, sem saber se havemos de chegar a bom porto... a esperança... ainda há esperança! Queremos todos chegar ao tal porto de abrigo, sãos e salvos, mas a esperança, só, não chega.
É fundamental qualquer coisa extra: a nossa mobilização, o nosso empenho no próximo dia 5 de Junho.
Há que sair do comodismo, da indiferença, deixar o descontentamento de lado e ir votar: votar para mudar! Quem sabe, a "rota" desta atribulada viagem possa finalmente mudar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

"O retrato": uma história do passado

No seguimento da mensagem anterior, vasculhei pela estante, as obras do autor António Mota e encontrei "O LOBISOMEM" - contos,  um livro editado em1998 pela Caminho, agora propriedade do grupo Leya.
"O retrato" é o título do texto que se segue e um dos contos pertencentes a este livro.
Não me perguntem por que razão o escolhi. Porventura, é mais uma escolha inexplicavelmente sem explicação porque, há coisas assim... inexplicáveis.

"    No quarto da minha mãe, em cima da cómoda, havia uma fotografia muito velha. Metido num caixilho de madeira, e com vidro estalado, esse retrato amarelecido mostrava rostos sisudos, corpos retesados e olhares fixos.
     Quando eu era rapaz, pegava no retrato, deitava-me em cima da cama e ficava imenso tempo a observar aquelas caras que a minha mãe dizia serem dos meus avós maternos, dela e dos irmãos.
    - Ah!, que martírio para tirar esse retrato - repetia vezes sem conta a minha mãe. - Lembro-me muito bem. Nessa altura eu era essa figurinha que está aí no meio, com esses caracóis todos...

    Um dia, apareceu em Vilarelho um retratista. Era um homem novo, magrinho, baixinho, falava com uma vozinha doce, fartava-se de tossir e fumava cachimbo, coisa nunca vista na aldeia.
    Se não fosse o cachimbo, que lhe dava um ar respeitável, talvez não tivesse a sorte de jantar e dormir em casa do Albininho Sousa, que era o regedor. Trataram-no com arroz de cabidela e canja de galinha, soube-se depois.
    O Albininho ficou um bocado aborrecido por o senhor Prata, ou Prestes, já não sei muito bem o nome dele, não tocar numa gota de vinho. Nessa altura era quase uma afronta à hospitalidade um convidado não aceitar um copo de vinho tirado da pipa. Mas como ele fumava cachimbo, tossia e tinha falas doces, toda a gente lhe perdoou.
    Esse retrato foi tirado na eira. A gente enfarpelou-se e ali estivemos a enfrentar a máquina dos retratos, que era daquelas que parecem um caixote assente sobre um tripé.
    O homem metia a cabeça dentro da caixa e fartava-se de dar ordens com os braços: para a direita, para a esquerda, olha o passarinho, falta aqui qualquer coisa, juntem-se mais um bocadinho, isso... não!... menos... assim! Não se mexam, por favor!...
    Ao fim de não sei quanto tempo, já eu tinha levado uma bofetada da minha mãe, tinha chorado, limpado as lágrimas e sorrido para o fotógrafo, que se pôs a imitar um burro a zurrar, clic, o retrato ficou pronto!
    Que alívio quando aquilo acabou!
    Mas, não fosse a coisa ficar mal - ainda foi preciso repetir a dose."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O escritor veio à escola!

"No Tempo em que eu andava na escola não havia nada disto..."  É uma frase recorrente e proferida por muitas pessoas mas ainda bem que os Tempos evoluíram e conseguimos, no presente, facultar às nossas crianças, experiências e vivências únicas, diferentes.
É saudável verificar que a literatura infantil invadiu (no bem sentido, é claro) o mercado, preencheu as estantes das livrarias e das bibliotecas e chega cada vez mais, a esta camada da população estudantil.
Nunca se escreveu tanto para a infância. Os escritores para esta faixa etária são às centenas e a maioria, é boa naquilo que escreve.
Há uns meses atrás, registei aqui, um gosto pessoal e vou repetir-me, mas não faz mal: eu sou fã do estilo literário, desde a escrita à ilustração.
António Mota, um ex-professor e colega viciado na escrita, colecciona uma vasta obra de livros infantis (cerca de oitenta e duas publicações) bem como, a atribuição de vários prémios nacionais.
Grande parte dos seus livros, integram o Plano Nacional de Leitura, sendo por isso, difícil encontrar um manual escolar do 1ºciclo do ensino básico que não tenha um texto deste autor.
Foi precisamente, o escritor nascido no ano de 1957 em Baião - António Mota - que tive o prazer de conhecer, hoje, dia 16 de Maio. Aliás, eu, e todos os elementos da comunidade educativa!
As crianças arregalaram os olhos e os ouvidos perante o autor dos textos que eles tão bem conhecem e no final, perceberam que os escritores são pessoas como todos nós: simples, divertidas e simpáticas.

(Ao almoço... porque a barriga do artista também se alimenta e a nossa, idem aspas)
  

(Momentos de cumplicidade e de partilha)

 (Os autógrafos... eu também tive direito ao meu... ) :))

sábado, 14 de maio de 2011

Gosto dele, os 365 dias do ano

Eu tenho, nós temos (acho eu) mil e uma razões para gostarmos dele. Transmite alegria, é indispensável à vida dos seres vivos, é quentinho... é bom em qualquer altura do ano, sobretudo quando está frio.
Parece que o Homem inventa todas as engenhocas possíveis e imaginárias para chegar cada vez mais perto dele e pelos  vistos, consegue...
Pronto. Eu gosto dele e não se fala mais nisso!

                                           Mais fotos, aqui.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Naked Woman" through the eyes of a child (mais obras de arte infantil)

Podia ter escolhido outra profissão: ter sido uma simpática guia turística mas desisti, escolhido ser uma cabeleireira mas fiquei-me pelo gosto, "vingando-me" na cabeleira do meu filho que é, a bem dizer, a minha cobaia para os meus "impressionantes" cortes de cabelo.
Podia ter sido uma astronauta em terra, uma vez que a série de TV "Espaço 1999" era do melhor na altura, em matéria de ficção científica e eu adorava e sonhava um dia, ser como aquelas pessoas, rodeada de botões e de aventuras espaciais.
Não fui nada disso. Voltei-me para a profissão que talvez sempre quisesse ter tido. Não sei porquê mas é a que tenho e por isso, aquela que exerço com algum espírito de missão... e incomensuráveis doses de paciência!!!! Ora vejam:
Numa aula, enquanto uns faziam as suas tarefas... dois alunos, davam largas às suas fantasias...
A custo, lá me veio parar às mãos, mais esta obra de arte infantil: um corpo esbelto com direito a tatuagem e tudo!!!!
O parceiro do lado, imbuído pelo espírito "naked  woman", tentava a sua sorte com outra versão menos sofisticada... Os autores destas maravilhas da fisionomia feminina são crianças de 8 e 9 anos!
Não aprendem as tabuadas mas sabem muito bem estas, e outras coisas, sem necessidade de nenhum mestre.
Agora, digam-me lá que a vida de professor não é uma vida do caraças, hein?!

Para todas as mulheres acorrentadas aos olhómetros perversos de gente miúda (e graúda), cá vai música...
(Woman in chains) com votos de uma boa semana cheia de paciência para as minhas queridas e prestimosas colegas de profissão.

domingo, 8 de maio de 2011

Uma História tradicional portuguesa - O DOUTOR GRILO

É uma história tradicional portuguesa, pois com certeza. Daquelas que provam, entre outras coisas, que a esperteza ... resulta e compensa quase sempre.
História que se preze, tem de ter uma princesa qualquer em apuros.
A princesa desta história, ficou com um osso atravessado nas goelas. Valeu-lhe, no entanto, o estudante adivinhão que tinha jeito para a coisa e por isso, resolveu-se a ir estudar mais tarde, medicina, na universidade.
Eu cá não sei, mas... acho que nós, portugueses, andamos mais ou menos todos, também, com um osso atravessado nas goelas e bem precisávamos para os próximos anos de um Doutor Grilo assim; um Doutor Grilo que desse esperança e ânimo à malta. Para o Ministério da Saúde, então... nem se fala!!! Já pensaram na pipa de massa que este Doutor Grilo pouparia ao Estado!? Conta esta história que ele, só com a sua visita, dava saúde aos enfermos!!! Não é extraordinário?!
As eleições estão à porta e temo que em vez de um Dr Grilo nos saia um Dr Coelho...  :((
E pronto. Fico-me, hoje, por aqui. Espero que se divirtam com esta história de outros Tempos.

Luis Gaspar - Historias 58 - O Doutro Grilo .mp3
Found at bee mp3 search engine

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Homenagem à minha dor de cabeça

 Homenagem à minha dor de cabeça

Acordei azamboada
E não estava ensonada
Ai credo, o que tenho no olho?
Acho que acordei com um treçolho! 
À tarde visitou-me a Senhora 
Dona Dor de Cabeça 
Dona Dor de cabeça vá-se embora
Por favor 
Que eu amanhã não posso ir ao doutor
Dona Dor de cabeça
Comigo não faça conta
Esqueça
Que eu hoje 
Estou mais para lá
Do que para cá

relogio.de.corda (Tentativas Poéticas - Edições QuantotempotemoTempo?)
Bom fim-de-semana

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Testamento do Gato

Da minha escritora infantil preferida:


                                   O Testamento do Gato
 Ai, se eu um dia morrer
não quero ser enterrado,
hei-de ficar ao solinho,
em cima do meu telhado.

Levem-me três carapaus
e um pratito de leite.
Comer sempre bons petiscos
é o meu grande deleite

Convidem três gatas pretas
com unhas bem afiadas,
Pois mesmo depois de morto
preciso de namoradas.

Ai, se eu um dia morrer
não me façam despedidas,
eu volto sempre de novo
que um gato tem sete vidas.
      
Luísa Ducla Soares (do livro "A Cavalo no Tempo" - Civilização Editora)
             

terça-feira, 3 de maio de 2011

Deux Jours a TUER

Andei a namorar este filme - Deux jours à tuer - (em português, Dois dias para esquecer) desde que coloquei aqui, há cerca de um ano, a canção de Serge Reggiani, "Le temps qui reste" que é simultaneamente, a banda sonora deste drama realizado pelo francês, Jean Becker, em 2008. Finalmente consegui vê-lo!
Escusado será dizer que só vendo o filme, se pode compreender a escolha desta música, interpretada por Reggiani e menos escusado ainda, seria revelar, aqui, publicamente que esta história faz chorar e que eu chorei.
Na contracapa do DVD encontra-se um resumo que não corresponde totalmente à história...

"Antoine é um publicitário de 42 anos, bem sucedido. É casado, tem dois filhos, mora nos arredores de Paris, tens bons relacionamentos com os vizinhos e mantém um discreto affair.
De repente, numa manhã como as outras, a sua vida dá uma reviravolta. Arruína projectos no trabalho, zanga-se com o seu sócio, insulta os amigos e discute com a mulher e filhos.
No espaço de um fim-de-semana, Antoine destrói toda a sua vida. Será uma crise de meia-idade? Ou estará a perder o juízo? Ninguém consegue explicar..."

Na verdade, não havia affair nenhum nem qualquer crise de meia-idade ou perda de juízo. Antoine estava simplesmente, a preparar-se para a sua própria morte, depois de uma médica oncologista, sua amiga, lhe ter diagnosticado um cancro.
Egoísticamente, preferiu  fugir de tudo e de todos; a forma que encontrou para poupar o sofrimento aos seus amigos e às pessoas que amava.

 

 (à venda aqui - FNAC)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

ARPÃO, o submarino II que ninguém quis ver chegar

                                    (Clique aqui para ler a notícia da chegada do Arpão)

Quem lê com regularidade algumas das tontarias que eu vou escrevendo aqui e ali, recordar-se-á de umas quantas considerações tecidas há uns meses atrás sobre o submarino "Tridente".
E já que falamos em água... no fundo, mas bem lá no fundo, o "Tridente" acaba por ser o irmão mais velho do "Arpão", nome dado ao outro submarino, comprado na terra da Ti Angela Merkelina que chegou  a Lisboa, este fim-de-semana, sem qualquer aparato mediático ou popular. 
Com dois submarinos desta envergadura, Portugal pode finalmente afundar em paz e sossego, embora, diga-se em abono da verdade, estes poderosos e sofisticados engenhos metálicos, já tivessem dado a sua contribuição para o afundamento das contas do país, mesmo antes de chegarem!!! É obra, não acham?!
Para além da inutilidade (é a minha opinião) destes "brinquedos" subaquáticos, é importante dar os parabéns às mentes brilhantes que baptizaram tais submarinhos com os nomes: Tridente e Arpão (qual deles o pior?). Se um, me lembra pastilha elástica, o outro, lembra-me a pré-história, não sei porquê. 
Já agora, para quem tiver curiosidade em espreitar por dentro... entrem à vontade porque está (quase) tudo aqui.
Boa semana.

domingo, 1 de maio de 2011

De Mãe para Mãe, neste Dia que é dos Filhos também

Quer o calendário que assim seja; o primeiro Domingo do mês de Maio, o Dia da Mãe comemorarás.
Por sorte, coincidiu com outro Dia, o do Trabalhador. Uma mãe é pois, uma trabalhadora a tempo inteiro, incansável cujo valor nem sempre lhe é reconhecido.
Eu costumo dizer que estes dias são benéficos para o comércio e para os mais distraídos que se esquecem da importância das mães durante os restantes 364 dias do ano.
Pede-se a quem puder, que celebre este dia apenas com gestos simples, discretos mas significativos: ofereçam uma florzinha, um simples abraço, um beijo, um desenho, um postal ou uma simples visita à sua mãe.
Para a minha e para todas as mães do mundo, um grande abraço.
(Na foto, a mãe "relogio.de.corda" aos 10 anos de idade - hoje tem 81).
Era gira a minha mãe, não era?! (é)

 (Queen - Mother Love)