quarta-feira, 26 de maio de 2010

As despedidas são tristes. Não gosto delas!

Hoje, dei por mim a reflectir sobre "despedidas".
Talvez influenciada pelo recente acontecimento familiar que vivi, não sei... Mas o que eu sei, é que as despedidas ou os actos sociais relacionados, como o simples aperto de mão, o abraço ou o beijo, são características do ser humano que podiam ser dispensáveis. A minha teoria sobre este assunto, é simples;
Nós humanos, temos o hábito de nos despedirmos perante curtas, médias ou longas ausências. Sinceramente, eu considero que gestos como estes, aumentam ainda mais a dor, a tristeza, a pena, (seja lá o que for)... provocada por uma suposta separação, ausência...
E, nesta linha de pensamento invulgar, quiçá, sem "pés nem cabeça", que eu vejo as "despedidas" como gestos verdadeiramente tristes e deprimentes.
Se eu pudesse, não me despediria nunca. Não que o fizesse por falta de educação mas, apenas e tão só, porque a despedida em si, é triste, faz-me pena, dá-me vontade de chorar.
E, boicotando assim, esta norma social reveladora das boas maneiras e da boa educação de qualquer cidadão bem formado, as pessoas não tardariam a pensar o quão mal educada eu sou. Mas não faz mal.
Confesso que, algumas vezes, quando me despeço, sobretudo das pessoas de quem eu gosto, faço um esforço terrível para não ficar com uma gota lacrimejante ao canto do olho. Esta sensação de alguma tristeza, vivo-a também no plano profissional com a saída de colegas, alunos... Não deveria ser assim, mas é um facto.
Escrever isto neste espaço, é um desabafo muito pessoal, eu sei. A lamechice, não faz parte do "alinhamento" deste blogue, mas... paciência... Hoje foi assim.
Melhor mesmo, é fazer como na música dos Beatles; quando alguém me disser "adeus", eu digo "olá".

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Who's that girl?"... Just a sexy portuguese teacher


Professoras...há muitas, mas poucas, como esta

Por uns dias, o povo esqueceu as recentes mensagens de fé e de esperança deixadas por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, assim como as medidas de austeridade decretadas pelo Governo, graças à polémica professora de Mirandela que ousou posar em trajes mínimos (ou menos ainda) para a Playboy portuguesa.
                                   foto de Paulo Jorge Magalhães / Global Images


O povo português andava a precisar de uma notícia que lhe trouxesse algum ânimo!
Digamos que... para alguns, esta "bomba" lançada directamente do céu (em boa hora) sobre a terra, causou apenas danos colaterais, na visão e nos pensamentos de seres humanos portadores do cromossoma XY, que é como quem diz, indivíduos do sexo masculino.
No entanto, ainda ninguém conseguiu apurar se esta notícia "boa", emergiu ou não, das cinzas do vulcão islandês... mas... que a professora é um "vulcão", lá isso é!
                                                                            
Com tanta santidade à solta por aí, nestes últimos dias e, com tanta desgraça a acontecer na área da economia, só mesmo uma professora, agora mais famosa do que nunca, pertencente a um nível de ensino considerado por muitos, a ralé do sistema, para uma ousadia de se lhe tirar o chapéu.
O que ela fez, não foi mais do que pôr a render os seus dotes físicos (bons, muito bons, dizem os homens) ao serviço da sua conta bancária.


Aliás, não vejo razões para tanta polémica. Foi uma professora do 1º ciclo do ensino básico mas poderia ter sido outra pessoa: uma psicóloga, uma enfermeira, uma médica, uma actriz, uma dona de casa...
Uns, consideram esta atitude uma pouca vergonha, indigna de uma professora. Outros, aposto que salivam e faíscam laivos de ordinarice, comentando que deveriam ter tido uma professora deste calibre, no tempo deles.

Bem... O que ela fez, a mim, não me espanta minimamente. E passo a explicar porquê.
Provavelmente, será mais uma jovem licenciada, sem colocação que resolveu pegar num part-time chamado "AEC" para ganhar algum dinheiro e, algum tempo de serviço com as aulas de expressão musical.
As "AEC" (actividades de enriquecimento curricular), para quem não está dentro do assunto, foram a "menina dos olhos" da "Governação Socrática". Na génese destas Actividades, assenta uma filosofia educativa com um nome chique e pomposo; "a escola a tempo inteiro", cuja intenção-mor é, manter as crianças ocupadas até às 17h30.

Polémicas quanto baste, pelas mais variadas razões, estas actividades têm sido introduzidas nas escolas públicas à boa maneira portuguesa; um pouco à toa e com um rigor algo duvidoso.
Mais; estas "AEC", não foram implementadas a pensar no bem-estar ou na formação harmoniosa das nossas crianças.
A intenção destas Actividades, baseia-se, antes de mais, na prestação de um serviço de guarda para crianças a baixo custo (para as famílias) que satisfaça de algum modo o problema do horário dos pais e encarregados de educação que trabalham -ou não- e que de outra forma, não teriam onde deixar as suas crianças.
Apesar do recrutamento para estas actividades, ser feito, muitas das vezes, sem grandes exigências quanto ao perfil ou à formação dos candidatos, é com alguma frequência que chegam às "AEC", pessoas que não sabem lidar com grupos de pequenos endiabrados dos 5 até aos 9 anos de idade. E...verdade seja dita; aos olhos dos nossos governantes, isto também, não é lá muito relevante.

Mas o mais irónico de toda esta história, é o facto de estarmos perante professores que ganham por mês, pouco mais de 400 €. Só lhes contam o tempo de serviço se leccionarem aulas de Expressão Musical. Muitos deles, fazem deslocações de dezenas e dezenas de quilómetros, têm despesas e encargos, como a maioria dos portugueses. Muitos, "fazem das tripas coração" para que as suas aulas sejam interessantes e motivadoras. Alguns, assim que arranjam colocação noutro lugar ou encontram outro trabalho, não pensam duas vezes e "abandonam o barco".

Compreendo, portanto, a atitude desta jovem professora de 27 anos. A Bruna Real, foi Realmente corajosa, ao expor-se sem pudor para uma revista da dimensão da Playboy, num país onde existem muitos falsos puritanismos.
Teve azar... esqueceu-se que Trás-os-Montes é ainda uma região pouco dada a estas modernices e neste mundo de globalidades, tudo acaba por se saber, mais cedo ou mais tarde.


No entanto, "ponho as minhas mãos no lume", em como a professora Bruna, não deve estar nada, mas mesmo nada preocupada, com o facto de não voltar a dar Aulas de Enriquecimento Curricular.
E mais; o futuro desta professora "primária" (1º Ciclo) não deverá, com certeza, estar nos arquivos da Câmara Municipal da sua santa terrinha para onde foi "recambiada". Vai uma aposta?!...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O "Espanta-Pardais" de Maria Rosa Colaço

Os autores dos manuais escolares lá vão introduzindo nos respectivos, muitos textos pertencentes a escritores portugueses de literatura infantil; uns interessantes, outros nem por isso.
Eu, que sou grande fã deste género literário, não podia deixar de escrever sobre um texto bem conhecido e bem expressivo também, de uma escritora que começou profissionalmente como enfermeira, passou pelo jornalismo e acabou no ensino como professora "primária".
Hoje, ao remexer nuns manuais, encontrei este texto retirado da obra de Maria Rosa Colaço, o "Espanta-Pardais".
Não sei porquê, mas sempre achei esta história bonita, sobretudo aquela expressão, "...caminhar na Estrada Larga".

     «Era um boneco humilde de quem a cegonha vaidosa fazia troça. Tinha dois grandes braços sempre abertos, um casaco de remendinhos de todas as cores, um cachecol e um chapéu preto com uma flor no alto.
     A única coisa que o Espanta- Pardais desejava na vida era, um dia, poder caminhar na Estrada Larga. Uma tarde em que estava farto dos dedos quentes do Sol, farto das mãos geladas da chuva, farto do silêncio e farto de estar sozinho, disse numa voz tão alta que as árvores estremeceram:
      - Estou farto! Pronto! Estou farto de estar aqui de braços abertos.
      - Com quem estás a falar, Espanta-Pardais?
      O boneco ficou muito atrapalhado ao ouvir aquela voz. Olhou, olhou devagar como se fosse um girassol, e qual não foi o seu espanto ao ver, sentada num molho de trigo, uma menina linda como a madrugada.
      - Então tu não me conheces?
      - Não, nunca te tinha visto.
      - Eu sou a Maria Primavera e venho aqui todos os anos. Mas porque estás a olhar para mim dessa maneira? Tenho cara de sapo?
      - És tão bonita, Maria Primavera! Donde vens? - perguntou ele, muito baixinho, cheio de vergonha e de ternura.
       - Eu venho da Estrada Larga.
       Ao ouvir este nome, o Espanta- Pardais estremeceu. Depois gaguejou:
       - Ah!... Da Estrada Larga!...Conta-me o que viste lá.
       E Maria Primavera falou das cidades de cimento com pássaros de alumínio voando no céu azul; dos homens que trabalham nas minas, no fundo da terra; dos jornais que davam notícias às pessoas; dos meninos que iam para as escolas, e falou sobretudo nos mares com peixes de madeira que levam homens e saudades.
       - Tu falas tão bem, Maria Primavera! E eu gostava tanto de ir contigo para a Estrada Larga!»
                                         
Maria Rosa Colaço (texto adaptado) - Espanta-Pardais - Edições Vega 2001
                              
À venda aqui  

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O eterno problema...do caracol: a solução

Finalmente, o nosso caracol conseguiu aingir o topo do muro, são e salvo!
Por pouco, não foi esmagado por um pé, levado no bico de um pardal (sabe Deus com que intenção) ou ainda, apanhado, com o intuito de "extorquir-lhe" alguma baba para creme de rosto.
Apesar de alguns "amigos" bloggers, estarem muito próximos da resposta correcta, foi "vieira da silva", http://asudoeste.blogspot.com/ quem conseguiu responder acertadamente ao problema. Parabéns para este senhor.
O tempo que o caracol demora a subir o muro de 34 dm é, na verdade, 12h45m.
Na prática, o caracol sobe em cada 90 minutos (1h30m), apenas 4 dm.
A subida é feita ao longo de 8 etapas, dando 32 dm (8x4dm). Multiplicamos as 8 etapas pelos 90m (90mx8=720m:60m=12h).
Como lhe faltam apenas 2 dm para atingir o topo, irá necessitar apenas de metade do tempo (90:2=45m).
Passo a registar o rascunho, com a explicação do exercício para crianças de 8/9 anos. Diga-se de passagem, que o problema não foi de fácil resolução para elas.
Quanto a nós, espero que tenham apreciado esta brincadeira.